quarta-feira, março 01, 2006

Mais um post "off carnaval"
Escrevi sobre a morte de um amor. Mas foi um erro. Amor, paixão, não acaba assim, não pode ser deletada como um arquivo pouco útil e dispendioso de memória. Também não pode continuar gerando tristezas. Talvez transmute-se, muito lentamente, em algo mais sereno. Não sei bem o que, mal sei como. Só sei que a idéia de simplesmente parar de amar foi muito infantil. Continuo, então...
"There goes the fear
Let it go..."
The Doves

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Crime Delicado, filme de Beto Brant, é a crítica à crítica. O crítico de teatro e arte em geral, bela atuação de Marco Ricca, parece não entender a paixão que move o artista. Olha a arte de forma tecnica, acadêmica. Parece viver também dessa forma, tanto que quando se apaixona não entende bem o que lhe acontece e não sabe o que fazer com aquele sentimento, toda aquela necessidade. Acaba por cometer o tal crime, delicado por ser um ato de amor, mas um amor mal entendido pelo próprio amante. Talvez como o crime de Benigno, o enfermeiro de Fale com Ela, que estupra uma mulher em coma movido por amor - belíssimo momento de Almodovar que nos faz entender Benigno e ter compaixão por ele, apesar do crime ediondo. Mas em Crime Delicado não temos compaixão pelo crítico, mesmo porque parece lhe faltar paixão. A paixão de que fala parece mesmo mais falada que sentida. Parece lhe faltar a mesma expressão de paixão que falta a suas críticas.
E críticas podem ser escritas apaixonadamente, creio eu. Quase Famosos mostra isso. A Contra Campo é um exemplo contínuo disso. Mesmo as críticas mais fundamentadas e técnicas sempre guardam um olhar de alguém que vê filmes por puro prazer, quiçá necessidade. Acho que escrever críticas deve ter a ver com essa paixão, com essa necessidade de mais um momento de contato com a obra, a necessidade de transbordar em palavras toda a emoção sentida nesse contato. Nas poucas vezes que escrevo algo sobre filmes, músicas, faço por pura necessidade. Creio que por paixão.
Crime Delicado me pareceu um belo filme sobre a crítica estéril e a arte transbordante de paixão e necessidade (no lindo monólogo do pintor).

domingo, janeiro 22, 2006

Algumas decisões não deveriam ser possíveis, pois são quase desumanas. Decidir, conscientemente, matar alguém, não deveria ser possível. Tal qual decidir, conscientemente ou não, desamar alguém.
A decisão é tão dIfícil que demora. Nos EUA levam-se anos para condenar, definitivamente, alguém à morte.
Eu levei meses para condenar uma história sem futuro ao fim.
E mesmo assim, ainda vacilo.
"Não é fácil
Não pensar em você"

sexta-feira, janeiro 20, 2006

2046 ou "A (im)possibilidade do amor"
Em algum momento de 2046, filme de Wong Kar Way, o personagem principal, Chow, escritor, diz que o amor chega na hora certa. A questão é que a pessoa amada não pode chegar nem antes nem depois disso. Alguns filmes também chegam na hora certa. A tempo de serem experiências catárticas.
Os filmes (a experiência cinematográfica em si) foram e são parte de minha formação. Mais que simples entretenimento, sempre foram uma forma de contato com o mundo. Forma de aprendizado e até de diálogo.
E, algumas vezes, foram forma de identificação.
Como em 2046 e sua história de amores possíveis e impossíveis. Muitas vezes as duas coisas ao mesmo tempo. O único romance que se torna realmente possível, plenamente, não nos é mostrado. Podemos apenas acreditar no relato dele. Todas as outras história amorosas são marcadas pela impossibilidade. Ainda que se tornem reais, possíveis, por algum tempo. Como o relacionamento de Chow e Bai Ling, no qual ela se apaixona, aidna que sabendo que não deveria...
Talvez seja do culpa do tempo que alguns encontros ocorram em momentos errados, antes ou depois.
Talvez não haja culpa. Só o fato da impossibilidade.
Ainda assim 2046 é um filme belo, transbordante de paixão, obrigatório.
Tanto quanto cada amor é belo, transbordante, obrigatório.
Mesmo que impossível.
Para uma crítica balizada, tem o ótimo escrito de meu amigo Jr na contra campo.
"As lembranças são os vestígios das lágrimas."

quinta-feira, janeiro 19, 2006

"Ai que saudade, do céu, do sal, do sol de Maceió"
(Autor desconhecido, pelo menos por mim)
Pouco tempo para sentir saudades, poderiam me dizer. Apenas algumas horas de volta dessa terra simples mas bonita como só.
Mas que disse que saudade tem tempo???
As minhas não têm e por isso canto minhas saudades de um lugar onde fui hospedada com carinho. Onde fui a belas praias, tranquilas, para se nadar junto com os peixes. E outras bravas, com ondas a serem domadas por homens em pranchas. Onde a vida é mais tranquila que neste Rio de Janeiro. Onde não se precisa saber de tudo a todo tempo. Diria que parece haver mais tempo para viver.
Mas isso não faria sentido, pois vive-se no Rio. Talvez a questão seja a vida que nos é ditada pela cultura da qual pode ser difícil desvencilhar-se. Talvez fora das grandes metrópoles seja mais fácil não precisar saber do último desfile do SP Fashion Week, do cult badalado ou onde foi o último tiroteio.
Talvez seja mais fácil ser mais autêntico. Ou não, talvez hajam outras amarras nas cidades menos cosmopolitas. As amarras sociais existem em qualquer lugar onde haja mais de um ser humano, onde haja sociedade.
Mas é bom lembrar que a realidade carioca não é a única. Duvidar das certezas e verdades é sempre um exercício estimulante. Tal qual conhecer novos lugares, pessoas, histórias, fazer amizades.
Permite pensar em possibilidades.
E na perfeição de céu estrelado acima das nuvens que vi ao decolar de Maceió. Imagem de filme.
"Navegar é preciso. Viver não é preciso."
(Fernando Pessoa)

sábado, dezembro 31, 2005

Talvez o amor seja a grande resposta. A capacidade de amar o outro, em suas várias gradações, desde a compaixão pela identificação até a paixão pela pura e simples admiração incondicional (e necessidade) do outro.
Talvez seja a única resposta que nós, humanos, podemos construir para nossas dúvidas existenciais. Ou talvez seja só a minha resposta. Tudo bem, contanto que continue colocando-a em prática.
Mas, talvez não só eu. Hoje assisti "Olhos Abertos", primeiro filme de Shymalan (ao menos o primeiro longa metragem). Cada vez mais o tenho como um dos melhores (senão o melhor) diretor de cinema da atualidade. Se este primeiro filme carece de certos elementos de construção dramática rebuscados, dos quais seus filmes desde O Sexto Sentido são tão ricos, ganha numa certa simplicidade dramática e emotiva. E essa simplicidade não compromete a experiência cinemtográfica.
Nem sei se contar a história de um menino de 10 anos que busca Deus após a morte do avô poderia ser mais rebuscado. O roteiro já parte de uma idéia complexa, temos um menino católico bastante filosófico e contestador, ainda que ao mesmo tempo, querendo apenas buscar a confirmação de sua crença. Ele quer acreditar, mais do que todos os outros colegas que aceitam os ensinamentos católicos sem questionar. E em sua busca nada infantil ele acha a resposta no amor. Ao sentir sua primeira "reação biológica" (paixão), para usar seus termos, a uma menina; ao se identificar (compaixão) com os colegas que lhe eram tão distantes (o gordinho, o valentão, o estranho) entender que eram meninos como ele; e ao perceber que a amizade pode ser um milagre. Joshuavive todos esses exemplos de amor ao longo da difícil quinta série, iniciada com a perda do avô. Seu ano de mudanças (entrada na adolescência, poderíamos dizer) se inicia, como em qualquer mudança, com a perda. Mas termina com um encontro, com o amor, com seu Deus e por fim, com um anjo sem asas que esta lá o tempo todo a ajudá-lo mas que Joshua só vê como o que relamente é para ele quando aprende a amar seus semelhantes. É ou não uma história de humanidade?
E esse foi só o primeiro filme do Shyamalan...
E que a próxima volta da terra em torno do sol traga fartura de colheitas, mas também de humanidade.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Esperava um filme infantil. Como pré-julgar nunca significa algo de construtivo, o máximo que consegui foi uma bela surpresa ao assistir "As Crônicas de Nárnia". Bonito filme. Voltado ao público infanto-juvenil, sem dúvida. Mas muito mais violento do que eu poderia esperar, emocionante e com simbolismos muito interessantes. Tinha lido sobre a história ser uma alegoria do cristianismo. Ao ver o filme, ainda sem ler o livro, pude perceber o paralelo entre Aslan e Jesus. Difícil duvidar ao ver a morte/ressureição de Aslan e a frase final de Tumnus sobre ele. Falando em Tumnus, que fauno charmoso! Filmes com personagens tão charmosos tendem a ser bons... Mas o filme é das crianças, os quatro irmãos, que fazem por merecer. E ainda da Feiticeira Branca. E, para que eu visse o quão errada estava em meu pre-julgamento, os animais computadorizados não agridem em nada. Parecem computadorizados, sem dúvida, mas estão mesclados ao filme, não são coisas estranhas. E a história é bonita. Filme para se juntar a "História Sem Fim", "Labirinto" e até "Mary Poppins" no imaginário de filmes infanto-juvenis. E, para além disso, um belo filme para qualquer idade!

sábado, dezembro 24, 2005

Assisti "Warriors - Guerreiros da Noite", filme de 1979. Um pequeno filme cultuado na década de 80. E que eu desconhecia. Interessante, é um filme datado, mas no bom sentido. Retrata uma determinada época de uma forma caricata mas que acaba ganhando ares de fantasia urbana. Roteiro simples, a volta para casa de uma gangue nova-iorquina que está sendo procurada pro todas as outras gangues e pela polícia. O filme se passa numa única noite, o que faz lembrar do clássico cult "Depois de Horas", que é posterior a esse filme. Terá Scorcese se inspisrado neste filme quase camp? Lembra ainda "Loucuras pela Madrugada" filminho adolescente também do início de 80. Mas, a questão é, Warriors é anterior. Terá este filme sido tão inspirador? É possível, já que consegue, com pouco roteiro prender a atenção e criar algumas memórias no espectador. O estilo tosco se justifica dentro do filme, serve a um propósito. Acaba se tornando estilo e não falta dele. Os atores canastrões acabam se tornando reconhecíveis. E eu já estava preocupada com os Warriors não cosneguirem chegar em casa.
É por essas e outras que o importante é gostar de ver filmes. O entendimento vem depois. Quando vem...
"Can you dig it?"
"What´s so funny about peace, love and understanding?"

Já perguntava Elvis Costello...

sábado, dezembro 10, 2005

Historinhas de romance...
Alguns textos devem existir apenas o tempo de serem lidos.
Depois, que fiquem na memória, se forem dignos da lembrança... :-)

Ou não...


Quando criança achava essa música brega. Talvez ela continue sendo, mas hoje faz sentido.

"Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer..."
Roberto e Erasmo


Tenho para lhe falar também. É provável que você já saiba, mas a dúvida me corrói, gera ansiedade. E por isso, hoje, aqui, nesse espaço pseudo-público (quem lê??) declaro que sou apaixonada por você. Apesar de tudo. Da impossibilidade, da minha consciência disso, da minha racionalidade, e o que mais? Talvez apesar do céu ser azul, o sol amarelo e as estrelas cintilarem. Lhe tenho esse afeto e pronto. Iniciado antes do que possa supor. Fique zangado não, tá? A idéia nunca foi essa e continua não sendo. Simplesmente sou muito menos racional do que pareço, perco o controle com mais facilidade do que imagina. Já tem um tempo que venho descontruindo minha imagem de menina superperspicaz. Aceitar e pode dizer-lhe isso faz parte desse processo. De me tornar uma pessoa diferente, para mim e para os outros a minha volta.

Então é isso.

"Como a gente achou que ia ser..."
Damian Rice / versão de Ana Carolina e Seu Jorge


domingo, novembro 27, 2005

Falando em próximo do Shyamalan...

O teaser é interessantíssimo, mesmo que mostrando muito pouco.

sábado, novembro 26, 2005

Trechinhos de historinhas...

" Namorar é fazer pactos de amor com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível
de durar.
"

M ela fizera pacto com uma ilusão. Um pouco mais real que todas as outras mas ainda assim algo que exitira apenas em sua mente. Não que seu objeto de afeto não existisse. Algumas sensações não são imaginárias, e após cada encontro ela sabia disso. Mas a ilusão que criou, meio que sem saber, pois sabia que não podia, essa fora só sua. Não podia lhe dizer o quanto representara para ela.

Mas porque não podia?

terça-feira, novembro 22, 2005

Sinais

Shyamalan é genial. Talvez eu seja exagerada. Mas acho que não. Seus filmes nunca são sobre um tema só, sempre têm mais de uma camada. Revendo Sinais, mais uma vez, pensei nisso. Filme sobre medo? Filme sobre alienígenas? Filme sobre fé? Filme sobre relãções familiares? Sobre tudo isso e mais alguma coisa?
Acho que é sobre tudo isso. E consegue isso de forma magistral. Assusta, emociona, prende a atenção. E tudo isso contando uma história de persongens, gente como a gente, meio estranhos, com seus defeitos e dúvidas. Não há heróis nos filmes de Shyamalan. Mesmo no filme sobre heróis (Corpo Fechado/Unbreakable) ele subverte essa idéia da perfeição.
Para Shyamalan não somos perfeitos, mas ainda assim ele acredita na humanidade. Retrata-a de forma carinhosa, ainda que não negando as falhas individuias humanas (A Vila). Mas acreditando que há algo pelo qual vale à pena em cada um. Acredita na redenção, ainda que para isso haja sofrimento (todos os filmes, incluindo o primeiro sucesso Sexto Sentido, no qual a redenção vem após a morte, e no entendimento e aceitação da mesma).
Humanista esse Shyamalan. E um homem de fé. Na humanidade e suas necessidades, erros e belezas.

Cadê o próximo filme dele???? :-)

domingo, novembro 13, 2005

"Coisa mais bonita é você
Assim, justinho você"
(Coisa mais linda, Carlos Lyra e Vinícius de Moraes)
Que filme bonito é "Vinícius", o documentário sobre Vinícius de Moraes.
Também, pudera, teria de ser muito ruim para conseguir não ser bom com material tão rico em poemas, músicas e vida. É um filme sobre um homem que viveu intensamente. Contraditório, como todos, e essa contradição aparece nos depoimentos que se contradizem. Hora os amigos falam da alegria, mas vez por outra falam de um certa tristeza do poeta. Dos vários amores, mas que, frisa Tonia Carreiro, eram sempre grandes paixões. Ela fala de um homem que trocava de mulheres por não surportar viver sem paixão. Vivia a imortalidade dos amores enquanto estes duravam e não conseguia se manter nas relações após o fim da chama. Nisto parecia de uma sinceridade ímpar e por isso sofria.
Os amigos lembram da genialidade, tanto nas letras quanto nas sonoridades. E da sua necessidade de amigos e sua amizade sincera. Acho que talvez sincero seja uma palavra a definir Vinícius. Pelo menos a partir das memórias parece ser essa a idéia que passa.
O poeta Ferreira Gullar tem duas belas definições sobre nossa condição de humanos, relacionadas a vida do "poetinha". Fala da impossibilidade da Verdade e que, se não podemos saber A Verdade, então talvez seja melhor acreditar do que ser cético. E ainda que, se não é possível saber realmente o que é a vida, a nossa vida só pode ser inventada, então lhe parece melhor inventar a alegria do que a tristeza.
Assim já dizia Vinícius (com contradição, também humana)
Samba da benção
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas, pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não.
Fazer samba, não é contar piada
Quem faz samba assim, não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza, tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança:
A de um dia não ser mais triste não.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Crônica de BH

Belo Horizonte é cidade de nome bonito. Nome que fala de esperanças, de horizontes.
Quem lá chega para um Congresso de médicos de almas que se querem cientistas (a razão sempre pareceu mais verdadeira que a intuição) encontra uma cidade alta. Ao menos para aqueles que veêm do litoral. Uma cidade sem praias, mais uma característica marcante aos vindos da proximidade do mar. Mas com um sol quente, um céu azul a nos receber, como que convidando a belas férias. Ainda que fosse um Congresso...

Cidade de ladeiras, a lembrarem filme americano de perseguição de carros. Um centro de cidade com prédios cosmopolitas ao lado de outros de 40, 50 anos atrás. Muita gente nas ruas. Polícia Montada. Falavam de violência. Voltei intacta!

Cidade que nos recebeu com noites estreladas, agradabilíssimas. Música de metrópole para dançar até de manhã cedo. Acho até que esquecemos as estrelas...

Cidade de pontos turísticos que se perdem, frente a graça e simplicidade dos lugares comuns. Tão comuns que quase parecem com os de qualquer outra cidade dita grande. Mas que guardam uma certa mineirice, um convite a ser menos expansivo, ainda que não menos alegre. Talvez seja a quietude, um certo ar de respeito pelo alheio. Ou ensimesmamento. Mas cheio de afeto e cuidado.

Cidade que me permitiu conhecer melhor gentes boas, que estranhamente moram no mesmo Rio que eu, estudam onde estudei, mas ainda não conhecia tanto. Onde entendi, mais uma vez, que a vida é simples. Sei que ainda esquecerei mais algumas vezes. O tempo que se perde...

Enfim, cidade que convida ao cotidiano, ao fim dos sonhos em prol do real. Ou, talvez, seja melhor dizer que convida-nos a enxergar o horizonte, e não ficar apenas a sonhá-lo.

Cidade interessante, essa BH.

domingo, agosto 14, 2005

A perda da inocência
A crise ocorre quando nos damos conta de fatos que ocorrem há muito mas que nos incomodam. A corrupção sempre existiu (não é?) mas dessa vez incomodou alguém. Será que nos incomoda? Eu me sinto incomodada quando sei que se pagava R$30.000 para que deputados votassem nas emendas do governo, quando nós pagamos os deputados para representar a nós. Idem com o governo. E quando falta dinheiro na saúde, para falar só da área que conheço. E quando a educação não educa ninguém, pois forma semi-analfabetos acríticos. Mas isso talvez não seja falta de dinheiro e sim de interesse. Porque, um dia (sou otimista) seremos um povo (sim, acredito na idéia de um coletivo, afinal, o Brasil não é umpedaço de terra limitado pelo Atlantico e de um lado e outros países da América do Sul de outro. O Brasil é o povo que aqui vive, que fa zessa terra viva) crítico, capaz de perceber que uma das maiores denúncias dessa crise tem menos a ver com PT ou Lula, tem a ver com todos:
Se o PT precisou comprar um publicitário e partidos para se eleger isso significa que nosso poder de voto é nulo. Continuamos como na época do coronealismo, iníco do século XX, quando os coronéis pagavam para que as pessoas (na época só os homens, pouco antes só os livres) votassem em quem indicassem. Hoje nosso voto parece dirigido (pela forças da midia) e nem mesmo recebemos o dinheiro. Quem já tem é que recebe.
Sinto como se meu voto de nada valha, já que o que importa é o dinheiro gasto para comprar o melhor vendedor de idéias e os partidos que vão ajudar. Nada de ideais. Nada de representatividade, a nãos er a auto-representatividade da elite.
Nada mudou no mundo. Mas eles nos enganam direitinho com essa história de democracia, república. Mas, quem disse que a Grécia era uma terra de iguais, se só os homens livres votavam? Só essa base histórica para nosso ideais atuais já deveria nos dar a pista...
Diálogos cinematográficos
Existem filmes que dialogam. Os críticos da Contracampo já mostram isso há muito e eu aprendi com eles. Dessa vez eles (ainda) não falaram de dois diálogos que eu pude perceber.
"A Fantástica Fábrica de Chocolate" e "Terra do Nunca" - não, os filmes não têm em comum apenas o fato de ter o (perfeito) Johny Depp como protagonista. Dialogam por falarem de um protagonista adulto que não consegue sair de sua infância (o "mal" de todos nós jovens adultos atuais, o que torna os filmes bem atuais). Enquanto em "Terra" J.M. Barrie é, sim, um adulto mas frustrado (pelos desejos que não se dá o direito de aceitar) e que só encontra alguma satisfação quando envolvido pelo mundo mágico das crianças; em "A Fantástica Fábrica" Willy Wonka simplesmente não cresceu, ainda é o mesmo menino que fugiu de casa para dar a volta ao mundo no museu de Bandeiras do Mundo. Wonka cria seu mundo de fantasia, despreza os outros e chega a ser cruel, tal qual a criança que ainda é. No final podemos imaginar que a reconciliação com o pai (seqüencia mais psicanalitica do que a a debochada cena do Umpa Lumpa freudiano) marca o início da maturidade de Wonka, que parece ter parado lá na pré-adolescencia. Talvez... Mas isso não é o importante, se ele vai "crescer" ou não. Importante é que o filme nos deixa entender que Wonka encontrou seu lugar no mundo sendo quem é: pré-adolescente, um pouco cruel, criador de um mundo de fantasias e gostosuras. Ele não tem medo de ser ele mesmo. Talvez até possa se chatear por ser sozinho, e aí busca solucionar seu problema, mas não deixa de ser Willy Wonka e querer o que bem entende.
E J.M. Barrie? Um adulto, sem dúvida. Teatrólogo, casado (mas filhos...), bem sucedido, ainda que no momento inicial do filme esteja passando por uma crise. Crise criativa, crise no casamento, talvez crise de si mesmo. Barrie é um homem frustrado num casamento que nos parece sem paixão, escrevendo peças pouco inventivas, vivendo uma vida que parece nem mesmo querer. Poderíamos (ou posso eu, com minha visão psiquiátrica) chamá-lo de depressivo. Barrie prefere ficar sozinho com seu cachorro, como se as outras pessoas o importunassem. Até que conhece a família de crianças, com uma mãe viúva. Ele se apaixona por todos e tenta, de forma "adulta", viver essa paixão. Mas parece que ser adulto é siplesmente continuar frustrado, já que Barrie não pode assumir sua paixão pela mãe, pelas crianças e acaba por escrever uma peça como forma de realizar suas fantasias. A questão que fica é: por que diabos Barrie não pdoe realizar seus desejos? Porque tem de continuar frustrado? Será que crescer é aprender a conviver com a frustração auto-impegida? Pois em momento algum Barrie tenta mudar as coisas ele aceita tudo, disciplinadamente, ainda que não gostando de nada.
Então, prefiro Willy Wonka. Ele busca o que quer e parece se encontrar mais que Barrie. Wonka pode parecer meio doido mas não se frustra como Barrie. Se o real é ruim ele cria a fantasia não só em seus pensamentos, eles as faz reais, assume o controle de sua vida. Talvez até de forma mais adulta que Barrie que vive preso a seus pensamentos, em forma de peça...
Faltou falar da violência de Sin City e a de Old Boy. Fica pra depois. (Como diz o Pato Fu)
"Old man dies. Young woman lives. Fair trade."

Fala do Detetive Hartingan (Bruce Willis), no belo Sin City.

quinta-feira, agosto 04, 2005

O fundo do poço é: identificar-se com alguma cena de América.
Além do fundo é: identificar-se com uma cena da Sol!!!!!!!!!!!!!!

Eu achava que era identificar-se com um pagode.

Depois dessa, Fundo de Quintal que me espere...
O que define uma pessoa?
Suas escolhas.
Seus atos.
Suas idéias?
Seus ideais?

It was just my imagination
Running away with me

Ouvia a música de sua adolescência e de repente era como se tivesse traído seus ideais. Não era o que realmente quisera ser. Era um fantasma dos seus sonhos. Uma cópia mal acabada. O que se tornara? Uma alienada em todos os aspectos de sua vida, que tentava ir além mas sempre acabava desistindo. Desistia dos ideais de forma tão fácil que hoje se perguntava o que sobrara. O que queria. Era como se tivesse se baseado em premissas falsas. Como se quisesse se enganar. Seria fácil se não soubesse. Mas vez por outra tinha o vislumbre de que tudo não passava de auto enganação, não era real.
Sua vida não era real.
E por mais que quisesse acreditar na fantasia, sabia que era mentira. E incomodava saber que vivia na mentira...
Mas também não tinha forças para romper com tudo. Tinha medo do que poderia vir. De ficar sem fantasia, sem nada.

Think of me when you close your eyes
But don´t look back when you break all ties