sábado, julho 28, 2012
E os Jogos Olímpicos chegaram. Em Londres. Há 4 anos eu sonhava estar lá esse ano. Outras escolhas e cá estou. Mas, mesmo pela tv, adoro. Ainda mais que os Jogos são cada vez mais para a tv. Essa cerimônia de abertura me pareceu criada mais para ser vista como programa de televisão do que show de estádio (ou um grande teatro, mais na tradição inglesa).
E quantos personagens, reais e ficcionais, a Grã-Bretanha tem, hein? Fiquei pensando isso enquanto assistia ao vt da abertura, que não pude ver na hora. E agora um jogo já de contornos dramáticos: BrasilxTurquia, no vôlei feminino. 2x2, sendo que o Brasil teve o quarto set nas mãos... Vou torcer nesse quinto set.
segunda-feira, julho 09, 2012
domingo, julho 08, 2012
Uma Secretária de Futuro, no ar agora no TCM. Nos Bastidores da Notícia. A escolha feminina dos anos 80: carreira ou amor? Eu sou fruto desses filmes da minha adolescência. Ou eu já gostava dessas histórias pois já me identificava (nosso psiquismo já está formado aos 5 anos...) com essas escolhas.
Talvez me ajudem a entender esse presente que construí.
Talvez me ajudem a entender esse presente que construí.
terça-feira, maio 22, 2012
sábado, maio 19, 2012
sábado, maio 12, 2012
Reler o próprio blog e perceber o quanto é preciso ler, ouvir, ver, sentir mais pois "viver não é preciso". E às vezes as produções artísticas permitem que encontremos não a precisão, mas ao menos alguma pista da direção que tomamos, fazendo, repetindo, o que queremos e nos surpreendendo ainda assim.
sábado, maio 29, 2010
Como escrever um blog em tempos de twitter? Como não se render à urgência e praticidade de 140 caracteres? Ou guardar as palavras, a vida da exposição imediata, para uma tentativa, só um pouco, mas não muito, elaborada? Não, o twitter permite elaborações em 140 caracteres, perfis falsos que fazem mais sucesso que os "verdadeiros". Entao um blog talvez seja apenas uma ferramenta já antiga, em tempos de alta modernidade 10 anos podem ser como um século. Manter um blog então pode ser apenas um capricho quase vintage (dixage?).
Vou tentar retomar.
domingo, novembro 22, 2009
domingo, outubro 18, 2009
E lá vem mais um verão, a mudança de horário anunciando o sol, o calor, a excitação carioca. Nada mais de tardes frescas, o melhor que você pode conseguir a partir de agora é um vento na praia. A luz muda, tudo muito amarelo, solar, alguns tons avermelhados no final da tarde. Tudo tem vida, às vezes quase que vida demais, no verão carioca. A cidade arde à 40 graus, completa sua vocação de perdição. E nós sonhamos ser organizados o bastante para as Olimpíadas. E eu continuo uma carioca torta, que prefere a cidade em suas estações amenas.
Mas o que importa é que temos uma hora a mais de sol e eu vou precisar de vestidos para o verão.
Mas o que importa é que temos uma hora a mais de sol e eu vou precisar de vestidos para o verão.
segunda-feira, julho 13, 2009
Roberto Carlos em momento Wando. Em 50 anos há muitas fases...
Cama E Mesa
composição: Roberto Carlos - Erasmo Carlos
Eu quero ser sua cançãoEu quero ser seu tom
Me esfregar na sua boca
Ser o seu batom...
O sabonete que te alisa
Embaixo do chuveiro
A toalha que desliza
No seu corpo inteiro...
Eu quero ser seu travesseiro
E ter a noite inteira
Pra te beijar durante
O tempo que você dormir
Eu quero ser o sol que entra
No seu quarto adentro
Te acordar devagarinho
Te fazer sorrir...
Quero estar na maciez
Do toque dos seus dedos
E entrar na intimidade
Desses seus segredos
Quero ser a coisa boa
Liberada ou proibida
Tudo em sua vida...
Eu quero que você me dê
O que você quiser
Quero te dar tudo
Que um homem dá
Pra uma mulher
E além de todo esse carinho
Que você me faz
Fico imaginando coisas
Quero sempre mais...
Você é o doce
Que eu mais gosto
Meu café completo
A bebida preferida
O prato predileto
Eu como e bebo do melhor
E não tenho hora certa
De manhã, de tarde
À noite, não faço dieta...
Esse amor que alimenta
Minha fantasia
É meu sonho, minha festa
É minha alegria
A comida mais gostosa
O perfume e a bebida
Tudo em minha vida...
Todo homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...
Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida
Na justa medida...
O homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...
Mas o homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...
Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida
Na justa medida...
domingo, maio 31, 2009
Mais uma rádio interessante do Rio de Janeiro se vai.
Bye, bye Antena 1.
Fica na memória (e na internet, essa criação que armazena um mundo, como uma memória coletiva), com as músicas que conheci ouvindo a rádio desde a adolescência.
Passa tempo, passa e leva tantas coisas. Deixe ao menos as lembranças. E as músicas e artes outras que reavivam a memória e nos permitem conhecer até o que não vivemos.
Bye, bye Antena 1.
Fica na memória (e na internet, essa criação que armazena um mundo, como uma memória coletiva), com as músicas que conheci ouvindo a rádio desde a adolescência.
Passa tempo, passa e leva tantas coisas. Deixe ao menos as lembranças. E as músicas e artes outras que reavivam a memória e nos permitem conhecer até o que não vivemos.
American Pie
Don Mclean
A long, long time ago...
I can still remember
How that music used to make me smile.
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance
And, maybe, theyd be happy for a while.
But february made me shiver
With every paper Id deliver.
Bad news on the doorstep;
I couldnt take one more step.
I cant remember if I cried
When I read about his widowed bride,
But something touched me deep inside
The day the music died.
So bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.
Did you write the book of love,
And do you have faith in God above,
If the Bible tells you so?
Do you believe in rock n roll,
Can music save your mortal soul,
And can you teach me how to dance real slow?
Well, I know that youre in love with him
`cause I saw you dancin in the gym.
You both kicked off your shoes.
Man, I dig those rhythm and blues.
I was a lonely teenage broncin buck
With a pink carnation and a pickup truck,
But I knew I was out of luck
The day the music died.
I started singin,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.
Now for ten years weve been on our own
And moss grows fat on a rollin stone,
But thats not how it used to be.
When the jester sang for the king and queen,
In a coat he borrowed from james dean
And a voice that came from you and me,
Oh, and while the king was looking down,
The jester stole his thorny crown.
The courtroom was adjourned;
No verdict was returned.
And while lennon read a book of marx,
The quartet practiced in the park,
And we sang dirges in the dark
The day the music died.
We were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.
Helter skelter in a summer swelter.
The birds flew off with a fallout shelter,
Eight miles high and falling fast.
It landed foul on the grass.
The players tried for a forward pass,
With the jester on the sidelines in a cast.
Now the half-time air was sweet perfume
While the sergeants played a marching tune.
We all got up to dance,
Oh, but we never got the chance!
`cause the players tried to take the field;
The marching band refused to yield.
Do you recall what was revealed
The day the music died?
We started singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.
Oh, and there we were all in one place,
A generation lost in space
With no time left to start again.
So come on: jack be nimble, jack be quick!
Jack flash sat on a candlestick
Cause fire is the devils only friend.
Oh, and as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage.
No angel born in hell
Could break that satans spell.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite,
I saw satan laughing with delight
The day the music died
He was singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.
I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news,
But she just smiled and turned away.
I went down to the sacred store
Where Id heard the music years before,
But the man there said the music wouldnt play.
And in the streets: the children screamed,
The lovers cried, and the poets dreamed.
But not a word was spoken;
The church bells all were broken.
And the three men I admire most:
The father, son, and the holy ghost,
They caught the last train for the coast
The day the music died.
And they were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.
They were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.
PS: Essa música traça uma certa história do rock, cheia de citações. Há páginas que se dedicam a explicar cada citação. Na busca pela transcrição da música para essa postagem, deparei-me com uma página com uma versão bizarra de que a música seria sobre "a destrição dos Estados Unidos como uma nação livre". Sempre existe espaço para coisas estranhas: http://www.orwelltoday.com/americanpiesong.shtml
sexta-feira, dezembro 19, 2008
"E aos 29 com o returno de Saturno
Decidi começar a viver..."
29, Legião Urbana
Decidi começar a viver..."
29, Legião Urbana
De repente, antes tarde do que nunca, você descobre que não sabe amar e que precisa aprender, porque a vida começa a ficar muito chata centrada só em você mesma. Você finalmente entende que as pessoas morrem e que você realmente não tem poder para impedir a morte. Nem a dor e a tristeza, que não são mais sentimentos advindos da razão ou da arte, mas forças próprias que tomam seu corpo. Talvez o amor seja uma dor feliz e você precise apenas se aventurar. Definir-se menos pelo que faz e mais pelo que sente. Viver sonhos ao invés de sonhar a vida.
Que venha 2009 e meus trinta anos. Quem sabe eu me livre dos meus próprios clichês.
Que venha 2009 e meus trinta anos. Quem sabe eu me livre dos meus próprios clichês.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
E se fosse verdade...
Se fosse verdade, como no filme, que o desencontro fatídico do amor não impede a sua realização? E que um novo encontro acontece, sempre, como uma segunda chance?
Se isso fosse verdade o paraíso também poderia ser. E avós iriam para lá...
A gente tem que acreditar em algumas coisas.
Se fosse verdade, como no filme, que o desencontro fatídico do amor não impede a sua realização? E que um novo encontro acontece, sempre, como uma segunda chance?
Se isso fosse verdade o paraíso também poderia ser. E avós iriam para lá...
A gente tem que acreditar em algumas coisas.
domingo, novembro 30, 2008
Quando se atreveu a sair de casa, após dias enclasurada junto a tristeza, melancolia, choro e falta de apetite, descobriu que o mundo a sua volta continuara rodando, apesar de todo o seu sofrimento. Ele lhe deixara só, após 5 anos de vida conjugal. Conjugal, isto é, vida conjugada. Ela conjugara a sua vida a dele. Dedicara-lhe seu amor, sua atenção, seu tempo, sua decisões. Deixara de ser independente para se tornar dele. Por cinco anos se sentiu uma personagem de romances românticos, uma mulher cuja vida dependia do homem de sua vida. Vivera feliz, da forma como durante anos, cética, duvidara que houvesse fora dos romances e filmes. Adorava dizer que ele era "seu senhor", num chiste que carregava toda verdade de seu sentimento de entrega.
Mas ele foi embora. Dizendo que amava mas que estava insatisfeito, triste, em crise de 37 anos. E ela nem conseguiu odiá-lo. Só chorou. Lembrou-se de uma sensação infantil, de abandono, um medo que devia ter sentido quando bebê. Ele lhe proporcionara os dias mais felizes de sua vida, para terminar com os mais tristes. Uma semana de tristeza profunda, de Tylenol diário para dor de cabeça, de pensar em um Rivoltril para fingir esquecer. Mas ela não era do tipo que queria esquecer. Queria chorar, chorar, chorar, imaginando que aquilo tudo fosse um pesadelo, que iria acordar para encontrá-lo dormindo ao seu lado, como sempre. Como nunca, a partir de então.
Chorou por sete dias, amparada pela família, amigos e pelo Tylenol. Se alimentou de chocolates da Kopenhagem, um prazer que era puro gozo, pois comia desejando vê-lo adentrar o apartamento e sorrir dizendo que então era assim, facilmente substituído por um bombom de licor, e então abraçá-la e beijá-la, dizendo que nunca mais cometeria o desatino de deixá-la.
Ele não apareceu, escreveu 3 emails e uma mensagem de celular perguntando se ela estava bem. Ela respondeu apenas, Não. Com amor., e um verso de Against all Odds, porque nenhuma canção mais elaborada vinha a sua cabeça como traduação da sua dor. "As canções mais tolas, tendo seus defeitos, sabem diagnosticar, o que vai no peito." Ela já lhe citara os versos de Lulu Santos, sabia que ele entenderia os de Phil Collins, mesmo não gostando muito de nenhum dos dois. Agora, pelo visto, também não gostava muito dela.
Mas hoje ela precisava trabalhar. Não podia mais faltar. Não podia arriscar perder seu emprego, após perder o amor. Vestiu-se da melhor forma possível, para parecer melhor do que estava, o que acabava entregando tudo de forma contrária. Chorou um pouco na frente do espelho, desejando de forma mágica que aquelas fossem as últimas lágrimas. A dor em algum lugar no meio do seu corpo a lembrava de que ainda seriam necessárias muitas lágrimas para aplacar aquilo que parecia um buraco interior. Engraçado como se pode sentir dor só emocional. Não havia lesões, machucados ou cortes aparentes no seu corpo. Mas em algum lugar, nem bem interno, nem bem externo, no corpo mesmo, só que sem aparecer, ela estava simplesmente despedaçada. Quando se doa si próprio a um outro e esse outro um dia simplesmente vai embora de você, é como se o corpo se esvasiasse, como se fosse só uma fantasia, uma capa, a ser preenchida. Ele a prenchera durante cinco anos. Mas, como com o Elefante de Drummond:
"caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual muito desmontado. "
O amor dele fora sua cola, mas secara. E agora, ainda que desomoronada e catando pedaços emocionais de si mesma, precisava recomeçar. E o amanhã já era hoje.
O mundo, na sua microsfera carioca, não esperava por ela, as pessoas passavam sem nem mesmo notar-lhe os olhos vermelhos, as lágrimas furtivas. Sozinha de novo, teria de se haver com a sua vida inserida nesse Rio, onde até o sol e o céu azul pareciam desdenhar de seu sofrimento. Tinha um ônibus para pegar.
Mas ele foi embora. Dizendo que amava mas que estava insatisfeito, triste, em crise de 37 anos. E ela nem conseguiu odiá-lo. Só chorou. Lembrou-se de uma sensação infantil, de abandono, um medo que devia ter sentido quando bebê. Ele lhe proporcionara os dias mais felizes de sua vida, para terminar com os mais tristes. Uma semana de tristeza profunda, de Tylenol diário para dor de cabeça, de pensar em um Rivoltril para fingir esquecer. Mas ela não era do tipo que queria esquecer. Queria chorar, chorar, chorar, imaginando que aquilo tudo fosse um pesadelo, que iria acordar para encontrá-lo dormindo ao seu lado, como sempre. Como nunca, a partir de então.
Chorou por sete dias, amparada pela família, amigos e pelo Tylenol. Se alimentou de chocolates da Kopenhagem, um prazer que era puro gozo, pois comia desejando vê-lo adentrar o apartamento e sorrir dizendo que então era assim, facilmente substituído por um bombom de licor, e então abraçá-la e beijá-la, dizendo que nunca mais cometeria o desatino de deixá-la.
Ele não apareceu, escreveu 3 emails e uma mensagem de celular perguntando se ela estava bem. Ela respondeu apenas, Não. Com amor., e um verso de Against all Odds, porque nenhuma canção mais elaborada vinha a sua cabeça como traduação da sua dor. "As canções mais tolas, tendo seus defeitos, sabem diagnosticar, o que vai no peito." Ela já lhe citara os versos de Lulu Santos, sabia que ele entenderia os de Phil Collins, mesmo não gostando muito de nenhum dos dois. Agora, pelo visto, também não gostava muito dela.
Mas hoje ela precisava trabalhar. Não podia mais faltar. Não podia arriscar perder seu emprego, após perder o amor. Vestiu-se da melhor forma possível, para parecer melhor do que estava, o que acabava entregando tudo de forma contrária. Chorou um pouco na frente do espelho, desejando de forma mágica que aquelas fossem as últimas lágrimas. A dor em algum lugar no meio do seu corpo a lembrava de que ainda seriam necessárias muitas lágrimas para aplacar aquilo que parecia um buraco interior. Engraçado como se pode sentir dor só emocional. Não havia lesões, machucados ou cortes aparentes no seu corpo. Mas em algum lugar, nem bem interno, nem bem externo, no corpo mesmo, só que sem aparecer, ela estava simplesmente despedaçada. Quando se doa si próprio a um outro e esse outro um dia simplesmente vai embora de você, é como se o corpo se esvasiasse, como se fosse só uma fantasia, uma capa, a ser preenchida. Ele a prenchera durante cinco anos. Mas, como com o Elefante de Drummond:
"caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual muito desmontado. "
O amor dele fora sua cola, mas secara. E agora, ainda que desomoronada e catando pedaços emocionais de si mesma, precisava recomeçar. E o amanhã já era hoje.
O mundo, na sua microsfera carioca, não esperava por ela, as pessoas passavam sem nem mesmo notar-lhe os olhos vermelhos, as lágrimas furtivas. Sozinha de novo, teria de se haver com a sua vida inserida nesse Rio, onde até o sol e o céu azul pareciam desdenhar de seu sofrimento. Tinha um ônibus para pegar.
sábado, novembro 29, 2008
"Por uma estranha alquimia, você e outros elementos..."
Quase - Caetano Veloso
Quero escrever um texto que sublime meu sentimento. Transformar em palavras um querer, desejo de encontro, descoberta de um novo alguém. Isso que faz sorrir à toa e incomoda ao mesmo tempo. Que faz ansiar que o outro também queira, se interesse. Fantasiar possibilidades. Sonhar acordada. E dormindo. Um querer que se baseia em um quase nada.
Continuo tentando...
Quase - Caetano Veloso
Quero escrever um texto que sublime meu sentimento. Transformar em palavras um querer, desejo de encontro, descoberta de um novo alguém. Isso que faz sorrir à toa e incomoda ao mesmo tempo. Que faz ansiar que o outro também queira, se interesse. Fantasiar possibilidades. Sonhar acordada. E dormindo. Um querer que se baseia em um quase nada.
Continuo tentando...
domingo, novembro 23, 2008
Romance
Se "Eu, meu irmão e nossa namorada" (o título original é tão melhor...) se faz interessante a partir da atuação de Steve Carel, pode-se, e não ao mesmo tempo, dizer o mesmo de Romance e a atuação de Wagner Moura. Romance, diferente da comédia quase água com açúcar americana, é um bom filme, talvez ótimo mesmo, com um rotiero inteligente, numa muito interessante união dos estilos multirreferenciais de Guel Arraes e Jorge Furtado, e boas atuações de um ótimo elenco. Elenco ótimo, atuações "apenas" boas? É. Culpa do Wagner Moura, cuja paixão romantica transborda de tal forma pelo filme que deixa todos os outros colegas de cena parecendo meio caricatos, frente a verdade de sua representação. Wagner parece atuar como seu personagem define o amor: verdade e representação ao mesmo tempo. Seja como for, é contagiante, apaixonante vê-lo na tela. Pena que ofusca um pouco os outros em cena. Ou talvez essa tenha sido a meta da direção: colocar os amantes, Pedro e cAna (Letícia Sabatella sustenta muitíssimo bem o par romântico!) como centro de verdade do filme, ou talvez eles também sejam caricatos enquanto representação de um amor tão romântico. O roteiro hiperreferencial joga sempre com a idealização do amor romantico, a partir do mito de Tristão e Isolda, cuja montagem teatral é o mote inicial do encontro dos amantes e base para todo o roteiro.
Um filme mais sóbrio visualmente que o anterior "Lisbela e o Prisioneiro", mas que no fundo segue a mesma linha, num misto de filme com apelo popular mas que nos brinda com algo mais interessante que entretenimento vazio.
Se "Eu, meu irmão e nossa namorada" (o título original é tão melhor...) se faz interessante a partir da atuação de Steve Carel, pode-se, e não ao mesmo tempo, dizer o mesmo de Romance e a atuação de Wagner Moura. Romance, diferente da comédia quase água com açúcar americana, é um bom filme, talvez ótimo mesmo, com um rotiero inteligente, numa muito interessante união dos estilos multirreferenciais de Guel Arraes e Jorge Furtado, e boas atuações de um ótimo elenco. Elenco ótimo, atuações "apenas" boas? É. Culpa do Wagner Moura, cuja paixão romantica transborda de tal forma pelo filme que deixa todos os outros colegas de cena parecendo meio caricatos, frente a verdade de sua representação. Wagner parece atuar como seu personagem define o amor: verdade e representação ao mesmo tempo. Seja como for, é contagiante, apaixonante vê-lo na tela. Pena que ofusca um pouco os outros em cena. Ou talvez essa tenha sido a meta da direção: colocar os amantes, Pedro e cAna (Letícia Sabatella sustenta muitíssimo bem o par romântico!) como centro de verdade do filme, ou talvez eles também sejam caricatos enquanto representação de um amor tão romântico. O roteiro hiperreferencial joga sempre com a idealização do amor romantico, a partir do mito de Tristão e Isolda, cuja montagem teatral é o mote inicial do encontro dos amantes e base para todo o roteiro.
Um filme mais sóbrio visualmente que o anterior "Lisbela e o Prisioneiro", mas que no fundo segue a mesma linha, num misto de filme com apelo popular mas que nos brinda com algo mais interessante que entretenimento vazio.
segunda-feira, novembro 03, 2008
Eu, meu irmão e a nossa namorada / Dan in real life
No início deste ano de 2008 um pequeno filme independente fez sucesso nos cinemas brasileiros, capitaneado por uma boa propaganda e críticasidem. Juno contava uma história meio agridoce da adolescente homônimaque engravidava de um rapaz que nem se podia dizer ser seu namorado,de tão imaturo. As saídas encontradas pela adolescente para essa"crise", suas relações com figuras mais velhas, não necessariamente mais maduras que ela, somadas ao olhar irônico, mas ao mesmo tempo doce e romântico sobre aqueles personagens garantiram ao filme sucesso. Some-se a isso a trilha sonora inspirada, folk-independentemeio anos 1970, à lá Belle e Sebastian. Enfim, receita de filme independente americano que incomoda um pouquinho (bem pouquinho, é verdade, um Todd Solodnoz bem leve) mas faz sorrir na medida certa.
E agora temos um filme cujo título brasileiro é "Eu, meu irmão e anossa namorada", indicando a possibilidade de mais uma comédia americana, podendo variar de uma simples bobeira ao estilo revitalizado do escracho do fim da década de 1970 início de 1980 de John Landis e a o grupo de comediantes saídos do Saturday Night Live (John Belushi, Dan Akcroyd, Steve Martin,...), que retornou com o grupo do BratPack (Ben Stiller e companhia, também saídos do SNL, em filmes como O Âncora). Steve Carel, estrela deste "Dan in real life" (o título original já entrega quepode haver alguma coisa menos comédia escrachada de troca denamorada), talvez ajude a pensar em comédia de trejeitos, devido ao seu currículo de filmes de comédia escrachada (Virgem de 40 anos, ...). Mas, qual o que, o filme é na verdade uma comédia romântica, ou comédia de situações! E o fato de ter como atriz principal a francesa Juliette Binoche também faz duvidar da comédia pura. E a dúvida temsua razão pois "Dan in real life" por vezes se aproxima de uma comédia mais refinada, e por isso a citação inicial de Juno. Como o filme"independente" do início do ano, este também tem uma trilha sonoracaprichada, com tom folk-independente, em versão menos adolescente de Sondre Lerche (de quem eu nunca tinha ouvido falar até ler os créditosdo filme, mas que gostei bastante).
Pena que essa aproximação não se concretize, o roteiro é de comédiamesmo, de situações/confusões familiares, com um romance para condimentar. Talvez tivesse passado desapercebido, talvez tivesse sidolançado diretamente em vídeo no Brasil (tenho me surpreendido na locadora com pequenos bons filmes que chegam direto lá), talvez nem tivesse sido grande coisa, não fosse um detalhe, ou alguns: a atuação de Steve Carel, e de quebra de todo o elenco. Se em algum momento osprodutores pensaram que o diferencial do filme seria a presença francesa de Juliete Binoche, ao final devem ter visto o quanto se enganaram. Juliete não faz feio, mas sem dúvida é muito menos "francesa" do que se poderia imaginar. Isso não é novidade, é a mesma distorção que o cinema americano fez com Penélope Cruz, que precisouvoltar à Espanha, guiada por Almodóvar, para voltar a ser espanhola. Mas se Juliete não rouba o filme com seu charme francês, pelo menos éguiada por ele pelo charme americano de um Steve Carel (as críticas do final de semana já fizeram, mais uma vez, o paralelo dele e JimCarrey, outro comediante que também se mostrou ótimo em personagens dramáticos) adorável no papel do Dan do título, um americano "de nível superior", intelectual, escritor, viúvo com 3 filhas, que sempre sabe o que é o certo, sempre racional, mas que se vê arrebatado pela emoção de um encontro, de um enamoramento por uma desconhecida, numa livraria. O fato previsível de que esta desconhecida é a tal namorada do irmão (já entregue em no título brasileiro) e toda a série também previsível de eventos que acontecerão a partir daí não incomodam a nossa inteligência de espectador pelo simples fato de que já estamos, talqual o Dan de Carel, arrebatados pela emoção, pelo encantamento comaqueles personagens adoráveis, em espacial pela doçura dainterpretação de Carel. Deixamos a razão de lado, perdoamos as saídas fáceis do roteiro e tal qual parece ter feito o diretor do filme, nosdeixamos levar pela emoção do encontro de atores fazendo nada além de boas atuações em um pequeno filme salvo por eles do esquecimentocompleto. De pequenos encontros furtivos e emoções também se fazem filmes, que mesmo não incomodando tanto quanto os "independentes" (porque esses têm de ter roteiros sérios, que abordam temas"polêmicos"), podem fazer sorrir e até pensar um pouquinho no quanto fazemos planos e esquecemos de nos surpreender. Surpresas que podemestar numa comédia quase boba recheada de atuações adoráveis! Como navida real, pessoas aparentemente bobas podem ser adoráveis e surpreendentes.
domingo, outubro 26, 2008
Só um comentário: digam o que disserem, façam o que fizerem os irmãos Gallagher, nada muda o fato de que Oasis é a tradução de uma certa década de 1990 em seus primeiros albuns. Wonderwall simplesmente é 1996 para mim, o início da faculdade, os amigos, as novidades de um novo momento de vida. Tudo isso revivido em uma música. Mas também em Champgne Supernova, Don´t Look Back in Anger,...
You tube: Wonderwall (Oasis)
You tube: Wonderwall (Oasis)
domingo, setembro 28, 2008
O que fazer da vida
Senão vivê-la?
Viver
“Sonhar talvez”
O que fazer do sonho
Se sonhar parece pouco?
Se contamina a vida
De angústia
De desejo
O que fazer do desejo
Senão realizá-lo?
Viver, realizando o desejo impossível dos sonhos.
Senão vivê-la?
Viver
“Sonhar talvez”
O que fazer do sonho
Se sonhar parece pouco?
Se contamina a vida
De angústia
De desejo
O que fazer do desejo
Senão realizá-lo?
Viver, realizando o desejo impossível dos sonhos.
"We are such stuff
As dreams are made on; and our little life
Is rounded with a sleep."
William Shakespeare, The Tempest, Act 4, Scene 1.
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