Igual a Tudo na Vida ou Anything Else (Qualquer Outra Coisa??)
Filme do Woody Allen é aquela coisa: por pior que seja, no mínimo é bom. Pra quem gosta do homem, é calro. Para quem não gosta geralmente vale a mesma frase, só que lida no seu oposto: por melhor que seja, no máximo é ruim.
Um cineasta capaz de fomentar tais paixões já tem crédito pelo simples fato de que isso significa que ele tem personalidade e estilo, os quais impõe a seus filmes. É, sem dúvida, o caso de Allen.
E, para quem interessar possa, eu me incluo no primeiro grupo, os que gostam dos filmes dele!
E gostei muito deste último filme, que está em cartaz atualmente, "Igual a Tudo na Vida".
Poderia falar do que todas as críticas já falaram, de como ele parece fazer sua despedida do estúdio DreamWorks (sim, o filme tem um certo tom melancólico); de como Woody Allen tira ótimas interpretações de todos, em especial de Jason Biggs com seu alter ego jovem; da sempre ótima Cristina Ricci; de como Nova Iorque sempre parece linda e romântica; de como a trilha sonora sempre encanta, ainda que com o jazz de sempre; da visão caricatural da psicanálise; dede como o filme é igual a tudo na vida ou igual a qualquer outra coisa.
Mas tem uma outra coisa que me fascinou no filme e me parece um diferencial, quem sabe até um marcador de uma nosa fase na filmografia de Woody Allen. Dessa vez ele tenta mostrar uma outra geração. A desse pessoal de 20 e poucos a 30 anos, como eu. Foi uma surpresa me sentir de certa forma retratada num filme de Wood Allen. E foi bom ver que esse retrato é apurado e acurado. Não é um "Annie Hall" transposto para os anos 2000, ou até é, mas ele trata dos problemas dessa geração de agora e não daquela geração de 60/70. E essa capacidade de renovar sua temática (que nos últimos filmes vinha sendo apenas comédias leves, releituras de estilos, quase que como uma parada e uma volta a tempos antigos) torna o filme encantador. E cria esperanças para os próximos, pois parece que os temas das dúvidas e dificuldades desse povo de 20/30 foram apenas pincelados. Como num processo investigativo, foi como se Woody Allen começasse a estudar o terrreno, ou os espécimes. Conseguiu detectar algumas coisas interessantes do comportamento deles (sim, o filme é leve e não se parofunda muito nos dilemas que apresenta). E, eu fico esperando, vai começar análisá-los a valer. Pelo menos é o que espero!! (Quem sabe vem por aí um novo Manhatan???)
Ah! O título em inglês é melhor que o brasileiro. E faz mais sentido nas duas vezes em que a frase é proferida no filme. No final das contas, esse tais grandes conflitos dos quais falei nesse pequeno texto têm tanta importância quanto qualquer outra coisa. A ironia é que mesmo sabendo disso continuamos a dar importância. E continuamos tentando entender. Ainda que no meio tempo, continuemos vivendo... ;)
sábado, agosto 21, 2004
sexta-feira, agosto 20, 2004
Quero escrever, mas não sei sobre o que fazê-lo. Falta inspiração. Na verdade não. No momento estou inspirando e expirando normalmente, significa que estou viva. Mas talvez não minhas idéias, a elas falta inspiração, movimento. Pode ser que o sono também não ajude a manifestação das idéias. Ou pode ser a falta simples e pura de idéias. O que significaria que fiz a escolha certa ao pensar que não poderia ser jornalista e assim acabando como médica. Mas quem disse que jornalistas têm idéias?? De qualquer forma, eu queria mesmo era ter idéias e saber escrevê-las. Ou ainda, filmá-las, trasnformá-las em imagens. E assim emocionar, divertir e, quem sabe, fazer pensar (o que quer que fosse e não o que eu quisesse). Queria para mim um pouquinho desse dom que me fascina cada vez que leio ou que vejo um determinado filme ou ouço uma determinada música. O dom de fazer a diferença para outras pessoas através de algo que não é direto (não é curar ou aliviar a dor), mas que é a capacidade de transmitir uma determinada apreciação do mundo, uma beleza que faz com que um outro pense. Não no que aquela primeira pessoa tinha em mente no momento de construir a obra, mas pensar no que quer que tenha relevancia para quem tem contato com aquela construção do autor. E fazer as pessoas pensarem, seja no que for mesmo que seja a identificação emotiva, é um grande mérito. Coisas possíveis através do belo e do sublime.
domingo, agosto 15, 2004
"Deus é aquilo que me falta para compreender o que não compreendo"
Frase roubada de um comentário do blog do Abel (www.abelcolecao.blog.uol.com.br, esqueci o pouco que sabia de html...). Tem tudo a ver comigo, com o que penso sobre Deus. Porque para mim, o conceito de Deus só pode ser entendido a partir dos mistérios, dos fatos que não somos capazes de explicar, entender. E do fato de tais fatos existirem. E porque existem explicações para todo o resto, então simplesmente não é caso de que as coisas sejam ao acaso, aleatórias. Não consigo entender como algo tão aleatório poderia ser tão perfeitamente explicado, matematicamente explicado. Como pode a própria matemática ser aleatória? E, se não é aleatório, se existem leis universais as quais não somos capazes de entender, bom, alguém deve ser. Alguém superior, capaz de explicar o que eu não compreendo...
E por aí vou seguindo na aventura científico-emotivo-filosófica de encontrar (aceitar? entender?) Deus.
Frase roubada de um comentário do blog do Abel (www.abelcolecao.blog.uol.com.br, esqueci o pouco que sabia de html...). Tem tudo a ver comigo, com o que penso sobre Deus. Porque para mim, o conceito de Deus só pode ser entendido a partir dos mistérios, dos fatos que não somos capazes de explicar, entender. E do fato de tais fatos existirem. E porque existem explicações para todo o resto, então simplesmente não é caso de que as coisas sejam ao acaso, aleatórias. Não consigo entender como algo tão aleatório poderia ser tão perfeitamente explicado, matematicamente explicado. Como pode a própria matemática ser aleatória? E, se não é aleatório, se existem leis universais as quais não somos capazes de entender, bom, alguém deve ser. Alguém superior, capaz de explicar o que eu não compreendo...
E por aí vou seguindo na aventura científico-emotivo-filosófica de encontrar (aceitar? entender?) Deus.
Olimpíadas... Gosto dos Jogos Olímpicos, acredito no ideal de superação humana, que me parece, deveria ser o ideal do esporte. E não o patrocínio de marcas famosas. Muito menos o acúmulo de riqueza. Ainda que não defenda que as pessoas devem ser pobres, vai aí uma diferença. E quando me pergunto se, no final das contas, ainda há ideais no show dos esportes que são os Jogos Olímpicos, a resposta aparece ao ver a entrada das delegações na cerimônia de abertura. Foi verdade, ali, que todos os atletas, patrocinados ou não (e sim, existem muitos atletas lá sem patrocínio), estavam num mesmo posto, eram iguais. Até a primeira competição, quando alguém tem de vencer, eles são iguais (e eu adoro empates...). E cada um tem a chance de superar ao outro e, ainda mais importante, a si mesmo. Então, acho que no fim das contas ainda há algo de subversivo nesse evento tão mercantilizado. Considerando a teoria da conspiração diria que é uma "peça de resistência", ainda que engolfada pela inimigo!
segunda-feira, agosto 02, 2004
Comprei um livro que há muito queria "A Insustentável leveza do Ser". Conhecido (muito) livro de MIlan Kundera. Muito falado, parte da lista de favoritos de muitos amigos. Tinha, talvez ainda tenha, um exemplar aqui em casa mas não achei. Então comprei e logo no final do primeiro capítulo leio algo que me fala diretamente às dúvidas minhas de cada dia:
"Essa reconciliação com Hitler trai a profunda perversão moral inerente a um mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do retorno, pois nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente permitido."
Nem sei se concordo, mas sei que tem a ver com minhas indagações. Mas por enquanto tenho simplesmente feito, talvez um pouco baseada nessa ótica de que tudo é permitido. E quem é que não permite? As leis superiores ou as leis humanas?
"Essa reconciliação com Hitler trai a profunda perversão moral inerente a um mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do retorno, pois nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente permitido."
Nem sei se concordo, mas sei que tem a ver com minhas indagações. Mas por enquanto tenho simplesmente feito, talvez um pouco baseada nessa ótica de que tudo é permitido. E quem é que não permite? As leis superiores ou as leis humanas?
sábado, julho 31, 2004
Tinha escrito sobre o desejo e a psicanálise, mas o pequeno texto se perdeu com um toque errado no teclado. Efêmero, só existiu para mim, ainda que num desejo de que existisse para os outros. Não vou tentar reescrevê-lo.
Mas deixo a música que teria citado.
"Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível"
Skank
Não só sobre um único amor, mas sobre o amor, o bem querer como um todo.
Mas deixo a música que teria citado.
"Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível"
Skank
Não só sobre um único amor, mas sobre o amor, o bem querer como um todo.
quarta-feira, julho 28, 2004
"Não quero lhe falar meu grande amor, das coisas que aprendi nos livros"
Desde muito nova gostei de ler, talvez por haver livros a mão nas estantes de casa. Talvez pelo estímulo, ainda que não intimação, dos pais e familiares. Ainda com a televisão tão fácil (e usada!!).
E aprendi com livros.
Mas aprendo também com a vida. Nada supera as experiências vividas. Nem as lidas, nem ouvidas, nem as assistidas.
Nada supera perder alguém. Um avô. Aquele que, ainda que distantemente fosse lembrado com um carinho enorme, pelos tempos em que não era tão distante. E pelo que era, simplesmente.
Nada supera a tristeza.
A dor nossa e a dos familiares, que compartilhamos.
Nada supera o peso de saber que deveria ter feito uma visita. Aquela que vinha adiando, adiando, adiando.
Agora, me resta acreditar que um dia, de alguma forma, ainda poderei fazer essa visita...
:( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :<
Desde muito nova gostei de ler, talvez por haver livros a mão nas estantes de casa. Talvez pelo estímulo, ainda que não intimação, dos pais e familiares. Ainda com a televisão tão fácil (e usada!!).
E aprendi com livros.
Mas aprendo também com a vida. Nada supera as experiências vividas. Nem as lidas, nem ouvidas, nem as assistidas.
Nada supera perder alguém. Um avô. Aquele que, ainda que distantemente fosse lembrado com um carinho enorme, pelos tempos em que não era tão distante. E pelo que era, simplesmente.
Nada supera a tristeza.
A dor nossa e a dos familiares, que compartilhamos.
Nada supera o peso de saber que deveria ter feito uma visita. Aquela que vinha adiando, adiando, adiando.
Agora, me resta acreditar que um dia, de alguma forma, ainda poderei fazer essa visita...
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E o mês já vai se findando... E o (meu) mundo não acabou. Aquelas noites de sábado não criaram um caos completo, pelo menos não para mim. Ou para ninguém, até onde eu saiba. Mas no terceiro sábado eu arrumei meu armário. Talvez, de alguma forma, eu esteja me rearranjando, arrumando, jogando fora ou dando as coais que não mais me servem. As idéias, culpas e cobranças. Mas não os sonhos e ideais, estes permanacem (ainda que num primeiro momento eu tenha escrito errado, o contrário). Talvez sejam a essência, aquilo que tem de permanecer para que eu permaneça quem sou, ainda que mudando.
Alguém entende essas minhas contradições????
Provável é que não...
Mas, continuo procurando por quem entenda. E no caminho vou tentando explicar para quem se interessar... ;) :)
Ah! E "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" é um filme a ser revisto. E, espero, revisado aqui. Quero escrever, só ainda não consegui. Mas fica a dica, quase intimação, para que seja visto. Um filme sobre a memória do amor, do amor que é feito das memórias (quem disse isso foi a Alejandra), da inexorabilidade do amor (quem disse isso foi o crítico do Globo) e dos momentos que fazem todo o resto valer a pena, independentemente do que virá. Porque não existe "felizes para sempre" mas existem momentos, ainda que fugidios, em que é possível (quiçá impossível não) acreditar. Em que se tem certeza. E esses momentos são para sempre.
"Que seja imortal posto que é chama."
Alguém entende essas minhas contradições????
Provável é que não...
Mas, continuo procurando por quem entenda. E no caminho vou tentando explicar para quem se interessar... ;) :)
Ah! E "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" é um filme a ser revisto. E, espero, revisado aqui. Quero escrever, só ainda não consegui. Mas fica a dica, quase intimação, para que seja visto. Um filme sobre a memória do amor, do amor que é feito das memórias (quem disse isso foi a Alejandra), da inexorabilidade do amor (quem disse isso foi o crítico do Globo) e dos momentos que fazem todo o resto valer a pena, independentemente do que virá. Porque não existe "felizes para sempre" mas existem momentos, ainda que fugidios, em que é possível (quiçá impossível não) acreditar. Em que se tem certeza. E esses momentos são para sempre.
"Que seja imortal posto que é chama."
domingo, julho 04, 2004
E nesse ínterim houve, na segunda, 28 de junho, a gravação do dvd do Los Hermanos, dirigida pelo Eduardo Valente. E eu estava lá no Cine Iris, cantando e pulando!!!
E houve mais algumas coisas muito boas na semana, particularmente na quinta-feira.
Fico a esperar pela quinta dessa semana e o que ela poderá trazer.
E pelo próximo sábado!
Mas assim estou sendo determinista e não estou fazendo sentido.
Quem disse que algo faz?
As leis matemáticas e fisícas parecem fazer esse sentido. E por isso talvez exista Deus.
"Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
e a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé me abandono"
(O Pouco que sobrou - Los Hermanos / Marcelo Camelo)
Se bem que, cada erro parece me aproximar mais. Talvez eu esteja apenas testando os limites da minha própria fé, esperando que algo ou alguém me provem errada.
E houve mais algumas coisas muito boas na semana, particularmente na quinta-feira.
Fico a esperar pela quinta dessa semana e o que ela poderá trazer.
E pelo próximo sábado!
Mas assim estou sendo determinista e não estou fazendo sentido.
Quem disse que algo faz?
As leis matemáticas e fisícas parecem fazer esse sentido. E por isso talvez exista Deus.
"Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
e a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé me abandono"
(O Pouco que sobrou - Los Hermanos / Marcelo Camelo)
Se bem que, cada erro parece me aproximar mais. Talvez eu esteja apenas testando os limites da minha própria fé, esperando que algo ou alguém me provem errada.
A semana
Sábado passado, 26 de junho, foi uma dia estranho. Melhor, foi um dia cuja noite e madrugada foram cheias de ocorrências estranhas. Com conseqüências ruins.
Entretanto, quinta-feira, 1 de julho, aniversário de um amigo, as coisas melhoraram. As nuvens se desfizeram e ainda que permanecesse um clima levemente estranho, de pós tempestade, era notável que ela já tinha passado.
E então viria a bonança?
Bem, não. E ontem, sábado,3 de julho, novos acontecimentos estranhos. Mais uma noite de sábado "diferente". Pontuada por pequeninas descobertas de mal entendidos do passado, e por grandes pequenos erros do presente.
Aceito um apararentemente inocente convite para um chopp numa noite de sábado e acabo responsável pelo sentimento de culpa (a ser expiada?) de um amigo.
Na busca por mim mesma parece que estou conseguindo fazer cada vez mais coisas "erradas".
Transformo-me em uma má pessoa?
Ou será a civilização judaico-cristã que nos contamina com toda a culpa possível e impossível por cada pequeno ato que, não estando enquadrado naquilo que se determinou moral, acabamos tentados a cometer?
Talvez tenha, realmente, que me voltar para uma religião, aceitar normas dogmáticas de como viver. Pois parece que a minha busca particular está cheia de tropeços. Temo que esteja perdendo a integridade que, segundo um amigo, já tive...
Só não me pergunte se não faria de novo... (e exatamente aí reside todo o problema!)
Sábado passado, 26 de junho, foi uma dia estranho. Melhor, foi um dia cuja noite e madrugada foram cheias de ocorrências estranhas. Com conseqüências ruins.
Entretanto, quinta-feira, 1 de julho, aniversário de um amigo, as coisas melhoraram. As nuvens se desfizeram e ainda que permanecesse um clima levemente estranho, de pós tempestade, era notável que ela já tinha passado.
E então viria a bonança?
Bem, não. E ontem, sábado,3 de julho, novos acontecimentos estranhos. Mais uma noite de sábado "diferente". Pontuada por pequeninas descobertas de mal entendidos do passado, e por grandes pequenos erros do presente.
Aceito um apararentemente inocente convite para um chopp numa noite de sábado e acabo responsável pelo sentimento de culpa (a ser expiada?) de um amigo.
Na busca por mim mesma parece que estou conseguindo fazer cada vez mais coisas "erradas".
Transformo-me em uma má pessoa?
Ou será a civilização judaico-cristã que nos contamina com toda a culpa possível e impossível por cada pequeno ato que, não estando enquadrado naquilo que se determinou moral, acabamos tentados a cometer?
Talvez tenha, realmente, que me voltar para uma religião, aceitar normas dogmáticas de como viver. Pois parece que a minha busca particular está cheia de tropeços. Temo que esteja perdendo a integridade que, segundo um amigo, já tive...
Só não me pergunte se não faria de novo... (e exatamente aí reside todo o problema!)
domingo, junho 27, 2004
Viver às vezes me parece ser um simples exercício de fina irônia. A "coisa" (força, energia, destino, Natureza, Deus) que comanda a tudo ou que pelo menos determinou o início (porque houve um início e eu ainda não consigo entender um início do nada, então, tenho que acreditar que havia algo, se não há...) tem o dom da ironia. Ás vezes é difícil perceber a ironia quando se esta no meu de uma determinada situação, assim como quando fazem uma pirada irônica sobre nós. Mas se for possível, em algum momento, parar e observar boa parte das situações da vida, percebesse que por pior que sejam, há algo de muito engraçado nelas. Por isso a comédia é um genêro básico das artes.
A ironia (ou pelo menos uma delas) atual da minha vida é que estou imersa em situações dignas do velho (nem tanto) Barrados no Baile. Quem vai ficar, já ficou ou quer ficar com quem. Isso num ambiente que deveria ser de trabalho, mas parece mais de faculdade. Não é uma crítica destrutiva, até porque, eu faço parte (ativa!) dessa ciranda, mas acho que pode ser bom parar para perceber as coisas. Não me impede de continuar fazendo o que faço, mas quem sabe pelo menos faça melhor. E isto significa, não magoar pessoas no caminho. Sempre o mais importante é buscar a felicidade, mas sem que isso fira a felicidade dos outros.
mas às vezes a gente faz pequenas besteiras, meio sem querer, por pura falta de senso crítico no momento. Às vezes parar para pensar por 1 minuto é a coisa mais importante que podemos fazer. E isso geralmente ocorre quando não há grandes emoções envolvidas (quando elas existem falam por si próprias, se auto justificam e pensar não é importante), é quando simplesmente nos deixamos ser um pouquinho inconsequentes. Mas esquecemos dos amigos ou colegas que podemos ferir, ainda que sem querer...
Mas, por pior que seja a pequena tragédia (e não é tão grande, espero eu) há toda uma grande ironia intrinseca. Digna de um filme!! (Só falta aprender a escrever roteiro!)
A ironia (ou pelo menos uma delas) atual da minha vida é que estou imersa em situações dignas do velho (nem tanto) Barrados no Baile. Quem vai ficar, já ficou ou quer ficar com quem. Isso num ambiente que deveria ser de trabalho, mas parece mais de faculdade. Não é uma crítica destrutiva, até porque, eu faço parte (ativa!) dessa ciranda, mas acho que pode ser bom parar para perceber as coisas. Não me impede de continuar fazendo o que faço, mas quem sabe pelo menos faça melhor. E isto significa, não magoar pessoas no caminho. Sempre o mais importante é buscar a felicidade, mas sem que isso fira a felicidade dos outros.
mas às vezes a gente faz pequenas besteiras, meio sem querer, por pura falta de senso crítico no momento. Às vezes parar para pensar por 1 minuto é a coisa mais importante que podemos fazer. E isso geralmente ocorre quando não há grandes emoções envolvidas (quando elas existem falam por si próprias, se auto justificam e pensar não é importante), é quando simplesmente nos deixamos ser um pouquinho inconsequentes. Mas esquecemos dos amigos ou colegas que podemos ferir, ainda que sem querer...
Mas, por pior que seja a pequena tragédia (e não é tão grande, espero eu) há toda uma grande ironia intrinseca. Digna de um filme!! (Só falta aprender a escrever roteiro!)
quinta-feira, junho 24, 2004
Temível Ataque dos Incas Venusianos
Domingo, 20 de junho, no sempre profundo Jornal da Família do Globo a matéria de capa foi sobre Neurociência e Psicanálise. O tema está na moda, pois também no caderno Mais da Folha (já disse aqui uma vez e repito, uma das melhores publicações do país) havia uma entrevista sobre isso. O entrevistado do Mais, o neurocientista Mark Solms, era também citado no Jornal da Família.
Difícil decidir qual das matérias foi pior...
Se a do Jornal da Família populariza demais o tema, chagando a cometer erros ao tentar fazer determinações com achados ainda pouco conclusivos de pesquisas básicas (Neurociência ainda é pesquisa básica! Quer dizer, ainda não tem como dar explicações, ela busca apenas comprovar fenômenos!). O maior dos erros sendo aquela "localização" neuroanatômica da aparelhagem psíquica de Freud. Difícil aceitar que o Incosciente "esteja" em bulbo, ponte e mesencéfalo, já que o Inconsciente é próprio do humano e tais estruturas são filogenéticamente mais antigas, estando presentes em outros animais (como explicar que eles não tenham Inconsciente?). Talvez assumam que assim seja porque entendem Inconsciente como fonte de "impulsos" que para eles devem ser o mesmo ou quase o mesmo que "instintos". Não devem saber a diferença de "instinto" e "pulsão". De qualquer forma, não dá para aceitar Inconsciente pré cortical, não faz sentido! Mas, pelo menos a reportagem é toda capenga, pobre em informações e não se assume como sendo científica. Como toda reportagem desse suplemento, quer-se apenas como mera informação para que a "família" tenha matéria para conversas. Papai e mamãe devem ter se achado mais inteligentes depois de lerem aquilo, mas isso servirá apenas de bate papo na roda de amigos.
O caderno Mais, por outro lado, quer-se um suplemento um pouco mais sério. Ainda que não seja um caderno de ciências, no mínimo tenta ser um mero informativo um pouco mais detalhado e crítico que o Jornal da Família. E na verdade nem é para o Mais e sim para o próprio entrevistado. Mark Solms defende a busca de correlatos da Psicanálise pela Neurociência. Pesquisa sempre é válida e o próprio Freud tentava, no início da sua carreira, buscar os correlatos neurológicos e físicos para alguns de seus achados clínicos, de acordo, claro, com as possibilidades de entendimento da época (fim do séculoXIX, início do XX). Portanto, a pesquisa em Neurociência tem validade, pode ser útil, ainda que, por enquanto essa utilidade não seja para clínica, pois, volto a repetir, ainda é pesquisa básica, é procura de fenômenos, criação de hipóteses que expliquem tais fenômenos e tentativa de validação de tais hipóteses. Ainda não podemos saber se as hipóteses vão se confirmar! E por isso é complicado entender como alguém que trabalha nessa área pode falar ao público como se falasse de certezas. E ainda como que alguém que se propõem a estudar correlatos da Psicanálise pode dizer que faz seus experimentos com primatas. Nào existe análise de animais! Não se pode estudar Psicanálise com animais! Eles estão estudando qualquer outra coisa, como Neurofisiologia do Comportamento (a área pela qual Erik Kandel ganhou o prêmio Nobel), mas não Psicanálise. Já é difícil os psicanalistas aceitarem essas pesquisas (e isso eu não entendo direito porque), mas, falando de pesquisa com primatas fica impossível não só para eles como para qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento da área.
No final, fica difícil saber qual das duas matérias foi pior para a divulgação tanto da Neurociência quanto da Psicanálise. Ao tentarem falar de uma interface que é por demais interessante e polêmica fizeram apenas criar uma idéia errada para os leigos e não acrescentar em nada para quem acompanha e se interessa pelo tema. Criaram um Inca Venusiano, uma figura saída das profundezas abissais, que deforma o conhecimento ao invés de informar.
Lembrando apenas que o erro é menos dos jornalistas que escreveram e mais dos "divulgadores" das duas áreas!
Domingo, 20 de junho, no sempre profundo Jornal da Família do Globo a matéria de capa foi sobre Neurociência e Psicanálise. O tema está na moda, pois também no caderno Mais da Folha (já disse aqui uma vez e repito, uma das melhores publicações do país) havia uma entrevista sobre isso. O entrevistado do Mais, o neurocientista Mark Solms, era também citado no Jornal da Família.
Difícil decidir qual das matérias foi pior...
Se a do Jornal da Família populariza demais o tema, chagando a cometer erros ao tentar fazer determinações com achados ainda pouco conclusivos de pesquisas básicas (Neurociência ainda é pesquisa básica! Quer dizer, ainda não tem como dar explicações, ela busca apenas comprovar fenômenos!). O maior dos erros sendo aquela "localização" neuroanatômica da aparelhagem psíquica de Freud. Difícil aceitar que o Incosciente "esteja" em bulbo, ponte e mesencéfalo, já que o Inconsciente é próprio do humano e tais estruturas são filogenéticamente mais antigas, estando presentes em outros animais (como explicar que eles não tenham Inconsciente?). Talvez assumam que assim seja porque entendem Inconsciente como fonte de "impulsos" que para eles devem ser o mesmo ou quase o mesmo que "instintos". Não devem saber a diferença de "instinto" e "pulsão". De qualquer forma, não dá para aceitar Inconsciente pré cortical, não faz sentido! Mas, pelo menos a reportagem é toda capenga, pobre em informações e não se assume como sendo científica. Como toda reportagem desse suplemento, quer-se apenas como mera informação para que a "família" tenha matéria para conversas. Papai e mamãe devem ter se achado mais inteligentes depois de lerem aquilo, mas isso servirá apenas de bate papo na roda de amigos.
O caderno Mais, por outro lado, quer-se um suplemento um pouco mais sério. Ainda que não seja um caderno de ciências, no mínimo tenta ser um mero informativo um pouco mais detalhado e crítico que o Jornal da Família. E na verdade nem é para o Mais e sim para o próprio entrevistado. Mark Solms defende a busca de correlatos da Psicanálise pela Neurociência. Pesquisa sempre é válida e o próprio Freud tentava, no início da sua carreira, buscar os correlatos neurológicos e físicos para alguns de seus achados clínicos, de acordo, claro, com as possibilidades de entendimento da época (fim do séculoXIX, início do XX). Portanto, a pesquisa em Neurociência tem validade, pode ser útil, ainda que, por enquanto essa utilidade não seja para clínica, pois, volto a repetir, ainda é pesquisa básica, é procura de fenômenos, criação de hipóteses que expliquem tais fenômenos e tentativa de validação de tais hipóteses. Ainda não podemos saber se as hipóteses vão se confirmar! E por isso é complicado entender como alguém que trabalha nessa área pode falar ao público como se falasse de certezas. E ainda como que alguém que se propõem a estudar correlatos da Psicanálise pode dizer que faz seus experimentos com primatas. Nào existe análise de animais! Não se pode estudar Psicanálise com animais! Eles estão estudando qualquer outra coisa, como Neurofisiologia do Comportamento (a área pela qual Erik Kandel ganhou o prêmio Nobel), mas não Psicanálise. Já é difícil os psicanalistas aceitarem essas pesquisas (e isso eu não entendo direito porque), mas, falando de pesquisa com primatas fica impossível não só para eles como para qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento da área.
No final, fica difícil saber qual das duas matérias foi pior para a divulgação tanto da Neurociência quanto da Psicanálise. Ao tentarem falar de uma interface que é por demais interessante e polêmica fizeram apenas criar uma idéia errada para os leigos e não acrescentar em nada para quem acompanha e se interessa pelo tema. Criaram um Inca Venusiano, uma figura saída das profundezas abissais, que deforma o conhecimento ao invés de informar.
Lembrando apenas que o erro é menos dos jornalistas que escreveram e mais dos "divulgadores" das duas áreas!
Minha amiga de Quito tem um blog. Se você vem aqui (depois de tanto às traças talvez ainda tenha sobrado algum você), vá lá!
sexta-feira, junho 11, 2004
Voltando a escrever sobre filmes
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é o melhor livro da série. E não sou apenas eu que digo, grande parte dos leitores concorda que este é o livro que apresenta alguns dos personagens mais interessantes, revelações importantes e é mais sombrio e menos infantil que os dois anteriores. Os personagens jovens estão crescendo e já começam a apresentar certas dúvidas e sentimentos mais ambíguos (ainda que isso não seja tão explorado, é uma série infanto-juvenil). No todo esse é um bom livro, que você não consegue parar de ler.
E o filme, quem diria, faz, finalmente, juz a série literária. Particularmente até gosto do primeiro filme, é divertido e apresenta bem todos os elementos da série. E tem alguns momentos inspirados, como o da compra da varinha de Harry, em que tive a impressão de ver como poderia ter sido realmente um ótimo filme. Ainda assim, acho que é um bom filme. O segundo, eu discordo da maioria e não acho bom, apenas regular. Talvez não ajude o fato de ser o livro mais fraco da série, o qual chego a achar um pouco lento e cansativo, e isso me pareceu ser transposto para o filme. Significaria que é uma boa adaptação? Não, para mim a boa adaptação é exatamente aquela que toma liberdades, que transforma uma linguagem em outra (no caso, literária em cinematográfica), sem negar a mediação que existe. Isto é, que o que antes era o diálogo entre um escritor e seu leitor, agora se transforma no diálogo entre um escritor, mediado pela visão de um roteirista, de um diretor, de atores, figurinistas e etc, e o espectador. Isso muda muita coisa, e pode enriquecer muito a história, que, sem dúvida nenhuma, não é mais a mesma das páginas do livro, e nem pode ser. Ver uma adaptaçõa cinematográfica de um livro é exatamente ver como outras pessoas leram e entenderam aquele livro, e agora ler e entender aquela obra pela visão destas pessoas, é ver uma outra outra obra. Os dois primeiros filmes da série Harry Potter tentavam, como vários outros filmes baseados em livros, negar isso. De forma que se tornavam meras imagens tentando transcrever as letras dos livros. Alguns gostam disso. Eu não. E é por isso que gostei muito mais deste Prisioneiro de Azkaban. Exatamente porque ele toma liberdades. E olha que nem tantas assim, mas consegue não ser uma adaptação literal e, exatamente por isso, consegue ser uma adaptação melhor e mais fiel, se não aos acontecimentos literais, mas ao espírito do livro, o mais importante.
Me parece que tudo funciona melhor neste terceiro filme. Da atuação do protagonista Daniel Radcliffe, que finalmente toma para si o personagem de tal forma que a dupla de amigos que antes o ofuscava passa quase a coadjuvante, até a música. John Williams estava inspirado dessa vez e música faz parte do filme e lembra o filme. Pequenos detalhes como o jazz (ragtime, para ser mais específica?) ouvido pelo professor Lupin ajudam na construção dos personagens e do filme, como antes não parecia acontecer. E falando em personagens, já tinah dito que esse era o livro com personagens mais interessantes. E é ótimo ver esses personagens sendo vividos por atores que, mesmo não aparecendo muito, marcam esses personagens. Emma Thopson esta hilária como Trelawney, e, veja só, sua Trelawney pode atá ser um pouco diferente daquela imaginada pelos leitores, mas é uma ótima Trelawney. Posso manter agora a visão da "minha" personagem e da personagem dela, sem problemas, só com ganhos. O mesmo ocorre com outros personagens, em especial, com o meu favorito, o professor Lupin. David Thewlis criou um Remus Lupin mais velho, mais sério, mais angustiado que o do livro (e isso ajuda o filme a ser mais sério), mas tão apaixonante e frágil quanto não podia deixar de ser. Perfeito ao ser um pouco diferente daquilo que imaginamos. E isso é ótimo, porque, simplesmente ver aquilo que imaginamos não teria tanta graça. A graça é ver que ainda que um pouco diferente, imaginamos coisas semelhantes na essência. Não esqueço Gary Oldman e seu Sirius Black, aparentemente louco, na verdade amoroso. Não vejo a hora de reve-los, participando mais lá na Ordem da Fenix...
Os atores de sempre também estão bem, talvez até melhor, talvez por terem se sentido mais livres. A direção de Alfonso Cuaron fez toda a diferença para que tudo fosse melhor. O livro ajudou, mas a direção finalizou ao permitir um filme mais solto em sua adaptação, mais sombrio, e até mais real ao vestir os personagens com roupas de "trouxas". As roupas de "bruxos", quer dizer, batas, faziam tudo parecer infantilóide, agora o filme consegue ser mais fantasioso e real, ao mesmo tempo. É como se levasse mais a sério a fantasia que cria e com isso consegue que o espectador também acredite mais. E isso tudo exatamente por ser menos literal...
Então, por fim, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é um bom filme. Diverte, emociona, surpreende e até faz diferença em comparação ao livro. Ainda que o livro ainda seja melhor. Quer dizer, de repente, quem sabe... Não tem uma coisa que faz falta, para quem leu o livro. A explicação sobre o Mapa do Maroto, acho até que fica subentendida, mas falta um diálogo entre Lupin ou Black explicando para Harry sobre o Mapa, teria sido importante e provavelmente uma cena emocionante. Por isso o livro ainda é melhor. Mas este, sem dúvida, é o melhor filme da série. Até agora e provavelmente até o final. A não ser que Cuaron volte. Ou que J.K. Rowling crie algo de muito surpreendente nos próximos dois livros. Até lá, este fica como o mais mágico de todos!
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é o melhor livro da série. E não sou apenas eu que digo, grande parte dos leitores concorda que este é o livro que apresenta alguns dos personagens mais interessantes, revelações importantes e é mais sombrio e menos infantil que os dois anteriores. Os personagens jovens estão crescendo e já começam a apresentar certas dúvidas e sentimentos mais ambíguos (ainda que isso não seja tão explorado, é uma série infanto-juvenil). No todo esse é um bom livro, que você não consegue parar de ler.
E o filme, quem diria, faz, finalmente, juz a série literária. Particularmente até gosto do primeiro filme, é divertido e apresenta bem todos os elementos da série. E tem alguns momentos inspirados, como o da compra da varinha de Harry, em que tive a impressão de ver como poderia ter sido realmente um ótimo filme. Ainda assim, acho que é um bom filme. O segundo, eu discordo da maioria e não acho bom, apenas regular. Talvez não ajude o fato de ser o livro mais fraco da série, o qual chego a achar um pouco lento e cansativo, e isso me pareceu ser transposto para o filme. Significaria que é uma boa adaptação? Não, para mim a boa adaptação é exatamente aquela que toma liberdades, que transforma uma linguagem em outra (no caso, literária em cinematográfica), sem negar a mediação que existe. Isto é, que o que antes era o diálogo entre um escritor e seu leitor, agora se transforma no diálogo entre um escritor, mediado pela visão de um roteirista, de um diretor, de atores, figurinistas e etc, e o espectador. Isso muda muita coisa, e pode enriquecer muito a história, que, sem dúvida nenhuma, não é mais a mesma das páginas do livro, e nem pode ser. Ver uma adaptaçõa cinematográfica de um livro é exatamente ver como outras pessoas leram e entenderam aquele livro, e agora ler e entender aquela obra pela visão destas pessoas, é ver uma outra outra obra. Os dois primeiros filmes da série Harry Potter tentavam, como vários outros filmes baseados em livros, negar isso. De forma que se tornavam meras imagens tentando transcrever as letras dos livros. Alguns gostam disso. Eu não. E é por isso que gostei muito mais deste Prisioneiro de Azkaban. Exatamente porque ele toma liberdades. E olha que nem tantas assim, mas consegue não ser uma adaptação literal e, exatamente por isso, consegue ser uma adaptação melhor e mais fiel, se não aos acontecimentos literais, mas ao espírito do livro, o mais importante.
Me parece que tudo funciona melhor neste terceiro filme. Da atuação do protagonista Daniel Radcliffe, que finalmente toma para si o personagem de tal forma que a dupla de amigos que antes o ofuscava passa quase a coadjuvante, até a música. John Williams estava inspirado dessa vez e música faz parte do filme e lembra o filme. Pequenos detalhes como o jazz (ragtime, para ser mais específica?) ouvido pelo professor Lupin ajudam na construção dos personagens e do filme, como antes não parecia acontecer. E falando em personagens, já tinah dito que esse era o livro com personagens mais interessantes. E é ótimo ver esses personagens sendo vividos por atores que, mesmo não aparecendo muito, marcam esses personagens. Emma Thopson esta hilária como Trelawney, e, veja só, sua Trelawney pode atá ser um pouco diferente daquela imaginada pelos leitores, mas é uma ótima Trelawney. Posso manter agora a visão da "minha" personagem e da personagem dela, sem problemas, só com ganhos. O mesmo ocorre com outros personagens, em especial, com o meu favorito, o professor Lupin. David Thewlis criou um Remus Lupin mais velho, mais sério, mais angustiado que o do livro (e isso ajuda o filme a ser mais sério), mas tão apaixonante e frágil quanto não podia deixar de ser. Perfeito ao ser um pouco diferente daquilo que imaginamos. E isso é ótimo, porque, simplesmente ver aquilo que imaginamos não teria tanta graça. A graça é ver que ainda que um pouco diferente, imaginamos coisas semelhantes na essência. Não esqueço Gary Oldman e seu Sirius Black, aparentemente louco, na verdade amoroso. Não vejo a hora de reve-los, participando mais lá na Ordem da Fenix...
Os atores de sempre também estão bem, talvez até melhor, talvez por terem se sentido mais livres. A direção de Alfonso Cuaron fez toda a diferença para que tudo fosse melhor. O livro ajudou, mas a direção finalizou ao permitir um filme mais solto em sua adaptação, mais sombrio, e até mais real ao vestir os personagens com roupas de "trouxas". As roupas de "bruxos", quer dizer, batas, faziam tudo parecer infantilóide, agora o filme consegue ser mais fantasioso e real, ao mesmo tempo. É como se levasse mais a sério a fantasia que cria e com isso consegue que o espectador também acredite mais. E isso tudo exatamente por ser menos literal...
Então, por fim, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é um bom filme. Diverte, emociona, surpreende e até faz diferença em comparação ao livro. Ainda que o livro ainda seja melhor. Quer dizer, de repente, quem sabe... Não tem uma coisa que faz falta, para quem leu o livro. A explicação sobre o Mapa do Maroto, acho até que fica subentendida, mas falta um diálogo entre Lupin ou Black explicando para Harry sobre o Mapa, teria sido importante e provavelmente uma cena emocionante. Por isso o livro ainda é melhor. Mas este, sem dúvida, é o melhor filme da série. Até agora e provavelmente até o final. A não ser que Cuaron volte. Ou que J.K. Rowling crie algo de muito surpreendente nos próximos dois livros. Até lá, este fica como o mais mágico de todos!
domingo, junho 06, 2004
Algumas pessoas, amigos de mais tempo, têm perguntado pelas minhas palavras escritas, pelos comentários de filmes e até pelo blog (os poucos que conhecem). E eu tenho me perguntado sobre voltar a escrever.
Preciso.
Mas parece que não consigo.
O tempo falta. Ou talvez não, talvez falte algum ânimo, a disposição para saber abrir mão de algumas coisas (horas de sono?) por outras. Ou falte organização (talvez devesse contrar um consultor para dar jeito na minha vida... E não necessariamente isso ocorreria por causa da consultoria... ;) ). Só sei que quero escrever e não escrevo.
Mas talvez esteja vivendo um pouquinho mais. Esteja coletando dados para escrever alguma coisa. Como se realmente fosse escrever "alguma coisa". Só um blog que tem se transformado em diário on line (coisa que nunca quis).
E coletar dados não é a forma correta de expressar o que faço. Acho que tenho jogado os dados ou vivido o jogo de dados (ainda tenho alguma dúvida com relação ao destino aleatório ou não, por nossa conta ou não). Ganhando, perdendo, empatando. Mas jogando.
E vivendo as minhas próprias teorias. Como a dos "três lados" de qualquer situação. Descubro que sou a pessoa que um dia quis ser, mas que hoje talvez eu queira, e seja, alguma outra pessoa. Ou melhor, que sou todas, ainda que só eu (é, sem multiplas personalidades, felizmente).
Para constar, algo que deveria ter constado no início do ano: Encontros e Desencontros (Lost in Translation), belo filme de Sofia Coppola ("As Virgens Suicidas", também ótimo, sendo que um pouco mais agressivo e um pouquinho menos belo) com um Bill Murray mais que perfeito e uma Scarlet Johasson encantadora na simplicidade. Filme para rir, chorar, lembrar, cantar, pensar e acreditar, que, apesar do mundo não ser perfetio, alguns momentos o são. E se tudo mais não valesse à pena, e até que vale, esse momentos (fugidios como disseram na Contra Campo) já fariam tudo, tudo, valer.
Dois blogs de amigos: Je Suis Abacaxi (esse pouco atualizado, mas vale à pena o que já há escrito) e La Vie en Blues (este para ler sempre).
Preciso.
Mas parece que não consigo.
O tempo falta. Ou talvez não, talvez falte algum ânimo, a disposição para saber abrir mão de algumas coisas (horas de sono?) por outras. Ou falte organização (talvez devesse contrar um consultor para dar jeito na minha vida... E não necessariamente isso ocorreria por causa da consultoria... ;) ). Só sei que quero escrever e não escrevo.
Mas talvez esteja vivendo um pouquinho mais. Esteja coletando dados para escrever alguma coisa. Como se realmente fosse escrever "alguma coisa". Só um blog que tem se transformado em diário on line (coisa que nunca quis).
E coletar dados não é a forma correta de expressar o que faço. Acho que tenho jogado os dados ou vivido o jogo de dados (ainda tenho alguma dúvida com relação ao destino aleatório ou não, por nossa conta ou não). Ganhando, perdendo, empatando. Mas jogando.
E vivendo as minhas próprias teorias. Como a dos "três lados" de qualquer situação. Descubro que sou a pessoa que um dia quis ser, mas que hoje talvez eu queira, e seja, alguma outra pessoa. Ou melhor, que sou todas, ainda que só eu (é, sem multiplas personalidades, felizmente).
Para constar, algo que deveria ter constado no início do ano: Encontros e Desencontros (Lost in Translation), belo filme de Sofia Coppola ("As Virgens Suicidas", também ótimo, sendo que um pouco mais agressivo e um pouquinho menos belo) com um Bill Murray mais que perfeito e uma Scarlet Johasson encantadora na simplicidade. Filme para rir, chorar, lembrar, cantar, pensar e acreditar, que, apesar do mundo não ser perfetio, alguns momentos o são. E se tudo mais não valesse à pena, e até que vale, esse momentos (fugidios como disseram na Contra Campo) já fariam tudo, tudo, valer.
Dois blogs de amigos: Je Suis Abacaxi (esse pouco atualizado, mas vale à pena o que já há escrito) e La Vie en Blues (este para ler sempre).
quarta-feira, abril 07, 2004
Leio alguns posts antigos e penso no quanto mudei. Ainda sou a mesma pessoa que escreveu tudo aquilo, ainda penso da mesma forma, mas, talvez nem tanto. As certezas estão abaladas, cada vez mais. Será bom? Não faço idéia...
Descubro que amores se acabam (ou somente se abalam Magister e Cinderela?), mas por certo novos aparecem. E o mais interessante é que as dúvidas parecem trazer um pouco mais de esperança do que as certezas. Trazem mais força, mais coragem, talvez?
E será que trazem mudanças? (Minhas, pois começo a entender que não é possível ficar esperando pela boa vontade de um destino que pode ser completamente aleatório.)
Por Enquanto
Renato Russo
Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem discutir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa
Prova de que não mudou é que já usei essa música antes, é uma constante. Prova de que mudou é que nesse momento me pergunto quem é o "você" (sei quem queria que fosse e sei que esse é o meu querer, o meu desejo) e não quero "deixar tudo como está".
Descubro que amores se acabam (ou somente se abalam Magister e Cinderela?), mas por certo novos aparecem. E o mais interessante é que as dúvidas parecem trazer um pouco mais de esperança do que as certezas. Trazem mais força, mais coragem, talvez?
E será que trazem mudanças? (Minhas, pois começo a entender que não é possível ficar esperando pela boa vontade de um destino que pode ser completamente aleatório.)
Por Enquanto
Renato Russo
Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem discutir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa
Prova de que não mudou é que já usei essa música antes, é uma constante. Prova de que mudou é que nesse momento me pergunto quem é o "você" (sei quem queria que fosse e sei que esse é o meu querer, o meu desejo) e não quero "deixar tudo como está".
sábado, abril 03, 2004
Algum tempo se passou e eu sem dar as caras por aqui...
Talvez eu volte. Talvez não. Veremos. Assim como verei em que ser "analisada" poderá ajudar, ou não...
Mas já que estava fazendo terapia (ainda que não análise) com os outros, tinha que eu mesma me submeter a algo, não para provar do próprio remédio, mas para tentar ser melhor enquanto ofereço o tal remédio.
Talvez eu volte. Talvez não. Veremos. Assim como verei em que ser "analisada" poderá ajudar, ou não...
Mas já que estava fazendo terapia (ainda que não análise) com os outros, tinha que eu mesma me submeter a algo, não para provar do próprio remédio, mas para tentar ser melhor enquanto ofereço o tal remédio.
sábado, dezembro 13, 2003
Quebra de preconceitos
Não é apesar, mas exatamente por causa de tudo, viver vale à pena.
Estou lendo "Noites Tropicais", de Nelson Motta, e estou admirada com a vida dele e de todos nos anos 60 e 70 (estou começando os 80 agora). Tudo começa com a bossa nova e não poderia começar melhor. E sendo memórias, tudo parece ainda melhor (como parece ser o que diz Apolônio Brasil, filme Hugo Carvana, outro saudosista que não deixa de viver o presente. Ainda não vi o filme, mas lia ótima crítica da contra campo).
E faz você, ou pelo menos eu, se sentir bem com a sua vida, enxergar os pequenos grandes momentos e sonhar com os próximos. Porque cada vez mais descubro que a vida não termina nos 20, como de se certa forma imaginava.
Ter mais contato com pessoas de mais de 30 anos (e talvez o fato de admirar e ter me apaixonado por uma dessas pessoas, logo aquele que eu já conhecia, ou talvez exatamente por isso, ou porque sempre o admirei mas nunca me permiti algo mais, provavelmente porque ele é casado, mas Freud e a psicanálise abalaram os valores que eu considerava inabaláveis) me permitiu acabar, ao longo do ano, com a noção de que se tem de chegar aos 30 casada e com filhos, porque é isso que se faz na década de 30.
Casada ou solteria, com ou sem filhos, existe vida inteligente para além, muito além!
Não é apesar, mas exatamente por causa de tudo, viver vale à pena.
Estou lendo "Noites Tropicais", de Nelson Motta, e estou admirada com a vida dele e de todos nos anos 60 e 70 (estou começando os 80 agora). Tudo começa com a bossa nova e não poderia começar melhor. E sendo memórias, tudo parece ainda melhor (como parece ser o que diz Apolônio Brasil, filme Hugo Carvana, outro saudosista que não deixa de viver o presente. Ainda não vi o filme, mas lia ótima crítica da contra campo).
E faz você, ou pelo menos eu, se sentir bem com a sua vida, enxergar os pequenos grandes momentos e sonhar com os próximos. Porque cada vez mais descubro que a vida não termina nos 20, como de se certa forma imaginava.
Ter mais contato com pessoas de mais de 30 anos (e talvez o fato de admirar e ter me apaixonado por uma dessas pessoas, logo aquele que eu já conhecia, ou talvez exatamente por isso, ou porque sempre o admirei mas nunca me permiti algo mais, provavelmente porque ele é casado, mas Freud e a psicanálise abalaram os valores que eu considerava inabaláveis) me permitiu acabar, ao longo do ano, com a noção de que se tem de chegar aos 30 casada e com filhos, porque é isso que se faz na década de 30.
Casada ou solteria, com ou sem filhos, existe vida inteligente para além, muito além!
sexta-feira, novembro 21, 2003
"Se existe um pouco de prazer em sofrer"
Ivan Lins - Lembra de mim
Tendo a achar que todo o prazer que consigo tirar de relacionamentos é o sofrimento. Especialmente porque eles nunca são relacionamentos, nunca chegam nem perto disso. São só sentimento, afeto dirigido a um objeto, sem que haja reação de igual força e direção contrária.
Eu sei que tenho de sair do mundo da fantasia, mas quem disse que eu consigo??
Ivan Lins - Lembra de mim
Tendo a achar que todo o prazer que consigo tirar de relacionamentos é o sofrimento. Especialmente porque eles nunca são relacionamentos, nunca chegam nem perto disso. São só sentimento, afeto dirigido a um objeto, sem que haja reação de igual força e direção contrária.
Eu sei que tenho de sair do mundo da fantasia, mas quem disse que eu consigo??
domingo, outubro 26, 2003
Síndrome de Bridget Jones: quadro de alteração do humor, caracterizado por depressão, falta de vontade, perda da esperança no futuro, idéias sobrevaloradas de prejuízo e ruína, choro fácil. Dura poucos dias e geralmente tem início após reuniões de velhos amigos onde se constata que você é a única que continua solteira no grupo. O quadro é auto limitado, e o tratamento definitivo depende de quando (e se...) o destino vai fazer o Mr. Darcy aparecer na sua vida.
Eu quero acreditar, mas hoje, em especial, está difícil...
Eu quero acreditar, mas hoje, em especial, está difícil...
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