terça-feira, agosto 14, 2012

Em "O céu dos suicidas", Ricardo Lísias relata, traduz em palavras, a angústia que é lidar com o suicídio, com a falta de sentido. Em uma narrativa curta, aparentemente simples, ele é de uma profundidade assombrosa. Podia ser um livro didático para psiquiatras...
(Conheci Ricardo Lísias, ou melhor, sua escrita, a partir de seus textos na piauí, também ótimos. Virei fã!!!)


Eu tenho uma frase que explica parte (ou muito) da minha relação com meu trabalho, minha carreira: "Eu me tornei médica depois de me tornar psiquiatra".
Já ouvi de muitos colegas o relato de terem entrado na faculdade de medicina já pensando em determinada especialidade. Alguns mudaram, outros não. Mas o engraçado da minha frase é que eu não entrei na faculdade pensando em ser psiquiatra. Nem tinha pensado antes em ser psicóloga, o que poderia ter alguma relação. Nem bem médica eu me imaginava muito. Na verdade, aos 16 para 17 anos eu queria estudar, ser universitária, ampliar meus horizontes de conhecimento, tanto intelectual quanto social. No terceiro ano do segundo grau a minha escolha para o vestibular foi entre medicina e história. Eu já tinha pensado em biologia (por causa de uma comédia romântica chamada Poção do Amor n.9, filme pouco conhecido com a Sandra Bullock, e por um desejo de infância ser pesquisadora, "cientista") e em jornalismo (por causa de tantos filmes e para escrever), mas descartei a primeira opção por orientação dos pais (para fazer algo na área de saúde faça logo medicina) e a segunda por não me achar com o talento necessário. No final, entre medicina e história eu simplesmente tentei o mais difícil primeiro. Passei e no meio do primeiro ano de medicina cogitei um novo vestibular, para história, mas não tive coragem de quebrar a inércia de já estar na universidade. No último ano de faculdade eu tinha planos de estudar cinema, após me formar e poder trabalhar. Como diz uma outra frase feita, "no meio do caminho tinha a psiquiatria", e eu me apaixonei pela possibilidade de ouvir histórias, sendo médica. A medicina pode e deve ser uma arte de ouvir e decifrar histórias (do corpo, da mente, de doenças, de saúde, de vida e de morte), mas hoje ela muitas vezes parece ser só uma técnica de juntar sinais e sintomas para logo definir um diagnóstico e uma conduta. A possibilidade de poder de fato ouvir histórias, na especialidade psiquiátrica, para assim definir, decifrar, diagnosticar, medicar, me ganhou para a medicina. Enfim, eu só fui entender o que estava fazendo no último ano. E acho que foi bom assim.
Depois disso, tudo pareceu relativamente fácil e feliz. Eu tive outros encontros, com a psicanálise, com o desafio de escutar histórias de pacientes, de pessoas, que eram de um sofrimento tão grande que me capturavam. Mas eram histórias que essas pessoas queriam contar e eu estava descobrindo como ouvir.
O maior desafio, aquele que parece ainda não ter sido superado por mim, veio depois da residência. Como lidar com a história que não é contada? Como ouvir o que não é dito? O que é ação pura, sem sentido? Como lidar com o suicídio de um paciente? Ou de qualquer pessoa próxima o bastante para que procuremos desesperadamente um sentido, um significante, para "o que não tem sentido nem nunca terá"?
Na história daquele que comete o ato parece não haver significante que dê conta. É a irrupção do real psicanalítico, lacaniano. Para quem ouve, eu, fica o incômodo, a inquietação do que fazer com isso. Saber que ouvir histórias pode ser ouvir aquelas que não têm significantes que dão conta, para as quais não há relação que faça laço Simbólico e Imaginário para dar conta do Real. Ter coragem para sustentar esse lugar, para simplesmente fazer o que posso e quero fazer. Coragem para sustentar o desejo...


domingo, agosto 12, 2012



E os doodles dos Jogos Olímpicos foram sensacionais, especialmente os jogáveis.
#olympicgameslodon2012

Será que alguém também se emociona só de pensar que estamos no ano de 2012? Num outro milênio. Ou que em 4 anos teremos Jogos Olímpicos em São Sebastião do Rio de Janeiro? Ou com o fato (criado, mas não vivemos imersos em criações humanas? O que podemos chamar de natural de fato? Tudo o que experimentamos não é mediado pela nossa cultura, linguagem, não é criação, de alguma forma? Existe a experiência pura do natural?) de que nesses nossos tempos pessoas se unem de 4 em 4 anos para competir, para se encontrarem, para superarem marcas, para festejar. E nós, ou eu, que não sou atleta, muito menos olímpica, me emociono com as histórias desses personagens olímpicos. Me vejo discutindo esportes com Trajano, Juca e meso Galvão. Mas talvez seja por que eu sou animal sentimental...

Mas eu lembro dessa tristeza desde o final das Olimpíadas desde Barcelona, 1992.

#olympicgameslondon2012  #goodbye

sábado, agosto 04, 2012



E eu ainda me surpreendo com uma série adolescente que tem esse casal como um dos principais e mais adorados, com uma cena como essa que fez sucesso sem nem ter sido veiculada na série (só foi liberada essa semana, no youtube).
Lulu Santos cantando Roberto e Erasmo no Circuito Cultural Banco do Brasil, em momento meio "Los Hermanos/Jeneci/Kassin"...
Assisti hoje, no Vivo Rio, mas esse vídeo é de outra apresentação.



(E eu nem tinha notado que ontem citei Lulu Santos na madrugada...)

sexta-feira, agosto 03, 2012

"As canções mais tolas
Tendo os seus defeitos
Sabem diagnosticar
O que vai no peito"
Satisfação, Lulu Santos


E textos como fanfics, em geral (ainda) sem valor literário, às vezes também sabem diagnosticar ou fazer lembrar o que vai no peito. Essa fic de Klaine/Glee me fez lembrar...
Porque é possível que um texto sem valor literário (será?) faça alguém lembrar do que é ter alguém fisicamente tão próximo, tão desejado, que você esquece regras morais e se joga em uma relação cuja intensidade assombra depois. Tanto que você tem que manter distância para não se jogar mais uma vez.


Someone Like You by klaineaddict
http://www.scarvesandcoffee.net/viewstory.php?sid=924&textsize=0&chapter=6

sábado, julho 28, 2012


E os Jogos Olímpicos chegaram. Em Londres. Há 4 anos eu  sonhava estar lá esse ano. Outras escolhas e cá estou. Mas, mesmo pela tv, adoro. Ainda mais que os Jogos são cada vez mais para a tv. Essa cerimônia de abertura me pareceu criada mais para ser vista como programa de televisão do que show de estádio (ou um grande teatro, mais na tradição inglesa).
E quantos personagens, reais e ficcionais, a Grã-Bretanha tem, hein? Fiquei pensando isso enquanto assistia ao vt da abertura, que não pude ver na hora. E agora um jogo já de contornos dramáticos: BrasilxTurquia, no vôlei feminino. 2x2, sendo que o Brasil teve o quarto set nas mãos... Vou torcer nesse quinto set.

segunda-feira, julho 09, 2012

Então, ontem "Uma Secretária de Futuro" e agora de manhã "O espelho tem duas faces", na FOX. Coincidências cinematográficas auto-referentes na tv...

domingo, julho 08, 2012

Uma Secretária de Futuro, no ar agora no TCM. Nos Bastidores da Notícia. A escolha feminina dos anos 80: carreira ou amor? Eu sou fruto desses filmes da minha adolescência. Ou eu já gostava dessas histórias pois já me identificava (nosso psiquismo já está formado aos 5 anos...) com essas escolhas.
Talvez me ajudem a entender esse presente que construí.




terça-feira, maio 22, 2012



Glee, essa pequena adorável série. Cheia de descontinuidades do roteiro, mas com personagens marcantes (uma série musical adolescente que tem dois casais homossexuais, um deles é Klaine, o casal mais fofo de toda a série!) e momentos emocionantes, como esse.

sábado, maio 19, 2012

Nelson Motta falando sobre Beatles no Jornal da Globo. Mais do mesmo, mas sempre uma delícia. Ah, essas imagens apaixonantes do Anthology...
E não à toa, pouco antes e logo depois, imagens do show do Los Hermanos em Curitiba. Semana que vem é aqui (e eu vou)!

sábado, maio 12, 2012

Reler o próprio blog e perceber o quanto é preciso ler, ouvir, ver, sentir mais pois "viver não é preciso". E às vezes as produções artísticas permitem que encontremos não a precisão, mas ao menos alguma pista da direção que tomamos, fazendo, repetindo, o que queremos e nos surpreendendo ainda assim.
Há muito não escrevo. Vida que segue, mas de quando em quando me vejo, mais uma vez, perguntando "como cheguei aqui? será que quero estar aqui?". Talvez eu saiba responder parte da primeira pergunta. A segunda eu realmente não sei... Talvez escrever ajude a elaborar...

sábado, maio 29, 2010

Como escrever um blog em tempos de twitter? Como não se render à urgência e praticidade de 140 caracteres? Ou guardar as palavras, a vida da exposição imediata, para uma tentativa, só um pouco, mas não muito, elaborada? Não, o twitter permite elaborações em 140 caracteres, perfis falsos que fazem mais sucesso que os "verdadeiros". Entao um blog talvez seja apenas uma ferramenta já antiga, em tempos de alta modernidade 10 anos podem ser como um século. Manter um blog então pode ser apenas um capricho quase vintage (dixage?).
Vou tentar retomar.

domingo, outubro 18, 2009

E lá vem mais um verão, a mudança de horário anunciando o sol, o calor, a excitação carioca. Nada mais de tardes frescas, o melhor que você pode conseguir a partir de agora é um vento na praia. A luz muda, tudo muito amarelo, solar, alguns tons avermelhados no final da tarde. Tudo tem vida, às vezes quase que vida demais, no verão carioca. A cidade arde à 40 graus, completa sua vocação de perdição. E nós sonhamos ser organizados o bastante para as Olimpíadas. E eu continuo uma carioca torta, que prefere a cidade em suas estações amenas.
Mas o que importa é que temos uma hora a mais de sol e eu vou precisar de vestidos para o verão.

segunda-feira, julho 13, 2009

Roberto Carlos em momento Wando. Em 50 anos há muitas fases...

Cama E Mesa

composição: Roberto Carlos - Erasmo Carlos

Eu quero ser sua canção
Eu quero ser seu tom
Me esfregar na sua boca
Ser o seu batom...

O sabonete que te alisa
Embaixo do chuveiro
A toalha que desliza
No seu corpo inteiro...

Eu quero ser seu travesseiro
E ter a noite inteira
Pra te beijar durante
O tempo que você dormir
Eu quero ser o sol que entra
No seu quarto adentro
Te acordar devagarinho
Te fazer sorrir...

Quero estar na maciez
Do toque dos seus dedos
E entrar na intimidade
Desses seus segredos
Quero ser a coisa boa
Liberada ou proibida
Tudo em sua vida...

Eu quero que você me dê
O que você quiser
Quero te dar tudo
Que um homem dá
Pra uma mulher
E além de todo esse carinho
Que você me faz
Fico imaginando coisas
Quero sempre mais...

Você é o doce
Que eu mais gosto
Meu café completo
A bebida preferida
O prato predileto
Eu como e bebo do melhor
E não tenho hora certa
De manhã, de tarde
À noite, não faço dieta...

Esse amor que alimenta
Minha fantasia
É meu sonho, minha festa
É minha alegria
A comida mais gostosa
O perfume e a bebida
Tudo em minha vida...

Todo homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...

Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida
Na justa medida...

O homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...

Mas o homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...

Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida
Na justa medida...

domingo, maio 31, 2009

Mais uma rádio interessante do Rio de Janeiro se vai.
Bye, bye Antena 1.
Fica na memória (e na internet, essa criação que armazena um mundo, como uma memória coletiva), com as músicas que conheci ouvindo a rádio desde a adolescência.
Passa tempo, passa e leva tantas coisas. Deixe ao menos as lembranças. E as músicas e artes outras que reavivam a memória e nos permitem conhecer até o que não vivemos.


American Pie
Don Mclean

A long, long time ago...
I can still remember
How that music used to make me smile.
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance
And, maybe, theyd be happy for a while.

But february made me shiver
With every paper Id deliver.
Bad news on the doorstep;
I couldnt take one more step.

I cant remember if I cried
When I read about his widowed bride,
But something touched me deep inside
The day the music died.

So bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

Did you write the book of love,
And do you have faith in God above,
If the Bible tells you so?
Do you believe in rock n roll,
Can music save your mortal soul,
And can you teach me how to dance real slow?

Well, I know that youre in love with him
`cause I saw you dancin in the gym.
You both kicked off your shoes.
Man, I dig those rhythm and blues.

I was a lonely teenage broncin buck
With a pink carnation and a pickup truck,
But I knew I was out of luck
The day the music died.

I started singin,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

Now for ten years weve been on our own
And moss grows fat on a rollin stone,
But thats not how it used to be.
When the jester sang for the king and queen,
In a coat he borrowed from james dean
And a voice that came from you and me,

Oh, and while the king was looking down,
The jester stole his thorny crown.
The courtroom was adjourned;
No verdict was returned.
And while lennon read a book of marx,
The quartet practiced in the park,
And we sang dirges in the dark
The day the music died.

We were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

Helter skelter in a summer swelter.
The birds flew off with a fallout shelter,
Eight miles high and falling fast.
It landed foul on the grass.
The players tried for a forward pass,
With the jester on the sidelines in a cast.

Now the half-time air was sweet perfume
While the sergeants played a marching tune.
We all got up to dance,
Oh, but we never got the chance!
`cause the players tried to take the field;
The marching band refused to yield.
Do you recall what was revealed
The day the music died?

We started singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

Oh, and there we were all in one place,
A generation lost in space
With no time left to start again.
So come on: jack be nimble, jack be quick!
Jack flash sat on a candlestick
Cause fire is the devils only friend.

Oh, and as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage.
No angel born in hell
Could break that satans spell.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite,
I saw satan laughing with delight
The day the music died

He was singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news,
But she just smiled and turned away.
I went down to the sacred store
Where Id heard the music years before,
But the man there said the music wouldnt play.

And in the streets: the children screamed,
The lovers cried, and the poets dreamed.
But not a word was spoken;
The church bells all were broken.
And the three men I admire most:
The father, son, and the holy ghost,
They caught the last train for the coast
The day the music died.

And they were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

They were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.

PS: Essa música traça uma certa história do rock, cheia de citações. Há páginas que se dedicam a explicar cada citação. Na busca pela transcrição da música para essa postagem, deparei-me com uma página com uma versão bizarra de que a música seria sobre "a destrição dos Estados Unidos como uma nação livre". Sempre existe espaço para coisas estranhas: http://www.orwelltoday.com/americanpiesong.shtml

sexta-feira, dezembro 19, 2008

"E aos 29 com o returno de Saturno
Decidi começar a viver..."
29, Legião Urbana

De repente, antes tarde do que nunca, você descobre que não sabe amar e que precisa aprender, porque a vida começa a ficar muito chata centrada só em você mesma. Você finalmente entende que as pessoas morrem e que você realmente não tem poder para impedir a morte. Nem a dor e a tristeza, que não são mais sentimentos advindos da razão ou da arte, mas forças próprias que tomam seu corpo. Talvez o amor seja uma dor feliz e você precise apenas se aventurar. Definir-se menos pelo que faz e mais pelo que sente. Viver sonhos ao invés de sonhar a vida.
Que venha 2009 e meus trinta anos. Quem sabe eu me livre dos meus próprios clichês.