Qual a utilidade de um blog? Ser um diário on line, uma forma de tornar públicos, ainda que nem tanto, aqueles seredos que sempre se quiz contar? Ou será uma forma de se exercitar a escrita, ainda que pobre e pouco inspirada? Tento fazer a segunda opção mas geralmente só consigo ficar na primeira. Ainda assim, vou tentando. Ninguém é obrigado a ler, nem estou gastando espaço ou dinheiro dos outros. Deve ser a liberdade virtual.
Mas muita gente tem feito muito bom uso desse tal espaço virtual. Tão bom uso que até já conseguiu espaço real. Parte povo jovem e talentoso escreveu algum dos contos do livro Prosas Cariocas, lançado ontem na Travessa. Momento diário: eu estive lá!! E tenho dedicatória, dentre outros, da Cecília Gianneti, do www.escreveescreve.blogger.com.br (html, html, ainda estou reaprendendo), de quem admiro os escritos e a voz do Casino. Legal, muito legal poder ter contato com quem se admira.
Termina o Linha Direta. Eles voltam na próxima quinta-feira. E eu me lembro que devo ir "pra caminha" já que tenho de estar de pé às seis da manhã...
quinta-feira, setembro 16, 2004
terça-feira, setembro 07, 2004
Os atros não mentem.
E por vezes (ou pelo menos no www.quiroga.net) parecem ser psicanalíticos, só que falam de alma, no lugar de eu/ego...
Touro 07/09/2004
Seja a favor e não em contra, pois ser do contra, apesar de adotar a aparência de independência, faz com que sua alma fique atrelada aos obstáculos e limitações, alimentando-se continuamente desses para sentir-se livre.
E por vezes (ou pelo menos no www.quiroga.net) parecem ser psicanalíticos, só que falam de alma, no lugar de eu/ego...
Touro 07/09/2004
Seja a favor e não em contra, pois ser do contra, apesar de adotar a aparência de independência, faz com que sua alma fique atrelada aos obstáculos e limitações, alimentando-se continuamente desses para sentir-se livre.
quinta-feira, setembro 02, 2004
CONTATO ?!??
Deve haver algum equivalente a uma Ellen Arroway lá em Porto Rico...
E ainda dizem que cinema é ficção. A vida sim, é ficção. E científica!!!
Ainda que isso não seja nada demais, nenhuma mensagem a simples idéia de que realmente pode acontecer é fascinante...
02/09/2004 - 10h13
Sinal de rádio do espaço pode vir de alienígenas--revista
LONDRES (Reuters) - Um inexplicado sinal de rádio do espaço poderia ser um contato de uma civilização alienígena, disse a revista New Scientist na quinta-feira.
O sinal, que veio de um ponto entre as constelações de Peixes e Áries, foi detectado três vezes por um radiotelescópio em Porto Rico.
A New Scientist disse que o sinal poderia ter sido gerado por um fenômeno astronômico previamente desconhecido ou até mesmo ser uma interferência do próprio telescópio.
Mas a misteriosa irradiação entusiasmou astrônomos em todo o mundo.
"Se eles puderam vê-lo quatro, cinco ou seis vezes, realmente começa a ficar empolgante", disse Jocelyn Bell Burnell da Universidade de Bath, no oeste da Inglaterra, à revista.
O sinal foi transmitido na principal frequência em que o elemento mais comum do universo, o hidrogênio, absorve e emite energia, e na qual os astrônomos dizem ser o meio mais provável de alienígenas poderem avisar sobre sua presença.
(Por Alistair MacDonald)
Fonte:http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2004/09/02/ult729u39571.jhtm
Agradecimento: Abel Cordeiro (www.abelcolecao.blog.uol.com.br)
Deve haver algum equivalente a uma Ellen Arroway lá em Porto Rico...
E ainda dizem que cinema é ficção. A vida sim, é ficção. E científica!!!
Ainda que isso não seja nada demais, nenhuma mensagem a simples idéia de que realmente pode acontecer é fascinante...
02/09/2004 - 10h13
Sinal de rádio do espaço pode vir de alienígenas--revista
LONDRES (Reuters) - Um inexplicado sinal de rádio do espaço poderia ser um contato de uma civilização alienígena, disse a revista New Scientist na quinta-feira.
O sinal, que veio de um ponto entre as constelações de Peixes e Áries, foi detectado três vezes por um radiotelescópio em Porto Rico.
A New Scientist disse que o sinal poderia ter sido gerado por um fenômeno astronômico previamente desconhecido ou até mesmo ser uma interferência do próprio telescópio.
Mas a misteriosa irradiação entusiasmou astrônomos em todo o mundo.
"Se eles puderam vê-lo quatro, cinco ou seis vezes, realmente começa a ficar empolgante", disse Jocelyn Bell Burnell da Universidade de Bath, no oeste da Inglaterra, à revista.
O sinal foi transmitido na principal frequência em que o elemento mais comum do universo, o hidrogênio, absorve e emite energia, e na qual os astrônomos dizem ser o meio mais provável de alienígenas poderem avisar sobre sua presença.
(Por Alistair MacDonald)
Fonte:http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2004/09/02/ult729u39571.jhtm
Agradecimento: Abel Cordeiro (www.abelcolecao.blog.uol.com.br)
sábado, agosto 28, 2004
Repetir, Recordar e Elaborar
Título (perfeito) de um texto de Freud. A questão toda é que, ainda que se possa detectar a tal repetição na vida (como ,por exemplo, a "saga" feminina de apaixonar-se sempre por um mesmo tipo de homem ou ainda por uma mesma categoria de homem, ainda que sabendo que as chances de dar certo são poucas.Não tem nada a ver com ter "um tipo de homem", não é preferência, é reptição, você pode nem querer aquele cara.) e ainda que se chegue ao ponto de recordar o que poderia ser o fato "causador"(experesso-me mal, a relação não é causa-efeito, é mais uma relação de efeitos casuais interligados) da tal repetição, pouco muda enquanto não se consegue a tal elaboração. E o que muda é que no meio tempo tem-se consciência da tal repetição, mas ela continua ocorrendo. E aí, fica-se com raiva pela burrice. Ter consciência é uma coisa complicada...
Título (perfeito) de um texto de Freud. A questão toda é que, ainda que se possa detectar a tal repetição na vida (como ,por exemplo, a "saga" feminina de apaixonar-se sempre por um mesmo tipo de homem ou ainda por uma mesma categoria de homem, ainda que sabendo que as chances de dar certo são poucas.Não tem nada a ver com ter "um tipo de homem", não é preferência, é reptição, você pode nem querer aquele cara.) e ainda que se chegue ao ponto de recordar o que poderia ser o fato "causador"(experesso-me mal, a relação não é causa-efeito, é mais uma relação de efeitos casuais interligados) da tal repetição, pouco muda enquanto não se consegue a tal elaboração. E o que muda é que no meio tempo tem-se consciência da tal repetição, mas ela continua ocorrendo. E aí, fica-se com raiva pela burrice. Ter consciência é uma coisa complicada...
quarta-feira, agosto 25, 2004
domingo, agosto 22, 2004
Template novo, pois o outro tinha muitos links que não mais funcinavam e que eu não sei consertar já que desaprendi o pouco que sabia de html e java (disso eu sabia praticamente nada). Por hora fica esse simples, clean, no qual pelo menos volta a parecer o nome do blog: M.D.
Para os próximos dias devo tentar recolocar uma lista de sites e blogs recomendados.
Para os próximos dias devo tentar recolocar uma lista de sites e blogs recomendados.
Pequeno texto inspirado em Fuso Horário do Amor (Décalage Horaire) - comédia romântica francesa, ainda que ligeiramente americanizada (o cinema exemplificando a globalização).
Nunca tinha esperado encontrar alguém como ele. Ou melhor, nunca tinha imaginado que alguém como ele fosse encontrá-la. Muito menos desejá-la, como ele dizia fazer. Estava acostumada com os homens sérios, chatos, que se interessavam por ela de forma racional. Que queriam casar, ter uma vida dita normal.
Estava acostumada com os homens comuns. E por isso acreditava ser também comum.
Quando tudo que queria era ser diferente. Queria fugir da vida programada, da vida ditada pelo senso comum.
Queria ser algo que por muito tempo duvidou que pudesse ser. Ainda que, por alguma estranha razão, não conseguisse simplesmente aceitar aquela vida de trabalho regrado, diversão programada e amor racionalizado. A vida que todos ao seu redor aceitavam tão bem.
Admirava a vida dos amigos que tiveram a coragem de buscar o incerto. Menos pelas baladas, pelas drogas ou pelos amores intensos, inda que rápidos. Ou talvez até por tudo isso e algo mais: a liberdade! Invejava a liberdade de decidir sobre sua vida sem ter de pensar 1000 vezes antes de tomar uma decisão. Invejava não pensar, siplesmente sentir.
Era o queria, mas que já tinha decidido que não poderia fazer. Mais ou menos, já que ainda sonhava, secretamente. Cobrava-se tanto (algo que nem sabia o que) que seus sonhos eram secretos para si mesma.
Enquanto mantinha esses sonhos secretos de liberdade, foi mudando, ainda que não percebesse.
Pois se ainda se cobrasse a normalidade (ainda que dissesse que eram os outros que cobravam) nunca teria aceitado que ele pudesse amá-la. Não da forma regrada como os outros fizeram. Amava-a em liberdade. Sem cobranças, a não ser aquelas do próprio desejo. E ela descobria que era também capaz de ser livre. Ainda que entendesse que a tal liberdade não se devia a ele, era dela mesma, sabia que fora graças a ele que pudera colocar em prática tal conceito. E se por nada mais (e havia muito mais) amava-o simplesmete por isso. Pela priemira vez amava não pelo tempo que fosse necessário, mas pelo tempo que fosse possível.
Nunca tinha esperado encontrar alguém como ele. Ou melhor, nunca tinha imaginado que alguém como ele fosse encontrá-la. Muito menos desejá-la, como ele dizia fazer. Estava acostumada com os homens sérios, chatos, que se interessavam por ela de forma racional. Que queriam casar, ter uma vida dita normal.
Estava acostumada com os homens comuns. E por isso acreditava ser também comum.
Quando tudo que queria era ser diferente. Queria fugir da vida programada, da vida ditada pelo senso comum.
Queria ser algo que por muito tempo duvidou que pudesse ser. Ainda que, por alguma estranha razão, não conseguisse simplesmente aceitar aquela vida de trabalho regrado, diversão programada e amor racionalizado. A vida que todos ao seu redor aceitavam tão bem.
Admirava a vida dos amigos que tiveram a coragem de buscar o incerto. Menos pelas baladas, pelas drogas ou pelos amores intensos, inda que rápidos. Ou talvez até por tudo isso e algo mais: a liberdade! Invejava a liberdade de decidir sobre sua vida sem ter de pensar 1000 vezes antes de tomar uma decisão. Invejava não pensar, siplesmente sentir.
Era o queria, mas que já tinha decidido que não poderia fazer. Mais ou menos, já que ainda sonhava, secretamente. Cobrava-se tanto (algo que nem sabia o que) que seus sonhos eram secretos para si mesma.
Enquanto mantinha esses sonhos secretos de liberdade, foi mudando, ainda que não percebesse.
Pois se ainda se cobrasse a normalidade (ainda que dissesse que eram os outros que cobravam) nunca teria aceitado que ele pudesse amá-la. Não da forma regrada como os outros fizeram. Amava-a em liberdade. Sem cobranças, a não ser aquelas do próprio desejo. E ela descobria que era também capaz de ser livre. Ainda que entendesse que a tal liberdade não se devia a ele, era dela mesma, sabia que fora graças a ele que pudera colocar em prática tal conceito. E se por nada mais (e havia muito mais) amava-o simplesmete por isso. Pela priemira vez amava não pelo tempo que fosse necessário, mas pelo tempo que fosse possível.
sábado, agosto 21, 2004
Igual a Tudo na Vida ou Anything Else (Qualquer Outra Coisa??)
Filme do Woody Allen é aquela coisa: por pior que seja, no mínimo é bom. Pra quem gosta do homem, é calro. Para quem não gosta geralmente vale a mesma frase, só que lida no seu oposto: por melhor que seja, no máximo é ruim.
Um cineasta capaz de fomentar tais paixões já tem crédito pelo simples fato de que isso significa que ele tem personalidade e estilo, os quais impõe a seus filmes. É, sem dúvida, o caso de Allen.
E, para quem interessar possa, eu me incluo no primeiro grupo, os que gostam dos filmes dele!
E gostei muito deste último filme, que está em cartaz atualmente, "Igual a Tudo na Vida".
Poderia falar do que todas as críticas já falaram, de como ele parece fazer sua despedida do estúdio DreamWorks (sim, o filme tem um certo tom melancólico); de como Woody Allen tira ótimas interpretações de todos, em especial de Jason Biggs com seu alter ego jovem; da sempre ótima Cristina Ricci; de como Nova Iorque sempre parece linda e romântica; de como a trilha sonora sempre encanta, ainda que com o jazz de sempre; da visão caricatural da psicanálise; dede como o filme é igual a tudo na vida ou igual a qualquer outra coisa.
Mas tem uma outra coisa que me fascinou no filme e me parece um diferencial, quem sabe até um marcador de uma nosa fase na filmografia de Woody Allen. Dessa vez ele tenta mostrar uma outra geração. A desse pessoal de 20 e poucos a 30 anos, como eu. Foi uma surpresa me sentir de certa forma retratada num filme de Wood Allen. E foi bom ver que esse retrato é apurado e acurado. Não é um "Annie Hall" transposto para os anos 2000, ou até é, mas ele trata dos problemas dessa geração de agora e não daquela geração de 60/70. E essa capacidade de renovar sua temática (que nos últimos filmes vinha sendo apenas comédias leves, releituras de estilos, quase que como uma parada e uma volta a tempos antigos) torna o filme encantador. E cria esperanças para os próximos, pois parece que os temas das dúvidas e dificuldades desse povo de 20/30 foram apenas pincelados. Como num processo investigativo, foi como se Woody Allen começasse a estudar o terrreno, ou os espécimes. Conseguiu detectar algumas coisas interessantes do comportamento deles (sim, o filme é leve e não se parofunda muito nos dilemas que apresenta). E, eu fico esperando, vai começar análisá-los a valer. Pelo menos é o que espero!! (Quem sabe vem por aí um novo Manhatan???)
Ah! O título em inglês é melhor que o brasileiro. E faz mais sentido nas duas vezes em que a frase é proferida no filme. No final das contas, esse tais grandes conflitos dos quais falei nesse pequeno texto têm tanta importância quanto qualquer outra coisa. A ironia é que mesmo sabendo disso continuamos a dar importância. E continuamos tentando entender. Ainda que no meio tempo, continuemos vivendo... ;)
Filme do Woody Allen é aquela coisa: por pior que seja, no mínimo é bom. Pra quem gosta do homem, é calro. Para quem não gosta geralmente vale a mesma frase, só que lida no seu oposto: por melhor que seja, no máximo é ruim.
Um cineasta capaz de fomentar tais paixões já tem crédito pelo simples fato de que isso significa que ele tem personalidade e estilo, os quais impõe a seus filmes. É, sem dúvida, o caso de Allen.
E, para quem interessar possa, eu me incluo no primeiro grupo, os que gostam dos filmes dele!
E gostei muito deste último filme, que está em cartaz atualmente, "Igual a Tudo na Vida".
Poderia falar do que todas as críticas já falaram, de como ele parece fazer sua despedida do estúdio DreamWorks (sim, o filme tem um certo tom melancólico); de como Woody Allen tira ótimas interpretações de todos, em especial de Jason Biggs com seu alter ego jovem; da sempre ótima Cristina Ricci; de como Nova Iorque sempre parece linda e romântica; de como a trilha sonora sempre encanta, ainda que com o jazz de sempre; da visão caricatural da psicanálise; dede como o filme é igual a tudo na vida ou igual a qualquer outra coisa.
Mas tem uma outra coisa que me fascinou no filme e me parece um diferencial, quem sabe até um marcador de uma nosa fase na filmografia de Woody Allen. Dessa vez ele tenta mostrar uma outra geração. A desse pessoal de 20 e poucos a 30 anos, como eu. Foi uma surpresa me sentir de certa forma retratada num filme de Wood Allen. E foi bom ver que esse retrato é apurado e acurado. Não é um "Annie Hall" transposto para os anos 2000, ou até é, mas ele trata dos problemas dessa geração de agora e não daquela geração de 60/70. E essa capacidade de renovar sua temática (que nos últimos filmes vinha sendo apenas comédias leves, releituras de estilos, quase que como uma parada e uma volta a tempos antigos) torna o filme encantador. E cria esperanças para os próximos, pois parece que os temas das dúvidas e dificuldades desse povo de 20/30 foram apenas pincelados. Como num processo investigativo, foi como se Woody Allen começasse a estudar o terrreno, ou os espécimes. Conseguiu detectar algumas coisas interessantes do comportamento deles (sim, o filme é leve e não se parofunda muito nos dilemas que apresenta). E, eu fico esperando, vai começar análisá-los a valer. Pelo menos é o que espero!! (Quem sabe vem por aí um novo Manhatan???)
Ah! O título em inglês é melhor que o brasileiro. E faz mais sentido nas duas vezes em que a frase é proferida no filme. No final das contas, esse tais grandes conflitos dos quais falei nesse pequeno texto têm tanta importância quanto qualquer outra coisa. A ironia é que mesmo sabendo disso continuamos a dar importância. E continuamos tentando entender. Ainda que no meio tempo, continuemos vivendo... ;)
sexta-feira, agosto 20, 2004
Quero escrever, mas não sei sobre o que fazê-lo. Falta inspiração. Na verdade não. No momento estou inspirando e expirando normalmente, significa que estou viva. Mas talvez não minhas idéias, a elas falta inspiração, movimento. Pode ser que o sono também não ajude a manifestação das idéias. Ou pode ser a falta simples e pura de idéias. O que significaria que fiz a escolha certa ao pensar que não poderia ser jornalista e assim acabando como médica. Mas quem disse que jornalistas têm idéias?? De qualquer forma, eu queria mesmo era ter idéias e saber escrevê-las. Ou ainda, filmá-las, trasnformá-las em imagens. E assim emocionar, divertir e, quem sabe, fazer pensar (o que quer que fosse e não o que eu quisesse). Queria para mim um pouquinho desse dom que me fascina cada vez que leio ou que vejo um determinado filme ou ouço uma determinada música. O dom de fazer a diferença para outras pessoas através de algo que não é direto (não é curar ou aliviar a dor), mas que é a capacidade de transmitir uma determinada apreciação do mundo, uma beleza que faz com que um outro pense. Não no que aquela primeira pessoa tinha em mente no momento de construir a obra, mas pensar no que quer que tenha relevancia para quem tem contato com aquela construção do autor. E fazer as pessoas pensarem, seja no que for mesmo que seja a identificação emotiva, é um grande mérito. Coisas possíveis através do belo e do sublime.
domingo, agosto 15, 2004
"Deus é aquilo que me falta para compreender o que não compreendo"
Frase roubada de um comentário do blog do Abel (www.abelcolecao.blog.uol.com.br, esqueci o pouco que sabia de html...). Tem tudo a ver comigo, com o que penso sobre Deus. Porque para mim, o conceito de Deus só pode ser entendido a partir dos mistérios, dos fatos que não somos capazes de explicar, entender. E do fato de tais fatos existirem. E porque existem explicações para todo o resto, então simplesmente não é caso de que as coisas sejam ao acaso, aleatórias. Não consigo entender como algo tão aleatório poderia ser tão perfeitamente explicado, matematicamente explicado. Como pode a própria matemática ser aleatória? E, se não é aleatório, se existem leis universais as quais não somos capazes de entender, bom, alguém deve ser. Alguém superior, capaz de explicar o que eu não compreendo...
E por aí vou seguindo na aventura científico-emotivo-filosófica de encontrar (aceitar? entender?) Deus.
Frase roubada de um comentário do blog do Abel (www.abelcolecao.blog.uol.com.br, esqueci o pouco que sabia de html...). Tem tudo a ver comigo, com o que penso sobre Deus. Porque para mim, o conceito de Deus só pode ser entendido a partir dos mistérios, dos fatos que não somos capazes de explicar, entender. E do fato de tais fatos existirem. E porque existem explicações para todo o resto, então simplesmente não é caso de que as coisas sejam ao acaso, aleatórias. Não consigo entender como algo tão aleatório poderia ser tão perfeitamente explicado, matematicamente explicado. Como pode a própria matemática ser aleatória? E, se não é aleatório, se existem leis universais as quais não somos capazes de entender, bom, alguém deve ser. Alguém superior, capaz de explicar o que eu não compreendo...
E por aí vou seguindo na aventura científico-emotivo-filosófica de encontrar (aceitar? entender?) Deus.
Olimpíadas... Gosto dos Jogos Olímpicos, acredito no ideal de superação humana, que me parece, deveria ser o ideal do esporte. E não o patrocínio de marcas famosas. Muito menos o acúmulo de riqueza. Ainda que não defenda que as pessoas devem ser pobres, vai aí uma diferença. E quando me pergunto se, no final das contas, ainda há ideais no show dos esportes que são os Jogos Olímpicos, a resposta aparece ao ver a entrada das delegações na cerimônia de abertura. Foi verdade, ali, que todos os atletas, patrocinados ou não (e sim, existem muitos atletas lá sem patrocínio), estavam num mesmo posto, eram iguais. Até a primeira competição, quando alguém tem de vencer, eles são iguais (e eu adoro empates...). E cada um tem a chance de superar ao outro e, ainda mais importante, a si mesmo. Então, acho que no fim das contas ainda há algo de subversivo nesse evento tão mercantilizado. Considerando a teoria da conspiração diria que é uma "peça de resistência", ainda que engolfada pela inimigo!
segunda-feira, agosto 02, 2004
Comprei um livro que há muito queria "A Insustentável leveza do Ser". Conhecido (muito) livro de MIlan Kundera. Muito falado, parte da lista de favoritos de muitos amigos. Tinha, talvez ainda tenha, um exemplar aqui em casa mas não achei. Então comprei e logo no final do primeiro capítulo leio algo que me fala diretamente às dúvidas minhas de cada dia:
"Essa reconciliação com Hitler trai a profunda perversão moral inerente a um mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do retorno, pois nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente permitido."
Nem sei se concordo, mas sei que tem a ver com minhas indagações. Mas por enquanto tenho simplesmente feito, talvez um pouco baseada nessa ótica de que tudo é permitido. E quem é que não permite? As leis superiores ou as leis humanas?
"Essa reconciliação com Hitler trai a profunda perversão moral inerente a um mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do retorno, pois nesse mundo tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente permitido."
Nem sei se concordo, mas sei que tem a ver com minhas indagações. Mas por enquanto tenho simplesmente feito, talvez um pouco baseada nessa ótica de que tudo é permitido. E quem é que não permite? As leis superiores ou as leis humanas?
sábado, julho 31, 2004
Tinha escrito sobre o desejo e a psicanálise, mas o pequeno texto se perdeu com um toque errado no teclado. Efêmero, só existiu para mim, ainda que num desejo de que existisse para os outros. Não vou tentar reescrevê-lo.
Mas deixo a música que teria citado.
"Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível"
Skank
Não só sobre um único amor, mas sobre o amor, o bem querer como um todo.
Mas deixo a música que teria citado.
"Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível"
Skank
Não só sobre um único amor, mas sobre o amor, o bem querer como um todo.
quarta-feira, julho 28, 2004
"Não quero lhe falar meu grande amor, das coisas que aprendi nos livros"
Desde muito nova gostei de ler, talvez por haver livros a mão nas estantes de casa. Talvez pelo estímulo, ainda que não intimação, dos pais e familiares. Ainda com a televisão tão fácil (e usada!!).
E aprendi com livros.
Mas aprendo também com a vida. Nada supera as experiências vividas. Nem as lidas, nem ouvidas, nem as assistidas.
Nada supera perder alguém. Um avô. Aquele que, ainda que distantemente fosse lembrado com um carinho enorme, pelos tempos em que não era tão distante. E pelo que era, simplesmente.
Nada supera a tristeza.
A dor nossa e a dos familiares, que compartilhamos.
Nada supera o peso de saber que deveria ter feito uma visita. Aquela que vinha adiando, adiando, adiando.
Agora, me resta acreditar que um dia, de alguma forma, ainda poderei fazer essa visita...
:( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :<
Desde muito nova gostei de ler, talvez por haver livros a mão nas estantes de casa. Talvez pelo estímulo, ainda que não intimação, dos pais e familiares. Ainda com a televisão tão fácil (e usada!!).
E aprendi com livros.
Mas aprendo também com a vida. Nada supera as experiências vividas. Nem as lidas, nem ouvidas, nem as assistidas.
Nada supera perder alguém. Um avô. Aquele que, ainda que distantemente fosse lembrado com um carinho enorme, pelos tempos em que não era tão distante. E pelo que era, simplesmente.
Nada supera a tristeza.
A dor nossa e a dos familiares, que compartilhamos.
Nada supera o peso de saber que deveria ter feito uma visita. Aquela que vinha adiando, adiando, adiando.
Agora, me resta acreditar que um dia, de alguma forma, ainda poderei fazer essa visita...
:( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :< :( :<
E o mês já vai se findando... E o (meu) mundo não acabou. Aquelas noites de sábado não criaram um caos completo, pelo menos não para mim. Ou para ninguém, até onde eu saiba. Mas no terceiro sábado eu arrumei meu armário. Talvez, de alguma forma, eu esteja me rearranjando, arrumando, jogando fora ou dando as coais que não mais me servem. As idéias, culpas e cobranças. Mas não os sonhos e ideais, estes permanacem (ainda que num primeiro momento eu tenha escrito errado, o contrário). Talvez sejam a essência, aquilo que tem de permanecer para que eu permaneça quem sou, ainda que mudando.
Alguém entende essas minhas contradições????
Provável é que não...
Mas, continuo procurando por quem entenda. E no caminho vou tentando explicar para quem se interessar... ;) :)
Ah! E "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" é um filme a ser revisto. E, espero, revisado aqui. Quero escrever, só ainda não consegui. Mas fica a dica, quase intimação, para que seja visto. Um filme sobre a memória do amor, do amor que é feito das memórias (quem disse isso foi a Alejandra), da inexorabilidade do amor (quem disse isso foi o crítico do Globo) e dos momentos que fazem todo o resto valer a pena, independentemente do que virá. Porque não existe "felizes para sempre" mas existem momentos, ainda que fugidios, em que é possível (quiçá impossível não) acreditar. Em que se tem certeza. E esses momentos são para sempre.
"Que seja imortal posto que é chama."
Alguém entende essas minhas contradições????
Provável é que não...
Mas, continuo procurando por quem entenda. E no caminho vou tentando explicar para quem se interessar... ;) :)
Ah! E "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" é um filme a ser revisto. E, espero, revisado aqui. Quero escrever, só ainda não consegui. Mas fica a dica, quase intimação, para que seja visto. Um filme sobre a memória do amor, do amor que é feito das memórias (quem disse isso foi a Alejandra), da inexorabilidade do amor (quem disse isso foi o crítico do Globo) e dos momentos que fazem todo o resto valer a pena, independentemente do que virá. Porque não existe "felizes para sempre" mas existem momentos, ainda que fugidios, em que é possível (quiçá impossível não) acreditar. Em que se tem certeza. E esses momentos são para sempre.
"Que seja imortal posto que é chama."
domingo, julho 04, 2004
E nesse ínterim houve, na segunda, 28 de junho, a gravação do dvd do Los Hermanos, dirigida pelo Eduardo Valente. E eu estava lá no Cine Iris, cantando e pulando!!!
E houve mais algumas coisas muito boas na semana, particularmente na quinta-feira.
Fico a esperar pela quinta dessa semana e o que ela poderá trazer.
E pelo próximo sábado!
Mas assim estou sendo determinista e não estou fazendo sentido.
Quem disse que algo faz?
As leis matemáticas e fisícas parecem fazer esse sentido. E por isso talvez exista Deus.
"Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
e a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé me abandono"
(O Pouco que sobrou - Los Hermanos / Marcelo Camelo)
Se bem que, cada erro parece me aproximar mais. Talvez eu esteja apenas testando os limites da minha própria fé, esperando que algo ou alguém me provem errada.
E houve mais algumas coisas muito boas na semana, particularmente na quinta-feira.
Fico a esperar pela quinta dessa semana e o que ela poderá trazer.
E pelo próximo sábado!
Mas assim estou sendo determinista e não estou fazendo sentido.
Quem disse que algo faz?
As leis matemáticas e fisícas parecem fazer esse sentido. E por isso talvez exista Deus.
"Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
e a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé me abandono"
(O Pouco que sobrou - Los Hermanos / Marcelo Camelo)
Se bem que, cada erro parece me aproximar mais. Talvez eu esteja apenas testando os limites da minha própria fé, esperando que algo ou alguém me provem errada.
A semana
Sábado passado, 26 de junho, foi uma dia estranho. Melhor, foi um dia cuja noite e madrugada foram cheias de ocorrências estranhas. Com conseqüências ruins.
Entretanto, quinta-feira, 1 de julho, aniversário de um amigo, as coisas melhoraram. As nuvens se desfizeram e ainda que permanecesse um clima levemente estranho, de pós tempestade, era notável que ela já tinha passado.
E então viria a bonança?
Bem, não. E ontem, sábado,3 de julho, novos acontecimentos estranhos. Mais uma noite de sábado "diferente". Pontuada por pequeninas descobertas de mal entendidos do passado, e por grandes pequenos erros do presente.
Aceito um apararentemente inocente convite para um chopp numa noite de sábado e acabo responsável pelo sentimento de culpa (a ser expiada?) de um amigo.
Na busca por mim mesma parece que estou conseguindo fazer cada vez mais coisas "erradas".
Transformo-me em uma má pessoa?
Ou será a civilização judaico-cristã que nos contamina com toda a culpa possível e impossível por cada pequeno ato que, não estando enquadrado naquilo que se determinou moral, acabamos tentados a cometer?
Talvez tenha, realmente, que me voltar para uma religião, aceitar normas dogmáticas de como viver. Pois parece que a minha busca particular está cheia de tropeços. Temo que esteja perdendo a integridade que, segundo um amigo, já tive...
Só não me pergunte se não faria de novo... (e exatamente aí reside todo o problema!)
Sábado passado, 26 de junho, foi uma dia estranho. Melhor, foi um dia cuja noite e madrugada foram cheias de ocorrências estranhas. Com conseqüências ruins.
Entretanto, quinta-feira, 1 de julho, aniversário de um amigo, as coisas melhoraram. As nuvens se desfizeram e ainda que permanecesse um clima levemente estranho, de pós tempestade, era notável que ela já tinha passado.
E então viria a bonança?
Bem, não. E ontem, sábado,3 de julho, novos acontecimentos estranhos. Mais uma noite de sábado "diferente". Pontuada por pequeninas descobertas de mal entendidos do passado, e por grandes pequenos erros do presente.
Aceito um apararentemente inocente convite para um chopp numa noite de sábado e acabo responsável pelo sentimento de culpa (a ser expiada?) de um amigo.
Na busca por mim mesma parece que estou conseguindo fazer cada vez mais coisas "erradas".
Transformo-me em uma má pessoa?
Ou será a civilização judaico-cristã que nos contamina com toda a culpa possível e impossível por cada pequeno ato que, não estando enquadrado naquilo que se determinou moral, acabamos tentados a cometer?
Talvez tenha, realmente, que me voltar para uma religião, aceitar normas dogmáticas de como viver. Pois parece que a minha busca particular está cheia de tropeços. Temo que esteja perdendo a integridade que, segundo um amigo, já tive...
Só não me pergunte se não faria de novo... (e exatamente aí reside todo o problema!)
domingo, junho 27, 2004
Viver às vezes me parece ser um simples exercício de fina irônia. A "coisa" (força, energia, destino, Natureza, Deus) que comanda a tudo ou que pelo menos determinou o início (porque houve um início e eu ainda não consigo entender um início do nada, então, tenho que acreditar que havia algo, se não há...) tem o dom da ironia. Ás vezes é difícil perceber a ironia quando se esta no meu de uma determinada situação, assim como quando fazem uma pirada irônica sobre nós. Mas se for possível, em algum momento, parar e observar boa parte das situações da vida, percebesse que por pior que sejam, há algo de muito engraçado nelas. Por isso a comédia é um genêro básico das artes.
A ironia (ou pelo menos uma delas) atual da minha vida é que estou imersa em situações dignas do velho (nem tanto) Barrados no Baile. Quem vai ficar, já ficou ou quer ficar com quem. Isso num ambiente que deveria ser de trabalho, mas parece mais de faculdade. Não é uma crítica destrutiva, até porque, eu faço parte (ativa!) dessa ciranda, mas acho que pode ser bom parar para perceber as coisas. Não me impede de continuar fazendo o que faço, mas quem sabe pelo menos faça melhor. E isto significa, não magoar pessoas no caminho. Sempre o mais importante é buscar a felicidade, mas sem que isso fira a felicidade dos outros.
mas às vezes a gente faz pequenas besteiras, meio sem querer, por pura falta de senso crítico no momento. Às vezes parar para pensar por 1 minuto é a coisa mais importante que podemos fazer. E isso geralmente ocorre quando não há grandes emoções envolvidas (quando elas existem falam por si próprias, se auto justificam e pensar não é importante), é quando simplesmente nos deixamos ser um pouquinho inconsequentes. Mas esquecemos dos amigos ou colegas que podemos ferir, ainda que sem querer...
Mas, por pior que seja a pequena tragédia (e não é tão grande, espero eu) há toda uma grande ironia intrinseca. Digna de um filme!! (Só falta aprender a escrever roteiro!)
A ironia (ou pelo menos uma delas) atual da minha vida é que estou imersa em situações dignas do velho (nem tanto) Barrados no Baile. Quem vai ficar, já ficou ou quer ficar com quem. Isso num ambiente que deveria ser de trabalho, mas parece mais de faculdade. Não é uma crítica destrutiva, até porque, eu faço parte (ativa!) dessa ciranda, mas acho que pode ser bom parar para perceber as coisas. Não me impede de continuar fazendo o que faço, mas quem sabe pelo menos faça melhor. E isto significa, não magoar pessoas no caminho. Sempre o mais importante é buscar a felicidade, mas sem que isso fira a felicidade dos outros.
mas às vezes a gente faz pequenas besteiras, meio sem querer, por pura falta de senso crítico no momento. Às vezes parar para pensar por 1 minuto é a coisa mais importante que podemos fazer. E isso geralmente ocorre quando não há grandes emoções envolvidas (quando elas existem falam por si próprias, se auto justificam e pensar não é importante), é quando simplesmente nos deixamos ser um pouquinho inconsequentes. Mas esquecemos dos amigos ou colegas que podemos ferir, ainda que sem querer...
Mas, por pior que seja a pequena tragédia (e não é tão grande, espero eu) há toda uma grande ironia intrinseca. Digna de um filme!! (Só falta aprender a escrever roteiro!)
quinta-feira, junho 24, 2004
Temível Ataque dos Incas Venusianos
Domingo, 20 de junho, no sempre profundo Jornal da Família do Globo a matéria de capa foi sobre Neurociência e Psicanálise. O tema está na moda, pois também no caderno Mais da Folha (já disse aqui uma vez e repito, uma das melhores publicações do país) havia uma entrevista sobre isso. O entrevistado do Mais, o neurocientista Mark Solms, era também citado no Jornal da Família.
Difícil decidir qual das matérias foi pior...
Se a do Jornal da Família populariza demais o tema, chagando a cometer erros ao tentar fazer determinações com achados ainda pouco conclusivos de pesquisas básicas (Neurociência ainda é pesquisa básica! Quer dizer, ainda não tem como dar explicações, ela busca apenas comprovar fenômenos!). O maior dos erros sendo aquela "localização" neuroanatômica da aparelhagem psíquica de Freud. Difícil aceitar que o Incosciente "esteja" em bulbo, ponte e mesencéfalo, já que o Inconsciente é próprio do humano e tais estruturas são filogenéticamente mais antigas, estando presentes em outros animais (como explicar que eles não tenham Inconsciente?). Talvez assumam que assim seja porque entendem Inconsciente como fonte de "impulsos" que para eles devem ser o mesmo ou quase o mesmo que "instintos". Não devem saber a diferença de "instinto" e "pulsão". De qualquer forma, não dá para aceitar Inconsciente pré cortical, não faz sentido! Mas, pelo menos a reportagem é toda capenga, pobre em informações e não se assume como sendo científica. Como toda reportagem desse suplemento, quer-se apenas como mera informação para que a "família" tenha matéria para conversas. Papai e mamãe devem ter se achado mais inteligentes depois de lerem aquilo, mas isso servirá apenas de bate papo na roda de amigos.
O caderno Mais, por outro lado, quer-se um suplemento um pouco mais sério. Ainda que não seja um caderno de ciências, no mínimo tenta ser um mero informativo um pouco mais detalhado e crítico que o Jornal da Família. E na verdade nem é para o Mais e sim para o próprio entrevistado. Mark Solms defende a busca de correlatos da Psicanálise pela Neurociência. Pesquisa sempre é válida e o próprio Freud tentava, no início da sua carreira, buscar os correlatos neurológicos e físicos para alguns de seus achados clínicos, de acordo, claro, com as possibilidades de entendimento da época (fim do séculoXIX, início do XX). Portanto, a pesquisa em Neurociência tem validade, pode ser útil, ainda que, por enquanto essa utilidade não seja para clínica, pois, volto a repetir, ainda é pesquisa básica, é procura de fenômenos, criação de hipóteses que expliquem tais fenômenos e tentativa de validação de tais hipóteses. Ainda não podemos saber se as hipóteses vão se confirmar! E por isso é complicado entender como alguém que trabalha nessa área pode falar ao público como se falasse de certezas. E ainda como que alguém que se propõem a estudar correlatos da Psicanálise pode dizer que faz seus experimentos com primatas. Nào existe análise de animais! Não se pode estudar Psicanálise com animais! Eles estão estudando qualquer outra coisa, como Neurofisiologia do Comportamento (a área pela qual Erik Kandel ganhou o prêmio Nobel), mas não Psicanálise. Já é difícil os psicanalistas aceitarem essas pesquisas (e isso eu não entendo direito porque), mas, falando de pesquisa com primatas fica impossível não só para eles como para qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento da área.
No final, fica difícil saber qual das duas matérias foi pior para a divulgação tanto da Neurociência quanto da Psicanálise. Ao tentarem falar de uma interface que é por demais interessante e polêmica fizeram apenas criar uma idéia errada para os leigos e não acrescentar em nada para quem acompanha e se interessa pelo tema. Criaram um Inca Venusiano, uma figura saída das profundezas abissais, que deforma o conhecimento ao invés de informar.
Lembrando apenas que o erro é menos dos jornalistas que escreveram e mais dos "divulgadores" das duas áreas!
Domingo, 20 de junho, no sempre profundo Jornal da Família do Globo a matéria de capa foi sobre Neurociência e Psicanálise. O tema está na moda, pois também no caderno Mais da Folha (já disse aqui uma vez e repito, uma das melhores publicações do país) havia uma entrevista sobre isso. O entrevistado do Mais, o neurocientista Mark Solms, era também citado no Jornal da Família.
Difícil decidir qual das matérias foi pior...
Se a do Jornal da Família populariza demais o tema, chagando a cometer erros ao tentar fazer determinações com achados ainda pouco conclusivos de pesquisas básicas (Neurociência ainda é pesquisa básica! Quer dizer, ainda não tem como dar explicações, ela busca apenas comprovar fenômenos!). O maior dos erros sendo aquela "localização" neuroanatômica da aparelhagem psíquica de Freud. Difícil aceitar que o Incosciente "esteja" em bulbo, ponte e mesencéfalo, já que o Inconsciente é próprio do humano e tais estruturas são filogenéticamente mais antigas, estando presentes em outros animais (como explicar que eles não tenham Inconsciente?). Talvez assumam que assim seja porque entendem Inconsciente como fonte de "impulsos" que para eles devem ser o mesmo ou quase o mesmo que "instintos". Não devem saber a diferença de "instinto" e "pulsão". De qualquer forma, não dá para aceitar Inconsciente pré cortical, não faz sentido! Mas, pelo menos a reportagem é toda capenga, pobre em informações e não se assume como sendo científica. Como toda reportagem desse suplemento, quer-se apenas como mera informação para que a "família" tenha matéria para conversas. Papai e mamãe devem ter se achado mais inteligentes depois de lerem aquilo, mas isso servirá apenas de bate papo na roda de amigos.
O caderno Mais, por outro lado, quer-se um suplemento um pouco mais sério. Ainda que não seja um caderno de ciências, no mínimo tenta ser um mero informativo um pouco mais detalhado e crítico que o Jornal da Família. E na verdade nem é para o Mais e sim para o próprio entrevistado. Mark Solms defende a busca de correlatos da Psicanálise pela Neurociência. Pesquisa sempre é válida e o próprio Freud tentava, no início da sua carreira, buscar os correlatos neurológicos e físicos para alguns de seus achados clínicos, de acordo, claro, com as possibilidades de entendimento da época (fim do séculoXIX, início do XX). Portanto, a pesquisa em Neurociência tem validade, pode ser útil, ainda que, por enquanto essa utilidade não seja para clínica, pois, volto a repetir, ainda é pesquisa básica, é procura de fenômenos, criação de hipóteses que expliquem tais fenômenos e tentativa de validação de tais hipóteses. Ainda não podemos saber se as hipóteses vão se confirmar! E por isso é complicado entender como alguém que trabalha nessa área pode falar ao público como se falasse de certezas. E ainda como que alguém que se propõem a estudar correlatos da Psicanálise pode dizer que faz seus experimentos com primatas. Nào existe análise de animais! Não se pode estudar Psicanálise com animais! Eles estão estudando qualquer outra coisa, como Neurofisiologia do Comportamento (a área pela qual Erik Kandel ganhou o prêmio Nobel), mas não Psicanálise. Já é difícil os psicanalistas aceitarem essas pesquisas (e isso eu não entendo direito porque), mas, falando de pesquisa com primatas fica impossível não só para eles como para qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento da área.
No final, fica difícil saber qual das duas matérias foi pior para a divulgação tanto da Neurociência quanto da Psicanálise. Ao tentarem falar de uma interface que é por demais interessante e polêmica fizeram apenas criar uma idéia errada para os leigos e não acrescentar em nada para quem acompanha e se interessa pelo tema. Criaram um Inca Venusiano, uma figura saída das profundezas abissais, que deforma o conhecimento ao invés de informar.
Lembrando apenas que o erro é menos dos jornalistas que escreveram e mais dos "divulgadores" das duas áreas!
Minha amiga de Quito tem um blog. Se você vem aqui (depois de tanto às traças talvez ainda tenha sobrado algum você), vá lá!
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