sexta-feira, abril 22, 2005
Lembro de uma vez, quando criança, conversar com algumas colegas no horário de recreio sobre como seria o Céu. A idéia vigente era do céu cheio de nuvens macias. Declarei, na época, que achava esse paraíso muito sem graça, ficar em nuvens, sem nada para fazer. Não lembro bem de qual seria meu "paraíso" aquela época. Hoje também não sei muito bem como seria, até porque tento me concentrar mais aqui na Terra mesmo. Fico imaginando se nossos sonhos de paraíso de hoje (que talvez involvam um simulacro de Terra melhorado, com mais respeito entre os seres humanos, mais áreas verdes, praias, sem tecnologias poluentes/destruidoras) não podem ser a Terra de gerações futuras. Se de alguma forma essa idéia de um lugar melhor não pode estar, não no além vida mas no além tempo, no futuro (se soubesse algo sobre teoria do tempo/espaço curvo poderia explicar a idéia maluca). Nesse futuro, então, crianças (e adultos) inconformistas como eu sonhariam com outros paraísos...
quinta-feira, abril 21, 2005
Às vezes tinha dificuldade para definições. De sentimentos, de acontecimentos, de desejos. Talvez por isso usasse tanto a palavra "coisa". Aquela coisa podia referir qualquer coisa que não sabia definir. Mas porque não sabia? Ainda que nunca tivesse lido um dicionário inteiro ou que não fosse uma Imortal tinha algum conhecimento da língua pátria. Então, porque tanta dificuldade para nomear o que sentia? Sabia o que era. Só não sabia o nome das coisas...
sábado, abril 09, 2005
"Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instanteneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.
...
Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu."
Introdução do livro O Restaurante no Fim do Universo, a continuaçào inteligente e divertida de idem O Guia do Mochileiro das Galáxias, ambos de Douglas Adams.
Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu."
Introdução do livro O Restaurante no Fim do Universo, a continuaçào inteligente e divertida de idem O Guia do Mochileiro das Galáxias, ambos de Douglas Adams.
sexta-feira, março 25, 2005
Razão e emoção. Jane Austen, dentre tantos outros (creio que mesmo o Bardo, aquele que melhor descreveu nossas emoções), já escreveu em Sense and Sensibility (que virou filme de Emma Thopson, dirigido por Ang Lee) sobre como pode ser (ou simplesmente é) difícil conciliar essas duas funções do humano. Por vezes nos (ou pelo menos eu...) alegramos com pequenos gestos que achamos que não deveriam fazer diferença. Mas o que fazer se o sentimento é mais forte que a razão? Negar o prazer obtido em gestos, atitudes simples? Ou aceitar o fato de que mesmo não fazendo muito sentido (como se fossemos inteligentes o bastante para entender o sentido de tudo), aquilo, aquela pessoa e seus gestos, nos fazem felizes. Ainda que sem ter porque, sem ter razão. ;-)
Como dizem meus barbudos favoritos:
É bom, às vezes se perder
Sem ter porque, sem ter razão
Adeus você, Los Hermanos
E ainda, lembram-se de período Barroco, do regaste dos conceitos Clássicos? Ou, mais simples, de Sociedade dos Poetas Mortos?
Carpe Diem
Como dizem meus barbudos favoritos:
Sem ter porque, sem ter razão
Adeus você, Los Hermanos
E ainda, lembram-se de período Barroco, do regaste dos conceitos Clássicos? Ou, mais simples, de Sociedade dos Poetas Mortos?
quinta-feira, março 17, 2005
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
Futuros Amantes, Chico
É possível que essa música já tenha aparecido nesse espaço virtual. É linda, simples (pelo menos aparentemente) e bela. E faz tanto sentido (de tantads e tantas formas) que lembrei dela uma vez ao ver, de Niterói, o Rio coberto de nuvens. Melhor dizendo, não vi o Rio, só vi nuvens e chuva. Imaginei (e cantei) uma cidade submersa...
domingo, março 13, 2005
"[...]O presidente, em particular, é simplesmente uma figura pública: não detém nenhum poder. Ele é aparentemente escolhido pelo governo, mas as qualidades que ele deve exibir nada têm a ver com liderança. Ele deve é possuir um sutil talento para provocar indignação. Por esse motivo, o presidente é sempre uma figura polêmica, sempre uma personalidade irritante, porém fascinante ao mesmo tempo. Não cabe a ele execer o poder, e sim desviar a atenção do poder. [...]"
O Guia do Mocheliero das Galáxias, de Douglas Adams
É um livro de ficção científica, de 1979, muito bem humorado, num estilo MIB. Mas é também um livro que tem a passagem acima, que parece saída do editorail de algum jornal importante de qualquer país democrático (ou não) de nossos tempos. Há que se considerar um livro "de gênero" ,e seu autor, que é crítico para além de seu pre definido gênero. E Douglas Adams consegue isso em O Guia do Mochileiro das Galáxias.
O Guia do Mocheliero das Galáxias, de Douglas Adams
É um livro de ficção científica, de 1979, muito bem humorado, num estilo MIB. Mas é também um livro que tem a passagem acima, que parece saída do editorail de algum jornal importante de qualquer país democrático (ou não) de nossos tempos. Há que se considerar um livro "de gênero" ,e seu autor, que é crítico para além de seu pre definido gênero. E Douglas Adams consegue isso em O Guia do Mochileiro das Galáxias.
Talvez o pior de tudo fosse o fato de que não podia se queixar ao gerente. Recebera exatamente aquilo o que desejara. Se desejara o mínimo, por acreditar que isso já lhe bastasse, era problema seu. O gerente, fosse quem fosse e ela não sabia muito sobre isso, nunca o vira, talvez apenas acreditasse na existência de tal "gerente", servira-a muito bem, tudo funcionara conforme o seu desejo inical. Tirando o fato de que terminara rápido. Então, se descobria que podia ter o que desejasse, tinha gora que entender que podia desejar o que bem entendesse, ou o que realmente quisesse, sem medo de não merecer. O gerente parecia inteligente o bastante para ser capaz de fazer tal julgamento de tal forma que ela poderia abrir mão do seu auto pré-julgamento, sempre mais severo que o necessário. Precisava aproveitar melhor sua estada no planetinha, afinal de contas não sabia para onde iria depois...
sexta-feira, março 11, 2005
"... Será que a ficção apenas suga a realidade, na vã tentativa de oferecer sentido, o sentido das palavras, àquilo que não faz e nem pode fazer nenhum sentido? Será?"
De cada amor tu herdarás só o cinismo, de Arthur Dapieve
E Dapieve escreve num misto de Nick Hornby, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca. Uma salada que rende um livro a ser lido de uma só vez. Ah, ainda tem um capítulo que eu, que não sou conhecedora, achei ter algo a ver com o jornalismo gonzo. Salada interessante sobre o universo masculino.
De cada amor tu herdarás só o cinismo, de Arthur Dapieve
E Dapieve escreve num misto de Nick Hornby, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca. Uma salada que rende um livro a ser lido de uma só vez. Ah, ainda tem um capítulo que eu, que não sou conhecedora, achei ter algo a ver com o jornalismo gonzo. Salada interessante sobre o universo masculino.
Escrevia na terceira pessoa, talvez menos por escolha estilística e mais por pura timidez ou medo. Mesmo ao escrever ficções tinha medo do quanto de si estava ali, do quanto estava entregando dos seus sentimentos, paixões e pensamentos, ainda que aquela primeira pessoa fosse ser entendida por todos como uma personagem. Mas era também ela mesma. Não poderia escrever na primeira pessoa uma personagem que sofria com a frieza do amigo quase amante. Uma personagem tão medrosa quanto ela mesma, que não era nem mesmo capaz de admitir que sofria pela perda do quase amante, um pouco mais do que pela distância do amigo. Mas que se resigniva nesse de lugar de não admitir o que sentia. E nesse lugar de definir papéis por "quases", pura inconpetência para admitir o que realmente queria que fosse. Mas, ainda assim, podia dizer que era só uma tentativa estilística de escrever uma personagem tímida. Não era ela, não é?
quinta-feira, março 10, 2005
"O que faz alguém escolher um meio de comunicação do qual desconfia quando bem poderia chamar para um papo ao pé do ouvido no corredor? A idéia de que o corredor talvez estivesse, na cabecinha daquela Danna Scully da Carlos Góes, infestado de microfones conectados diretamente à sala de Umberto Milano arrancou de Bernardino o primeiro sorriso desde que aquele pipocar de mensagens começara."
De cada amor tu herdarás só o cinismo, de Arthur Dapieve.
Dapieve, em sua prosa simples, quase parecendo simplista, consegue no seu primeiro romance passar além da enxurrada de referências a cultura pop e enxergar também um pouco dos relacionamentos no século XXI (que no fundo não devem ser assim tão diferentes daqueles do século XII: homem e mulher, ou seja duas pessoas, que se querem e todo o resto de si mesmos e do mundo a atrapalhar). Não, não é Nick Hornby, mas consegue prender a gente ao livro. Como nas suas crônicas.
De cada amor tu herdarás só o cinismo, de Arthur Dapieve.
Dapieve, em sua prosa simples, quase parecendo simplista, consegue no seu primeiro romance passar além da enxurrada de referências a cultura pop e enxergar também um pouco dos relacionamentos no século XXI (que no fundo não devem ser assim tão diferentes daqueles do século XII: homem e mulher, ou seja duas pessoas, que se querem e todo o resto de si mesmos e do mundo a atrapalhar). Não, não é Nick Hornby, mas consegue prender a gente ao livro. Como nas suas crônicas.
domingo, março 06, 2005
Nick Hornby escreve (muito bem) sobre a cultura pop e sua influência na vida dele. Creio que gosto de seus livros porque me identifico com isso. Quinta-feira passada, convalescente de uma intoxicação alimentar, assistia tv à tarde com meu irmão e tive o prazer de poder ver Arquivo X. E ainda um dos poucos episódios da séries Clássica (1a a 5a temporadas, 6a e 7a ainda podem ser consideradas) que não tinha visto: O Serafim. Belo episódio, centrado na Scully, sobre fé. Me fez pensar nas diferenças entre religião e ciência a partir dos embates entre Mulder e Scully. Impagável ver Mulder sendo o cético da "relação". E também em como não fé e religião podem não ter nada a ver. E que fé pode ter muito a ver com ciência como no caso de Mulder e sua crença nos "homenzinhos cinzas" e própria fé de Scully que não é compreendida pela própria Igreja Católica. É por isso, porque sempre me fez pensar e descobrir fatos novos, que adoro essa série, esse produto da cultura pop. Faz parte da minha vida...
It's not a tv series
It's The X Files
It's not a tv series
It's The X Files
domingo, fevereiro 27, 2005
Já vivera a pior noite de sua vida. Mas também as duas melhores da mesma vida. Isso no meio de muitas boas e outras horríveis mas suportáveis. Tinha de admitir que, para 25 anos, estava no lucro. Mantendo a porcentagem de 50% a mais para as boas podia contar em chegar ao fim da vida terrestre com muitas lembranças inesquecíveis...
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Procuro um ponto de encontro entreo trash divertido mas manipulador Jogos Mortais e o panfletário emocionante mas também algo manipulador Mar Adentro. Talvez seja a humanidade e seus percalços que aparece, quase que sorrateira, nos dois filmes. Já no belo, triste e deprimido Menina de Ouro, a mesma humanidade e suas culpas aparece de forma plena. Clint Eastwood sabe e não tem medo (e lá Dirty Harry tem medo??) de falar de nós mesmos, com nosso sofrimentos, erros e felicidades fugazes.
(Alguém precisa bancar a adaptação de Cavaleiro da Trevas logo. O Clint tá ficando velho e por mais que devesse não via ficar aqui pra sempre, pois apesar de ser um super herói -quando li a HQ tive certeza de que só podia ser inspirada nele...- seus filmes provam o quão humano ele é!)
(Alguém precisa bancar a adaptação de Cavaleiro da Trevas logo. O Clint tá ficando velho e por mais que devesse não via ficar aqui pra sempre, pois apesar de ser um super herói -quando li a HQ tive certeza de que só podia ser inspirada nele...- seus filmes provam o quão humano ele é!)
sábado, fevereiro 19, 2005
No Refrigerador dos Mutantes encontrei a Carolina do Chico, que procurava, e também por Quase um Segundo chorei ao lembrar. Mas não foi do Cazuza (ou dos Mutantes ou Chico) que lembrei...
Luiza tinha nome de música de Tom Jobim. Como todos nós tivera seu destino traçado pelo nome escolhido por seus pais, assim acreditam alguns. Música bonita, nome bonito, menina bonita. Sempre ouvira essas frases.
Luiza conhecia Luiza desde pequena. Sempre ouvira em sua casa a música pela qual recebera seu nome e seu destino. Quando criança encantava-se com a descrição da lua. "Lua, espada nua, bóia no céu, imensa e amarela, Tão redonda a lua, como flutua, Vem navegando o azul do firmamento". Encantava-se com imagem da lua como um grande navio redondo passeando pelo céu. Sorria com o pai quando este, ao ver a lua junto com ela, cantava o trecho favorito da filha.
Mais tarde Luiza se tornou uma esperança. Apaixonava-se sempre esperando que aquele fosse ser seu "pobre amador apaixonado". Mas Luiza, filha de escritor e professora, neta de advogados, moradora de Ipanema, estudante da PUC, conhecia até alguns trovadores cheios de estrelas. Mas as estrelas tinham brilho fugaz. Luiza, para não desmentir seu destino, se fazia de difícil e esperava por aquele que se atreveria a descobrir seu coração embaixo da neve.
E Luiza ficou esperando pelo trovador que descobriria nela a rosa louca. Esquecia, logo ela estudante de Literatura, que trovadores eram figuras da Idade Média. Não entendia que se a rosa era ela, não precisava de um outro para se descobrir. E perdera-se em acreditar no destino descrito pela música. Ficou esperando pelo destino que lhe tinha sido presenteado desde o início. A música contava sua vida para que fosse em busca dela, não para que ficasse esperando por ela.
Luiza talvez devesse ter se chamado Carolina.
Luiza conhecia Luiza desde pequena. Sempre ouvira em sua casa a música pela qual recebera seu nome e seu destino. Quando criança encantava-se com a descrição da lua. "Lua, espada nua, bóia no céu, imensa e amarela, Tão redonda a lua, como flutua, Vem navegando o azul do firmamento". Encantava-se com imagem da lua como um grande navio redondo passeando pelo céu. Sorria com o pai quando este, ao ver a lua junto com ela, cantava o trecho favorito da filha.
Mais tarde Luiza se tornou uma esperança. Apaixonava-se sempre esperando que aquele fosse ser seu "pobre amador apaixonado". Mas Luiza, filha de escritor e professora, neta de advogados, moradora de Ipanema, estudante da PUC, conhecia até alguns trovadores cheios de estrelas. Mas as estrelas tinham brilho fugaz. Luiza, para não desmentir seu destino, se fazia de difícil e esperava por aquele que se atreveria a descobrir seu coração embaixo da neve.
E Luiza ficou esperando pelo trovador que descobriria nela a rosa louca. Esquecia, logo ela estudante de Literatura, que trovadores eram figuras da Idade Média. Não entendia que se a rosa era ela, não precisava de um outro para se descobrir. E perdera-se em acreditar no destino descrito pela música. Ficou esperando pelo destino que lhe tinha sido presenteado desde o início. A música contava sua vida para que fosse em busca dela, não para que ficasse esperando por ela.
Luiza talvez devesse ter se chamado Carolina.
Livremente inspirado no fim do horário de verão
Tinha sono mas não queria dormir. Lutava contra aquela sensação a qual sempre se entregara com facilidade, aos braços de Morfeu como dizia seu pai. Porque não aceitava aquele pequeno prazer que restituia suas forças e seus sonhos? Talvez porque dessa vez dormir significava matar mais rapidamente seu sonho real. Acordaria no dia seguinte, quando tudo estaria igual. Nada acontecendo. E teria mais certeza de que não o fim não era fruto de sua imaginação.
Queria duvidar para poder sonhar. Acordada.
Tinha sono mas não queria dormir. Lutava contra aquela sensação a qual sempre se entregara com facilidade, aos braços de Morfeu como dizia seu pai. Porque não aceitava aquele pequeno prazer que restituia suas forças e seus sonhos? Talvez porque dessa vez dormir significava matar mais rapidamente seu sonho real. Acordaria no dia seguinte, quando tudo estaria igual. Nada acontecendo. E teria mais certeza de que não o fim não era fruto de sua imaginação.
Queria duvidar para poder sonhar. Acordada.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
Acreditava que tudo seria mais fácil se pudesse esquecer. Ainda não vira "Brilho eterno de uma mente sem lembraças". Não sabia que no final tudo que resta são nossas memórias, aquelas dos momentos que, fosse o mundo perfeito como queria, durariam para sempre. E não sabia também que esquecendo estaria apta a viver tudo novamente, pois parece que algumas coisas (senão todas) na vida são inevitáveis (Destino? Plano Celestial?). Até mesmo a tristeza... E a inexorabilidade do amor!
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