domingo, junho 10, 2007

Duas pseudo-críticas por serem escritas, desde a primeira do ano que foi devidamente escrita e postada. Meses sem escrever, lendo, vendo, ouvindo. Tantas coisas...
Mas hoje, o recesso de Los Hermanos. Um show belo na sexta-feira. A sensação de tristeza agora que não tem mais show por tempo indeterminado. A escrita ainda aparece no lugar de catarse, de filmes a comentar, de um show, de uma tristeza pelo recesso/pseudo-fim (ou será?) da banda favorita.
Mas eles falam por eles mesmos. E talvez por isso tantos adoradores, por isso 3 dias de Fundição lotada cantando em coro, por isso tanto frisson pelo recesso, jogada de marketing ou não, talvez apenas um tempo de verdade para eles.

"não faz disso esse drama essa dor
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber"
Primeiro Andar, 4

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Primeiro filme do ano: Dias Selvagens, de Wong Kar Wai.
Cineclube Odeon. Pré-estréia do filme que é o "primeiro" da mezzo-trilogia continuada com "Amor á flor da pele" e "2046". O último foi um filme catártico de 2006. "Dias Selvagens" teve menor apelo emocional, mas ainda assim é um belo filme sobre o desejo. Esse que nos domina, por mais que tentemos domá-lo. Esse que retorna do nada (será?) e nos angustia, quando ainda não somos capazes de dar conta dele. De bem aceitá-lo. Mas esse mesmo desejo é só nosso, de mais ninguém. Não vem de um além, mas de dentro de algum lugar que está em nós. Por mais que não saibamos o que fazer com ele, é nosso, e a angústia sobrevem da incapacidade de aceitar o que é nosso.
Por mais que se tente, é impossível negar o desejo, amor, paixão. Tantos nomes para uma só coisa: a necessidade de não se sentir só ao longo do nosso tempo no universo.
E o tempo é um outro fator importante no filme (ainda falava sobre o filme?). Pois o desejo não conhece tempo e pode ser satisfeito (parcialmente) em 1 minuto. Ou pode o amor surgir de um momento, de um gesto, de um olhar.
O que parece permanente é a necessidade. Que sempre levará a a novos desejos, amores paixões. Cabe apenas escolher o objeto amado. Escolher????

quarta-feira, novembro 22, 2006

A Última Noite é um filme sobre o fim de um programa de rádio ao vivo. Mais simpelsmente, é um filme sobre o fim e sobre encarar o fim com dignidade, mais que isso, encará-lo sabendo que iria chegar e que nesse meio tempo, tudo valeu à pena. Na verdade é um filme sobre a vida, o fim sendo só o detalhe que torna viver ainda mais importante. Filme bonito, algo melancólico, belas atuações, belos momentos de vida, de personagens. Mais ainda agora, após o falecimento de Robert Altamn, quando o filme assume mais suas características e fica a parecer um quase epitáfio.
Tem crítica na contra campo.
Mas mais que isso, tem os filmes, a serem vistos e revistos, pensados, sentidos. Isso são as obras dos artistas, ficam além do tempo da vida, ficam e marcam outras vidas. É uma forma de entender transcendência.

domingo, setembro 24, 2006

Despensar

O que diz um ato falho?
O que digo eu ao dizer que despenso?

Digo que não penso?
Ou que penso diferente?
Ou que desejo não pensar?

Não pensar é sempre um desejo
O desejo de abdicar do retorno constante das palavras
Essas nas quais me perco, sem dizer
O que, como na música, mais que palavras poderiam dizer.
Não dizendo.

domingo, setembro 03, 2006

Eu quero um Sonny Crocket pra mim...

Miami Vice
2006, Michael Mann

Primeiro, eu não assisti a série de tv Miami Vice. Tenho uma vaga lembrança do que era. Nem sabia que a música "In the air tonight" tocava na série. Quando tocou nos créditos achei que era mais um momento oitentista do filme. Um amigo me explicou que era uma referência direta a série.
Então, não vi Miami Vice como uma adaptação, mas como um filme baseado numa história que, isso me lembro, tinha fortes cores oitentistas. Talvez uma das séries que ajudou a moldar a década. Dessa forma só posso dizer que gostei muito do filme.
Por manter um clima anos oitenta mas adaptado ao século 21. parece estranho, e parece estranho no filme. É uma sensação de dejá vü, sem referências diretas a década de oitenta (nada a ver com as festas Ploc da vida), mas de forma enviesada, relembrando algumas características. Interessante notar, por exemplo, que a Miami do século 21 não é infiltrada de violência como em 80, se ela é muito mais clean, virtual, tecnológica. Entretanto, ao levar a ação a países da América Latina, Michael Mann consegue retomar a antiga violência. Bairros pobres, homens armados, atitudes violentas mas com ilhas de tecnologia semelhante à de Miami. Surpreende a forma como o diretor e roteirista (e produtor da série original) mostra de forma tão pouco caricata essa realidade "nossa".
O que não surpreende são a fotografia e a montagem. Como em outros filmes de Mann, em especial O Informante e ainda Colateral, estes aspectos da direção são primorosos. A captação da luz, o uso das lentes, a impressão de enquadramento desfocado, dão um toque especial a um filme que seria ?só? de ação. Desta forma Miami Vice é um pouco mais que entretenimento, há um tratamento de imagem diferenciado no filme, perceptível, mas não necessariamente gratuito. As imagens fazem parte e diferença no filme. Lembrando que cinema é, antes de tudo (e do próprio roteiro), imagens em movimento!
A trilha sonora segue o clima anos 80 sem ser anos 80. Moby e Audioslave dão um clima anos 80 revisitado pelo século XXI. Mais uma vez, nada de Festa Ploc, nada de simples regravação e sim um trabalho sonoro que remete á algo retrô.
Agora, os atores. Jamie Foxx nem precisa falar, o homem é ótimo ator. Mas Collin Farrel faz um uso primoroso de uma certa canastrice. Seu Sonny Crocket é qualquer coisa entre o bom canalha e o bom policial, com charme. Muito, muito charme. Suas cenas com Gong Li transbordam sensualidade e afetividade. Basta dizer que ao final do filme eu só pensava: "eu quero o um Sonny pra mim".
Sem comparações com Don Johnson, pois nem lembro como era o seu Sonny. Mas não creio que fosse melhor...

sábado, agosto 26, 2006

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia... e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa

domingo, agosto 06, 2006

"Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor"

Vinícius de Morais e Baden Powell, Canto de Ossanha

domingo, julho 23, 2006

Não sei bem o que é
Nem se é alguma coisa
Pode ser que venha a ser
Também pode ser que não
Mas não custa tentar
E ver no que vai dar...

sábado, julho 08, 2006

Me perco em pensar explicações
relações de causa e efeito
algo que dê conta
do que simplesmente não é
Não é
aquilo que somente poderia ser
aquilo quase foi
o que já era
Para ser é necessário
algum despojamento
de si mesmo
alguma curiosidade
do outro
e todo amor
possível
Para que sejamos
enfim
nós dois
(Por hora sou eu
à procura de um certo você)
Momento de uma sexta à noite.
Ás vezes, quando nada sai como se espera, sentimentos quase mortos tão bem escondidos sob a razão do dia-a-dia, veêm á tona...

Por vezes
queria não me afetar
com aquilo que
nem mesmo me é dirigido

Uma palavra
um gesto
uma não compreensão

Que me ferem
entristecem
quando já não deveriam importar

Pois não me são dirigidos
estes insultos e incompreensões

Não compreende o outro
quem não dialoga
quem não se importa

Por que ainda me incomodo
com quem não se importa?

"In my life
Why do I give valuable time
To people who don't care if I live or die ?"
Heaven knows I´m miserable now - The Smiths

domingo, julho 02, 2006

Rendo-me a comoção nacional. Estou triste e revoltada com o futebol apresentado ontem pela tal Seleção Brasileira. Jogavam para que os jogadores? Para ganhar (dinheiro)? Para aparecer? Para ganhar o jogo, nem digo a Copa, não pareceu que fosse. Pelo menos o coletivo não parecia ter esse fim, aidna que alguns jogadores tentassem jogar. Mas jogar sozinho é difícil. E a comissão técnica trabalhava para que? Para ganhar ou porvar que estava certa?
Não gosto de violência, mas reconheço que Felipe Scollari tem garra e desejo de vitória.
Perder não é vergonha. Mas não lutar é.
Para terminar, lembro um texto antigo:
E recomendo o blog do Juca Kfouri.

quinta-feira, junho 22, 2006

"Trocávamos idéias sobre tudo. Submetíamos nossos trabalhos um ao outro. Juntos reformulávamos nossos valores e descobríamos o mundo, ébrios de mocidade. Era mais do que a paixão pela literatura, ou de um pelo outro, não formulada, que unia dois jovens 'perto do coração selvagem da vida': o que transparece em nossas cartas é uma espécie de pacto secreto entre nós dois, solidários ante ao enigma que o futuro reservava para o nosso destino de escritores."
F. S., em Cartas perto do coração, de Fernando Sabino e Clarice Lispector.
Saio do cinema, após ver um filme sobre solidão, encontros e humanidade e entro numa livraria. Me deparo com o livro de cartas trocadas entre dois escritores que falavam sobre esses mesmo temas. Há muito desejava ler o livro. Hoje leio!
Já tem crítica de "Eu, você e todos nós".

E é na Contracampo.

E é do Edurado Valente.

Uh hu!!

terça-feira, junho 20, 2006

Eu, você e todos nós
ou "... danço eu, dança você, na dança da solidão."
Esses pequenos filmes independentes americanos...
São eles, ao lado dos grandes "filmes de verão" e épicos (sim, estes ainda existem) que fazem o dito cinema americano. Este "Eu, você e todos nós", da artista Miranda July é um pequeno filme independente. É um filme sobre solidão. E sobre a busca humana para mitigar essa solidão. Essa busca que por vezes parece sem sentido, sem fim, que se faz compreender apenas naqueles momentos em que um toque, uma presença, um saber que o outro está realmente junto, ainda que geograficamente distante, esses momentos permitem que não nos sintamos sós no mundo. Momentos que são eternos enquanto duram. Quisera ter essa eternidade para sempre...
Filme que também mostra algumas pequenas sordidezes humanas, que se fazem menos sórdidas quando colocadas nesse contexto humano de necessidade e busca. Coisa que lembra Todd Solondz, mas com uma visão mais carinhosa que a dele.
Pequeno belo filme.
Como ainda não tem crítica da Contracampo, deixo a da Folha.

domingo, junho 18, 2006

Então, após um jogo da Copa meio sem graça mas com vitória da Seleção, fiu eu ver um filme em dvd, "O Terceiro Olho". Já via o filme na prateleira da locadora há algum tempo. Namorava ele por conta de ser Ryan Phillipe o ator principal (ele é lindo), mas acabava não levando por não conhecer. Ontem resolvi alugar, afinal tem outros bons atores, como Stephen Rea e uma trama pouco explicada na capa, mas que parecia interessante. O filme é pouco inventivo enquanto cinema, mas o roteiro é bastante interessante, sobre um homem que acorda numa cama de hospital, não lembrando dos dois últimos anos de sua vida. Acompanhamos sua busca pela memória, busca essa cheia de delírios ou viagens no tempo, coisa meio psiquiátrico-metafísica. Não conto mais pois senão perde a graça. Mas é filme para discutir no final.
"And late last night
makes up her mind
another fight
left behind"

There goes the fear, The Doves

No meio da noite de ontem, assistindo tv de forma aleatória, deparei-me com o festival de Glastonbury, edição de 2005. Tido como um dos melhores festivais de rock do mundo. Pensar que eu já fui a um semelhante, chamado Rock in Rio, versão 2001. Pensar que nunca mais houve outra edição, uma pena, pois foi um momento mágico de música e encontro de pessoas. Mas, aí eu paro no festival de Glastonbury exatamente quando tocava uma música muito querida, There goes the fear, do grupo The Doves, em bela versão ao vivo. Depois se sucederam outros novos nomes da cena roqueira atual, ótimos novos nomes, como Keane, The Killers (a banda americana mais inglesa da atualidade), Kasabian, Coldplay, entre outros. Dentre tantas novidades uns tiozinhos no meio, New Order. Interessante que eles tem cara de tiozinhos, de senhores de 40 e tantos, 50 anos, pais de família. Diferentemente de outros nomes tão antigos quanto como o U2 ou até mais antigos, como os Rolling Stones, que parecem se manter jovens para sempre. Mas o importante, a música, continua jovem e contagiante. Ouvir o New Order foi como estar numa pista de dança da década de 80 e isso não tem a ver com velharia. Pelo contrário, tem a ver com a magia da música, que mantém a juventude não pelo visual, que pode ser forjado para manter uma banda na moda, mas pela vitalidade musical. Assistir o New Order tocando "Love will tear us apart", ainda que pela tv, mostrou que pais da família podem ser roqueiros, jovens em seu talento. Essa talvez seja uma das grandes possibilidades do rock, unir gerações pela música, verdadeira. Sem necessitar de imagem!

"Oh simple thing where have you gone?
I´m getting old and I need something to rely on
So tell me when you´re gonna let me in
I´m getting old and I need somewhere to begin"
Somewhere only we know, Keane

domingo, maio 28, 2006

Apesar de tudo, do quanto te conheço, do quanto sei de suas atitudes, não consigo deixar de pensar que poderia ser legal. Que, de alguma forma mágica, a lá comédia romântica, poderia dar certo. A vida não é comédia romântica, pelo menos a minha ainda não foi (mas já foi romance, ainda que um pouco triste, mas ainda assim romance) mas fico imaginando que poderíamos ser legais, um com o outro, um para o outro.
Mas, não tem nada a ver mesmo, então, esse post será minha tentativa de, ao exteriorizar essa idéia, acabar com ela. Não pensarei mais nisso, mas, como diriam os Paralamas...


"Se você lembrar,
se quiser jogar
Me liga, me liga"
Existe um tipo de despojamento que tem a ver com fazer o que se quer sem esperar recompensas. Parece-me que tem a ver com o desejo, aquele que impulsiona, mas não com promessas futuras, apenas com a promessa presente de se ter a satisfação, aqui e agora, daquilo que se quer.
Pode parecer algo egoísta, inconseqüente. Mas talvez não. Porque é necessária uma responsabilização com o nosso desejo. Não há inconseqüência, não há mais lugar para "sem querer". Entendemos que podemos fazer aquilo que bem queremos, contanto que tenhamos responsabilidade por esse desejo e pela realização do mesmo.
Esse momento da responsabilidade consigo mesmo é o que marca a possibilidade de liberdade de querer e fazer. Ainda que esta liberdade esteja sujeitada a toda essa responsabilidade.
"Diz pra eu ficar muda faz cara de mistério
Tira essa bermuda que eu quero você sério
Dramas do sucesso, mundo particular
Solos de guitarra não vão me conquistar
Uh, eu quero você como eu quero "
Como eu quero
Kid Abelha

domingo, maio 21, 2006

Nessa vida a qual me sujeito
só de mim posso saber.
Ainda assim,
há algo de mim que escapa
está além do meu saber
é um não saber
(sabido?).
Do outro
aprendo que nada sei
Mas resta a curiosidade
de saber.
Talvez mera necessidade
de me perder
em você.

quinta-feira, maio 18, 2006

V de Vingança

"People shouldn´t be afraid of their governments
Governments shoul be afrid of people."

Um filme sobre terrorismo, poder e acomodação. Sobre o medo imposto pelo poder que gera acomodação. E sobre a possibilidade, ainda que romanceada no filme, de se ter o poder nas próprias mãos.

Quem é mais terrorista, o PCC ou o governo que paga R$30 mil de mensalão, ganha mais que a maioria da população e não paga devidamente bem policiais que moram ao lado dos traficantes???

"Num beco escuro explode a violência..."
Paralamas do Sucesso

Para uma crítica do filme leia a ContraCampo de sempre e a nova Cinética (crítica do Eduardo Valente!).