quinta-feira, janeiro 16, 2003

"Com 007 viva e deixe morrer num outro dia"

007 - Um Novo Dia para Morrer / 007 - Die another Day

À primeira vista o roteiro de "Um novo dia para morrer" é quase tão fantástico quanto o de "O Senhor dos Anéis". A cena de Bond surfando com o pedaço de um trenó de gelo numa onda criada pela queda de uma geleria quase faz você rir, não fosse pelo fato de que sua adrenalina está tão alta que não dá para rir, a não ser de nervoso. Em outras cenas a gente ri mesmo, como nos diálogos apimentados de Jinx e Bond. O fato é que este é um filme pipoca, que se assume pipoca, que não liga para o fato de que alguns elementos surgem meio do nada e que outros são incríveis demais como o carro invisível.

O roteiro poderia ser melhor, claro que sim, mas isso compromete menos do que poderia. E, frente a atual conjuntura mundial o roteiro ganha alguma credibilidade pois uma guerra contra a Coréia do Norte é possível, parece haver um ditador e seu filho no comando deste país (pelo menos é o que nos informam os jornais) e os ingleses realmente ainda querem policiar o mundo mas têm de responder ordens dos poderosos americanos. Então, o roteiro tem seus defeitos mas também algumas qualidades. Mas, de qualquer forma, sendo do jeito que é, o filme já é divertido pacas!!! Nada de tentar fazer as coisas parecerem verossimilhantes, nada de tentar imitar o estilo da época de Sean Connery, dessa vez o filme se quer interessante, ágil, charmoso, engraçado e consegue ser isso tudo.

A direção de Lee Tamahoshi é "modernosa", com cortes rápidos, estilo MTV, é sim, principalmente nas cenas de ação, mas funciona e isso é o que importa.

Pierce Bronsnam ainda é um ótimo James Bond, até melhor neste filme quando se mostra um pouco mais falível. O charme continua todo lá, mesmo com as rugas e alguns cabelos brancos, que talvez até adicionem mais charme. A Jinx de Halley Barry é uma personagem interessante, apesar de em alguns momentos parecer a Tomb Raider. Sua interação com Bond é ótima e deveria ser repetida.

Os vilões são maus e isso já é o bastante. As armas secretas continuam sendo incríveis e os personagens clássicos continuam lá, como M e Q, que não poderiam ser melhor representados do que por Lady Judi Dench e Jonh Cleese. Falando em elementos clássicos, sendo este o vigésimo filme de 007, há várias pequenas homenagens, citações à cenas clássicas da história da série cinematográfica que são uma diversão a mais.

Quanto a trilha sonora, que também tem sido muito criticada, digo que me assustei quando comecei a ouvir o tema "Die another day", principalmente porque não reconheci a voz de Madonna (ah! as novas tecnologias musicais...). Mas ao final da abertura (estilosa e diferente ao ser aproveitada para contar parte da história, no caso os meses de tortura de Bond) a música já tinha "grudado" nos meus neurônios e acabei gostando. O resto da trilha é também moderno e serve muito bem ao filme.

Critiquem o que quiserem mas lembrem-se: Diversão é solução, sim!!! E Bond ainda é James Bond!!

segunda-feira, janeiro 13, 2003

De repente, num momento nostálgico (deflagrado pelo episódio da morte do Pistoleiros Solitários no episódio de semana passada), resolvo procurar por alguns bons e velhos sites sobre Arquivo X. Fecharam, quase todos, nem existem mais. Achava que no mundo virtual as coisas continuavam para sempre, como livros e memórias.
Ledo engano, no fim, mesmo vivendo o futuro, ainda temos de nos agarrar ao velho sistema límbico para manter nossas memórias... Ou então viver salvando tudo, entupindo o cache de nossos de pczinhos...

Trust no one!

domingo, janeiro 12, 2003

Mantra das tardes de domingo:

Só a tvE salva!

Por Acaso (às 19:00h) é um programa imperdível. E tem outras coisas boas, que salvam os pobres que não têm tv a cabo dos Faustões e Gugus da vida...

( Hoje pelo menos tem Coração Valente na Globo. Vou chorar com o Robert de Bruce...)
Utilidade Pública



Ela é tão fofinha, se você tá só e precisa de uma companhia, adota ela, vai!!

terça-feira, dezembro 31, 2002

Um blog que descobri há algumas semanas e ainda não tinha citado aqui: A Cobaia, escrito por um rapaz de 17 anos que sabe usar as palavras de uma forma que muita gente "mais velha" não sabe. A visita vale (e muito) à pena!!!!
Eu não me animo com a mudança de ano, com essa história de que agora tudo será diferente só porque muda o ano, o qual é uma coisa totalmente arbitrária.
Mas tenho grandes esperanças com relação a mudança de presidente. Não acho que a era FHC tenha sido péssima, nem que Lula é o salvador da pátria, mas acredito que o PT possa realizar mudanças importantes para o Brasil. Mas não vai ser fácil...
Também me animo com a mudança de layout do meu pseudobloguinho. Eu já vinha pensando em mudar, mas com meus parcos conhecimentos html e webdesing em geral não fazia idéia de como fazer. E acabei ganhando isso de presente. Ficou lindo!!!!! Nem sei como agradacer a surpresa que o magisterX fez, com "palpites" da Cinderel@. Obrigada!!!!!! :-)

Por hora me rendo ao clima e desejo a todos um Feliz Ano Novo e que esta seja uma noite divertida para todos!!!

E um bom Dia da Paz Universal!!! Essa sim é uma data interessante, que deveria ser mais explorada...

sábado, dezembro 28, 2002

Eu vi um filme...

O filme do meio

"As Duas Torres" é, sem dúvida nenhuma, o filme do meio da trilogia "O Senhor dos Anéis". E Peter Jackson parece ter assumido essa condição do filme. Ele começa sem grandes explicações, pois as explicações iniciais estão no primeiro filme e deixa grandes questões (como quem será a "ela" sobre quem Gollum fala no final, até quem leu o livro e sabe quem é "ela"sai do cinema morrendo de curiosidade para ver esta que deverá ser uma grande seqüência de "O Retorno do Rei") para o terceiro. Então, se não há explicações, o que resta para esse filme? Aventura, ação, drama, romance, suspense, esses elementos básicos de qualquer história. E todos esses elementos são bem desenvolvidos no filme. A guerra entre o mal (encarnado por Sauron e Saruman) e o bem (todos os seres que se unem para lutar, superando suas fraquezas e diferenças) se torna real e batalha no Abismo de Hellm é uma seqüência grandiosa. A amizade entre Aragorn, Legolas e Gimmli (e também com o hobbits) é o grande emblema da união de todas as raças e seres e isso fica muito claro ao longo do filme. De outro lado, o encontro de Merry e Pippin (que estão mais sérios e responsáveis, mostrando o quanto a jornada está afetando a todos) com os Ents (que têm um aspecto um tanto infantil) também é importante, apesar de ser menos mostrado no filme. A tomada de Isengard pelo Ents é bem retratada, mas o final ficou para o terceiro filme (é, muita coisa ficou para o terceiro filme...). Mas, falta ainda falar de uma das frentes contra o mal, talvez a mais importante, a que corre maiores riscos e, para mim, a mais bela. A jornada de Frodo e Sam até Mordor para destruição do Um Anel é difícil e cheia de obstáculos a serem superados. O principal é o próprio anel que cada vez mais influência Frodo, de tal forma que em determinado momento ele se volta contra o próprio Sam, numa cena que termina mostrando o valor da amizade para que toda a jornada tenha sucesso. Há ainda Gollum, que se revela um personagem em CGI impressionantemente real (há uma atuação importante por baixo dos efeitos especiais e isso conta muito para o sucesso do personagem) e dúbio em seus sentimentos e atos (como quase tudo nesta grande obra). Esta parte da história é a que termina deixando os espectadores curiosos e aflitos pelo próximo (e último) filme. É uma das várias mudanças com relação ao livro, mas todas são feitas para dar maior agilidade e tornar a história mais "cinematográfica". A única que talvez deixe os leitores cismados é a mudança de Faramir, mas essa na verdade é menor do que realmente parece. Faramir não é como Boromir e em nenhum momento clama para usar o anel, apesar de quer que ele seja usado para ajudar seu povo.
Grandes seqüências, atuações emocionantes, pequenos grandes dramas, três histórias formando uma só sendo unidas por um diretor e toda uma equipe que parecem ter imergido na fantasia de "O Senhor dos Anéis". Isso, basicamente, é o que forma "As Duas Torres". Talvez não seja um filme tão bom quanto "A Sociedade do Anel" porque aquele foi espetacular, mesmo assim é um grande filme. Se o ano de 2002 começou cinematograficamente bem, não poderia terminar melhor.

terça-feira, dezembro 24, 2002

Simples e funcional:

Feliz Natal!!!!!

HoHoHo!!!!!
Have Yourself a
Merry Little Christmas


Have yourself a merry little Christmas.
Let your heart be light,
From now on our troubles
Will be out of sight.

Have yourself a merry little Christmas,
Make the Yule-tide gay,
From now on our troubles
Will be miles away.

Here we are as in olden days,
Happy golden days of yore,
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us once more.

Through the years
We all will be together
If the Fates allow,
Hang a shining star
On the highest bough,
And have yourself
A merry little Christmas now.


Para entrar ainda mais no clima natalino, ouça o midi desta e de outras músicas tradicionais (americanas, mas nosso Natal é baseado no deles e eu adoro as músicas, até porque a maioria tem alguma base no jazz) nesta página que vale a visita: http://www.always-safe.com/merrylittle.html

sábado, dezembro 14, 2002

Eu guardo músicas na gaveta. Quando ouço algo que gosto muito mas que sei não ter nada a ver com o momento que estou passando, mas espero que um dia tenha tudo a ver. Esse é o tipo de música que "guardo na gaveta", músicas que ficam à espera de um momento. E essa é uma das músicas que guardo na gaveta...

For Once in My Life
Stevie Wonder

(Written By: Ron Miller/Orlando Murden)

For once in my life
I have someone who needs me
Someone I needed so long
For once unafraid
I can go where life leads me
And somehow I know I’ll be strong

For once I can’t touch
What my heart used to dream of
Long before I knew
Ooh, ooh, ooh, someone like you
Would ever dream of makin’ my dreams come true

For once in my life
I won’t let sorrow hurt me
Not like it’s hurt me before, oh
For once I have something I know desert me
‘Cause I’m not alone anymore

For once I can say
This is mine, you can’t take it
Long as I know I’ve got love I can make it
For once in my life
I’ve got that someone who needs me
Mmm...hmm...hmm...

For once I can say
This is sho’ nuff mine, you can’t take it
Long as I know I’ve got love I can make it
For once in my life
I’ve got that someone who needs me

Oh, yes, he does
I’ve got that someone who needs me
He told me this mornin’ that he needed me
Mmm...mmm...I believe
Pergunta: Será que não podemos esperar o senhor Luís Inácio assumir o posto de Presidente da República para começar a criticá-lo?

Começo a achar que muitos votaram nele não por acreditar em mudanças, me melhoras, mas por que imaginavam que tudo poderia ficar pior e assim teriam mais assunto para reclamar.

Esquecemos que o país somos nós, e não um único homem...
Há algo em mim querendo se render ao espírito "And so this is Crhistmas and what have you done?" mas estou tentando lutar contra isso. Não gosto de finais, incluindo finais de ano. É uma pena que a Igreja tenha decidido colocar o Natal em dezembro, seria melhor que fosse no meio do ano. Imaginem, as pessoas parariam para festejar no meio do ano, todas essas reflexões sobre ajudar o próximo seriam feitas em julho e talvez assim todos passariam mais tempo refletindo. Mas do jeito que é você passa o "ano" (essa unidade de tempo arbitrária) fazendo o que bem entende com sua vida, seu dinheiro, com as pessoas ao seu redor, sabendo que no final você vai poder se redimir. Vai comprar presentes para todos, doar alguma coisa para os mais pobres, fazer promessas de ano-novo que, como típicas promessas de ano-novo, nunca serão cumpridas. Até porque é verão no hemisfério sul, é tempo de aproveitar a vida (que deveria ser aproveitada a todo o tempo, não apenas numa determinada estação), daqui a pouco é carnaval e depois vem março, começa tudo de novo e você não terá tempo de pensar em promessas, de aproveitar a vida ou de pelo menos pensar sobre isso tudo. Por isso, apesar de gostar do Natal, estou disposta a não me render ao clima. Até porque, como dizia essa música de comercial de fim de ano...

Todo dia devia ser igual
Todo dia devia ser Natal
Você ia gostar
se a vida fosse assim
Você daria mais sorrisos
e o Natal não teria fim

Olhe para frente
e pense como seria bom
se todo dia fosse
mais um dia de Natal
Você ia gostar
e a vida ia ser ser melhor

Todo dia devia ser igual
Todo dia devia ser Natal
Todo dia devia ser Natal
A Volta dos mortos-vivos...

Volto, mesmo que seja para escrever apenas que não sei o que escrever.

domingo, novembro 17, 2002

E depois de meses a base de (poucos) filmes do cinemão americano, finalmente eu assisti algo diferente e que me fez escrever...

Não deixem de ver esse filme!!

Fale com ela

É difícil escrever comentários quando muitos já o fizeram. A tendência de repetir o que já foi dito, de perecer um (imperdoável) plágio, é enorme. Mas "Fale com ela" é um filme que nos instiga a falar sobre ele, mesmo que correndo riscos. É um filme cheio de emoção, apaixonado e apaixonante, que fala sobre amor (do mais doentio, mas ainda assim amor, ao mais resignado, contido e racional), paixão e tragédias de forma sincera, real e ao mesmo tempo poética.
Se pensarmos na base da história - os laços que unem duas mulheres em coma num hospital e os dois homens que cuidam delas - facilmente imaginamos um dramalhão piegas de sessão tarde, pela carga dramática que permeia todo o filme. Mas o roteiro e a direção de Almodovar (e ainda o ótimo elenco) se utilizam das tragédias, das situações-limite e mesmo das situações caricatas (como a do filme mudo) para falar das emoções reais, das relações reais, dos dramas reais. Mais do que tudo, fala sobre a solidão real, da necessidade que temos de encontrar alguém com quem dividir nossa vida, nosso pensamentos, nosso eu. E da dificuldade que existe para encontrarmos essa tal pessoa, pois ao querermos dividir a nossa existência temos de estar preparados para aceitar parte da existência do outro.
É difícil não chorar durante todo o filme, tal é a carga emotiva que envolve o espectador em cada cena. Talvez a mais bela seqüência do filme, talvez uma das mais belas dos últimos tempos, seja a da primeira tourada quando Lidia enfrenta o touro como se duelasse com o homem por quem é apaixonada (que está na platéia) ao som de "Por toda a minha vida" de Jobim e Vinícius (por sinal, a trilha sonora é linda do início ao fim...). Quase impossível não se emocionar, não sentir a paixão e o sofrimento da personagem...
Por fim, eu achava que "Tudo sobre minha mãe" era a obra-prima de Almodovar, que depois dele todos seus filmes pareceriam "menores". Ledo engano, pois este "Fale com ela" é no mínimo tão bom quanto o anterior, talvez só não seja melhor porque aquele já foi, como dito por muitos, uma obra-prima.

sábado, novembro 09, 2002



Eu sou o símbolo
do I-ching




que símbolo você
é?




Achei esse teste a partir do blog da Cinderela. Resultado perfeito!! Na verdade um dos meus problemas é pensar demais. Eu poderia falar sobre isso, dissertar ou algo do tipo, mas tenho de estudar!! E por isso esse pseudoblog anda tão jogado às baratas (por certo se houvessem aranhas virtuais, daquelas pequeninas e magrinhas que fazem teias nos cantos de casa onde não temos saco de limpar e sempre achamos que ninguém olha mesmo, assim como existem vírus virtuais, haveriam umas aranhasinhas nos cantos desse blog). Eu até tenho tido o que escrever, um ou outro pensamento que vem à cabeça, uma consideração sobre filme que poderia virar uma crítica (não que ande assistindo muitos filmes, mas dos pouquíssimos que assisti tive algum comentário a tecer), ou então falar sobre o fato de que os "vermelhos comedores de criancinha" chegaram ao poder ou lembrar do centenário de Drummond colocando aqui um dos meus poemas favoritos dele. Mas eu tenho escolhido estudar (e trabalhar também, diga-se de passagem). Espero que dê resultado, mas também se não der eu garanto que, de qualquer forma, entre o final desse ano e o início do próximo passo a aparecer mais no meu próprio blog!

Para terminar bem, termino fazendo uma daquelas coisas que gostaria de ter feito. Posto um dos meus poemas favoritos do Drummond...

O Elefante
de Carlos Drummond de Andrade

Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.

Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.

Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.

Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.

É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual muito desmontado.
Amanhã recomeço.

terça-feira, outubro 22, 2002

Touro 22/10/2002

Por mais que você sinta um grande poder fluir pelo seu espírito e isso sirva para que sua alma sinta uma segurança fora do comum, lembre que em última instância nada é destino fechado, tudo deve ser escolhido.


Que tipo de previsão é essa???

Sabem, a vida às vezes parece injusta.

Quando vemos alguém perder uma chance que merecia mais do que qualquer outra pessoa, essa é sensação que temos. Muitas vezes parece que vale mais desistir dos seus ideais, daquilo que você realmente ama e acredita, para apenas fazer como os outros e enterrar a cabeça na areia. Para que se dedicar e tentar fazer diferente se, no final, sai ganhando quem apenas seguiu a maioria, quem enxergou tudo como uma simples prova e não como uma grande escolha de vida...

Mas, talvez a vida não seja assim tão injusta. Talvez os caminhos é que sejam um tanto ao quanto tortos, de forma que não conseguimos avistar muito bem o que vem depois da próxima curva (que deve ser um belo campo ensolarado ou uma linda praia ou, melhor ainda, um ótimo hospital onde meu amigo Eduardo possa fazer uma grande residência em Ortopedia...).

sábado, outubro 19, 2002

Touro 19/10/2002

É legítima a vontade de viver no maior prazer possível, é seu pleno direito realizar esse objetivo. Contudo, seria uma pena que você se confundisse com ilusões porque elas, em vez de criar prazer, geram desilusão.
Quiroga


Por alguma razão eu sempre gostei do título brazileiro e do filme "De ilusão também se vive". Ainda tenho muito a aprender, muito para mudar, um grande círculo vicioso para quebrar.

sexta-feira, outubro 18, 2002

Às vezes parece que a vida precisa de um novo roteiro. Certos momentos parecem meros replays, reapresentações de capítulos ou cenas. E o problema é que não são exatamente os "melhores momentos".

A sensação é a de vivemos num círculo vicioso, repetindo os mesmos erros por mais que tenhamos consciência deles. Achamos que estamos fazendo diferente, mas no final (quando tudo dá errado) olhamos para trás e descobrimos que nada mudou muito. O resultado já era previsível para qualquer um que conhecesse a história prévia. O roteiro era basicamente o mesmo.

Não adianta ter consciência do que queremos mudar, porque não vivemos a nos policiar quanto a nossos atos, quanto a nossa vida. As mudanças têm de ser mais profundas, inconscientes, só assim passamos a agir de forma realmente diferente, pois passamos a pensar e sentir diferente.

A mudança do roteiro não pode ser obrigada e artificial, tem de ser original e real...


Mais um período sem escrever e eu ainda volto com um tema pessoal. Preciso me lembrar que um blog deve ser algo além de um diário...

Mas no momento isso é tudo que tenho para escrever...

domingo, setembro 29, 2002

Utilidade Pública

O Festival do Rio está aí!!!

Cinema para todos os gostos e estilos até dia 10 de outubro. Não dá pra não aproveitar...

(Mesmo que seja só um ou dois filminhos desconheidos, que deve ser o máximo que eu vou conseguir esse ano.)