"Se a Globo não conseguir pegar o Elias maluco, ninguém consegue."
Essa tem sido uma frase "fácil" em qualquer discussão sobre a morte do jornalista Tim Lopes e sobre a violência no Rio, que são temas praticamente onipresentes nestas últimas semanas. As organizações Globo ajudam a manter o tema em debate, com matérias nos telejornais e cadernos especiais como o que faz parte do Globo deste domingo. Prestação de serviço, denúncia ou sensasionalismo barato? Ou, ainda, um pouco de cada???
De qualquer forma, destaco duas passagens de dois textos do tal caderno especial, que parecem ajudar a pensar sobre esse problema que já faz parte da vida de qualquer carioca há algum tempo, mas parece que para algumas pessoas, surgiu ontem.
"...
Não quero afirmar que todo pobre é bandido, porque senão estaríamos realmente em guerra civíl, mas sim que dentro das favelas são os mais miseráveis e membro de famílias desorganizadas, analfabetos ou semi-analfabetos que na maioria engrossam as fileiras da criminalidade. Os moradores das periferias já sabem, desde cedo, quem vai ou quem não vai entrar para a vida do crime, pois sào aqueles que estão na base da pirâmide social da favela que matam e morrem regularmente. A entrada para as fileiras da criminalidade é ainda na infância, num processo lento e doloroso, pois ninguém vira bandido da noite para o dia, mesmo sendo essa a única opção. A segunda opção, a de inclusão no mercado de mão-de-obra barata, é para os que estão no topo da pirâmide, pois, por incrível que pareça, está fora de alcance da base.
..."
Paulo Lins
"...
Eu não acredito que haja alguma possibilidade de reversão desse quadro simplesmente com passeatas na orla, se vestindo de branco. Isso não vai cegar o sabre dos Elias Maluco da vida. Não considero séria nem eficaz essa forma de luta. Para mim, essas passeatas são quase ccomo um desfile de moda com o merchandising da antiviolência. É apenas uma tentativa de aliviar culpas. É uma coisa deles, enquanto Zona Sul, gente bonita e bronzeada. A situação requer uma emergência maior. Ninguém assume o quanto essa questào da violência é de fato emergencial. Todo mundo se vira para o mar, de costas para o interior, para a pobreza, a miséria, o abandono da periferia e das favelas. Tudo agora é entretenimento. Ser feliz agora é se entreter, se divertir. Há uma necessidade de se esconder nossas mazelas.
..."
Marcelo Yuka
E, por fim, um corte e colagem a partir do blog da Cecília:
tim lopes 2
"Eu não conhecia o trabalho desse cara antes do auê em torno da morte dele, mas acho o seguinte: não tem nada a ver ficar dizendo que ele mereceu morrer ou que estava ERRADO em tentar fazer a matéria que fazia. A intenção dele tinha sentido, e seria massa se tivesse dado certo. Repórteres se arriscam o tempo todo pelo mundo, e desse risco freqüentemente sai informação importante.
Mas eu não concordo com a REAÇÃO da imprensa, sindicatos e governo em relação à morte dele. Supõe-se que o Tim Lopes sabia dos riscos que corria e que estava lá no morro por iniciativa própria. Pode-se achar que é burrice, loucura, tudo bem. Mas o fato dele ser jornalista não deve tornar a morte dele extraordinária. Isso é revoltante. Um repórter não tem um crachá que diz que ele é um ser humano de mais valor para a sociedade do que um carteiro, uma empregada doméstica ou um motorista. Quando se fala de ASSASSINATO (e é isso que aconteceu com o Tim Lopes, foi assassinado), todo ser humano é uma vítima igual às outras. Logo, levantar a bandeira da "obstrução à liberdade de imprensa" é uma bobagem ainda maior do que se infiltrar no morro pra fazer o que o Tim Lopes fez. Como o mojo observou no blog dele, uma reação desse tipo só é possível vinda de uma imprensa que se julga acima do bem e do mal. Todos se ajoelham diante de um repórter quando este dá ao povo a oportunidade de ser parte do espetáculo, e assim os jornalistas têm sua pequena dose de divindade, são o deus operando a câmera, perguntando aos reles mortais o que eles acham disso e daquilo. Mas pro traficante que dividiu o Tim
Lopes ao meio com uma espada, ele não era um repórter, muito menos um deus: era um imbecil que se meteu onde não devia e que tem que pagar pelo que fez assim como qualquer outro pé-rapado que olhasse torto pra namorada de um traficante ou invadisse uma zona rival.
Até onde o repórter deve ir? Até onde julgar adequado. Tim Lopes fez o seu julgamento e se deu mal. É lamentável, é trágico, mas não é extraordinário, e não se deve tirar da morte dele nenhuma conclusão diferente do que se tiraria da morte de qualquer outro cidadão numa favela violenta."
galera, autor da livros do mal, na lista da ird.
enviar a um amigo
10/06/2002 14:51
domingo, junho 16, 2002
"...
Em pouco mais de 400 anos de ciência, passamos do centro do Universo a um planeta orbitando uma humilde estrela em meio a bilhões de outras. O que essa visão tem de humilhante, ela tem de magnífica. Termos consciência de nossa insignificância cósmica é, talvez, um dos nossos maiores motivos de orgulho; ao mesmo tempo, aprendemos a celebrar a enormidade do cosmo e a nossa capacidade de compreendê-la.
Essas reflexões tornam a questão da nossa existência ainda mais fascinante: como foi possível, em um Universo movido pelo acaso, que seres vivos tenham aparecido e, mais impressionante ainda, seres vivos inteligentes? Como foi possível, em um Universo dominado por matéria inerte, que átomos destituídos de consciência ou objetivo tenham se organizado em sere conscientes? Essas questões, claro, são bem mais antigas que ciência, tendo sido abordadas por inúmeras religiões no decorrer da história da humanidade. Temos uma profunda necessidade de compreender as nossas origens, de justificar de alguma forma a nossa presença aqui. Se a origem da vida permanece ainda um mistério, a sua emergência é algo que deve ser explicado cientificamente, a partir da complexificação crescente da matéria orgânica, desde os seres mais primitivos até a humanidade moderna.
..."
Marcelo Gleiser, 16/06/2002, no caderno Mais, da Folha.
Tendo assistido Contato (filme que sempre me emociona e me leva a pensar, mesmo depois de várias sessões, mesmo já tendo lido o livro de Sagan), mais uma vez, ontem (mesmo que decepado pelo sbt) e lendo a coluna do Marcelo Gleiser de hoje, não posso deixar de pensar que, no final das contas, tudo se resume a fé, a acreditar em algo que para nós faz sentido e nos toca como sendo a verdade. Nem mesmo a ciência conseguiu, até agora, todas as explicações. Até os mais racionais dos cientistas têm de se ver aceitando algo tão irracional como o acaso para poderem explicar aquilo que ainda não somos capazes de entender.
Um dia, eu espero, seres humanos vão olhar para trás e se perguntar "como podíamos ser tão ingênuos?".
sexta-feira, junho 14, 2002
Para lembrar (e pensar) enquanto assistimos ao horário político, e enquanto vivemos nossa vida diária também...
"...
No 10 de maio passado, morreu um grandíssimo sociólogo americano: David Riesman, autor de "A Multidão Solitária" (1950) - uma obra ainda profética.
Riesman descrevia três tempos de nossa cultura: um passado, em que a vida era regrada por tradições e costumes instituídos, 2) a modernidade, animada pelo projeto interior do indivíduo, sua vontade de mudar a próprio e ao mundo, 3) os dias de hoje, em que (pressentimento milagroso) não somos definidos pela tradição ou pela certeza de nossos projetos: o critério que nos orienta é o que os outros pensam de nós. Somos sociais como nunca, pois só existimos na (e pela) multidão. Somos solitários como nunca, pois, na hora de dialogar, é difícil encontrar sujeitos que sejam gente: esbarramos nos reflexos das indentidades que a multidão reconhece e festeja.
Riesman constatou, por exemplo, que, na formação dos jovens, o grupo de pares (que aprova ou desaprova) se tornava tão importante quanto a hierarquia familiar. Numa época ainda sem televisão, ele previu que, nas escolhas políticas, triunfaria o marketing: não votaríamos para defender uma idéia, mas em quem nos seduzisse (ou, eu preferiria, em quem nos parecesse suscetível de ser seduzido por nós). Nesse mundo, o valor das mercadorias é cada vez menos decidido pelo custo ou pelo valor de uso: as mercadorias valem pela aprovação que encontram na opinião da multidão.
..."
Contardo Calligaris, 13/06/2002, na Folha.
"...
No 10 de maio passado, morreu um grandíssimo sociólogo americano: David Riesman, autor de "A Multidão Solitária" (1950) - uma obra ainda profética.
Riesman descrevia três tempos de nossa cultura: um passado, em que a vida era regrada por tradições e costumes instituídos, 2) a modernidade, animada pelo projeto interior do indivíduo, sua vontade de mudar a próprio e ao mundo, 3) os dias de hoje, em que (pressentimento milagroso) não somos definidos pela tradição ou pela certeza de nossos projetos: o critério que nos orienta é o que os outros pensam de nós. Somos sociais como nunca, pois só existimos na (e pela) multidão. Somos solitários como nunca, pois, na hora de dialogar, é difícil encontrar sujeitos que sejam gente: esbarramos nos reflexos das indentidades que a multidão reconhece e festeja.
Riesman constatou, por exemplo, que, na formação dos jovens, o grupo de pares (que aprova ou desaprova) se tornava tão importante quanto a hierarquia familiar. Numa época ainda sem televisão, ele previu que, nas escolhas políticas, triunfaria o marketing: não votaríamos para defender uma idéia, mas em quem nos seduzisse (ou, eu preferiria, em quem nos parecesse suscetível de ser seduzido por nós). Nesse mundo, o valor das mercadorias é cada vez menos decidido pelo custo ou pelo valor de uso: as mercadorias valem pela aprovação que encontram na opinião da multidão.
..."
Contardo Calligaris, 13/06/2002, na Folha.
sexta-feira, junho 07, 2002
Os caminhos e os acertos...
Não sei se já ficou claro através de alguns de meus escritos, mas entendo a vida como uma grande aventura, através da qual vamos fazendo escolhas, certas e erradas, e tentamos aprender com elas. Se terminamos aprendendo alguma coisa, qualquer coisa, é porque o resultado foi positivo.
O que norteia essas escolhas, a meu ver, é a nossa procura pela tal felicidade. Não pensamos, conscientemente, no que será mais engrandecedor para nosso espírito, pensamos naquilo que nos dará prazer. As exceções, como sempre, existem. Existem pessoas que realmente têm espíritos mais elevados e passam suas vidas em uma doação contínua. Outras que parecem ter visões distorcidas sobre o que seja prazer ou que acreditam que nasceram para sofrer e vivem fazendo escolhas erradas, muitas vezes tendo plena consciência disso...
Mas, mesmo pensando apenas na saciedade de nossa necessidade de prazer, de felicidade, parece que às vezes fazemos escolhas que vão de encontro a isso. Mesmo que não nos enquadremos naquela classe de pessoas que "gostam" de sofrer (melhor seria dizer, que não sabem viver de outra forma a não ser sofrendo), muitas vezes fazemos escolhas que não trazem muita alegria. E perduramos nesse caminho escolhido, duvidando que ele vá levar a algum lugar interessante, mas ao mesmo tempo sem ter força para pegar o primeiro atalho e sair.
Algumas vezes o caminho é realmente errado, principalmente se ele for difícil demais (acredito que ninguém está aqui para viver só em sofrimento). Mas em outras vezes podemos nos surpreender ao encontrar um sentido para aquela escolha. Pode ser que ocorra só no final, pode ser ocorra no momento em que estamos prestes a desistir e tomar outro caminho, mas seja quando for, a sensação de que fizemos uma escolha certa, de que estamos não num bom caminho, mas naquele que talvez seja o caminho de nossa vida, é sempre gratificante. Passamos a nos sentir mais leves, mais serenos, mais capazes, mais felizes, pois temos pelo menos uma certeza na vida.
Claro que é possível sentir-se assim sem certezas, apenas vivendo a grande aventura. Mas sentir-se tendo acertado pelo menos um dos caminhos ajuda um pouquinho. ;)
(O meu caminho parece ter sido o da carreira! Quem sabe ainda tenho sorte de acertar mais algum...)
Não sei se já ficou claro através de alguns de meus escritos, mas entendo a vida como uma grande aventura, através da qual vamos fazendo escolhas, certas e erradas, e tentamos aprender com elas. Se terminamos aprendendo alguma coisa, qualquer coisa, é porque o resultado foi positivo.
O que norteia essas escolhas, a meu ver, é a nossa procura pela tal felicidade. Não pensamos, conscientemente, no que será mais engrandecedor para nosso espírito, pensamos naquilo que nos dará prazer. As exceções, como sempre, existem. Existem pessoas que realmente têm espíritos mais elevados e passam suas vidas em uma doação contínua. Outras que parecem ter visões distorcidas sobre o que seja prazer ou que acreditam que nasceram para sofrer e vivem fazendo escolhas erradas, muitas vezes tendo plena consciência disso...
Mas, mesmo pensando apenas na saciedade de nossa necessidade de prazer, de felicidade, parece que às vezes fazemos escolhas que vão de encontro a isso. Mesmo que não nos enquadremos naquela classe de pessoas que "gostam" de sofrer (melhor seria dizer, que não sabem viver de outra forma a não ser sofrendo), muitas vezes fazemos escolhas que não trazem muita alegria. E perduramos nesse caminho escolhido, duvidando que ele vá levar a algum lugar interessante, mas ao mesmo tempo sem ter força para pegar o primeiro atalho e sair.
Algumas vezes o caminho é realmente errado, principalmente se ele for difícil demais (acredito que ninguém está aqui para viver só em sofrimento). Mas em outras vezes podemos nos surpreender ao encontrar um sentido para aquela escolha. Pode ser que ocorra só no final, pode ser ocorra no momento em que estamos prestes a desistir e tomar outro caminho, mas seja quando for, a sensação de que fizemos uma escolha certa, de que estamos não num bom caminho, mas naquele que talvez seja o caminho de nossa vida, é sempre gratificante. Passamos a nos sentir mais leves, mais serenos, mais capazes, mais felizes, pois temos pelo menos uma certeza na vida.
Claro que é possível sentir-se assim sem certezas, apenas vivendo a grande aventura. Mas sentir-se tendo acertado pelo menos um dos caminhos ajuda um pouquinho. ;)
(O meu caminho parece ter sido o da carreira! Quem sabe ainda tenho sorte de acertar mais algum...)
Agradecimento!
O meu pseudobloguinho agora tem uma barra com links para todos os sites da família mX!! E eu ainda tenho a honra de vê-lo fazendo parte dessa família!!!
E ainda tem um link de busca do Google, que é atualmente o melhor site de busca da internet, e isso não é propaganda barata, é verdade!!
E tudo isso graças ao grande magisterX, que se ofereceu para me ajudar! Já estava há algumas semanas tentando fazer aquela barra (criação do magisterX)aparecer, sem sucesso. Devo ser a primeira bloggueira a não saber trabalhar com o template do próprio blog!! :(
Para terminar:
Obrigada magisterX!!!!! :)
O meu pseudobloguinho agora tem uma barra com links para todos os sites da família mX!! E eu ainda tenho a honra de vê-lo fazendo parte dessa família!!!
E ainda tem um link de busca do Google, que é atualmente o melhor site de busca da internet, e isso não é propaganda barata, é verdade!!
E tudo isso graças ao grande magisterX, que se ofereceu para me ajudar! Já estava há algumas semanas tentando fazer aquela barra (criação do magisterX)aparecer, sem sucesso. Devo ser a primeira bloggueira a não saber trabalhar com o template do próprio blog!! :(
Para terminar:
Obrigada magisterX!!!!! :)
sexta-feira, maio 31, 2002
which Episode II character are you?
Probably the greatest Jedi Knight of all. Like Obi Wan, you are wise and keep your feet on the ground at all times. You will not be outsmarted by anyone. You are always faithful to your friends. Be careful though, danger lurks around every corner - you could even be betrayed by those closest to you.
Oh my, Oh my...
What an honour to be him... :)
E morreu, ontem, 30 de maio de 2002, aos 90 anos, Mario Lago, um dos maiores artistas e intelectuais do país. Ele é conhecido como músico (quem não conhece Amélia, aquela que era mulher de verdade?? Ou Aurora, aquela que não era sincera??), como ator (tanto em novelas como no teatro e no cinema), como ativista de esquerda (preso 6 vezes por ser "comunista"), como tricolor e mangueirense, e como uma importante figura da cultura brasileira. Sem dúvida, uma das pessoas inesquecíveis do século XX.
"Eu fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo:
Nem ele me persegue;nem eu fujo dele.
Um dia a gente se encontra..."
(Mário Lago)
"Eu fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo:
Nem ele me persegue;nem eu fujo dele.
Um dia a gente se encontra..."
(Mário Lago)
A Copa do Mundo é nossa
Com brasileiro, não há quem possa
Um texto no SpamZine dessa semana fala sobre a descoberta da perda através do futebol. Lembrei de uma história particular, aquela que me afastou do futebol.
Em 1986, meros 7 anos de idade, na 2a série do primeiro grau, eu acompanhava a Copa do México...
Os mexicanos nos adoravam, torciam para o Brasil como se fossem brasileiros, faziam valer a frase "Mi casa, su casa" com sua incrível hospitalidade. Eu estava no caminho de me tornar uma grande torcedora de futebol. Tinha exemplos na família: meu pai, meus avós e minha mãe, que mesmo sendo mulher (ela é minha mãe, né?) entendia alguma coisa do esporte das multidões.
Até que houve a partida das quartas de final, Brasil x França. Eu me lembro daquele dia, um sábado. De manhã saí com meu pai e meu irmão (na época com 2 anos, a idade o salvou de não ter lembranças desse dia) para comprarmos estalinhos, cornetas e outras besteiras para comemorar o jogo. À tarde, por volta das seis horas, não havia o que comemorar. O Zico perdera o penalti!! Eu chorei!!
Com 7 anos, eu, uma menina, chorei, junto com o Vanutti (que na época ainda era da Globo) por causa de um jogo de futebol!!! Aquilo não estava certo! A partir daí cultivei uma antipatia, que durou vários anos, pelo Zico e pelo futebol em geral. Simplesmente dizia que não gostava, mas no fundo tinha inveja das discussões acaloradas, muitas vezes inteligentes, que aquele esporte proporcionava.
Então, em 94, já mais velha, com 15 anos de experiência, decidi tentar, flertar com o futebol e ver no que dava. Acompanhei muitos jogos da Copa sempre sozinha no meu quarto, eram momentos particulares, entre o futebol e eu, não queria dividí-los com outros. Por sorte, naquele ano tudo deu certo. Fomos campeões e eu acreditei que poderia me tornar uma torcedora, uma amante do futebol.
No ano seguinte dei mais um passo no meu aprendizado sobre o esporte: escolher um time do coração, além da Seleção. Como todos em minha casa são tricolores, minha tentativa inicial tinha de ser com o time de Laranjeiras. E comecei em grande estilo: fui à final do Estadual no Maracanã, a famosa final do gol de barriga de Renato Gaúcho.
Foi perfeito. O Maracanã em dia de Fla-Flu deveria ser considerado uma das maravilhas do mundo, tal é a beleza da festa das torcidas. E da festa dos times no campo. Para coroar, ainda tive um daqueles momentos que só acontecem no Maracanã: faltando 6 minutos para terminar o jogo, Flamengo empatando em 2x2 e assim levando o título, meu pai resolveu que deveríamos ir. Meu irmão, muito "chateado" da vida concordou, eu queria ficar, mas quem era eu, uma simples visitante, mal iniciada naquele culto, para discutir. Quando estávamos quase na rampa de saída, acompanhados de alguns outros tristes tricolores, ouvimos aquilo que só pode ser definido como "o grito das multidões". O gol de barriga havia acontecido, o jogo virara praticamente no último minuto. Na rampa, os torcedores fizeram uma corrente, ninguém que estava ali poderia voltar ao estádio até o final do jogo, para não dar azar. Por conta disso, apesar de estar no Maracanã, só fui ver o gol e o final do jogo, em casa, na televisão. Mas descobri porque aquele é considerado o templo do futebol. Coisas mágicas acontecem no Maracanã, de verdade!
E então, parecia que tudo se encaminhava para um bom final. Eu me tornaria uma torcedora de futebol, me deixaria levar pela paixão de milhões de brasileiros e de milhões de pessoas em todo mundo. Mas, não!
No final do mesmo ano de 95 decidi que o futebol não poderia ser uma paixão. Teria de lidar com ele apenas de forma racional, impessoal, como pessoa que gosta, acha interessante, mas não se envolve demais. Isso por causa do Fluminense, que perdeu a vaga no final do Campeonato Brasileiro, num jogo contra o Santos em que ele tinha vantagem de gols. Ouvi aquele jogo no rádio, sozinha no quarto, já imaginado que glória seria ver aquele que eu havia colocado em meu coração, naquele mesmo ano, como "meu time" ganhando o Brasileirão.
Só que o Fluminense perdeu!!
E eu, mais uma vez, chorei por causa do futebol. Meu pai notou minha dor, quando saí do quarto ao final do jogo. Aquilo era demais para mim. As vitórias eram incríveis, sem dúvida, a felicidade de se sentir campeã é uma daquelas coisas que não tem preço. Mas as derrotas também tocam fundo demais. Foi aí que decidi não me deixar levar pela paixão do futebol. E desde então não mais chorei ou vibrei com nenhum jogo. Ainda me digo torcedora do Fluminense, mas sei que sou apenas uma admiradora distante. O mesmo acontece com a Seleção.
Mas isso não significa que não acompanhe os campeonatos e que não vá acompanhar a Copa. Só que o farei com olhos distanciados, de quem acha lindo, mas (por covardia talvez) prefere não se deixar levar...
Com brasileiro, não há quem possa
Um texto no SpamZine dessa semana fala sobre a descoberta da perda através do futebol. Lembrei de uma história particular, aquela que me afastou do futebol.
Em 1986, meros 7 anos de idade, na 2a série do primeiro grau, eu acompanhava a Copa do México...
Os mexicanos nos adoravam, torciam para o Brasil como se fossem brasileiros, faziam valer a frase "Mi casa, su casa" com sua incrível hospitalidade. Eu estava no caminho de me tornar uma grande torcedora de futebol. Tinha exemplos na família: meu pai, meus avós e minha mãe, que mesmo sendo mulher (ela é minha mãe, né?) entendia alguma coisa do esporte das multidões.
Até que houve a partida das quartas de final, Brasil x França. Eu me lembro daquele dia, um sábado. De manhã saí com meu pai e meu irmão (na época com 2 anos, a idade o salvou de não ter lembranças desse dia) para comprarmos estalinhos, cornetas e outras besteiras para comemorar o jogo. À tarde, por volta das seis horas, não havia o que comemorar. O Zico perdera o penalti!! Eu chorei!!
Com 7 anos, eu, uma menina, chorei, junto com o Vanutti (que na época ainda era da Globo) por causa de um jogo de futebol!!! Aquilo não estava certo! A partir daí cultivei uma antipatia, que durou vários anos, pelo Zico e pelo futebol em geral. Simplesmente dizia que não gostava, mas no fundo tinha inveja das discussões acaloradas, muitas vezes inteligentes, que aquele esporte proporcionava.
Então, em 94, já mais velha, com 15 anos de experiência, decidi tentar, flertar com o futebol e ver no que dava. Acompanhei muitos jogos da Copa sempre sozinha no meu quarto, eram momentos particulares, entre o futebol e eu, não queria dividí-los com outros. Por sorte, naquele ano tudo deu certo. Fomos campeões e eu acreditei que poderia me tornar uma torcedora, uma amante do futebol.
No ano seguinte dei mais um passo no meu aprendizado sobre o esporte: escolher um time do coração, além da Seleção. Como todos em minha casa são tricolores, minha tentativa inicial tinha de ser com o time de Laranjeiras. E comecei em grande estilo: fui à final do Estadual no Maracanã, a famosa final do gol de barriga de Renato Gaúcho.
Foi perfeito. O Maracanã em dia de Fla-Flu deveria ser considerado uma das maravilhas do mundo, tal é a beleza da festa das torcidas. E da festa dos times no campo. Para coroar, ainda tive um daqueles momentos que só acontecem no Maracanã: faltando 6 minutos para terminar o jogo, Flamengo empatando em 2x2 e assim levando o título, meu pai resolveu que deveríamos ir. Meu irmão, muito "chateado" da vida concordou, eu queria ficar, mas quem era eu, uma simples visitante, mal iniciada naquele culto, para discutir. Quando estávamos quase na rampa de saída, acompanhados de alguns outros tristes tricolores, ouvimos aquilo que só pode ser definido como "o grito das multidões". O gol de barriga havia acontecido, o jogo virara praticamente no último minuto. Na rampa, os torcedores fizeram uma corrente, ninguém que estava ali poderia voltar ao estádio até o final do jogo, para não dar azar. Por conta disso, apesar de estar no Maracanã, só fui ver o gol e o final do jogo, em casa, na televisão. Mas descobri porque aquele é considerado o templo do futebol. Coisas mágicas acontecem no Maracanã, de verdade!
E então, parecia que tudo se encaminhava para um bom final. Eu me tornaria uma torcedora de futebol, me deixaria levar pela paixão de milhões de brasileiros e de milhões de pessoas em todo mundo. Mas, não!
No final do mesmo ano de 95 decidi que o futebol não poderia ser uma paixão. Teria de lidar com ele apenas de forma racional, impessoal, como pessoa que gosta, acha interessante, mas não se envolve demais. Isso por causa do Fluminense, que perdeu a vaga no final do Campeonato Brasileiro, num jogo contra o Santos em que ele tinha vantagem de gols. Ouvi aquele jogo no rádio, sozinha no quarto, já imaginado que glória seria ver aquele que eu havia colocado em meu coração, naquele mesmo ano, como "meu time" ganhando o Brasileirão.
Só que o Fluminense perdeu!!
E eu, mais uma vez, chorei por causa do futebol. Meu pai notou minha dor, quando saí do quarto ao final do jogo. Aquilo era demais para mim. As vitórias eram incríveis, sem dúvida, a felicidade de se sentir campeã é uma daquelas coisas que não tem preço. Mas as derrotas também tocam fundo demais. Foi aí que decidi não me deixar levar pela paixão do futebol. E desde então não mais chorei ou vibrei com nenhum jogo. Ainda me digo torcedora do Fluminense, mas sei que sou apenas uma admiradora distante. O mesmo acontece com a Seleção.
Mas isso não significa que não acompanhe os campeonatos e que não vá acompanhar a Copa. Só que o farei com olhos distanciados, de quem acha lindo, mas (por covardia talvez) prefere não se deixar levar...
segunda-feira, maio 20, 2002
Corte e colagem...
16/5/02 - 01:55 AM: The Osbournes
Tá todo mundo falando, tá em todas as revistas e jornais... Mas é mesmo inevitável. Perdi os três primeiros, semana passada. Nessa, não perdi nenhum. É absolutamente hilário. Ozzy muito seqüelado, esposa muito louca, ótima edição... Não soa fake como a maioria dos "reality shows", tem uma essência, um quê de realidade mesmo, e mesmo que completamente fora da nossa realidade. Enfim: de chorar de rir.
Na MTV, de terça à quinta, às 23h30.
Fred Leal # [Comente!]
Em poucas palavras o Fred disse tudo.
The Osbournes é simplesmente hilário e por isso merece toda a propaganda e sucesso.
Só fico me perguntando se eles são mesmo daquele jeito. E o pior (talvez não...) é que acho que são!!!! ;)
16/5/02 - 01:55 AM: The Osbournes
Tá todo mundo falando, tá em todas as revistas e jornais... Mas é mesmo inevitável. Perdi os três primeiros, semana passada. Nessa, não perdi nenhum. É absolutamente hilário. Ozzy muito seqüelado, esposa muito louca, ótima edição... Não soa fake como a maioria dos "reality shows", tem uma essência, um quê de realidade mesmo, e mesmo que completamente fora da nossa realidade. Enfim: de chorar de rir.
Na MTV, de terça à quinta, às 23h30.
Fred Leal # [Comente!]
Em poucas palavras o Fred disse tudo.
The Osbournes é simplesmente hilário e por isso merece toda a propaganda e sucesso.
Só fico me perguntando se eles são mesmo daquele jeito. E o pior (talvez não...) é que acho que são!!!! ;)
domingo, maio 19, 2002
Homem-Aranha/ Spider-Man
O Homem-Aranha de Sam Raimi tem o ritmo, a agilidade, até as cores de uma história em quadrinhos, transformados em um ótimo exemplo de cinema diversão. Como em toda boa adaptação, o roteiro é bastante fiel à história original, conhecida desde os anos 60 quando Stan Lee criou “o mais humano dos heróis”, mas toma suas liberdades, que em nada ferem a idéia original. Peter Parker é desde sempre apaixonado por Mary Jane (Gwen, no filme, não existe), as teias são orgânicas e não um aparelho criado por ele. Mas isso não é um problema, pois as mudanças servem muito bem a história que tem de ser contada em pouco mais de duas horas e não desenvolvida em revistinhas mensais.
De qualquer forma, o roteiro é enxuto e conta muito bem a história do jovem, que nada tem de especial - aparentemente ele mal tem algo que chame a atenção, além do fato de ser um “nerd” - até se ver dotado de super poderes após ser picado por uma aranha geneticamente alterada (outra mudança do original, mas, os adolescentes de hoje mal devem saber o que é radioatividade e a importância da ameaça radioativa não seria entendida). Poderes esses que ele deve aprender a usar, ao mesmo tempo em que aprende que deve fazer escolhas para se tornar o homem que quer ser, como lhe diz seu tio Ben.
Mas um bom filme não se resume a um roteiro eficiente, e este “Homem-Aranha” tem méritos muito maiores que seu roteiro. Um deles é o elenco. Tobey Maguire encarna Peter Parker com perfeição. Se há pouco mais de 20 anos Christopher Reeve marcou para sempre seu nome como sendo o Super Man, sem dúvida o mesmo acontece agora com Tobey e o Aranha. Desde a primeira frase narrada, passando pelas mudanças que são mais que físicas, até a última cena (e que última cena!!), não há como ter dúvida de que Peter Parker saiu diretamente das revistinhas para a tela do cinema. Kirsten Dunst também está ótima como Mary Jane e junto com Tobey Maguire forma um dos melhores casais cinematográficos dos últimos tempos. Eles têm química, eles são sexy (o beijo na chuva já é uma referência), como diz a música de uma certa dupla adolescente, eles “dão certo”!! O resto do elenco trabalha bem, em especial J. K. Simons que brilha em suas poucas cenas, como o rabugento editor J. J. Jameson. Willem Dafoe tem alguns momentos caricatos como Osborn divido entre ser Norman Osborn ou Duende Verde, mas no todo ele trabalha bastante bem e não rouba a cena do nosso herói. Quanto a tia May, ela é adorável como deveria ser e provavelmente ainda vai aparecer mais nos próximos filmes, pois sem dúvida haverá pelo menos mais um!
Além do elenco, o destaque importante é de Sam Raimi que faz um ótimo trabalho num filme que poderia facilmente ter se desvirtuado de seu rumo, fosse um diretor menos capaz. Mas Sam Raimi sabe imprimir o tom certo a cada cena. Mesmo com clima de história em quadrinhos, reforçado principalmente pela fotografia de tons fortes e pela montagem, o filme não é caricato. Em certos momentos ele beira o “mundo real”, nas cenas emotivas, nos dramas pessoais de Peter e no primeiro grande ataque do Duende Verde. Esse último é quase um momento de catarse em relação aos acontecimentos de 11 de setembro. O sonho americano do que poderia, deveria ter acontecido se super-heróis realmente existissem. Não sei se a seqüência foi gravada antes ou depois, creio que deva ter sido antes, mas sem dúvida funciona muito bem depois daquele trágico acontecimento.
E Sam Raimi ainda prova saber trabalhar com efeitos especiais como poucos. As cenas de CGI são sensacionais, principalmente porque você nunca deixa de achar que aquele ser saltando entre os prédios de NY é o Homem Aranha de Tobey Maguire, e não um boneco feito por computador. O mesmo acontece com as cenas de ação, que mesmo violentas têm seu porque de existir no filme mas não são o único porque de existir do filme.
Há ainda um trilha sonora descolada que serve perfeitamente ao filme. O destaque, sem dúvida, é do tema de abertura de Danny Elfman, que vai entrar para a lista dos grandes temas cinematográficos. Não há como esquecer que aquele é “o tema do Aranha”. Mas o CD tem outras músicas bem legais, que têm tudo a ver com o filme, incluindo a música que muitos cantarolavam antes de iniciar a sessão: “spider man, spider man, does whatever a spider can....”.
Por fim, resta dizer que “Homem-Aranha” é exatamente o filme que deveria ser, nem mais, nem menos. E isso já é dizer bastante coisa. E é motivo o bastante para você ter certeza de que terá ótimas duas horas no cinema mais próximo!!
sábado, maio 18, 2002
Eu TINHA de colocar isso aqui... ;)

Frodo's my fancy!
What's your fancy? Click here and tell the world!
Frodo's my fancy!
What's your fancy? Click here and tell the world!
domingo, maio 12, 2002
Eu ando sem tempo e até sem o que escrever. O que não é tão ruim como possa parecer. Mas aí me deparei com esse texto, numa mensagem antiga que ainda não tinha aberto. Achei perfeito...
Felicidade Realista
Mário Quintana
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas, de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário,queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração.Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade...
"O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo..."
Felicidade Realista
Mário Quintana
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas, de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário,queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração.Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade...
"O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo..."
domingo, maio 05, 2002
Katie Carr precisa passar sua vida a limpo. É médica e não consegue ajudar totalmente os pacientes; divide seus dias entre o trabalho, as contas a pagar e um amante sem graça, enquanto o marido, um escritor de colunas maldosas, cuida da casa e das crianças. De um estacionamento, pelo telefone celular, ela resolve, então, pedir o divórcio ao marido. A partir daí, Kate passa a avliar, de maneira sarcasticamente engraçada, os ri\umos que sua vida tomou, botando em xeque se ela realmente seria uma pessoa tão legal quanto julgava ser.
Como se legal revela um Hornby que faz seus personagens realizarem verdadeiras viagens interiores, questinando suas histórias, atitudes e opções.
Contra capa de Como ser legal, de Nick Hornby, ed. Rocco
Sabe aquela sensação de saber que você tem de ter um certo objeto, um cd, um livro??
Eu passei por isso na sexta-feira ao ler a contra capa de Como Ser Legal, o novo livro de Nick Hornby. Eu já havia lido Alta Fidelidade, quando foi lançado aqui. Apesar (e por causa) da divisão que criaram na época: Alta Fidelidade era o livro sobre homens e O Diário de Bridget Jones o livro sobre as mulheres, eu preferi ler o livro de Nick Hornby, até porque esperava entender melhor o universo masculino. Acho que ajudou muito e de qualquer forma é uma ótima leitura, a meu ver melhor que Bridget Jones. Entretanto, no caso das adaptações cinematográficas acho que Bridget Jones é um filme melhor que o livro e o mesmo não acontece com Alta Fidelidade. O que não significa que o filme Alta Fidelidade não seja bom e até melhor que o filme O Diário de Bridget Jones, mas como adpatação o segundo supera o livro, e na minha opinião o primiero fica a dever alguma coisa (mesmo com os talentos de John Cusack e Stephen Frears). Parece que a peça A Vida é Cheia de Som e Fúria, que esteve em cartaz aqui no Rio ano passado, consegue captar melhor o livro. Infelizmente não assisti...
De qualquer forma, não era sobre esses livros e filmes e peça que queria falar e sim sobre Como Ser Legal. Na verdade nem tenho muito o que falar pois ainda estou começando a ler o livro mas me surpreendi logo no início, já na contra capa. Afinal sou mulher, (quase) médica, não sou casada ou tenho filhos mas me preocupo bastante em ser uma pessoa legal ou boa, dependendo da sua interpretação da versão original How To Be Good.
E a última frase do primeiro parágrafo do livro não poderia ser mais direta, falar mais alto a uma dúvida que tenho desde alguns meses atrás: Ás vezes, nós temos de ser julgados pelas coisas que só fazemos uma vez.
Katie Carr, a protagonista do livro, chega a conclusão de que quando fazemos algo que aparentemente não pertence a nossas características habituais, mesmo que só por uma vez, isso passa a ser uma característica sua, principalmente se for algo significativo, como pedir o divórcio pelo telefone celular (o caso dela), matar ou quem sabe, trair alguém (direta ou indiretamente).
Nick Hornby já havia me mostrado o que é o universo masculino, aquele dos homens que têm dificuldade para crescer (quase todos que eu conheço e adoro). E agora parece que vai me ajudar entender o meu prórpio universo, o das garotas que crescem, se tornam mulheres, têm de lidar com os rapazes que não querem crescer (e talvez elas também não quisessem) e ainda tentam ser pessoas boas, legais...
Como se legal revela um Hornby que faz seus personagens realizarem verdadeiras viagens interiores, questinando suas histórias, atitudes e opções.
Contra capa de Como ser legal, de Nick Hornby, ed. Rocco
Sabe aquela sensação de saber que você tem de ter um certo objeto, um cd, um livro??
Eu passei por isso na sexta-feira ao ler a contra capa de Como Ser Legal, o novo livro de Nick Hornby. Eu já havia lido Alta Fidelidade, quando foi lançado aqui. Apesar (e por causa) da divisão que criaram na época: Alta Fidelidade era o livro sobre homens e O Diário de Bridget Jones o livro sobre as mulheres, eu preferi ler o livro de Nick Hornby, até porque esperava entender melhor o universo masculino. Acho que ajudou muito e de qualquer forma é uma ótima leitura, a meu ver melhor que Bridget Jones. Entretanto, no caso das adaptações cinematográficas acho que Bridget Jones é um filme melhor que o livro e o mesmo não acontece com Alta Fidelidade. O que não significa que o filme Alta Fidelidade não seja bom e até melhor que o filme O Diário de Bridget Jones, mas como adpatação o segundo supera o livro, e na minha opinião o primiero fica a dever alguma coisa (mesmo com os talentos de John Cusack e Stephen Frears). Parece que a peça A Vida é Cheia de Som e Fúria, que esteve em cartaz aqui no Rio ano passado, consegue captar melhor o livro. Infelizmente não assisti...
De qualquer forma, não era sobre esses livros e filmes e peça que queria falar e sim sobre Como Ser Legal. Na verdade nem tenho muito o que falar pois ainda estou começando a ler o livro mas me surpreendi logo no início, já na contra capa. Afinal sou mulher, (quase) médica, não sou casada ou tenho filhos mas me preocupo bastante em ser uma pessoa legal ou boa, dependendo da sua interpretação da versão original How To Be Good.
E a última frase do primeiro parágrafo do livro não poderia ser mais direta, falar mais alto a uma dúvida que tenho desde alguns meses atrás: Ás vezes, nós temos de ser julgados pelas coisas que só fazemos uma vez.
Katie Carr, a protagonista do livro, chega a conclusão de que quando fazemos algo que aparentemente não pertence a nossas características habituais, mesmo que só por uma vez, isso passa a ser uma característica sua, principalmente se for algo significativo, como pedir o divórcio pelo telefone celular (o caso dela), matar ou quem sabe, trair alguém (direta ou indiretamente).
Nick Hornby já havia me mostrado o que é o universo masculino, aquele dos homens que têm dificuldade para crescer (quase todos que eu conheço e adoro). E agora parece que vai me ajudar entender o meu prórpio universo, o das garotas que crescem, se tornam mulheres, têm de lidar com os rapazes que não querem crescer (e talvez elas também não quisessem) e ainda tentam ser pessoas boas, legais...
Você assiste um filme e acha que entendeu a história.
Aí você visita o Metaphilm e descobre que podem haver outras interpretações até para o clássico infanto-juvenil Mary Poppins...
Adorei esse site e não apenas recomendo, digo que ele deve ser visitado por qualquer pessoa que goste de textos inteligentes e divertidos. E agradeço ao Tiago Teixeixera por ter chegado lá!!
quarta-feira, maio 01, 2002
Há oito anos, num Domingo, 1o de maio de 1994, Ayrton Senna deixava este este mundo e nossas manhãs de domingo, após uma trágica batida contra um muro no Grande Prêmio de San Marino. Ele foi um dos grandes pilotos da fórmula 1 da história e um dos grandes ídolos do povo brasileiro. Um grande ídolo principalmente porque suas grandes façanhas fora das pistas só vieram ser descobertas após seu falecimento. Ele fazia questão de não fazer auto-propaganda com suas obras assistências. Enquanto vivo ele era um ídolo pelo que fazia nas pistas, pelas vitórias pessoais nas quais colocava também o nome de seu país, de seu povo. Hoje é um ídolo por isso e pela grande pessoa que descobrimos depois.
Talvez , como dizem alguns, seja triste o povo que necessita de ídolos. Mas já que eles nos inspiram que seja com grandes ideais e belos exemplos...
Talvez , como dizem alguns, seja triste o povo que necessita de ídolos. Mas já que eles nos inspiram que seja com grandes ideais e belos exemplos...
"E o motivo para ser isso é bastante simples: ele é sobre o Brasil de hoje. E tem urgência em sê-lo, em colocar na tela a vivência que aflige o espectador com o que ele sente nas ruas, com as contradições que ele vive, em conflito, angustiado, confuso como deve ser qualquer filme que tenta falar do que o cerca quando é óbvio que não há distanciamento para tal, mas ao mesmo tempo não se consegue ser de outra forma. E, talvez o que mais o torne diferente da produção nacional é que ele o faz sem querer somente fazê-lo. Ou seja, ele é sim um "conto exemplar" sobre a sociedade brasileira em 2001, mas antes de ser exemplar ele é um conto. Se a realidade surge nele, discutida e onipresente, não é porque ele se pretende a priori como um tratado sobre ela, mas sim porque ela é tão forte que torna-se inescapável. O mundo exterior invade a trama pretensamente "policial" assim como o faz o personagem de Paulo Miklos, pois o verdadeiro "invasor" do filme é o Brasil. Brasil que cisma em surgir nos cantos de cada plano, que cisma em pressionar e assombrar os personagens, que queriam apenas ser isso, personagens. Sempre foi esta a grandeza maior do cinema americano: nos seus bons e maus filmes, nos mais comerciais aos mais reflexivos, sempre deixava em primeiro plano os Estados Unidos da época de sua realização de forma quase transparente, mesmo que fosse pelas bordas das imagens e sons."
Este é um trecho da crítica, ou melhor, análise, que o Eduardo Valente faz do ótimo O Invasor na contra campo. Não sei se já escrevi, ou mesmo se importa para alguém, mas ele é um dos meus críticos de cinema favorito, junto com o Jaimme Biaggio, do Globo.
Este é um trecho da crítica, ou melhor, análise, que o Eduardo Valente faz do ótimo O Invasor na contra campo. Não sei se já escrevi, ou mesmo se importa para alguém, mas ele é um dos meus críticos de cinema favorito, junto com o Jaimme Biaggio, do Globo.
Um comentário...
Este é um comentário que escrevi para o magisterX, em relação aos seus últimos posts no c o n t e x t o.
Ah, o amor...
caro magisterX, todas as racionalizações parecem sem sentido quando nos deparamos com sentimento menos racional de todos, não??
Erramos quando tentamos acertar e muitas vezes acertamos quando temos certeza de termos errado. Às vezes tentamos pensar, agir de forma racional, e o resultado é um vazio, tranquilo, mas vazio. E quando nos deixamos levar, por mais que se crie um turbilhão, por mais que a razão, a moral e os outros nos condenem, há a simples e pura sensação de plenitude.
E, se somos pessoas um tanto ao quanto "racionais demais", se realmente analisamos os fatos, os próprios sentimentos e ações (o que na verdade é uma forma de nos envolvermos mais, uma prova de que estamos dispostos a nos entregar, apesar de ao mesmo tempo parecer apenas covardia) corremos o risco de pararmos em cima do muro, sabendo que queremos nos jogar ao turbilhão das emoções, mas ao mesmo tempo presos à tranquilidade apática do vazio da razão.
Esperamos que o outro reconheça que precisamos ser salvos dessa armadilha. Mas às vezes encontramo-nos tão presos e perdidos em nossos próprios medos que nem somos capazes de sinalizar o pedido de socorro...
Outras vezes, o outro simplesmente não é capaz de entender o quanto precisamos de ajuda...
Este é um comentário que escrevi para o magisterX, em relação aos seus últimos posts no c o n t e x t o.
Ah, o amor...
caro magisterX, todas as racionalizações parecem sem sentido quando nos deparamos com sentimento menos racional de todos, não??
Erramos quando tentamos acertar e muitas vezes acertamos quando temos certeza de termos errado. Às vezes tentamos pensar, agir de forma racional, e o resultado é um vazio, tranquilo, mas vazio. E quando nos deixamos levar, por mais que se crie um turbilhão, por mais que a razão, a moral e os outros nos condenem, há a simples e pura sensação de plenitude.
E, se somos pessoas um tanto ao quanto "racionais demais", se realmente analisamos os fatos, os próprios sentimentos e ações (o que na verdade é uma forma de nos envolvermos mais, uma prova de que estamos dispostos a nos entregar, apesar de ao mesmo tempo parecer apenas covardia) corremos o risco de pararmos em cima do muro, sabendo que queremos nos jogar ao turbilhão das emoções, mas ao mesmo tempo presos à tranquilidade apática do vazio da razão.
Esperamos que o outro reconheça que precisamos ser salvos dessa armadilha. Mas às vezes encontramo-nos tão presos e perdidos em nossos próprios medos que nem somos capazes de sinalizar o pedido de socorro...
Outras vezes, o outro simplesmente não é capaz de entender o quanto precisamos de ajuda...
segunda-feira, abril 29, 2002
O "trocinho" azul aí do lado é um blob inútil. Conheci os blobs porque a Clarah tem um no brazileira!preta.
Achei legal e resolvi ter um também!
Achei legal e resolvi ter um também!
Às vezes você só presta atenção a alguma coisa quando ela passa a ter um sentido na sua vida...
Ela já estava lá há muito tempo, mas você simplesmente não a reconhecia porque aparentemente era algo absurdo, sem sentido. Até que em algum momento as coisas mudam.
Foi o caso dessa música...
Can't turn back the years
Phil Collins
"No matter how much you think you want or need it, the past has to remain just that, the past..."
Could've given you everything that you need
but I cannot turn back the years
The perfect love was all you wanted from me
but I cannot turn back the years
So we have to be strong, and I'm find that hard
we have to move on, but no matter how hard I try
if your heart's in pieces, you look for the truth
and when I look deep down inside I know, it's too bad I love you
Sometimes, hits me in the morning, hits me at night
that I cannot turn back the years
so I look out my window, turn off my light
but I cannot turn back the years
Can't make it seem easy, when you're all that I see
can't live in a dream and I won't serenade the truth
people are hurting and they're looking to me
and I look at you there's nothing more to say, it's too bad I love you
But I'm never gonna give it up
All that I lived for, all that I dreamed
but I cannot turn back the years
You're the water I drink, you're the air that I breathe
but I cannot turn back the years
So we have to be strong, and I'm find that hard
we have to move on, but no matter how hard I try
if your heart's in pieces you look for the truth
and when I look deep down inside I know, it's too bad I love you
But I'm never gonna give it up
Ela já estava lá há muito tempo, mas você simplesmente não a reconhecia porque aparentemente era algo absurdo, sem sentido. Até que em algum momento as coisas mudam.
Foi o caso dessa música...
Can't turn back the years
Phil Collins
"No matter how much you think you want or need it, the past has to remain just that, the past..."
Could've given you everything that you need
but I cannot turn back the years
The perfect love was all you wanted from me
but I cannot turn back the years
So we have to be strong, and I'm find that hard
we have to move on, but no matter how hard I try
if your heart's in pieces, you look for the truth
and when I look deep down inside I know, it's too bad I love you
Sometimes, hits me in the morning, hits me at night
that I cannot turn back the years
so I look out my window, turn off my light
but I cannot turn back the years
Can't make it seem easy, when you're all that I see
can't live in a dream and I won't serenade the truth
people are hurting and they're looking to me
and I look at you there's nothing more to say, it's too bad I love you
But I'm never gonna give it up
All that I lived for, all that I dreamed
but I cannot turn back the years
You're the water I drink, you're the air that I breathe
but I cannot turn back the years
So we have to be strong, and I'm find that hard
we have to move on, but no matter how hard I try
if your heart's in pieces you look for the truth
and when I look deep down inside I know, it's too bad I love you
But I'm never gonna give it up
domingo, abril 28, 2002
Mais um post pessoal...
Life is what happens to you while you are busy making other plans.
Essa frase de Lennon, da bela Beautiful Boy, me veio à mente ainda agora, quando escrevia uma mensagem de aniversário para um amigo em resposta à sua mensagem pelo meu aniversário (que aconteceu durante a semana, o dele é que é hoje).
Ele comenta em sua mensagem sobre envelhecermos não apenas na aparência, mas também no comportamento e questiona se ao menos ganhamos sabedoria durante o percurso. Respondi com a música, dizendo que acredito que ganhamos algo (a tal sabedoria de preferência), mas provavelmente só nos damos disso conta lá pro final...
E talvez, só talvez, eu esteja sempre esperando para ter certeza de tudo, mesmo que só no final.
Mas, e se não existem certezas???
E se o final é um pouco tarde demais???
Life is what happens to you while you are busy making other plans.
Essa frase de Lennon, da bela Beautiful Boy, me veio à mente ainda agora, quando escrevia uma mensagem de aniversário para um amigo em resposta à sua mensagem pelo meu aniversário (que aconteceu durante a semana, o dele é que é hoje).
Ele comenta em sua mensagem sobre envelhecermos não apenas na aparência, mas também no comportamento e questiona se ao menos ganhamos sabedoria durante o percurso. Respondi com a música, dizendo que acredito que ganhamos algo (a tal sabedoria de preferência), mas provavelmente só nos damos disso conta lá pro final...
E talvez, só talvez, eu esteja sempre esperando para ter certeza de tudo, mesmo que só no final.
Mas, e se não existem certezas???
E se o final é um pouco tarde demais???
Como dizia Pascal:
O coração tem razões que a própria razão desconhece...
Te Ver
Skank
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
E como mergulhar num rio e
não se molhar
E como não morrer de frio no
gelo polar
E ter o estômago vazio e
não almoçar
E ver o céu se abrir no estio e
não se animar
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
E como esperar o prato e
não salivar
Sentir apertar o sapato e
não descalçar
E ver alguém feliz de fato sem
alguém para amar
E como procurar no mato
estrela do mar
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
E como não sentir calor
em Cuiabá
Ou como no Arpoador
não ver o mar
E como não morrer de raiva
com a política
Ignorar que a tarde vai
vadia a mitica
E como ver televisão e
não dormir
Ver um bichano pelo chão e
não sorrir
E como não provar o nectar de
um lindo amor
Depois que o coração detecta a
mais fina flor
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
Aparentemente simples e perfeita...
O coração tem razões que a própria razão desconhece...
Te Ver
Skank
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
E como mergulhar num rio e
não se molhar
E como não morrer de frio no
gelo polar
E ter o estômago vazio e
não almoçar
E ver o céu se abrir no estio e
não se animar
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
E como esperar o prato e
não salivar
Sentir apertar o sapato e
não descalçar
E ver alguém feliz de fato sem
alguém para amar
E como procurar no mato
estrela do mar
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
E como não sentir calor
em Cuiabá
Ou como no Arpoador
não ver o mar
E como não morrer de raiva
com a política
Ignorar que a tarde vai
vadia a mitica
E como ver televisão e
não dormir
Ver um bichano pelo chão e
não sorrir
E como não provar o nectar de
um lindo amor
Depois que o coração detecta a
mais fina flor
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
Te ver e não te querer
E improvável, e impossível
Te ter e ter que esquecer
E insuportável, e dor incrível
Aparentemente simples e perfeita...
domingo, abril 21, 2002
EXALTAÇÃO A TIRADENTES
GRES IMPÉRIO SERRANO - 1949
Autor(es) Mano Décio, A. Penteado e Estanislau Silva.
Joaquim José da Silva Xavier
Morreu a 21 de abril
Pela Independência do Brasil
Foi traído, e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais
Joaquim José da Silva Xavier
Era o nome de Tiradentes
Foi sacrificado
Pela nossa liberdade
Este grande herói
Pra sempre deve ser lembrado
Foi traído, e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais
Essa música, na voz imortal de Elis Regina, me acompanha desde a terceira série do primário tendo sido uma forma de nunca esquecer quem foi e quando morreu Tiradentes (decorebas de primário). Desde aqueles tempos ele sempre me pareceu um dos grandes mártires da história brasileira, talvez o maior. Apesar de saber das histórias de que talvez ele não tenha morrido e na verdade tenha sido extraditado para a África ainda acho que Tiradentes é uma das maiores figuras da nossa história cujo exemplo de patriotismo, de luta por um ideal deveria ser melhor explorado por quem realmente quer criar um povo consciente de seus direitos e deveres, um povo que mais do que ler saber entender e pensar sobre aquilo que leu.
Enfim, a história (real, com seus erros, traições e poréns, não aquela romantizada que aprendemos no primário) da Inconfidência Mineira é uma pequena aula de cidadania...
Ainda sobre o tema, uma das mais lindas obras poéticas da lingua portuguesa.
Liberdade (da obra Romanceiro da Inconfidência)
Cecília Meireles
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem
acontece a Inconfidência.
Liberdade, ainda que tarde
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva
e sobe na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus – pois se atreveram
a falar em Liberdade.
Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.
Porque a liberdade é a base de tudo!!
GRES IMPÉRIO SERRANO - 1949
Autor(es) Mano Décio, A. Penteado e Estanislau Silva.
Joaquim José da Silva Xavier
Morreu a 21 de abril
Pela Independência do Brasil
Foi traído, e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais
Joaquim José da Silva Xavier
Era o nome de Tiradentes
Foi sacrificado
Pela nossa liberdade
Este grande herói
Pra sempre deve ser lembrado
Foi traído, e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais
Essa música, na voz imortal de Elis Regina, me acompanha desde a terceira série do primário tendo sido uma forma de nunca esquecer quem foi e quando morreu Tiradentes (decorebas de primário). Desde aqueles tempos ele sempre me pareceu um dos grandes mártires da história brasileira, talvez o maior. Apesar de saber das histórias de que talvez ele não tenha morrido e na verdade tenha sido extraditado para a África ainda acho que Tiradentes é uma das maiores figuras da nossa história cujo exemplo de patriotismo, de luta por um ideal deveria ser melhor explorado por quem realmente quer criar um povo consciente de seus direitos e deveres, um povo que mais do que ler saber entender e pensar sobre aquilo que leu.
Enfim, a história (real, com seus erros, traições e poréns, não aquela romantizada que aprendemos no primário) da Inconfidência Mineira é uma pequena aula de cidadania...
Ainda sobre o tema, uma das mais lindas obras poéticas da lingua portuguesa.
Liberdade (da obra Romanceiro da Inconfidência)
Cecília Meireles
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem
acontece a Inconfidência.
Liberdade, ainda que tarde
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva
e sobe na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus – pois se atreveram
a falar em Liberdade.
Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.
Porque a liberdade é a base de tudo!!
Uma música que eu espero nunca seja a "minha" música...
Epitáfio
Titãs
(Ségio Britto)
Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Sem dúvida deve ser difícil chegar ao final da vida sem alguns arrependimentos. Mas arrepender-se de não ter se arriscado, não ter visto o sol, não ter realmente vivido a vida que se sonhava me parece algo triste demais.
Acho que devemos nos arrepender dos erros que cometemos no caminho de realizar nossos sonhos. Não deixam de ser erros mas pelo menos são cometidos com o objetivo da nossa felicidade.
Antes não errarmos, mas se isso acontecer que seja por excesso de ousadia e não por covardia...
Epitáfio
Titãs
(Ségio Britto)
Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Sem dúvida deve ser difícil chegar ao final da vida sem alguns arrependimentos. Mas arrepender-se de não ter se arriscado, não ter visto o sol, não ter realmente vivido a vida que se sonhava me parece algo triste demais.
Acho que devemos nos arrepender dos erros que cometemos no caminho de realizar nossos sonhos. Não deixam de ser erros mas pelo menos são cometidos com o objetivo da nossa felicidade.
Antes não errarmos, mas se isso acontecer que seja por excesso de ousadia e não por covardia...
sábado, abril 13, 2002
Ao criticar essa tal sociedade ainda perdida nas próprias mudanças, cai no erro de culpar só as mulheres, ao referir-me apenas a elas como responsáveis pela criação dos filhos.
Corrijo-me, pais e mães, homens e mulheres, foram, são e se tudo der certo continuarão sendo os reponsáveis pela criação dos pequenos seres humanos. Na verdade podem ser apenas um pai, apenas uma mãe, dois pais, duas mães ou até famílias ainda mais diferentes daquilo que consideramos o padrão. Contanto que estas pessoas sejam capazes de ajudar essas "pessoinhas" a tornarem-se cidadãos de bem e todos procurem ser e fazer os outros felizes, qualquer tipo de família vale a pena!!
Corrijo-me, pais e mães, homens e mulheres, foram, são e se tudo der certo continuarão sendo os reponsáveis pela criação dos pequenos seres humanos. Na verdade podem ser apenas um pai, apenas uma mãe, dois pais, duas mães ou até famílias ainda mais diferentes daquilo que consideramos o padrão. Contanto que estas pessoas sejam capazes de ajudar essas "pessoinhas" a tornarem-se cidadãos de bem e todos procurem ser e fazer os outros felizes, qualquer tipo de família vale a pena!!
Uma amiga me enviou este texto, considerando que seria interessante para postar aqui.
Comentário: O declínio dos bebês
Por Maureen Dowd, do The New York Times :: 12:48 10/04/2002
WASHINGTON - Na estréia de "The Sweet Smell of Success" no mês passado, um nova-iorquino bem-sucedido que eu conheço me chamou de lado para uma lição de moral que não foi nada agradável. Ele disse que queria me convidar para um encontro quando estava entre casamentos, mas desistiu da idéia porque meu emprego me tornava intimidante demais.
NYT
Os homens, ele me contou, preferem mulheres que parecem maleáveis e apavoradas. Ele disse que eu nunca encontraria um marido, porque se tem uma coisa que os homens não gostam, é uma mulher que usa suas aptidões críticas. Será que ela vai criticar tudo?
Agora vem a revista Time com um comentário igualmente preocupante. A matéria dá as estatísticas mais assustadoras para as mulheres desde que a Newsweek declarou em 1986 que uma mulher de 40 anos tinha mais chances de ser morta por um terrorista do que de se casar.
A Time descreve o novo declínio dos bebês - mulheres que se dedicam muito em suas carreiras e de repente percebem que desperdiçaram sua fertilidade.
Sylvia Ann Hewlett, economista, realizou uma pesquisa e descobriu que 55% das mulheres de negócios de 35 anos não têm filhos. Entre um terço e metade das mulheres de 40 anos que trabalham não têm filhos. O número de mulheres sem filhos entre 40 e 44 anos dobrou nos últimos 20 anos. E entre executivos corporativos que ganham US$100 mil ou mais, diz ela, 49% das mulheres não tiveram filhos, comparado a apenas 10% dos homens.
Hewlett, autora de "Creating a Life: Professional Women and the Quest for Children", observa, mais uma vez, que os homens têm uma vantagem injusta.
"Hoje em dia", afirma ela, "o princípio básico parece ser que quanto mais bem-sucedida for a mulher, menos chances ela terá de encontrar um marido ou ter um filho. Para os homens, o que vale é o contrário".
Em uma matéria sobre o livro no programa "60 Minutes" de domingo, Lesley Stahl falou com duas jovens que estudam na Faculdade de Administração de Harvard. Elas concordaram que, enquanto estão na idade ideal para começarem suas famílias, não era tão fácil encontrar o marido ideal.
Os homens, aparentemente, aprendem cedo a proteger seus egos de mulheres ambiciosas.
As meninas dizem que escondem o fato de estudarem em Harvard dos meninos que conhecem, porque este é o beijo da morte.
"Quando você diz Faculdade de Administração de Harvard... é o fim da conversa", afirmou Ani Vartanian. "Quando um cara diz, 'Ah, eu estudo na Faculdade de Administração de Harvard', todas as meninas se apaixonam por ele".
Então a moral da história é, quanto mais as mulheres avançam, mais elas têm que se sacrificar?
O problema aqui não é apenas que as mulheres estão protelando demais; é que os homens fogem de mulheres "desafiadoras" porque têm um desejo incontrolável de serem a força superior em um relacionamento.
As palavras imortais de Cher: Deixem disso, homens.
A lógica masculina nos relacionamentos não funciona: as mulheres que parecem ter medo de você no começo não dirão até que lhe conheçam bem. As mulheres que não têm empregos exigentes não são menos exigentes nos relacionamentos; na verdade, elas podem ser mais exigentes. Elas estão economizando toda a energia e capacidade crítica para gastar com você quando você chegar em casa.
Se os homens apenas abrissem mão de seu desejo bobo de domínio mundial, o mundo seria um lugar muito mais legal.
Veja o Taleban. Veja o Vaticano. Agora, veja o bonobo.
Os bonobos, ou chimpanzés pigmeus, vivem nas florestas equatoriais do Congo, e têm uma existência extraordinariamente feliz.
E por quê? Porque na sociedade dos bonobos, as fêmeas dominam. É apenas um leve domínio, então é mais para um co-domínio, igual entre os sexos.
"Eles são menos obcecados com poder e status do que seus primos chimpanzés, e mais dominados pelo amor", escreveu Natalie Angier para o The Times. "Os bonobos usam o sexo para se acalmarem, para se unirem, para fazerem as pazes depois de uma briga, para diminuir as tensões, para estabelecer alianças... Os humanos geralmente esperam até depois de uma bela refeição para fazer amor; os bonobos fazem antes".
Os machos ficariam felizes em abrir mão de um pouco de dominação assim que percebessem o acordo que estariam fazendo: todas aquelas primatas agressivas, após um dia duro de domínio na selva, ficariam satisfeitas por fazerem sexo, não por refrearem-no.
Não há guerra dos sexos na terra dos bonobos. E não existe o declínio dos bebês.
Então, será que é verdade essa história de que os homens temem as mulheres inteligentes?? Será que por outro lado, ao invés de temer a inteligência e a capacidade das mulheres os homens na verdade temem serem deixados de lado??
No imaginário de gerações anteriores as mulheres procuravam nos homens um espelho da figura de seus pais: o homem protetor e provedor. Os homens por sua vez procuravam alguém que se assemelha-se a suas mães: aquela que cuidava deles, que dava carinho, amor incondicional e cuidava dos interesses da casa e da família.
Nas últimas décadas esses papéis seculares, quiça milenares, vêm se invertendo de tal forma que talvez seja difícil para os homens assimilarem. Será que as mulheres que sairam para trabalhar, fazer carreira, manter famílias sozinhas criaram seus filhos homens para esse novo mundo? Sabemos, pelo que vemos acontecer, que as meninas têm sido criadas para terem controle de suas vidas e não apenas esperar por um príncipe encantado que as tire da casa dos pais e lhes dê uma família própria. Mas, e homens, será que eles não são ainda mimados por suas mães (que muitas vezes largam o serviço por causa de uma febre do filho, que se desdobram para chegar em casa e ainda Ter tempo para ouvir as histórias da escola) e não crescem esperando que a mulher ideal deve abrir mão de tudo por causa deles?
Talvez a nossa sociedade pequeno burguesa tenha avançado rápido demais nos últimos anos e as pessoas (tanto homens quanto mulheres) ainda têm dificuldades para se acostumar com os novos papéis que lhes são exigidos.
Talvez o declínio dos bebês tenha se dado não porque as mulheres não querem Ter filhos ou porque os homens não se interessam por mulheres “de carreira”. Talvez isso aconteça porque ainda é difícil para os dois conciliar suas carreiras e a família. Num mundo em que se espera que todo trabalhador dê o melhor de si pois a concorrência é cruel fica difícil para homens e mulheres conciliar família e trabalho. É mais importante manter o mundo girando, a sociedade produzindo e consumindo do que manter a continuação da espécie.
Até porque, daqui a pouco teremos os clones e as inteligências artificiais, que demandarão muito menos trabalho para serem criados (para adquirirem os conhecimentos que uma criança leva anos, talvez a vida inteira e ainda além para adquirirem): os primeiros já “nascerão” com os conhecimentos daqueles de quem foram copiados e os segundos necessitarão apenas de comandos...
Mas será que a solução é tornarmo-nos bonobos? Tudo se resume a fazermos sexo antes da refeições e não depois????
Comentário: O declínio dos bebês
Por Maureen Dowd, do The New York Times :: 12:48 10/04/2002
WASHINGTON - Na estréia de "The Sweet Smell of Success" no mês passado, um nova-iorquino bem-sucedido que eu conheço me chamou de lado para uma lição de moral que não foi nada agradável. Ele disse que queria me convidar para um encontro quando estava entre casamentos, mas desistiu da idéia porque meu emprego me tornava intimidante demais.
NYT
Os homens, ele me contou, preferem mulheres que parecem maleáveis e apavoradas. Ele disse que eu nunca encontraria um marido, porque se tem uma coisa que os homens não gostam, é uma mulher que usa suas aptidões críticas. Será que ela vai criticar tudo?
Agora vem a revista Time com um comentário igualmente preocupante. A matéria dá as estatísticas mais assustadoras para as mulheres desde que a Newsweek declarou em 1986 que uma mulher de 40 anos tinha mais chances de ser morta por um terrorista do que de se casar.
A Time descreve o novo declínio dos bebês - mulheres que se dedicam muito em suas carreiras e de repente percebem que desperdiçaram sua fertilidade.
Sylvia Ann Hewlett, economista, realizou uma pesquisa e descobriu que 55% das mulheres de negócios de 35 anos não têm filhos. Entre um terço e metade das mulheres de 40 anos que trabalham não têm filhos. O número de mulheres sem filhos entre 40 e 44 anos dobrou nos últimos 20 anos. E entre executivos corporativos que ganham US$100 mil ou mais, diz ela, 49% das mulheres não tiveram filhos, comparado a apenas 10% dos homens.
Hewlett, autora de "Creating a Life: Professional Women and the Quest for Children", observa, mais uma vez, que os homens têm uma vantagem injusta.
"Hoje em dia", afirma ela, "o princípio básico parece ser que quanto mais bem-sucedida for a mulher, menos chances ela terá de encontrar um marido ou ter um filho. Para os homens, o que vale é o contrário".
Em uma matéria sobre o livro no programa "60 Minutes" de domingo, Lesley Stahl falou com duas jovens que estudam na Faculdade de Administração de Harvard. Elas concordaram que, enquanto estão na idade ideal para começarem suas famílias, não era tão fácil encontrar o marido ideal.
Os homens, aparentemente, aprendem cedo a proteger seus egos de mulheres ambiciosas.
As meninas dizem que escondem o fato de estudarem em Harvard dos meninos que conhecem, porque este é o beijo da morte.
"Quando você diz Faculdade de Administração de Harvard... é o fim da conversa", afirmou Ani Vartanian. "Quando um cara diz, 'Ah, eu estudo na Faculdade de Administração de Harvard', todas as meninas se apaixonam por ele".
Então a moral da história é, quanto mais as mulheres avançam, mais elas têm que se sacrificar?
O problema aqui não é apenas que as mulheres estão protelando demais; é que os homens fogem de mulheres "desafiadoras" porque têm um desejo incontrolável de serem a força superior em um relacionamento.
As palavras imortais de Cher: Deixem disso, homens.
A lógica masculina nos relacionamentos não funciona: as mulheres que parecem ter medo de você no começo não dirão até que lhe conheçam bem. As mulheres que não têm empregos exigentes não são menos exigentes nos relacionamentos; na verdade, elas podem ser mais exigentes. Elas estão economizando toda a energia e capacidade crítica para gastar com você quando você chegar em casa.
Se os homens apenas abrissem mão de seu desejo bobo de domínio mundial, o mundo seria um lugar muito mais legal.
Veja o Taleban. Veja o Vaticano. Agora, veja o bonobo.
Os bonobos, ou chimpanzés pigmeus, vivem nas florestas equatoriais do Congo, e têm uma existência extraordinariamente feliz.
E por quê? Porque na sociedade dos bonobos, as fêmeas dominam. É apenas um leve domínio, então é mais para um co-domínio, igual entre os sexos.
"Eles são menos obcecados com poder e status do que seus primos chimpanzés, e mais dominados pelo amor", escreveu Natalie Angier para o The Times. "Os bonobos usam o sexo para se acalmarem, para se unirem, para fazerem as pazes depois de uma briga, para diminuir as tensões, para estabelecer alianças... Os humanos geralmente esperam até depois de uma bela refeição para fazer amor; os bonobos fazem antes".
Os machos ficariam felizes em abrir mão de um pouco de dominação assim que percebessem o acordo que estariam fazendo: todas aquelas primatas agressivas, após um dia duro de domínio na selva, ficariam satisfeitas por fazerem sexo, não por refrearem-no.
Não há guerra dos sexos na terra dos bonobos. E não existe o declínio dos bebês.
Então, será que é verdade essa história de que os homens temem as mulheres inteligentes?? Será que por outro lado, ao invés de temer a inteligência e a capacidade das mulheres os homens na verdade temem serem deixados de lado??
No imaginário de gerações anteriores as mulheres procuravam nos homens um espelho da figura de seus pais: o homem protetor e provedor. Os homens por sua vez procuravam alguém que se assemelha-se a suas mães: aquela que cuidava deles, que dava carinho, amor incondicional e cuidava dos interesses da casa e da família.
Nas últimas décadas esses papéis seculares, quiça milenares, vêm se invertendo de tal forma que talvez seja difícil para os homens assimilarem. Será que as mulheres que sairam para trabalhar, fazer carreira, manter famílias sozinhas criaram seus filhos homens para esse novo mundo? Sabemos, pelo que vemos acontecer, que as meninas têm sido criadas para terem controle de suas vidas e não apenas esperar por um príncipe encantado que as tire da casa dos pais e lhes dê uma família própria. Mas, e homens, será que eles não são ainda mimados por suas mães (que muitas vezes largam o serviço por causa de uma febre do filho, que se desdobram para chegar em casa e ainda Ter tempo para ouvir as histórias da escola) e não crescem esperando que a mulher ideal deve abrir mão de tudo por causa deles?
Talvez a nossa sociedade pequeno burguesa tenha avançado rápido demais nos últimos anos e as pessoas (tanto homens quanto mulheres) ainda têm dificuldades para se acostumar com os novos papéis que lhes são exigidos.
Talvez o declínio dos bebês tenha se dado não porque as mulheres não querem Ter filhos ou porque os homens não se interessam por mulheres “de carreira”. Talvez isso aconteça porque ainda é difícil para os dois conciliar suas carreiras e a família. Num mundo em que se espera que todo trabalhador dê o melhor de si pois a concorrência é cruel fica difícil para homens e mulheres conciliar família e trabalho. É mais importante manter o mundo girando, a sociedade produzindo e consumindo do que manter a continuação da espécie.
Até porque, daqui a pouco teremos os clones e as inteligências artificiais, que demandarão muito menos trabalho para serem criados (para adquirirem os conhecimentos que uma criança leva anos, talvez a vida inteira e ainda além para adquirirem): os primeiros já “nascerão” com os conhecimentos daqueles de quem foram copiados e os segundos necessitarão apenas de comandos...
Mas será que a solução é tornarmo-nos bonobos? Tudo se resume a fazermos sexo antes da refeições e não depois????
domingo, abril 07, 2002
Corte e colagem...
: 5/04/2002 15:54 :
c o n t e x t o: divagações...
Qual a probabilidade de se achar no meio a multidão uma pessoa que te complete? Não digo integralmente, isso é de baixíssima chance, mas o suficiente para fazer seu coração descompassar só de pensar nela...
Isso é algo pelo qual a maioria de nós anseia, mesmo que não conscientemente...
Aquela paixão profunda, retroalimentada (e portanto, duradoura), que deixa você sempre com gosto de quero mais, imediatamente ao final de cada encontro...
Aquela paixão que arde, quase sem se consumir, pois o outro está sempre trazendo combustível para a fogueira...
Aquele arrepio na pele, quando a pessoa invade seu espaço pessoal, embora ainda não tenha sequer te tocado...
Aquele frio na barriga, ao ouvir a voz no telefone, ou ler suas linhas no ICQ...
Aquele sorriso perene no rosto, que faz seus amigos perguntarem o que aconteceu...
Aquela leveza no andar, que te coloca acima de todos os problemas...
Aquele esquecimento do mundo, quando estão juntos, e o "gás extra", quando separados e enfrentando o dia a dia...
Aquele pessoa com quem compartilhar o tal sentimento que "não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure..."
: por magisterX :
Me deparei com o post acima ontem (não postei ontem porque o blogger estava fora do ar, não sei porque) e me supreendi porque foi como se o magisterX tivesse escrito o que eu gostaria de ter escrito ao final de uma semana em que uma certa música reverberou com insistência na minha cabeça.
A música, que eu já tinha decidido postar, é essa que segue e o comentário do magisterX me pareceu o complemento perfeito para ela, principalmente em relação a estrofe final. Mas acabou que a música se tornou o complemento do post! ;-)
Antes das Seis
Legião Urbana
Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Quem inventou o amor
Me explica por favor
Vem e me diz o que aconteceu
Faz de conta que passou
Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Daqui vejo o seu descanso
Perto do seu travesseiro
Depois quero ver se acerto
Dos dois quem acorda primeiro
Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Enquanto a vida vai e vem
Você procura achar alguém
Que um dia possa lhe dizer
- Quero ficar só com você
Quem inventou o amor?
E quanto a encontrar o tal alguém, seja a probabilidade pequena ou grande, eu ainda acredito! Atualmente tenho até provas vivas!! E espero que mesmo que a minha experiência própria não me prove correta, que pelo menos eu me mantenha acreditando, até o final.
Porque eu, como boa humana (e fã de Arquivo X), quero acreditar...
: 5/04/2002 15:54 :
c o n t e x t o: divagações...
Qual a probabilidade de se achar no meio a multidão uma pessoa que te complete? Não digo integralmente, isso é de baixíssima chance, mas o suficiente para fazer seu coração descompassar só de pensar nela...
Isso é algo pelo qual a maioria de nós anseia, mesmo que não conscientemente...
Aquela paixão profunda, retroalimentada (e portanto, duradoura), que deixa você sempre com gosto de quero mais, imediatamente ao final de cada encontro...
Aquela paixão que arde, quase sem se consumir, pois o outro está sempre trazendo combustível para a fogueira...
Aquele arrepio na pele, quando a pessoa invade seu espaço pessoal, embora ainda não tenha sequer te tocado...
Aquele frio na barriga, ao ouvir a voz no telefone, ou ler suas linhas no ICQ...
Aquele sorriso perene no rosto, que faz seus amigos perguntarem o que aconteceu...
Aquela leveza no andar, que te coloca acima de todos os problemas...
Aquele esquecimento do mundo, quando estão juntos, e o "gás extra", quando separados e enfrentando o dia a dia...
Aquele pessoa com quem compartilhar o tal sentimento que "não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure..."
: por magisterX :
Me deparei com o post acima ontem (não postei ontem porque o blogger estava fora do ar, não sei porque) e me supreendi porque foi como se o magisterX tivesse escrito o que eu gostaria de ter escrito ao final de uma semana em que uma certa música reverberou com insistência na minha cabeça.
A música, que eu já tinha decidido postar, é essa que segue e o comentário do magisterX me pareceu o complemento perfeito para ela, principalmente em relação a estrofe final. Mas acabou que a música se tornou o complemento do post! ;-)
Antes das Seis
Legião Urbana
Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Quem inventou o amor
Me explica por favor
Vem e me diz o que aconteceu
Faz de conta que passou
Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Daqui vejo o seu descanso
Perto do seu travesseiro
Depois quero ver se acerto
Dos dois quem acorda primeiro
Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Enquanto a vida vai e vem
Você procura achar alguém
Que um dia possa lhe dizer
- Quero ficar só com você
Quem inventou o amor?
E quanto a encontrar o tal alguém, seja a probabilidade pequena ou grande, eu ainda acredito! Atualmente tenho até provas vivas!! E espero que mesmo que a minha experiência própria não me prove correta, que pelo menos eu me mantenha acreditando, até o final.
Porque eu, como boa humana (e fã de Arquivo X), quero acreditar...
domingo, março 31, 2002
Sabe o gato do Schrödinger?
O famoso felino de Erwin Schrödinger, vítima inocente de um estranho experimento mental quântico, tem estado vivo e morto por 70 anos. Seu problema começa quando ele sobe numa caixa onde uma arma carregada está apontada para sua cabeça. Um fóton é então disparado a espelho semi-reflexivo chamado de separador de raios. Se o fóton passa pelo espelho, ele automaticamente ativa um sensor de luz, que por sua vez dispara a arma contra o gato, matando-o. Se, por outro lado, o espelho reflete o fóton para longe, o gato segue vivo.
O problema é: no mundo quântico as duas possibilidades acontecem simultaneamente. Os físicos se referem a isso como a "superposição de estados". Segundo a teoria quântica ortodoxa, a superposição dura té que alguém olhe na caixa para ver o que aconteceu. A observação não precisa ser direta. A trajetória do fóton pode ser vista em um lugar ou outro, por exemplo, permitindo que alguém deduza o estado do gato. Mas, em qualquer forma que tenha, esse ato de observação tem um papel crítico: é a transmissão física da informação durante uma observação que causa o colapso da superposição e sela o destino do gato. Os físicos chamam esse vazamento de informação de "decoerência".
Ivan Semeniuk, da New Scientist, no Caderno Mais, Folha, 31/03/2002.
Considerações...
O Mais é atualmente uma das melhores publicações do país. Vale a pena assinar a Folha, mesmo não morando em São Paulo, nem que seja só para esperar por ele no domingo.
Física é fascinante!! É ficção-científica real!!!
Espero que o gato esteja vivo dentro da caixa... ;-)
O famoso felino de Erwin Schrödinger, vítima inocente de um estranho experimento mental quântico, tem estado vivo e morto por 70 anos. Seu problema começa quando ele sobe numa caixa onde uma arma carregada está apontada para sua cabeça. Um fóton é então disparado a espelho semi-reflexivo chamado de separador de raios. Se o fóton passa pelo espelho, ele automaticamente ativa um sensor de luz, que por sua vez dispara a arma contra o gato, matando-o. Se, por outro lado, o espelho reflete o fóton para longe, o gato segue vivo.
O problema é: no mundo quântico as duas possibilidades acontecem simultaneamente. Os físicos se referem a isso como a "superposição de estados". Segundo a teoria quântica ortodoxa, a superposição dura té que alguém olhe na caixa para ver o que aconteceu. A observação não precisa ser direta. A trajetória do fóton pode ser vista em um lugar ou outro, por exemplo, permitindo que alguém deduza o estado do gato. Mas, em qualquer forma que tenha, esse ato de observação tem um papel crítico: é a transmissão física da informação durante uma observação que causa o colapso da superposição e sela o destino do gato. Os físicos chamam esse vazamento de informação de "decoerência".
Ivan Semeniuk, da New Scientist, no Caderno Mais, Folha, 31/03/2002.
Considerações...
O Mais é atualmente uma das melhores publicações do país. Vale a pena assinar a Folha, mesmo não morando em São Paulo, nem que seja só para esperar por ele no domingo.
Física é fascinante!! É ficção-científica real!!!
Espero que o gato esteja vivo dentro da caixa... ;-)
Domingo de Páscoa!!
Católico, judeu, espírita, ateu, muçulmano até, seja qual for a religião, a maoiria das pessoas deve estar comendo chocolates nesta manhã. Para comemorar a ressucitação de Cristo... e os lucros da Garoto, Lacta, Kopenhagen...
Agora, se você não gosta de chocolate, fazer o que né???
Católico, judeu, espírita, ateu, muçulmano até, seja qual for a religião, a maoiria das pessoas deve estar comendo chocolates nesta manhã. Para comemorar a ressucitação de Cristo... e os lucros da Garoto, Lacta, Kopenhagen...
Agora, se você não gosta de chocolate, fazer o que né???
sexta-feira, março 29, 2002
Já não vale como notícia, pois já está velha, mas eu quero que conste aqui...
Morreu, na quarta-feira (27/032002) Billy Wilder um dos grandes diretores norte-americanos, conhecido principalmente por suas comédias extremamente críticas. Dentre seus filmes mais conhecidos estão "Se Meu Apartamento Falasse", "Crepúsculo dos Deuses" (esse uma crítica à Hollywood), "O Pecado Mora ao Lado" (aquele da cena clássica da saia esvoaçante de Marilyn Monroe).
Morreu, na quarta-feira (27/032002) Billy Wilder um dos grandes diretores norte-americanos, conhecido principalmente por suas comédias extremamente críticas. Dentre seus filmes mais conhecidos estão "Se Meu Apartamento Falasse", "Crepúsculo dos Deuses" (esse uma crítica à Hollywood), "O Pecado Mora ao Lado" (aquele da cena clássica da saia esvoaçante de Marilyn Monroe).
quinta-feira, março 28, 2002
É o avesso da infância, em que as novidades são domesticadas para construir um mundo que será familiar. Na demência, esse mundo é progressivamente desfeito. O horror final é a perda da sensação de nossa continuidade: normalmente, apesar da variedade de nossos atos e de nossas emoções, acreditamos que somos sempre a mesma pessoa. Ora, um sujeito, no meio da noite, parado diante da geladeira, pergunta-se porque veio até ali; ele não se reconhece mais, aquele que acordou não é o mesmo que chegou à cozinha. A depressão acompanha quase sempre a perda de memória: o sujeito faz luto de si mesmo.
Contardo Calligaris, em sua coluna de hoje na Folha Ilustrada, sobre o mal de Alzheimer.
Segundo o pouco de Psicologia que aprendi na faculdade de Medicina, vertentes da psicologia, dentre elas a de Vigostky, explicam que construímos nossa personalidade a todo momento. Existe uma base da pessoa que somos, mas as variáveis são muitas e podem ser modificadas a cada momento, de acordo com a situação que vivenciamos. Somos atores que se adaptam ao que a cena que se desenrola a nossa frente exige. Não é uma questão de sermos volúveis, de não termos personalidade, mas sim de sabermos nos adequar ao meio, de manter a homeostase interna e externa. Entrar em equilíbrio, o que no fundo parece ser o que norteia tudo e todos no universo...
No nosso caso, seres humanos, esse equilíbrio psíquico necessita de ferramentas básicas para acontecer. Precisamos captar as informações do meio ambiente, processá-las e compará-las com as outras informções que temos para formar nosso juízo e assim decidirmos como agir. Essas informações guardadas, nossas memórias, são portanto cruciais para que sejamos as pessoas que somos. A partir do momento em que não podemos comparar informações, não sabemos que fomos, mal sabemos que somos e menos ainda sabemos quem devemos ser.
A sensação deve ser semelhante à angústia que sentimos diante de uma página em branco, quando a inspiração ainda não chegou: sabemos que devemos escrever algo, sabemos até que somos capazes disso, mas naquele momento não fazemos idéia de como fazê-lo...
Contardo Calligaris, em sua coluna de hoje na Folha Ilustrada, sobre o mal de Alzheimer.
Segundo o pouco de Psicologia que aprendi na faculdade de Medicina, vertentes da psicologia, dentre elas a de Vigostky, explicam que construímos nossa personalidade a todo momento. Existe uma base da pessoa que somos, mas as variáveis são muitas e podem ser modificadas a cada momento, de acordo com a situação que vivenciamos. Somos atores que se adaptam ao que a cena que se desenrola a nossa frente exige. Não é uma questão de sermos volúveis, de não termos personalidade, mas sim de sabermos nos adequar ao meio, de manter a homeostase interna e externa. Entrar em equilíbrio, o que no fundo parece ser o que norteia tudo e todos no universo...
No nosso caso, seres humanos, esse equilíbrio psíquico necessita de ferramentas básicas para acontecer. Precisamos captar as informações do meio ambiente, processá-las e compará-las com as outras informções que temos para formar nosso juízo e assim decidirmos como agir. Essas informações guardadas, nossas memórias, são portanto cruciais para que sejamos as pessoas que somos. A partir do momento em que não podemos comparar informações, não sabemos que fomos, mal sabemos que somos e menos ainda sabemos quem devemos ser.
A sensação deve ser semelhante à angústia que sentimos diante de uma página em branco, quando a inspiração ainda não chegou: sabemos que devemos escrever algo, sabemos até que somos capazes disso, mas naquele momento não fazemos idéia de como fazê-lo...
terça-feira, março 26, 2002
Achei esse teste a partir do blog da Clarissa, quase minha chará! ;)

Which HP Kid Are You?
:) Um dia, quando tinha a idade dela nos livros, eu realmente fui parecida com a Hermione... :)
Which HP Kid Are You?
:) Um dia, quando tinha a idade dela nos livros, eu realmente fui parecida com a Hermione... :)
segunda-feira, março 25, 2002
Desabafo...
Cresci assistindo filmes. Em parte porque não saia muito para brincar, era um tanto quieta, porque meu pai sempre gostou de cinema e também porque sempre entendi aquela linguagem. Os filmes são parte da minha vida, sem dúvida nenhuma. Assim como livros e música, mas um pouco mais que eles. Me interessei mais pelos livros por causa de um filme, A História Sem Fim, assistido ainda bem nova por volta dos 5, 6 anos. Descobri um dos meus estilos musicais favoritos (o jazz americano e seus standards de Cole Porter, Gershwing e Berlin, entre outros) graças aos musicais, e até hoje, boa parte da minha coleção de cds é composta de trilhas sonoras.
É por isso que mesmo sabendo que o OSCAR é uma premiação da indústria cinematográfica americana, destinado a reconhecer aqueles que, mantendo-se de preferência dentro dos padrões dessa indústria, conseguiram destaque no ano e ajudaram dessa forma a manter a produção, mesmo sabendo disso tudo eu ainda assisto a cerimônia, torcendo por algum filme em particular. E ainda fico desapontada quando o filme não ganha.
Hoje de madrugada fiquei mais desapontada que de costume. A premiação de Ron Howard e seu Uma Mente Brilhante foi uma das mais burocráticas dos últimos anos. Num ano com filmes como O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel e Moulin Rouge, que além de serem importantes para a tal "indústria", pois arrecadaram muito dinheiro nas bilheterias (Moulin Rouge fez sucesso no exterior, mesmo que nem tanto nos EUA), são também artisticamente importantes, por serem filmes de autores, marcantes e que podem ditar mudanças de estilo. Num ano como este a academia prefere premiar um filme feito tão somente para ganhar o prêmio, que, se aparentemente não tem grandes defeitos, também não tem grandes méritos, não causa grandes emoções e será lembrado no futuro como "o filme em que Russel Crowe faz o matemático esquizofrênico".
Será que alguém vai lembrar de Moulin Rouge como "o filme em Nicole Kidman e Ewan McGregor cantam" ou de SDA como "o filme de magos, elfos, anões e homenzinhos de pé grande"??? Sinceramente, eu acho que não. Mesmo quem não gostou destes dois filmes, quem viu defeitos e criticou, vai lembrar muito bem deles pois, você pode gostar ou não, mas não pode negar que não são filmes descartáveis. Mesmo Gosford Park marca mais, com sua crítica à sociedade inglesa em decadência dos anos 20, com sua direção segura de Robert Altman (que merecia o OSCAR por esse trabalho e por todos os outros que não ganhou, como Short Cuts) e suas ótimas atuações. Não posso falar de Entre Quatro paredes pois não assisti.
Enfim, fiquei decepcionada com o resultado das premiações, por mais que já esperasse tal resultado. Interessante foi notar que na mesma noite, pouco antes da premiação do modelo formal de filme americano, Robert Redford recebeu sua homenagem com um belo discurso sobre liberdade e criatividade, sobre como é importante, para a própria indústria cinematográfica americana, estimular a criatividade e a arte em seus filmes, ou deveria dizer, "produtos"? A Academia reconhece a importância do Sundance Festival, dá a Redford a chance de falar o que pensa e fazer críticas, em tom suave, mas ainda sim críticas, mas no final nega isso tudo...
Pelo menos Denzel Washington teve seu merecido reconhecimento. Apesar de que me pareceu bastante discriminatório que no mesmo ano em que Sidney Poitier recebe uma homenagem dois atores negros ganham os OSCARs de ator e atriz principal. Mesmo merecendo a impressão que fica é a de que ganharam por serem bons atores negros quando na verdade devem ser vistos tão somente como bons atores...
E Pearl Harbor, um dos piores filmes de 2001, ganhou um OSCAR! Merecido até, pois os efeitos sonoros são muito bons, mas não deixa de ser engraçado.
E Randy Newman ganhou com a engraçadinha If I didn’t have you de Monstros S.A. num ano em que havia Sting com Until e Paul McCartney com Vanilla Sky concorrendo. E ainda a bela (e élfica, como diz meu irmão) May it be da Enya.
E no fim, fiquei acordada até de madrugada assistindo uma cerimônia séria (ficou claro como 11 de setembro ainda está vivo na memória americana), cujo momento mais divertido foi a bela apresentação do Cirque du Soleil. Bem, teve ainda o Wood Allen e o lindo, jovem e talentoso casal Ryan Phillippe e Reese Witherspoon.
E o que ficou foi a decepção final...
Cresci assistindo filmes. Em parte porque não saia muito para brincar, era um tanto quieta, porque meu pai sempre gostou de cinema e também porque sempre entendi aquela linguagem. Os filmes são parte da minha vida, sem dúvida nenhuma. Assim como livros e música, mas um pouco mais que eles. Me interessei mais pelos livros por causa de um filme, A História Sem Fim, assistido ainda bem nova por volta dos 5, 6 anos. Descobri um dos meus estilos musicais favoritos (o jazz americano e seus standards de Cole Porter, Gershwing e Berlin, entre outros) graças aos musicais, e até hoje, boa parte da minha coleção de cds é composta de trilhas sonoras.
É por isso que mesmo sabendo que o OSCAR é uma premiação da indústria cinematográfica americana, destinado a reconhecer aqueles que, mantendo-se de preferência dentro dos padrões dessa indústria, conseguiram destaque no ano e ajudaram dessa forma a manter a produção, mesmo sabendo disso tudo eu ainda assisto a cerimônia, torcendo por algum filme em particular. E ainda fico desapontada quando o filme não ganha.
Hoje de madrugada fiquei mais desapontada que de costume. A premiação de Ron Howard e seu Uma Mente Brilhante foi uma das mais burocráticas dos últimos anos. Num ano com filmes como O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel e Moulin Rouge, que além de serem importantes para a tal "indústria", pois arrecadaram muito dinheiro nas bilheterias (Moulin Rouge fez sucesso no exterior, mesmo que nem tanto nos EUA), são também artisticamente importantes, por serem filmes de autores, marcantes e que podem ditar mudanças de estilo. Num ano como este a academia prefere premiar um filme feito tão somente para ganhar o prêmio, que, se aparentemente não tem grandes defeitos, também não tem grandes méritos, não causa grandes emoções e será lembrado no futuro como "o filme em que Russel Crowe faz o matemático esquizofrênico".
Será que alguém vai lembrar de Moulin Rouge como "o filme em Nicole Kidman e Ewan McGregor cantam" ou de SDA como "o filme de magos, elfos, anões e homenzinhos de pé grande"??? Sinceramente, eu acho que não. Mesmo quem não gostou destes dois filmes, quem viu defeitos e criticou, vai lembrar muito bem deles pois, você pode gostar ou não, mas não pode negar que não são filmes descartáveis. Mesmo Gosford Park marca mais, com sua crítica à sociedade inglesa em decadência dos anos 20, com sua direção segura de Robert Altman (que merecia o OSCAR por esse trabalho e por todos os outros que não ganhou, como Short Cuts) e suas ótimas atuações. Não posso falar de Entre Quatro paredes pois não assisti.
Enfim, fiquei decepcionada com o resultado das premiações, por mais que já esperasse tal resultado. Interessante foi notar que na mesma noite, pouco antes da premiação do modelo formal de filme americano, Robert Redford recebeu sua homenagem com um belo discurso sobre liberdade e criatividade, sobre como é importante, para a própria indústria cinematográfica americana, estimular a criatividade e a arte em seus filmes, ou deveria dizer, "produtos"? A Academia reconhece a importância do Sundance Festival, dá a Redford a chance de falar o que pensa e fazer críticas, em tom suave, mas ainda sim críticas, mas no final nega isso tudo...
Pelo menos Denzel Washington teve seu merecido reconhecimento. Apesar de que me pareceu bastante discriminatório que no mesmo ano em que Sidney Poitier recebe uma homenagem dois atores negros ganham os OSCARs de ator e atriz principal. Mesmo merecendo a impressão que fica é a de que ganharam por serem bons atores negros quando na verdade devem ser vistos tão somente como bons atores...
E Pearl Harbor, um dos piores filmes de 2001, ganhou um OSCAR! Merecido até, pois os efeitos sonoros são muito bons, mas não deixa de ser engraçado.
E Randy Newman ganhou com a engraçadinha If I didn’t have you de Monstros S.A. num ano em que havia Sting com Until e Paul McCartney com Vanilla Sky concorrendo. E ainda a bela (e élfica, como diz meu irmão) May it be da Enya.
E no fim, fiquei acordada até de madrugada assistindo uma cerimônia séria (ficou claro como 11 de setembro ainda está vivo na memória americana), cujo momento mais divertido foi a bela apresentação do Cirque du Soleil. Bem, teve ainda o Wood Allen e o lindo, jovem e talentoso casal Ryan Phillippe e Reese Witherspoon.
E o que ficou foi a decepção final...
domingo, março 24, 2002
Não chega a ser uma carta aberta, mas...
Um amigo reclamou os direitos sobre a frase "um filme que te faz sair do cinema se sentindo bem", que eu usei ao escrever minha opinião sobre O fabuloso Destino de Amélie Poulan.
Não foi um roubo de idéia premeditado, realmente escrevi sem me dar conta de que usava algo dito por outra pessoa.
De qualquer forma foi um erro e faço agora público meu pedido de desculpas!!
E reescrevo a passagem, da forma que deveria ter sido: "e é também um filme que, como bem disse um amigo, te faz sair do cinema se sentindo bem."
Um amigo reclamou os direitos sobre a frase "um filme que te faz sair do cinema se sentindo bem", que eu usei ao escrever minha opinião sobre O fabuloso Destino de Amélie Poulan.
Não foi um roubo de idéia premeditado, realmente escrevi sem me dar conta de que usava algo dito por outra pessoa.
De qualquer forma foi um erro e faço agora público meu pedido de desculpas!!
E reescrevo a passagem, da forma que deveria ter sido: "e é também um filme que, como bem disse um amigo, te faz sair do cinema se sentindo bem."
O Globo on line está fazendo uma pesquisa sobre a imagem mais marcante do verão carioca.
Que me desculpem Roger Waters e a Mangueira, mas os golfinhos foram perfeitos ao virem fechar o verão.
(As outras opções eram impensáveis, principalmente a luta contra a Dengue, que só serviu de tema oportunista para o RJTV.)
Uhu!! Sempre foi minha favorita!!!

I'm Rogue
What X-Men Character are You?
Well Ah do declare, Sugah! Looks like you're everyone's favourite Southern Belle: Rogue. You're beautiful, charming and tough as nails, but you've got a romantic streak as wide as the white in your hair. Yup, it appears you've got it all, except for the fact that you have to keep people at arm's length all the time and then angst about it incessantly.
Quem me dera ser como ela e ter o Gambit apaixonado por mim... :)
I'm Rogue
What X-Men Character are You?
Well Ah do declare, Sugah! Looks like you're everyone's favourite Southern Belle: Rogue. You're beautiful, charming and tough as nails, but you've got a romantic streak as wide as the white in your hair. Yup, it appears you've got it all, except for the fact that you have to keep people at arm's length all the time and then angst about it incessantly.
Quem me dera ser como ela e ter o Gambit apaixonado por mim... :)
quinta-feira, março 21, 2002
Os Excêntricos Tenenbaums
Wes Anderson é um jovem talentoso e inteligente (que me lembra de alguma forma Wood Allen), como provam seus filmes: esse Tenenbaums e Rushmore, cujo título brasileiro Três é Demais eu abomino, e ainda Pura Adrenalina, este último ainda não tive a oportunidade de assistir. E que já recebeu o devido reconhecimento por parte da crítica americana. Para alguém com 31 anos, ele já tem uma carreira invejável. Isso tudo confere a ele, ou pelo menos ao seus filmes, alguma pretensão, sem dúvida. Mas, se por um lado são um tanto ao quanto pretensiosos, seus filmes são também sinceros ao retratar pessoas/personagens que estão acima da média de inteligência, talento, riqueza ou, mais apropriadamente, tudo isso.
E essa sinceridade, aliada a um olhar carinhoso sobre esses personagens (que talvez tenham algo, ou muito, do próprio diretor) que transforma os filmes de Anderson em experiências interessantes, inteligentes mas também cativantes. Esse último, Os Excêntricos Tenenbaums alia-se ainda a um roteiro comercialmente mais fácil de ser vendido (e por isso, assim como pelo elenco conhecido, foi lançado em grande circuito, enquanto Rushmore, tão bom quanto, é conhecido por poucos) ao falar sobre o resgate de uma família de gênios fracassados, organizado pelo pai cafajeste.
O filme começa apresentando os três jovens gênios da família Tenenbaum, quando ainda são crianças. É uma seqüência inteligente, inventiva (a narração em off, feita por Alec Baldwin, cria um clima documental que acompanha todo o filme) e bela, engrandecida pelo fundo musical, nada mais nada menos que Hey Jude, em uma ótima versão instrumental (era intenção de Anderson que fosse a versão original dos Beatles, mas os direitos não foram liberados). Cada um dos Tenenbaums além de inteligente possui também uma capacidade especial: Chas é um gênio das finanças e negócios; Margot é uma grande dramaturga e Ritchie é um dos melhores tenistas da época. Os pais, Etheline e Royal, estão também acima da média de inteligência. E há ainda o amigo e vizinho Eli, que sonha ser um Tenenbaum.
Mas toda a inteligência e talento não faz dos Tenenbaums uma família feliz e bem sucedida. E é exatamente sobre o fracasso, em diversos pontos, mas principalmente no âmbito emocional, que o filme se desenrola., com momentos irônicos, cômicos e outros tocantes.
Além do roteiro que consegue construir todos esses estranhos e diferentes personagens de forma real, da direção de Wes Anderson, e da direção de arte que cria uma Nova York completamente atemporal com taxis que continuam os mesmos, apenas envelhecidos (caindo aos pedaços para ser mais exata) e outros pequenos detalhes que tornam impossível datar o filme além da década de 70, o outro grande acerto do filme é o elenco. Ben Stiller e Gwyneth Paltrow têm talvez seus melhores papéis até o momento, e conseguem desenvolvê-los muito bem. Se parecem de certa forma caricatos, principalmente no início, é porque isso é necessário para que entendamos melhor o quão desestruturados emocionalmente são eles. Quanto ao resto do elenco, resta falar que todos têm seu momento de brilhar, tanto Angelica Huston (ótima como sempre), os irmãos Wilson e os coadjuvantes, dentre eles Bill Murray em mais um grande trabalho com Wes Anderson (a primeira parceria em Rushmore rendeu ótimas críticas). Será difícil esquecer ainda do personagem de Danny Glover, que foge dos seus papéis mais habituais. E Gene Hackman, bem, ele merecia ter sido indicado ao OSCAR e mereceria ter ganho, por imprimir a dose certa de cafajestagem e charme ao seu Royal Tenenbaum, e assim torná-lo um dos personagens mais reais e cativantes do filme e de sua carreira, que já é cheia de grandes personagens.
A trilha sonora é outro grande acerto. Pontuada por canções nostálgicas, que remetem aos anos 70, exatamente a época de ouro dos Tenenbaums, é uma daquelas trilhas que ao mesmo tempo que é recheada de músicas pop consegue também fazer referência direta ao filme, como as trilhas dos filmes de Cameron Crowe. Pena que o cd parece ainda não ter chegado por aqui (como sempre, salvo exceções de filmes que realmente fazem muito sucesso, as boas trilhas sempre chegam atrasadas, quando chegam!).
Por fim, Os Excêntricos Tenenbaums é um ótimo filme, que merece o rótulo que recebeu nos EUA de um dos melhores filmes de 2001. Um pequena grande obra cinematográfica, que merece ser vista, revista e comentada!!
Wes Anderson é um jovem talentoso e inteligente (que me lembra de alguma forma Wood Allen), como provam seus filmes: esse Tenenbaums e Rushmore, cujo título brasileiro Três é Demais eu abomino, e ainda Pura Adrenalina, este último ainda não tive a oportunidade de assistir. E que já recebeu o devido reconhecimento por parte da crítica americana. Para alguém com 31 anos, ele já tem uma carreira invejável. Isso tudo confere a ele, ou pelo menos ao seus filmes, alguma pretensão, sem dúvida. Mas, se por um lado são um tanto ao quanto pretensiosos, seus filmes são também sinceros ao retratar pessoas/personagens que estão acima da média de inteligência, talento, riqueza ou, mais apropriadamente, tudo isso.
E essa sinceridade, aliada a um olhar carinhoso sobre esses personagens (que talvez tenham algo, ou muito, do próprio diretor) que transforma os filmes de Anderson em experiências interessantes, inteligentes mas também cativantes. Esse último, Os Excêntricos Tenenbaums alia-se ainda a um roteiro comercialmente mais fácil de ser vendido (e por isso, assim como pelo elenco conhecido, foi lançado em grande circuito, enquanto Rushmore, tão bom quanto, é conhecido por poucos) ao falar sobre o resgate de uma família de gênios fracassados, organizado pelo pai cafajeste.
O filme começa apresentando os três jovens gênios da família Tenenbaum, quando ainda são crianças. É uma seqüência inteligente, inventiva (a narração em off, feita por Alec Baldwin, cria um clima documental que acompanha todo o filme) e bela, engrandecida pelo fundo musical, nada mais nada menos que Hey Jude, em uma ótima versão instrumental (era intenção de Anderson que fosse a versão original dos Beatles, mas os direitos não foram liberados). Cada um dos Tenenbaums além de inteligente possui também uma capacidade especial: Chas é um gênio das finanças e negócios; Margot é uma grande dramaturga e Ritchie é um dos melhores tenistas da época. Os pais, Etheline e Royal, estão também acima da média de inteligência. E há ainda o amigo e vizinho Eli, que sonha ser um Tenenbaum.
Mas toda a inteligência e talento não faz dos Tenenbaums uma família feliz e bem sucedida. E é exatamente sobre o fracasso, em diversos pontos, mas principalmente no âmbito emocional, que o filme se desenrola., com momentos irônicos, cômicos e outros tocantes.
Além do roteiro que consegue construir todos esses estranhos e diferentes personagens de forma real, da direção de Wes Anderson, e da direção de arte que cria uma Nova York completamente atemporal com taxis que continuam os mesmos, apenas envelhecidos (caindo aos pedaços para ser mais exata) e outros pequenos detalhes que tornam impossível datar o filme além da década de 70, o outro grande acerto do filme é o elenco. Ben Stiller e Gwyneth Paltrow têm talvez seus melhores papéis até o momento, e conseguem desenvolvê-los muito bem. Se parecem de certa forma caricatos, principalmente no início, é porque isso é necessário para que entendamos melhor o quão desestruturados emocionalmente são eles. Quanto ao resto do elenco, resta falar que todos têm seu momento de brilhar, tanto Angelica Huston (ótima como sempre), os irmãos Wilson e os coadjuvantes, dentre eles Bill Murray em mais um grande trabalho com Wes Anderson (a primeira parceria em Rushmore rendeu ótimas críticas). Será difícil esquecer ainda do personagem de Danny Glover, que foge dos seus papéis mais habituais. E Gene Hackman, bem, ele merecia ter sido indicado ao OSCAR e mereceria ter ganho, por imprimir a dose certa de cafajestagem e charme ao seu Royal Tenenbaum, e assim torná-lo um dos personagens mais reais e cativantes do filme e de sua carreira, que já é cheia de grandes personagens.
A trilha sonora é outro grande acerto. Pontuada por canções nostálgicas, que remetem aos anos 70, exatamente a época de ouro dos Tenenbaums, é uma daquelas trilhas que ao mesmo tempo que é recheada de músicas pop consegue também fazer referência direta ao filme, como as trilhas dos filmes de Cameron Crowe. Pena que o cd parece ainda não ter chegado por aqui (como sempre, salvo exceções de filmes que realmente fazem muito sucesso, as boas trilhas sempre chegam atrasadas, quando chegam!).
Por fim, Os Excêntricos Tenenbaums é um ótimo filme, que merece o rótulo que recebeu nos EUA de um dos melhores filmes de 2001. Um pequena grande obra cinematográfica, que merece ser vista, revista e comentada!!
quarta-feira, março 20, 2002
E no final, bem no finzinho mesmo, a chuva veio fechar o verão carioca!
Parece um final perfeito, depois das últimas semanas de calor e céu azul.
Muitos reclamaram do calor, realmente era (se é que realmente acabou e esta não é só uma chuvinha de verão) até difícil dormir á noite. Mas não é possível falar mal do clima quando sabe-se que golfinhos vieram nadar em Ipanema, por conta das águas límpidas (pela falata de chuva) e quentes.
Eu nem moro em Ipanema, não os vi ao vivo, mas fiquei feliz ao saber dos golfinhos.
(Há que ser muito chato para não sorrir ao saber dos golfinhos...)
E assim vai-se mais um verão... Se bem que tratando-se de um país tropical isso não significa grandes mudanças de clima! ;-)
Parece um final perfeito, depois das últimas semanas de calor e céu azul.
Muitos reclamaram do calor, realmente era (se é que realmente acabou e esta não é só uma chuvinha de verão) até difícil dormir á noite. Mas não é possível falar mal do clima quando sabe-se que golfinhos vieram nadar em Ipanema, por conta das águas límpidas (pela falata de chuva) e quentes.
Eu nem moro em Ipanema, não os vi ao vivo, mas fiquei feliz ao saber dos golfinhos.
(Há que ser muito chato para não sorrir ao saber dos golfinhos...)
E assim vai-se mais um verão... Se bem que tratando-se de um país tropical isso não significa grandes mudanças de clima! ;-)
domingo, março 17, 2002
Agora é oficial, sou colaboradora do c o n t e x t o !
Espero que o magisterX não venha se arrepender do convite... ;-)
Espero que o magisterX não venha se arrepender do convite... ;-)
Mais um teste do paquiderme...
Isso me lembra que sou conhecida por alguns amigos como elefantinho cor de rosa...
Que vocalista de banda brasileira de rock você é?
Você é fofinha, bonitinha e simpática. Todos gostam de você. Que maravilha.
Isso me lembra que sou conhecida por alguns amigos como elefantinho cor de rosa...
Que vocalista de banda brasileira de rock você é?
Você é fofinha, bonitinha e simpática. Todos gostam de você. Que maravilha.
sábado, março 16, 2002
Aí está a versão original do poema.
Porque poemas (e obras literárias em geral) devem ser lidos na sua versão original, já que a tradução é sempre uma interpretação, sempre coloca um intermediário entre o leitor e o escritor. O mesmo que acontece com versões cinematográficas de livros, só que nesse caso há muitos outros intermediários (roteirista, diretor, atores,...).
Quien Muere
Pablo Neruda
Muere lentamente
quien se transforma en esclavo del hábito
repitiendo todos los días los mismos trayectos
quien no cambia de marca
no arriesga vestir un color nuevo
y no le habla a quien no conoce.
Muere lentamente quien hace de la televisión su gurú.
Muere lentamente
quien evita una pasión
quien prefiere el negro sobre blanco
y los puntos sobre las "ies" a un remolino de emociones
justamente las que rescatan el brillo de los ojos
sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.
Muere lentamente
quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo
quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño
quien no se permite por lo menos una vez en la vida
huir de los consejos sensatos.
Muere lentamente
quien no viaja
quien no lee
quien no oye música
quien no encuentra gracia en sí mismo.
Muere lentamente
quien destruye su amor propio
quien no se deja ayudar.
Muere lentamente
quien pasa los días quejándose de su mala suerte
o de la lluvia incesante.
Muere lentamente
quien abandonando un proyecto antes de iniciarlo
no preguntando de un asunto que desconoce
o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.
Evitemos la muerte en suaves cuotas
recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor
que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.
Porque poemas (e obras literárias em geral) devem ser lidos na sua versão original, já que a tradução é sempre uma interpretação, sempre coloca um intermediário entre o leitor e o escritor. O mesmo que acontece com versões cinematográficas de livros, só que nesse caso há muitos outros intermediários (roteirista, diretor, atores,...).
Quien Muere
Pablo Neruda
Muere lentamente
quien se transforma en esclavo del hábito
repitiendo todos los días los mismos trayectos
quien no cambia de marca
no arriesga vestir un color nuevo
y no le habla a quien no conoce.
Muere lentamente quien hace de la televisión su gurú.
Muere lentamente
quien evita una pasión
quien prefiere el negro sobre blanco
y los puntos sobre las "ies" a un remolino de emociones
justamente las que rescatan el brillo de los ojos
sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.
Muere lentamente
quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo
quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño
quien no se permite por lo menos una vez en la vida
huir de los consejos sensatos.
Muere lentamente
quien no viaja
quien no lee
quien no oye música
quien no encuentra gracia en sí mismo.
Muere lentamente
quien destruye su amor propio
quien no se deja ayudar.
Muere lentamente
quien pasa los días quejándose de su mala suerte
o de la lluvia incesante.
Muere lentamente
quien abandonando un proyecto antes de iniciarlo
no preguntando de un asunto que desconoce
o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.
Evitemos la muerte en suaves cuotas
recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor
que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.
Quem Morre?
Pablo Neruda
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito
repetindo todos os dias os mesmos trajetos
quem não muda de marca
não se arrisca a vestir uma cor nova
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" a um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um [sonho
quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja
quem não lê
quem não ouve música
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito [maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Borges achava que Neruda só era um bom poeta por causa da política, em função da conjuntura política na qual estava inserido (assim como todos sempre estamos) e sobre a qual escrevia. E talvez até pelo posicionamento que tomava. (Neruda era comunista, como o amigo Jorge Amado...)
"Creo que fue un gran poeta. Y creo algo con lo que ustedes quizás no están de acuerdo. Yo abomino del comunismo, pero pienso que el comunismo le hizo bien a Neruda. Si no hubiese sido un poeta político, habría sido un mal poeta". Borges sobre Neruda.
Eu (que sou apenas eu e não alguém como Jorge Luis Borges ou Pablo Neruda) gosto muitísimo das poesias de Neruda e vejo nelas algo de comum no estilo (de escrita e de ver, e entender, o mundo) com o de Drummond, poeta e cronista (e quem não sabe??) que também adoro. Ainda não li crítica, comentário ou resenha que fale da proximidade destes dois grandes poetas americanos (i.e. do continente americano) do século XX, será que só eu vejo essa semelhança??
De qualquer forma, importa menos o que eu penso e mais o que você ganha ao ler (e sentir) o poema acima. E ao ler qualquer poema de Neruda. Ou ao assistir o belíssimo O Carteiro e O Poeta, baseado em fatos reais, sobre o exílio de Neruda (como todo bom comunista na América ele passou período exilado do Chile) e, principalmente, sobre como a poesia está nas coisas mais simples da vida e como ela é capaz de tocar exatamente as pessoas (aparentemente) mais simples...
Pablo Neruda
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito
repetindo todos os dias os mesmos trajetos
quem não muda de marca
não se arrisca a vestir uma cor nova
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" a um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um [sonho
quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja
quem não lê
quem não ouve música
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito [maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Borges achava que Neruda só era um bom poeta por causa da política, em função da conjuntura política na qual estava inserido (assim como todos sempre estamos) e sobre a qual escrevia. E talvez até pelo posicionamento que tomava. (Neruda era comunista, como o amigo Jorge Amado...)
"Creo que fue un gran poeta. Y creo algo con lo que ustedes quizás no están de acuerdo. Yo abomino del comunismo, pero pienso que el comunismo le hizo bien a Neruda. Si no hubiese sido un poeta político, habría sido un mal poeta". Borges sobre Neruda.
Eu (que sou apenas eu e não alguém como Jorge Luis Borges ou Pablo Neruda) gosto muitísimo das poesias de Neruda e vejo nelas algo de comum no estilo (de escrita e de ver, e entender, o mundo) com o de Drummond, poeta e cronista (e quem não sabe??) que também adoro. Ainda não li crítica, comentário ou resenha que fale da proximidade destes dois grandes poetas americanos (i.e. do continente americano) do século XX, será que só eu vejo essa semelhança??
De qualquer forma, importa menos o que eu penso e mais o que você ganha ao ler (e sentir) o poema acima. E ao ler qualquer poema de Neruda. Ou ao assistir o belíssimo O Carteiro e O Poeta, baseado em fatos reais, sobre o exílio de Neruda (como todo bom comunista na América ele passou período exilado do Chile) e, principalmente, sobre como a poesia está nas coisas mais simples da vida e como ela é capaz de tocar exatamente as pessoas (aparentemente) mais simples...
O Fred agora também tem testes. Este é o primeiro.
Que canal de TV por assinatura você é?
Gostei do meu resultado... ;-)
It's not a tv channel... It's HBO!
(Eu já usava esse slogan para Arquivo X: It's not a tv series... It's The X Files! Isso na época em que Arquivo X era realmente Arquivo X e não esse enlatado que estreou há duas semanas...)
Que canal de TV por assinatura você é?
Gostei do meu resultado... ;-)
It's not a tv channel... It's HBO!
(Eu já usava esse slogan para Arquivo X: It's not a tv series... It's The X Files! Isso na época em que Arquivo X era realmente Arquivo X e não esse enlatado que estreou há duas semanas...)
Outra semana relapsa!
Fica evidente que é algo em que preciso trabalhar: encontrar tempo durante a semana para escrever aqui. Não é difícil, é só uma questão de um mínimo de disciplina!!
Mas, por incrível que pareça, mesmo estando tão irresponsável quanto ao pseudobloguinho, ainda assim fui agraciada com um lisonjeiro convite, e ainda mais uma citação, do MaGo, agora conhecido como magisterX.
Fica evidente que é algo em que preciso trabalhar: encontrar tempo durante a semana para escrever aqui. Não é difícil, é só uma questão de um mínimo de disciplina!!
Mas, por incrível que pareça, mesmo estando tão irresponsável quanto ao pseudobloguinho, ainda assim fui agraciada com um lisonjeiro convite, e ainda mais uma citação, do MaGo, agora conhecido como magisterX.
domingo, março 10, 2002
Só para constar: faz um calor veranil perfeito no Rio (mesmo sendo adepta do clima frio tenho de admitir isso), acompanhado, muito apropriadamente, de um límpido e belo céu azul e, claro, um sol para abrir o sorriso de qualquer um.
Belíssimos, estes últimos dias na Cidade Maravilhosa. Perfeitos para passeios à beira da praia ou na mata (Floresta da Tijuca, Quinta da Boa Vista) e para banhos de mar, piscina, lagoa, cachoeira ou chuveiro que seja. ;-)
Aproveitemos, enquanto as águas de março não chegam!!
Belíssimos, estes últimos dias na Cidade Maravilhosa. Perfeitos para passeios à beira da praia ou na mata (Floresta da Tijuca, Quinta da Boa Vista) e para banhos de mar, piscina, lagoa, cachoeira ou chuveiro que seja. ;-)
Aproveitemos, enquanto as águas de março não chegam!!
Na sexta (08/03) eu coloquei aqui uma música que julgo ser feliz, que faz você se sentir bem ao ouvi-la. Hoje recomendo um filme feliz: O Fabuloso Destino de Amélie Poulan!
Sei que atualmente existem muitos filmes bons e interessantes em cartaz (por conta do OSCAR daqui a duas semanas) mas esse é um filme que tem a característica de além de ser inteligente e inventivo (o diretor é Jean-Pierre Jeunet de Delicatessen, A Cidade das Crianças Perdidas e também de Alien - A Ressureição) é também um filme que te faz sair do cinema se sentindo bem.
Sem o ranço politicamente correto de certos filmes americanos, Amélie é um filme que dá crédito a humanidade, sem deixar de mostrar que alguns humanos ainda não fazem por merecer esse crédito. Mas também fala das pessoas que fazem por onde serem felizes. E daquelas que com uma ajudinha de Amélie também podem chegar lá.
Um belo filme, para você se sentir bem, mas não de forma anestesiante. Faz você pensar também!!
Sei que atualmente existem muitos filmes bons e interessantes em cartaz (por conta do OSCAR daqui a duas semanas) mas esse é um filme que tem a característica de além de ser inteligente e inventivo (o diretor é Jean-Pierre Jeunet de Delicatessen, A Cidade das Crianças Perdidas e também de Alien - A Ressureição) é também um filme que te faz sair do cinema se sentindo bem.
Sem o ranço politicamente correto de certos filmes americanos, Amélie é um filme que dá crédito a humanidade, sem deixar de mostrar que alguns humanos ainda não fazem por merecer esse crédito. Mas também fala das pessoas que fazem por onde serem felizes. E daquelas que com uma ajudinha de Amélie também podem chegar lá.
Um belo filme, para você se sentir bem, mas não de forma anestesiante. Faz você pensar também!!
"Nós gatos já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás"
Que Saltimbanco você é?
Você é teimosa e esforçada. E pra uma galinha... até que você é... bem... é... bem-apanhada!
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás"
Que Saltimbanco você é?
Você é teimosa e esforçada. E pra uma galinha... até que você é... bem... é... bem-apanhada!
sábado, março 09, 2002
Hoje à noite a Praça da Apoteose será palco de um momento antológico (o que já é da sua natureza) quando Roger Waters e banda derem os primeiros acordes dessa música cuja letra segue abaixo (só por mera ilustração, já que qualquer habitante do mundo ocidental a conhece).
O público - enorme já que parece que os ingressos se esgotaram - fará parte desse momento, cantando, entoando junto. E mostrando qual o verdadeiro sentido dessa música, que eu acredito, não ser servir a um albúm histórico ou a um filme lisérgico e sim ser cantada por uma multidão!!
Pena que não estarei lá...
Mas desejo a todos uma noite inesquecível!!!
Another Brick In The Wall (part II)
Pink Floyd
We don't need no education.
We don't need no thought control.
No dark sarcasm in the classroom.
Teacher, leave those kids alone.
Hey, Teacher, leave those kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.
We don't need no education.
We don't need no thought control.
No dark sarcasm in the classroom.
Teachers, leave those kids alone.
Hey, Teacher, leave those kids alone!
All in all you're just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.
O público - enorme já que parece que os ingressos se esgotaram - fará parte desse momento, cantando, entoando junto. E mostrando qual o verdadeiro sentido dessa música, que eu acredito, não ser servir a um albúm histórico ou a um filme lisérgico e sim ser cantada por uma multidão!!
Pena que não estarei lá...
Mas desejo a todos uma noite inesquecível!!!
Another Brick In The Wall (part II)
Pink Floyd
We don't need no education.
We don't need no thought control.
No dark sarcasm in the classroom.
Teacher, leave those kids alone.
Hey, Teacher, leave those kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.
We don't need no education.
We don't need no thought control.
No dark sarcasm in the classroom.
Teachers, leave those kids alone.
Hey, Teacher, leave those kids alone!
All in all you're just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.
sexta-feira, março 08, 2002
Uma música feliz sobre a felicidade, baseada tão somente nas coisas simples (e importantes) da vida.
O Decobrimento do Brasil
Legião Urbana
Letra: Renato Russo
Música: Marcelo Bonfá
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
- Estou pensando em casamento,
Mas não quero me casar.
Quem modelou teu rosto?
Quem viu tua alma entrando?
Quem viu tua alma entrar?
Quem são teus inimigos?
Quem é de tua cria?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança.
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração?
Quem está agora a teu lado?
Quem para sempre está?
Quem para sempre estará?
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nesta vida.
- A gente quer é um lugar p’rá gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego.
- Estou pensando em casamento
Ma’inda não posso me casar.
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita.
O Decobrimento do Brasil
Legião Urbana
Letra: Renato Russo
Música: Marcelo Bonfá
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
- Estou pensando em casamento,
Mas não quero me casar.
Quem modelou teu rosto?
Quem viu tua alma entrando?
Quem viu tua alma entrar?
Quem são teus inimigos?
Quem é de tua cria?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança.
Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração?
Quem está agora a teu lado?
Quem para sempre está?
Quem para sempre estará?
Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nesta vida.
- A gente quer é um lugar p’rá gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego.
- Estou pensando em casamento
Ma’inda não posso me casar.
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita.
segunda-feira, março 04, 2002
Existem escritores...
Essas pessoas que têm o dom de transformar simples palavras em sentimentos, em coisas sublimes.
Assim como existem pintores, escultores, músicos e artistas em geral.
Milan Kundera foi capaz (claro!) de expressar de forma muito mais feliz algo que eu apenas consegui esboçar no início do post de ontem (03/03):
Atravessamos o presente de olhos vendados; mal podemos pressentir ou advinhar aquilo que estamos vivendo. Só mais tarde, quando a venda é retirada e examinamos o passado, percebemos o que foi vivido, compreendemos o sentido do que passou.
Essas pessoas que têm o dom de transformar simples palavras em sentimentos, em coisas sublimes.
Assim como existem pintores, escultores, músicos e artistas em geral.
Milan Kundera foi capaz (claro!) de expressar de forma muito mais feliz algo que eu apenas consegui esboçar no início do post de ontem (03/03):
Atravessamos o presente de olhos vendados; mal podemos pressentir ou advinhar aquilo que estamos vivendo. Só mais tarde, quando a venda é retirada e examinamos o passado, percebemos o que foi vivido, compreendemos o sentido do que passou.
Mais um post introspectivo e talvez sem sentido.
Mas necessário, num momento em que talvez esteja me libertando de uma ilusão de dois anos, para "odernar" as idéias... ;-)
Até que ponto, se você acredita muito em algo, isso não se torna real?
Às vezes a vida nos prega grandes peças.
Ou talvez sejamos nós que nos auto enganamos.
Pode acontecer de nos perdermos em sentimentos, em crenças, em "verdades" que não passam de ilusões. Se a ilusão não atrapalha a vida, se pelo contrário ela ajuda, ao estimular a criação, ao transfomar-nos em pessoas melhores. Então pode se até viver neste mundo à parte. Como numa paixão platônica, que não fere ninguém mas traz para o apaixonado a sensação de alegria e felicidade que só os apaixonados conhecem.
Mas e se essa ilusão nos cria problemas? Nos tira do convívio com aqueles que nos querem bem? Nos leva a cometer atos que normalmente consideraríamos impensáveis? Nos torna alguém de quem não nos orgulhamos??
A paixão é um tipo de ilusão. É um período de tempo durante o qual enxergamos uma outra pessoa de uma forma diferente. Sentimos por ela uma atração mais forte que a normal. Somos capazes de tudo, ou quase tudo, por ela. Mas cedo ou tarde a paixão acaba. Em algum momento os fenômenos neurofisiológicos que mantêm cesa a chama cessam e a chama se extingue.
Ou não...
A não ser que haja amor, carinho, querer bem, amizade, que seja. Aí, a paixão acaba mas o relacionamento permanece.
Mas e naqueles casos em as coisas não deram muito certo? Quando você descobre facetas nada agradáveis da pessoa que você quiz, ou quer, bem? Será covardia desistir do relacionamento e largar o outro a própria sorte por seus defeitos? Ou será covardia consigo mesmo levar a diante uma relação que nada traz de bom para você, que faz de você uma pessoa pior??
Cedo ou tarde chega-se a uma certeza do que fazer. Mas no meio tempo a dúvida é cruel...
Mas necessário, num momento em que talvez esteja me libertando de uma ilusão de dois anos, para "odernar" as idéias... ;-)
Até que ponto, se você acredita muito em algo, isso não se torna real?
Às vezes a vida nos prega grandes peças.
Ou talvez sejamos nós que nos auto enganamos.
Pode acontecer de nos perdermos em sentimentos, em crenças, em "verdades" que não passam de ilusões. Se a ilusão não atrapalha a vida, se pelo contrário ela ajuda, ao estimular a criação, ao transfomar-nos em pessoas melhores. Então pode se até viver neste mundo à parte. Como numa paixão platônica, que não fere ninguém mas traz para o apaixonado a sensação de alegria e felicidade que só os apaixonados conhecem.
Mas e se essa ilusão nos cria problemas? Nos tira do convívio com aqueles que nos querem bem? Nos leva a cometer atos que normalmente consideraríamos impensáveis? Nos torna alguém de quem não nos orgulhamos??
A paixão é um tipo de ilusão. É um período de tempo durante o qual enxergamos uma outra pessoa de uma forma diferente. Sentimos por ela uma atração mais forte que a normal. Somos capazes de tudo, ou quase tudo, por ela. Mas cedo ou tarde a paixão acaba. Em algum momento os fenômenos neurofisiológicos que mantêm cesa a chama cessam e a chama se extingue.
Ou não...
A não ser que haja amor, carinho, querer bem, amizade, que seja. Aí, a paixão acaba mas o relacionamento permanece.
Mas e naqueles casos em as coisas não deram muito certo? Quando você descobre facetas nada agradáveis da pessoa que você quiz, ou quer, bem? Será covardia desistir do relacionamento e largar o outro a própria sorte por seus defeitos? Ou será covardia consigo mesmo levar a diante uma relação que nada traz de bom para você, que faz de você uma pessoa pior??
Cedo ou tarde chega-se a uma certeza do que fazer. Mas no meio tempo a dúvida é cruel...
domingo, março 03, 2002
Às vezes parece difícil não acreditar no destino, é quase impossível não enxergar que existem sinais pelo caminho. As grandes revelações, decisões e mudanças muitas vezes não acontecem do nada. O momento do acontecimento pode parecer insólito à primeira vista. Mas se olhamos só um pouquinho para trás percebemos como aquilo já vinha se anunciando, por meio de pequenas e sutis pistas.
São pequenas alterações da sua rotina diária, amigos que aparecem quando menos se espera, uma sensção estranha de que há algo que você deve fazer, uma série de textos, filmes e músicas que de repente parecem versar sobre apenas um tema. São pistas que não são compreendidas logo, até porque, elas estão ali para falar ao subconsciente. Quando finalmente aquela idéia, decisão, acontecimento que seja, consegue ganhar força bastante para se tornar real e consciente, nos surpreendemos ao ver que o caminho estava lá e não notamos. Caminhamos por ele quase sem perceber para onde ele nos levava.
Nesse momento sabemos também que é hora de começar uma nova trilha. Que mais uma vez nos lerará a algum lugar desconhecido, mas do qual temos pelo menos idéia de como gostaríamos que fosse. É hora de juntar tudo (amigos, pertences e alegrias), lembrar do que foi aprendido e cuidar para acertarmos mais ou pelo menos não cometer os mesmos erros.
E tentar prestar mais atenção às pistas. Quem sabe assim, um dia, seremos capazes de prever o futuro...;-)
Mistério é tudo aquilo que (ainda) não somos capazes de explicar...
O maior mistério é não haver mistérios.
São pequenas alterações da sua rotina diária, amigos que aparecem quando menos se espera, uma sensção estranha de que há algo que você deve fazer, uma série de textos, filmes e músicas que de repente parecem versar sobre apenas um tema. São pistas que não são compreendidas logo, até porque, elas estão ali para falar ao subconsciente. Quando finalmente aquela idéia, decisão, acontecimento que seja, consegue ganhar força bastante para se tornar real e consciente, nos surpreendemos ao ver que o caminho estava lá e não notamos. Caminhamos por ele quase sem perceber para onde ele nos levava.
Nesse momento sabemos também que é hora de começar uma nova trilha. Que mais uma vez nos lerará a algum lugar desconhecido, mas do qual temos pelo menos idéia de como gostaríamos que fosse. É hora de juntar tudo (amigos, pertences e alegrias), lembrar do que foi aprendido e cuidar para acertarmos mais ou pelo menos não cometer os mesmos erros.
E tentar prestar mais atenção às pistas. Quem sabe assim, um dia, seremos capazes de prever o futuro...;-)
Mistério é tudo aquilo que (ainda) não somos capazes de explicar...
O maior mistério é não haver mistérios.
O hábito de estar aqui agora
aos poucos substitui a compulsão
de ser o tempo todo alguém ou algo.
Um belo dia (por algum motivo
é sempre dia claro nesses casos)
você abre a janela, ou abre um pote
de pêssegos em calda, ou mesmo um livro
que nunca há de ser lido até o fim
e então a idéia irrompe, clara e nítida:
É necessário? Não. Será possível?
De modo algum. Ao menos dá prazer?
Será prazer essa exigência cega
a latejar na mente o tempo todo?
Então porque?
E neste exato instante
você por fim entende, e refestela-se
a valer nessa poltrona, a mais cômoda
da acasa, e pensa sem rancor:
Perdi o dia, mas ganhei o mundo.
(Mesmo que seja por trinta segundos.)
Paulo Henrique Britto é autor de Trovar Claro
Retirado do caderno Mais+, Folha, 03/03/2002.
aos poucos substitui a compulsão
de ser o tempo todo alguém ou algo.
Um belo dia (por algum motivo
é sempre dia claro nesses casos)
você abre a janela, ou abre um pote
de pêssegos em calda, ou mesmo um livro
que nunca há de ser lido até o fim
e então a idéia irrompe, clara e nítida:
É necessário? Não. Será possível?
De modo algum. Ao menos dá prazer?
Será prazer essa exigência cega
a latejar na mente o tempo todo?
Então porque?
E neste exato instante
você por fim entende, e refestela-se
a valer nessa poltrona, a mais cômoda
da acasa, e pensa sem rancor:
Perdi o dia, mas ganhei o mundo.
(Mesmo que seja por trinta segundos.)
Paulo Henrique Britto é autor de Trovar Claro
Retirado do caderno Mais+, Folha, 03/03/2002.
quinta-feira, fevereiro 28, 2002
Essa música é de uma simplicidade incrível, já que é uma música infantil. Mas ainda assim me parece mais bonita e mais profunda que muitas músicas "adultas"...
Coração
Turma do Balão Mágico
Pra cantar
Pra brincar
Pra dançar
E até dormir
Sempre
É sempre assim
Você mora
Dentro de mim
Quero ouvir tua voz
Me falar de namorar
Quando, coração,
Você pensa se apaixonar?
Uma vez pensei
E quase te falei
Que o amor
Chega sem avisar
Coração, coração
É tão bom o teu calor
Vem cantar pra mim
Tua linda canção de amor
Se eu sorrir
Se eu chorar
Se eu mentir
Amigo meu
Sempre
Coração
Você sabe
Você e eu
Então olha amigão
Você vai dizer pra mim
Diga: sim ou não
É verdade que o amor tem fim?
Uma vez pensei
E quase te falei
Que um amor
Nunca vai ser ruim
Coração, coração
É tão bom o teu calor
Vem cantar pra mim
Tua linda canção de amor
Lembram da Simony e Jairzinho, crianças? Ele até que se tornou um bom músico, mesmo que não esteja nas "paradas de sucesso". Ela trilhou outros caminhos...
Coração
Turma do Balão Mágico
Pra cantar
Pra brincar
Pra dançar
E até dormir
Sempre
É sempre assim
Você mora
Dentro de mim
Quero ouvir tua voz
Me falar de namorar
Quando, coração,
Você pensa se apaixonar?
Uma vez pensei
E quase te falei
Que o amor
Chega sem avisar
Coração, coração
É tão bom o teu calor
Vem cantar pra mim
Tua linda canção de amor
Se eu sorrir
Se eu chorar
Se eu mentir
Amigo meu
Sempre
Coração
Você sabe
Você e eu
Então olha amigão
Você vai dizer pra mim
Diga: sim ou não
É verdade que o amor tem fim?
Uma vez pensei
E quase te falei
Que um amor
Nunca vai ser ruim
Coração, coração
É tão bom o teu calor
Vem cantar pra mim
Tua linda canção de amor
Lembram da Simony e Jairzinho, crianças? Ele até que se tornou um bom músico, mesmo que não esteja nas "paradas de sucesso". Ela trilhou outros caminhos...
Visitei o www.infancia80.com.br, site, evidentemente, dedicado a tudo que marcou a vida de quem tinha entre 0 e 15 anos durante a década de 80. Jogos, programas de tv, filmes, quase tudo tem lá. É um site extremente nostálgico e eu, que já vivo entre o mundo da lua e o passado, fiquei pesando no quanto a infância é uma época boa. Talvez até a melhor época da vida, dependendo da história da sua vida, é claro.
Evoluir é bom, é necessário. Ao contrário de uma amiga minha eu acredito que nós temos a chance de nos tornarmos melhores com o passar do tempo, é para isso que estamos aqui. Mas se por um lado devemos amadurecer, aprender a lidar com o mundo à nossa volta, tornarmo-nos seres que sabem usar sua inteligência e sua independencia, por outro também acredito que existe algo da infância que é bom mantermos. A capacidade de nos surpreendermos, de nos admirarmos com o mundo à nossa volta é muito importante para que não comecemos a achar tudo extrememente tedioso, sem graça.
A partir do momento que começamos a olhar a vida com o olhos cansados, como quem já sabe tudo e nada mais tem para aprender, a vida talvez perca o sentido e a graça. Vagar pelo mundo apenas ensiando os outros (se se chegar a tanto) ou gabando-se da própria sapiência me parece ser uma experiência um tanto ao quanto vazia...
Evoluir é bom, é necessário. Ao contrário de uma amiga minha eu acredito que nós temos a chance de nos tornarmos melhores com o passar do tempo, é para isso que estamos aqui. Mas se por um lado devemos amadurecer, aprender a lidar com o mundo à nossa volta, tornarmo-nos seres que sabem usar sua inteligência e sua independencia, por outro também acredito que existe algo da infância que é bom mantermos. A capacidade de nos surpreendermos, de nos admirarmos com o mundo à nossa volta é muito importante para que não comecemos a achar tudo extrememente tedioso, sem graça.
A partir do momento que começamos a olhar a vida com o olhos cansados, como quem já sabe tudo e nada mais tem para aprender, a vida talvez perca o sentido e a graça. Vagar pelo mundo apenas ensiando os outros (se se chegar a tanto) ou gabando-se da própria sapiência me parece ser uma experiência um tanto ao quanto vazia...
terça-feira, fevereiro 26, 2002
Eu queria que fosse a Bela, pois adoro ela. Mas a Jasmine também tem bastante personalidade, não dá pra negar. Só teria ficado meio chateada se fosse a Branca de Neve, porque ela é uma Amélia, vive para cozinhar, arrumar a casa e esperar o marido. Fiquei surpresa quando cheguei a essa conclusão sobre a Branca de neve, quando revi o desenho há dois anos. Branca de neve era uma Amélia... Cheguei a imaginar se Walt Disney não tinha se inspirado na canção de Ataulfo Alves e Mário Lago.
Mas é bom ver que os desenhos da Disney, mesmo sendo contos de fadas, evoluíram e hoje mostram mulheres que não ficam à espera de príncipes encantados par salvá-las. Elas estudam, leêm, pensam, enfim, vivem para algo além de seus homens... ;-)
domingo, fevereiro 24, 2002
Onze homens e um segredo/ Ocean's Eleven
Diversão e charme. Estas são as palavras que melhor definem Onze homens e um segredo. É um filme charmoso do início ao fim, e em praticamente todos seus detalhes. Um filme no qual você sente que aquelas pessoas na tela (e por trás dela) se divertiram, e no qual você também se diverte. Tudo isso graças a um ótimo trabalho de equipe de atores, diretor, roteiro, trilha sonora e montagem, e todos os outros responsáveis pelo filme.
George Clooney é charmoso por natureza, então, é claro que esse filme caiu como um luva para ele (e foi ele que primeiro teve a idéia do remake, após ler o roteiro), principalmente sendo dele o papel de Daniel Ocean, o cara que sai da prisão e resolve chamar os amigos para passar o tempo e arquitetar um roubo ousado de três cassinos de Las Vegas. Brad Pitty trabalha como há muito não fazia e junto com Clooney protagoniza alguns dos melhores diálogos do filme, a dupla tem um entrosamento invejável.
Mas não só os dois astros se sobressaem, todo o elenco dos 11 amigos de Ocean tem direito a brilhar. Dentre eles Matt Damon, ótimo como o novato que tem de provar que não vive à sombra do pai; Don Cheadle, divertidíssimo como o especialista em explosivos; Carl Reiner, o veterano picareta que sofre de úlcera; e ainda Elliot Gould, Bernie Mac, Scott Caan, Casey Affleck e Shaobo Qin, este um acrobata do circo chinês! Soderbergh mostra, mesmo num filme-pipoca, porque é considerado um ótimo diretor de atores, fazendo com que todos apareçam e mostrem seu valor.
O único porém fica por conta de Julia Roberts e Andy Garcia, falta charme aos dois, exatamente o mesmo charme que transborda em todos os outros atores. Talvez porque Andy Garcia seja o rival de Clooney, e Julia a garota que trocou Daniel Ocean por seu rival, eles não sejam tão carismáticos, porque nesse filme, os caras legais, goste você ou não, são os ladrões, não os caras “certinhos”!!
O que mais falar sobre Steven Soderbergh? Alguém duvida que ele é um ótimo diretor? Talvez um dos melhores da atualidade? Ele consegue passar de filmes pequenos para blockbusters com maestria. E consegue fazer dos filmes pipoca algo que apesar de ser escapismo, entretenimento puro e simples, não fere a inteligência do espectador. E, acima de tudo, ele promove duas horas di-ver-ti-dís-si-mas, para fazer até o mais chato dos intelectuais lembrar que cinema também pode ser diversão pura e simples, conatanto que o filme seja bom.
O roteiro, mesmo se aproveitando da idéia original do Onze homens e um segredo de 1960, é bastante atual e guarda muitas surpresas e reviravoltas, até para quem assistiu o filme com Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr e compania. Há os elementos básicos dos atuais filmes de grandes roubos: aparatos técnicos, espionagem, jogo de gato e rato. Mas tudo isso com um ritmo que remete ao que há de mais básico no cinema: a capacidade de contar uma história e entreter o público. O filme mantém o interesse o tempo todo, e não lança mão de surpresas só para isso, pois há ótimos diálogos, que mantêm o ritmo do filme. As surpresas até existem, e são inteligentes, pouco previsíveis e servem muito bem ao filme, principalmente por não serem o seu único trunfo (o que por vezes acontece nesse tipo de filme).
E se falamos de ritmo, charme e diversão, a trilha sonora não poderia ser outra se não jazz. A música é outra aliada da história dos onze amigos, emoldurando perfeitamente todos os momentos do filme, principalmente o roubo em si. Música e cenas estão tão bem conjugadas que um completa o outro e quase não existe sem o outro. É difícil lembrar do filme sem lembrar da trilha sonora, você vê as cenas e quase vê as notas musicais como atuando no filme.
A procura de duas horas de diversão inteligente, feita com intuito de fazer você esquecer dos problemas e mergulhar numa boa história? Saia da frente da tv ou computador e vá ao cinema assistir ao roubo arquitetado por Daniel Ocean e seus amigos. Aposto que você não vai se arrepender!
Diversão e charme. Estas são as palavras que melhor definem Onze homens e um segredo. É um filme charmoso do início ao fim, e em praticamente todos seus detalhes. Um filme no qual você sente que aquelas pessoas na tela (e por trás dela) se divertiram, e no qual você também se diverte. Tudo isso graças a um ótimo trabalho de equipe de atores, diretor, roteiro, trilha sonora e montagem, e todos os outros responsáveis pelo filme.
George Clooney é charmoso por natureza, então, é claro que esse filme caiu como um luva para ele (e foi ele que primeiro teve a idéia do remake, após ler o roteiro), principalmente sendo dele o papel de Daniel Ocean, o cara que sai da prisão e resolve chamar os amigos para passar o tempo e arquitetar um roubo ousado de três cassinos de Las Vegas. Brad Pitty trabalha como há muito não fazia e junto com Clooney protagoniza alguns dos melhores diálogos do filme, a dupla tem um entrosamento invejável.
Mas não só os dois astros se sobressaem, todo o elenco dos 11 amigos de Ocean tem direito a brilhar. Dentre eles Matt Damon, ótimo como o novato que tem de provar que não vive à sombra do pai; Don Cheadle, divertidíssimo como o especialista em explosivos; Carl Reiner, o veterano picareta que sofre de úlcera; e ainda Elliot Gould, Bernie Mac, Scott Caan, Casey Affleck e Shaobo Qin, este um acrobata do circo chinês! Soderbergh mostra, mesmo num filme-pipoca, porque é considerado um ótimo diretor de atores, fazendo com que todos apareçam e mostrem seu valor.
O único porém fica por conta de Julia Roberts e Andy Garcia, falta charme aos dois, exatamente o mesmo charme que transborda em todos os outros atores. Talvez porque Andy Garcia seja o rival de Clooney, e Julia a garota que trocou Daniel Ocean por seu rival, eles não sejam tão carismáticos, porque nesse filme, os caras legais, goste você ou não, são os ladrões, não os caras “certinhos”!!
O que mais falar sobre Steven Soderbergh? Alguém duvida que ele é um ótimo diretor? Talvez um dos melhores da atualidade? Ele consegue passar de filmes pequenos para blockbusters com maestria. E consegue fazer dos filmes pipoca algo que apesar de ser escapismo, entretenimento puro e simples, não fere a inteligência do espectador. E, acima de tudo, ele promove duas horas di-ver-ti-dís-si-mas, para fazer até o mais chato dos intelectuais lembrar que cinema também pode ser diversão pura e simples, conatanto que o filme seja bom.
O roteiro, mesmo se aproveitando da idéia original do Onze homens e um segredo de 1960, é bastante atual e guarda muitas surpresas e reviravoltas, até para quem assistiu o filme com Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr e compania. Há os elementos básicos dos atuais filmes de grandes roubos: aparatos técnicos, espionagem, jogo de gato e rato. Mas tudo isso com um ritmo que remete ao que há de mais básico no cinema: a capacidade de contar uma história e entreter o público. O filme mantém o interesse o tempo todo, e não lança mão de surpresas só para isso, pois há ótimos diálogos, que mantêm o ritmo do filme. As surpresas até existem, e são inteligentes, pouco previsíveis e servem muito bem ao filme, principalmente por não serem o seu único trunfo (o que por vezes acontece nesse tipo de filme).
E se falamos de ritmo, charme e diversão, a trilha sonora não poderia ser outra se não jazz. A música é outra aliada da história dos onze amigos, emoldurando perfeitamente todos os momentos do filme, principalmente o roubo em si. Música e cenas estão tão bem conjugadas que um completa o outro e quase não existe sem o outro. É difícil lembrar do filme sem lembrar da trilha sonora, você vê as cenas e quase vê as notas musicais como atuando no filme.
A procura de duas horas de diversão inteligente, feita com intuito de fazer você esquecer dos problemas e mergulhar numa boa história? Saia da frente da tv ou computador e vá ao cinema assistir ao roubo arquitetado por Daniel Ocean e seus amigos. Aposto que você não vai se arrepender!
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