domingo, agosto 02, 2015
Eu achei Mad Max - Estrada da Fúria violento, praticamente um filme de terror. Ele é isso. É um ótimo filme, cuja sequência de abertura flerta com a linguagem de video-games tornando-a cinema. Mas aí hoje, mudando canais numa tarde domingo, eu acabei vendo o primeiro Mad Max. Filme australiano, de baixo orçamento, do ano em que nasci. E que já era um filme violento, quase de terror (passa na HBO com restrição para menores de 18 anos). Só que a ideia do futuro distópico de 36 anos atrás parece quase normal hoje (futuro distópico, aqui estamos?!). Já deve ter alguma boa análise da filmografia Mad Maxiana do diretor George Miller por aí. Vou procurar...
terça-feira, julho 07, 2015
Pressionar o governo instituído é parte do jogo político-democrático da oposição. Gritar, xingar, ameaçar, tudo isso é jogo baixo mas é do jogo, o partido vencedor bem o fez nas eleições do ano passado. Mas flertar com ideias golpistas e fundamentalistas pode ser perigoso para todos. Eu não vivi o golpe de 1964, mas eu tenho lembranças importantes de uma infância marcada pelas notícias da redemocratização, e da morte do Tancredo e da inflação e do resultado collorido de 1989. E eu quero crer que o povo aprendeu algo com o golpe, que as elites, por mais que nesse lugar queriam ficar e se sintam ameaçadas por um povo que pensa e demanda mais seus direitos e a divisão das riquezas, não flertariam com o desastre de mexer com forças retrógradas mais uma vez. Eu quero acreditar. Não deve ser a toa que Arquivo X vai voltar.
quinta-feira, junho 18, 2015
segunda-feira, janeiro 27, 2014
Esse texto é de 29/01/2002 e de repente pareceu bem atual. Por isso a repostagem.
"Além disso, segundo a pesquisa apresentada por Kofi Annan à ONU durante a Assembléia do Milênio, dois terços dos cidadõas do mundo (incluindo os das democracias ocidentais) não se consideram representados por seus governantes. O que dizem os movimentos antiglobalização, portanto, é que essa democracia, embora necessária para a maioria, é insuficiente aqui e agora."
Manuel Castells, tradução de Sergio Molina, in Mais! - Folha de São Paulo, 27/01/2002
Nossa Contituição (a última, de 1988) torna possível, e até mesmo encoraja, através de diversos mecanismos, uma maior participação da população nas decisões dos poderes Legislativo, executivo e até mesmo Judiciário. Isso se dá através da criação de Conselhos, cujos participantes são a prórpia população, que têm poder de fiscalizar e sugerir mudanças nesses Poderes.
Aparentemente, é uma ótima inicativa, e os constituintes estavam certos ao tornar possível tal tipo de controle da população sobre seus representantes. O único problema, ao que me parece, é que isso também se torna mais uma obrigação, um fardo do povo. Se já somos obrigados a escolher nossos representantes do Legislativo e Executivo, se confiamos a essas pessoas o poder de decidir o rumo do país (e portanto, em certo grau, de nossas próprias vidas) provemos a elas salários mais do que condizentes a tal responsabilidade, porque ainda temos de ser intimados a fiscalizar o trabalho que fazem?
O povo brasileiro, na sua maioria, trabalha no mínimo 8 horas por dia para ganhar muito, muito menos que os políticos e ao mesmo tempo são os impostos (diretos e indiretos) que pagam responsáveis pelos altos salários pagos nas esferas do poder. E além de trabalhar para pagar pela representação, além de confiar (quase cegamente) nessa representação, ainda se espera que o povo fiscalize constantemente seus representantes. Porque é pela não fiscalização, por não exercer plenamente seu direito de cidadania que o povo é enganado por políticos corruptos.
Essa é uma forma de entender o problema da corrupção no país. Uma forma canalha que, assim como tem sido feito com a atual epidemia de dengue, joga toda a culpa no povo. É o povo que não se utiliza dos meios de fiscalização que lhe foram dados, é o povo que mantém água parada em casa.
É claro que todos nós temos uma parcela de culpa. O país é o seu povo, manipulado ou não, é o povo que faz o país, não o contrário. Mas não se pode querer exigir demais das pessoas. É demagogia barata esperar que um povo mal instruído (talvez até mal educado), que tem de se virar como pode para conseguir sobreviver com o mínimo resquício de dignidade, ainda encontre tempo para se preocupar com o que os governantes fazem ou deixam de fazer em seu nome. As pessoas realmente acreditam que ao votar estão confiando seu futuro a alguém mais capacitado que elas (e talvez aí resida o porque das constantes derrotas de Lula, o povo quer gente que pareça mais inteligente que ele, não confiamos em nós mesmos!) de forma tal que se os representantes, mais inteligentes, não sabem o que fazer, como essas pessoas "incapacitadas" podem saber?
E assim, a elite dominante continua encontrando formas de fazer o que bem entende, ao mesmo tempo que torna o país mais civilizado e moderno, "para inglês ver".
Não adianta criar leis modernas e justas se o povo não é capaz de entendê-las e utilizá-las...
Uma música para terminar...
Natália
Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá
Vamos falar de pesticidas
E de tragédias radioativas
De doenças incuráveis
Vamos falar de sua vida
Preste atenção ao que eles dizem
Ter esperança é hipocrisia
A felicidade é uma mentira
E a mentira é a salvação
Beba desse sangue imundo
E você conseguirá dinheiro
E quando o circo pega fogo
Somos os animais na jaula
Mas você só quer algodão-doce
Não confunda ética com éter
Quando penso em você eu tenho febre
Mas quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Mas quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
É complicado estar só
Quem está sozinho que o diga
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida
Quanto tudo é solidão
É preciso acreditar num novo dia
Na nossa grande geração perdida
Nos meninos e meninas
Nos trevos de quatro folhas
A escuridão ainda é pior que essa luz cinza
Mas estamos vivos ainda
E quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
"Além disso, segundo a pesquisa apresentada por Kofi Annan à ONU durante a Assembléia do Milênio, dois terços dos cidadõas do mundo (incluindo os das democracias ocidentais) não se consideram representados por seus governantes. O que dizem os movimentos antiglobalização, portanto, é que essa democracia, embora necessária para a maioria, é insuficiente aqui e agora."
Manuel Castells, tradução de Sergio Molina, in Mais! - Folha de São Paulo, 27/01/2002
Nossa Contituição (a última, de 1988) torna possível, e até mesmo encoraja, através de diversos mecanismos, uma maior participação da população nas decisões dos poderes Legislativo, executivo e até mesmo Judiciário. Isso se dá através da criação de Conselhos, cujos participantes são a prórpia população, que têm poder de fiscalizar e sugerir mudanças nesses Poderes.
Aparentemente, é uma ótima inicativa, e os constituintes estavam certos ao tornar possível tal tipo de controle da população sobre seus representantes. O único problema, ao que me parece, é que isso também se torna mais uma obrigação, um fardo do povo. Se já somos obrigados a escolher nossos representantes do Legislativo e Executivo, se confiamos a essas pessoas o poder de decidir o rumo do país (e portanto, em certo grau, de nossas próprias vidas) provemos a elas salários mais do que condizentes a tal responsabilidade, porque ainda temos de ser intimados a fiscalizar o trabalho que fazem?
O povo brasileiro, na sua maioria, trabalha no mínimo 8 horas por dia para ganhar muito, muito menos que os políticos e ao mesmo tempo são os impostos (diretos e indiretos) que pagam responsáveis pelos altos salários pagos nas esferas do poder. E além de trabalhar para pagar pela representação, além de confiar (quase cegamente) nessa representação, ainda se espera que o povo fiscalize constantemente seus representantes. Porque é pela não fiscalização, por não exercer plenamente seu direito de cidadania que o povo é enganado por políticos corruptos.
Essa é uma forma de entender o problema da corrupção no país. Uma forma canalha que, assim como tem sido feito com a atual epidemia de dengue, joga toda a culpa no povo. É o povo que não se utiliza dos meios de fiscalização que lhe foram dados, é o povo que mantém água parada em casa.
É claro que todos nós temos uma parcela de culpa. O país é o seu povo, manipulado ou não, é o povo que faz o país, não o contrário. Mas não se pode querer exigir demais das pessoas. É demagogia barata esperar que um povo mal instruído (talvez até mal educado), que tem de se virar como pode para conseguir sobreviver com o mínimo resquício de dignidade, ainda encontre tempo para se preocupar com o que os governantes fazem ou deixam de fazer em seu nome. As pessoas realmente acreditam que ao votar estão confiando seu futuro a alguém mais capacitado que elas (e talvez aí resida o porque das constantes derrotas de Lula, o povo quer gente que pareça mais inteligente que ele, não confiamos em nós mesmos!) de forma tal que se os representantes, mais inteligentes, não sabem o que fazer, como essas pessoas "incapacitadas" podem saber?
E assim, a elite dominante continua encontrando formas de fazer o que bem entende, ao mesmo tempo que torna o país mais civilizado e moderno, "para inglês ver".
Não adianta criar leis modernas e justas se o povo não é capaz de entendê-las e utilizá-las...
Uma música para terminar...
Natália
Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá
Vamos falar de pesticidas
E de tragédias radioativas
De doenças incuráveis
Vamos falar de sua vida
Preste atenção ao que eles dizem
Ter esperança é hipocrisia
A felicidade é uma mentira
E a mentira é a salvação
Beba desse sangue imundo
E você conseguirá dinheiro
E quando o circo pega fogo
Somos os animais na jaula
Mas você só quer algodão-doce
Não confunda ética com éter
Quando penso em você eu tenho febre
Mas quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Mas quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
É complicado estar só
Quem está sozinho que o diga
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida
Quanto tudo é solidão
É preciso acreditar num novo dia
Na nossa grande geração perdida
Nos meninos e meninas
Nos trevos de quatro folhas
A escuridão ainda é pior que essa luz cinza
Mas estamos vivos ainda
E quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
sábado, novembro 02, 2013
sexta-feira, novembro 01, 2013
segunda-feira, agosto 05, 2013
Ainda sobre Divórcio.
Trata-se de um livro atual em sua defesa da ética nas relações humanas e na crítica ao jornalismo da "grande mídia" que se faz no Brasil e no mundo. Ricardo Lisias responde à reportagem do Globo de ontem (04/07/2013) sobre a Mídia Ninja. A matéria sugere, de forma nada sutil, que a Mídia Ninja coloca a democracia em risco. Lisias, em seu livro, nos faz questionar de qual jornalismo democrático estamos falando. De um jornalismo promíscuo, que resguarda o pseudo-anonimato de "fontes", sem questionar ou investigar as informações?
Os Ninjas mostram sua cara em reuniões abertas, divulgadas e transmitidas ao vivo pela internet.
Divórcio é um livro político.
domingo, agosto 04, 2013
Termino de ler Divórcio, de Ricardo Lisias, e em algum lugar da rua um vizinho está a ouvir Cartola, na voz de Beth Carvalho. E de repente, no Rio de Janeiro, a trilha sonora não poderia ser mais apropriada, ainda mais com a música específica, O mundo é um moinho, e seu verso: "De cada amor tu herdarás só cinismo".
Lisias transforma o cinismo e o abismo do fim do amor em literatura. Sua narrativa (re?)constrói a dor, a raiva e o caminho de aceitação.
quarta-feira, julho 24, 2013
Última postagem há menos de 6 meses e nesse meio tempo uma dissertação foi escrita, defendida e aceita pela banca. Da angústia algo se criou.
E um povo se rebelou. Não só no Brasil, na Turquia e outros já há alguns anos. Mas aqui no Brasil, quase que do nada (mas nem tanto), em junho, tudo começou. E o Rio hoje parece ter tomado a frente, lugar já ocupado pelas populações de São Paulo (no início de tudo, na passeata do dia 13/06) e Belo Horizonte (nas manifestações me dias de jogos da Copa das Confederações), e que ainda há de ser ocupado pelos cidadãos de outras cidades do país. Hoje temos uma cidade com Papa, com peregrinos cantores pelas ruas e com pessoas que debatem política na padaria, buscando entender (o que ninguém ainda entende muito bem), participar, se posicionar. Ao mesmo tempo, assim do nada (será?), surgem resposta violentas e um certo medo de que não se pode falar "qualquer" coisa, não só nas ruas, mas principalmente na internet. Um medo que eu sempre achei que era coisa de um passado que não voltava. Eu que nasci no ano da Anistia, que tenho memórias infantis das Diretas, eu não achava que veria um momento em que as pessoas quase se preocupam com o que escrevem na internet, esse espaço de um futuro presente, espaço que deve ser de liberdade, responsabilidade e ética.
Nunca foi só por vinte centavos. Nunca será.
Fonte: Armandinho
sábado, fevereiro 16, 2013
Acaba o Carnaval, eu ainda tenho uma dissertação para escrever. A Vila Isabel foi campeã do Grupo Especial, com belo desfile da Rosa Magalhães e samba de bambas. A Globo ouviu os cariocas (e a LIESA) e televisonou o grupo de acesso, agora em dois dias (provavelmente para não atrapalhar a grade de programação de sexta e sábado, já que o só o Rio viu esses desfiles, a programação nacional foi dos desfiles paulistas) e com a Império da Tijuca campeã. Carnaval tijucano na Sapucaí. Ainda mais com o show (pelo segundo ano seguido) do desfile da Mangueira (geograficamente falando, a Mangueira pertence à região da Grande Tijuca?), com duas baterias, paradona, a gente escutando as pessoas cantando o samba mesmo assistindo pela tv. E pelas ruas do Rio, mais um Carnaval de cheio de blocos, pessoas animadas, mas tranquilas e felizes, sem confusões. As ruas podem ficar mais limpas, mas aí cabe ao poder público melhor organizar a cidade para receber tantas pessoas, afinal, a Prefeitura com certeza ganha com isso.
E, mesmo não tendo sido considerado um bom samba, termino com o samba da União da Ilha em homenagem a Poetinha (esperava mais do desfile...):
Onde anda você..., Poetinha?
Saudade mando te buscar
A Ilha é paixão na avenida
Mais que nunca é preciso cantar!
E, mesmo não tendo sido considerado um bom samba, termino com o samba da União da Ilha em homenagem a Poetinha (esperava mais do desfile...):
Onde anda você..., Poetinha?
Saudade mando te buscar
A Ilha é paixão na avenida
Mais que nunca é preciso cantar!
quinta-feira, fevereiro 07, 2013
Terminei de ler "O livro dos mandarins" há uns 4 dias. Ainda estou pensando no quanto pequenas (ou nem tanto) paranoias permeiam o mundo, especialmente o corporativo, tão passivo-agressivo e competitivo. E me pergunto se os "executivos" de empresas como a "Tótus" (cito essa porque lembro do comercial, oh, marketing rei!) leram o livro. Acho que bem que poderiam ler. Assim como meus colegas psiquiatras. Acho que terei de ler toda a obra do Ricardo Lísias, para saber se todos os livros podem ser usados em aulas de psiquiatria, psicanálise e correlatos.
A gente se esquece do quanto a literatura desvenda a natureza e o comportamento humanos, mais que classificações médicas da vida moderna.
A fonte da foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgf_MZ5DLqG0W3B8_CwODWFLE_i0d8lTYyUXHRVALkkUWDtJpXE4sqLyxLuV4cPTuVVFazAzErxpSapBnQ2DbrJYNZIVJDnPpM0IRAWbE46AXtjBm4OlYXsUpBNkEJd1tb6LysH2A/s400/mandarim2.jpg
domingo, dezembro 02, 2012
domingo, novembro 18, 2012
domingo, outubro 21, 2012
Aos 15, 16 anos eu pensei em cursar Comunicação, mas cheguei à conclusão que não escrevia bem o bastante para isso, para ser jornalista.
Mais de 10 anos depois eu comecei a pensar em fazer mestrado, para estudar e escrever algo sobre o que eu achava que pensava sobre minha prática como médica psiquiatra. De pois de algumas tentativas, comecei o tal curso de mestrado e hoje me vejo imersa na angústia da escrita. Falta ler tudo, ao menos é assim que me parece. Escrever dói.
Mas se eu já sabia disso na adolescência, para que fui querer enfrentar o fantasma?
Mais de 10 anos depois eu comecei a pensar em fazer mestrado, para estudar e escrever algo sobre o que eu achava que pensava sobre minha prática como médica psiquiatra. De pois de algumas tentativas, comecei o tal curso de mestrado e hoje me vejo imersa na angústia da escrita. Falta ler tudo, ao menos é assim que me parece. Escrever dói.
Mas se eu já sabia disso na adolescência, para que fui querer enfrentar o fantasma?
quarta-feira, setembro 12, 2012
terça-feira, agosto 14, 2012
Em "O céu dos suicidas", Ricardo Lísias relata, traduz em palavras, a angústia que é lidar com o suicídio, com a falta de sentido. Em uma narrativa curta, aparentemente simples, ele é de uma profundidade assombrosa. Podia ser um livro didático para psiquiatras...
(Conheci Ricardo Lísias, ou melhor, sua escrita, a partir de seus textos na piauí, também ótimos. Virei fã!!!)
(Conheci Ricardo Lísias, ou melhor, sua escrita, a partir de seus textos na piauí, também ótimos. Virei fã!!!)
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