domingo, novembro 26, 2017

Reler o próprio blog e mais uma vez se surpreender com o que já estava lá...

terça-feira, abril 22, 2008

My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado)
Wong Kar Wai, 2007

Às vezes é necessário que nos afastemos de nosso lugar de origem para que possamos ter uma outra percepção do que nos rodeia. Às vezes estar num outro lugar que nos é estranho, que não causa a familiaridade da origem permite a emergência de algo novo em nós mesmos. Talvez o já conhecido evoque mais racionalização e crítica (mas não sem sentimento), e quando estamos diante de algo novo apareça mais o afeto puro, ainda sem muita possibilidade de crítica, pois ainda não conhecemos aquilo que nos aparece.
O (primeiro) filme americano de Wong Kar Wai me fez pensar nisso. Talvez por ter me parecido seu filme mais sentimental, de um diretor cujos filmes sempre me pareceram marcados por sentimentos enormes, mas reprimidos, impossíveis. 2046, seu filme anterior, me fez pensar exatamente na (im)possibilidade do amor. Mas este My Blueberry Nights (cujo título brasileiro é simpático á doçura do filme, na verdade os títulos brasileiros dos filmes de Wong Kar Way são sempre bons) fala exatamente da busca de possibilidades. Começa com um fim de relacionamento, que leva ao um encontro. Norah Jones (que funciona como atriz, sua inexperiência parece ser utilizada pelo diretor exatamente para marcar a experiência de uma jovem inocente, no sentido de não prejulgar, criticar, de tomar as experiências como algo novo, como uma primeira vez, inexperiência cinematográfica vira inocência de olhar sobre o mundo) e Jude Law (maravilhoso, sempre, charmoso, sempre) se conhecem em meio a outras histórias de cada um, principalmente a dela. Mas Norah/Elizabeth vai embora, fazendo talvez a escolha menos usual, tal qual escolher a blueberry pie do título. Se aventura sozinha na América, não fugindo de uma nova história de amor (mantém cartões postais que contam sua vida para Jude/Jeremy), mas como se fosse necessário procurar algo de si mesma ao se aventurar, para poder retornar e começar um novo amor. Para que este seja realmente novo. A aventura, o risco, está na viagem, na solidão, na falta de certezas marcadas. Mas o que aparece nessa viagem são os encontros de outras pessoas, de outras possibilidades, espelhos que permitem a Elizabeth se reconhecer e descobrir nas diferenças de reflexo. E ao final, bem, ao final descobrimos nós que Wong Kar Wai também se permitiu uma nova escolha, talvez um momento de se reconhecer no reflexo do espelho americano e fazer um conto mais doce que os seus anteriores. Talvez um olhar inocente sobre uma outra cultura tenha permitido uma expressão mais sentimental que reprimida (ainda que essa repressão fizesse transbordar o sentimento, espelhando, permitindo identificação e encantamento...). Diferente, ainda que sendo a mesma base. Agridoces noites, mais doces... :-)

terça-feira, outubro 10, 2017

"Lembrou-se de uma sensação infantil, de abandono, um medo que devia ter sentido quando bebê."
Quando você descobre que, num texto de puro exercício ficcional, previu seu futuro de 29/12/2016 em 30/11/2008. 
Ou não previ nada, mas simplesmente o medo sempre foi do abandono, só eu não sabia.
Se arriscar ao outro é se arriscar a ser abandonada. 
Fui. 
Talvez ainda seja mais alguma vez.
Mas ainda vale mais a pena o prazer do encontro que a solidão fóbica.

terça-feira, setembro 26, 2017

Música para quando você precisa dizer adeus a algo de si mesma e mudar. Para, quem sabe, ser mais você e menos seus sintomas.





sexta-feira, maio 26, 2017

A música que cita Encontros e Desencontros.


Para que serve um blog em tempo de Facebook, Instagram, Twitter, Tinder? Já me fiz essa pergunta antes e agora tenho alguma resposta: serve para se esconder das pracinhas públicas, mas com alguma chance se de ser achada, lida. Para quando se está cheia de fantasias, um imaginário libidinalmente inflado. O blog como carta anônima (como naquele bobo e adorável filme da adolescência, Admiradora Secreta).

sábado, fevereiro 20, 2016

E um dia, não belo e sim angustiante, você descobre que sua psiquê é capaz de criar um nó só para te fazer admitir que é capaz de amar, de fato, em ação e corpo, e não só platonicamente. Um dia talvez eu olhe para trás e, sem angústia, veja a beleza de uma história de amor. No momento ainda tento vencer a angústia de ultrapassar uma neurose e poder amar.

domingo, fevereiro 14, 2016

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas. 

Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras, 
Ridículas. 

As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser 
Ridículas. 

Mas, afinal, 
Só as criaturas que nunca escreveram 
Cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

Quem me dera no tempo em que escrevia 
Sem dar por isso 
Cartas de amor 
Ridículas. 

A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

(Todas as palavras esdrúxulas, 
Como os sentimentos esdrúxulos, 
São naturalmente 
Ridículas.) 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 
http://www.citador.pt/poemas/todas-as-cartas-de-amor-sao-ridiculas-alvaro-de-camposbrbheteronimo-de-fernando-pessoa

quarta-feira, setembro 02, 2015

Um mundo onde crianças morrem na praia pois seus pais tentavam fugir de uma realidade violenta. E isso não foi uma tragédia unica, imprevisível, ela vem sendo anunciada há meses (eu vi). Era o pior dos tempos, tomara que ainda possa ser o melhor dos tempos também.
Do paradoxo, adolescente talvez, de se sentir que há urgências na vida mas sabendo que não é possível realizar a vida de forma urgente.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Será que não poderia a paixão, o momento fugidio do apaixonamento, ser considerado uma formação do insconsciente? Afinal, por qual razão nos apaixonamos? O que é o "brilho no nariz" que inicia toda uma aventura psico-emocional? Será que não diz do nosso desejo inconsciente, de um significante qualquer que é só aquele, ao menos por quanto durar?

domingo, agosto 02, 2015

Eu achei Mad Max - Estrada da Fúria violento, praticamente um filme de terror. Ele é isso. É um ótimo filme, cuja sequência de abertura flerta com a linguagem de video-games tornando-a cinema. Mas aí hoje, mudando canais numa tarde domingo, eu acabei vendo o primeiro Mad Max. Filme australiano, de baixo orçamento, do ano em que nasci. E que já era um filme violento, quase de terror (passa na HBO com restrição para menores de 18 anos). Só que a ideia do futuro distópico de 36 anos atrás parece quase normal hoje (futuro distópico, aqui estamos?!). Já deve ter alguma boa análise da filmografia Mad Maxiana do diretor George Miller por aí. Vou procurar...

terça-feira, julho 07, 2015

Pressionar o governo instituído é parte do jogo político-democrático da oposição. Gritar, xingar, ameaçar, tudo isso é jogo baixo mas é do jogo, o partido vencedor bem o fez nas eleições do ano passado. Mas flertar com ideias golpistas e fundamentalistas pode ser perigoso para todos. Eu não vivi o golpe de 1964, mas eu tenho lembranças importantes de uma infância marcada pelas notícias da redemocratização, e da morte do Tancredo e da inflação e do resultado collorido de 1989. E eu quero crer que o povo aprendeu algo com o golpe, que as elites, por mais que nesse lugar queriam ficar e se sintam ameaçadas por um povo que pensa e demanda mais seus direitos e a divisão das riquezas, não flertariam com o desastre de mexer com forças retrógradas mais uma vez. Eu quero acreditar. Não deve ser a toa que Arquivo X vai voltar.

quinta-feira, junho 18, 2015

All the crazy people
Where do they all come from?

Lembrando de Máquina Mortífera e pensando se eu não estou velha demais para isso...

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Esse texto é de 29/01/2002 e de repente pareceu bem atual. Por isso a repostagem.

"Além disso, segundo a pesquisa apresentada por Kofi Annan à ONU durante a Assembléia do Milênio, dois terços dos cidadõas do mundo (incluindo os das democracias ocidentais) não se consideram representados por seus governantes. O que dizem os movimentos antiglobalização, portanto, é que essa democracia, embora necessária para a maioria, é insuficiente aqui e agora."

Manuel Castells, tradução de Sergio Molina, in Mais! - Folha de São Paulo, 27/01/2002


Nossa Contituição (a última, de 1988) torna possível, e até mesmo encoraja, através de diversos mecanismos, uma maior participação da população nas decisões dos poderes Legislativo, executivo e até mesmo Judiciário. Isso se dá através da criação de Conselhos, cujos participantes são a prórpia população, que têm poder de fiscalizar e sugerir mudanças nesses Poderes.

Aparentemente, é uma ótima inicativa, e os constituintes estavam certos ao tornar possível tal tipo de controle da população sobre seus representantes. O único problema, ao que me parece, é que isso também se torna mais uma obrigação, um fardo do povo. Se já somos obrigados a escolher nossos representantes do Legislativo e Executivo, se confiamos a essas pessoas o poder de decidir o rumo do país (e portanto, em certo grau, de nossas próprias vidas) provemos a elas salários mais do que condizentes a tal responsabilidade, porque ainda temos de ser intimados a fiscalizar o trabalho que fazem?

O povo brasileiro, na sua maioria, trabalha no mínimo 8 horas por dia para ganhar muito, muito menos que os políticos e ao mesmo tempo são os impostos (diretos e indiretos) que pagam responsáveis pelos altos salários pagos nas esferas do poder. E além de trabalhar para pagar pela representação, além de confiar (quase cegamente) nessa representação, ainda se espera que o povo fiscalize constantemente seus representantes. Porque é pela não fiscalização, por não exercer plenamente seu direito de cidadania que o povo é enganado por políticos corruptos.

Essa é uma forma de entender o problema da corrupção no país. Uma forma canalha que, assim como tem sido feito com a atual epidemia de dengue, joga toda a culpa no povo. É o povo que não se utiliza dos meios de fiscalização que lhe foram dados, é o povo que mantém água parada em casa.

É claro que todos nós temos uma parcela de culpa. O país é o seu povo, manipulado ou não, é o povo que faz o país, não o contrário. Mas não se pode querer exigir demais das pessoas. É demagogia barata esperar que um povo mal instruído (talvez até mal educado), que tem de se virar como pode para conseguir sobreviver com o mínimo resquício de dignidade, ainda encontre tempo para se preocupar com o que os governantes fazem ou deixam de fazer em seu nome. As pessoas realmente acreditam que ao votar estão confiando seu futuro a alguém mais capacitado que elas (e talvez aí resida o porque das constantes derrotas de Lula, o povo quer gente que pareça mais inteligente que ele, não confiamos em nós mesmos!) de forma tal que se os representantes, mais inteligentes, não sabem o que fazer, como essas pessoas "incapacitadas" podem saber?

E assim, a elite dominante continua encontrando formas de fazer o que bem entende, ao mesmo tempo que torna o país mais civilizado e moderno, "para inglês ver".

Não adianta criar leis modernas e justas se o povo não é capaz de entendê-las e utilizá-las...

Uma música para terminar...

Natália
Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá


Vamos falar de pesticidas
E de tragédias radioativas
De doenças incuráveis
Vamos falar de sua vida
Preste atenção ao que eles dizem
Ter esperança é hipocrisia
A felicidade é uma mentira
E a mentira é a salvação
Beba desse sangue imundo
E você conseguirá dinheiro
E quando o circo pega fogo
Somos os animais na jaula
Mas você só quer algodão-doce
Não confunda ética com éter
Quando penso em você eu tenho febre
Mas quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Mas quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
É complicado estar só
Quem está sozinho que o diga
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida
Quanto tudo é solidão
É preciso acreditar num novo dia
Na nossa grande geração perdida
Nos meninos e meninas
Nos trevos de quatro folhas
A escuridão ainda é pior que essa luz cinza
Mas estamos vivos ainda
E quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você

sábado, novembro 02, 2013



Essa sequência de Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012) é perfeita! Top of the World é uma música que me lembra a adolescência e agora, esse momento do filme que parece um clip e homenagem muito adequados à música, aos Carpenters, à essa década de 1970 kitsch e adorável.

sexta-feira, novembro 01, 2013

Talvez o amor seja a qualidade de encontrar alguém com quem você continua se surpreendendo, mesmo depois de toda intimidade,  mesmo depois de tanto tempo.

segunda-feira, agosto 05, 2013

Ainda sobre Divórcio.

Trata-se de um livro atual em sua defesa da ética nas relações humanas e na crítica ao jornalismo da "grande mídia" que se faz no Brasil e no mundo. Ricardo Lisias responde à reportagem do Globo de ontem (04/07/2013) sobre a Mídia Ninja. A matéria sugere, de forma nada sutil, que a Mídia Ninja coloca a democracia em risco. Lisias, em seu livro, nos faz questionar de qual jornalismo democrático estamos falando. De um jornalismo promíscuo, que resguarda o pseudo-anonimato de "fontes", sem questionar ou investigar as informações?
Os Ninjas mostram sua cara em reuniões abertas, divulgadas e transmitidas ao vivo pela internet.
Divórcio é um livro político.

domingo, agosto 04, 2013

Termino de ler Divórcio, de Ricardo Lisias, e em algum lugar da rua um vizinho está a ouvir Cartola, na voz de Beth Carvalho. E de repente, no Rio de Janeiro, a trilha sonora não poderia ser mais apropriada, ainda mais com a música específica, O mundo é um moinho, e seu verso: "De cada amor tu herdarás só cinismo".

Lisias transforma o cinismo e o abismo do fim do amor em literatura. Sua narrativa (re?)constrói a dor, a raiva e o caminho de aceitação.

E ainda foi minha primeira experiência de leitura de livro de ficção em formato digital (fanfics e livros acadêmicos não contam). Foi legal mas senti falta da materialidade do papel. Sou uma pessoa do século XX.



Divórcio