segunda-feira, dezembro 01, 2008
Se fosse verdade, como no filme, que o desencontro fatídico do amor não impede a sua realização? E que um novo encontro acontece, sempre, como uma segunda chance?
Se isso fosse verdade o paraíso também poderia ser. E avós iriam para lá...
A gente tem que acreditar em algumas coisas.
domingo, novembro 30, 2008
Mas ele foi embora. Dizendo que amava mas que estava insatisfeito, triste, em crise de 37 anos. E ela nem conseguiu odiá-lo. Só chorou. Lembrou-se de uma sensação infantil, de abandono, um medo que devia ter sentido quando bebê. Ele lhe proporcionara os dias mais felizes de sua vida, para terminar com os mais tristes. Uma semana de tristeza profunda, de Tylenol diário para dor de cabeça, de pensar em um Rivoltril para fingir esquecer. Mas ela não era do tipo que queria esquecer. Queria chorar, chorar, chorar, imaginando que aquilo tudo fosse um pesadelo, que iria acordar para encontrá-lo dormindo ao seu lado, como sempre. Como nunca, a partir de então.
Chorou por sete dias, amparada pela família, amigos e pelo Tylenol. Se alimentou de chocolates da Kopenhagem, um prazer que era puro gozo, pois comia desejando vê-lo adentrar o apartamento e sorrir dizendo que então era assim, facilmente substituído por um bombom de licor, e então abraçá-la e beijá-la, dizendo que nunca mais cometeria o desatino de deixá-la.
Ele não apareceu, escreveu 3 emails e uma mensagem de celular perguntando se ela estava bem. Ela respondeu apenas, Não. Com amor., e um verso de Against all Odds, porque nenhuma canção mais elaborada vinha a sua cabeça como traduação da sua dor. "As canções mais tolas, tendo seus defeitos, sabem diagnosticar, o que vai no peito." Ela já lhe citara os versos de Lulu Santos, sabia que ele entenderia os de Phil Collins, mesmo não gostando muito de nenhum dos dois. Agora, pelo visto, também não gostava muito dela.
Mas hoje ela precisava trabalhar. Não podia mais faltar. Não podia arriscar perder seu emprego, após perder o amor. Vestiu-se da melhor forma possível, para parecer melhor do que estava, o que acabava entregando tudo de forma contrária. Chorou um pouco na frente do espelho, desejando de forma mágica que aquelas fossem as últimas lágrimas. A dor em algum lugar no meio do seu corpo a lembrava de que ainda seriam necessárias muitas lágrimas para aplacar aquilo que parecia um buraco interior. Engraçado como se pode sentir dor só emocional. Não havia lesões, machucados ou cortes aparentes no seu corpo. Mas em algum lugar, nem bem interno, nem bem externo, no corpo mesmo, só que sem aparecer, ela estava simplesmente despedaçada. Quando se doa si próprio a um outro e esse outro um dia simplesmente vai embora de você, é como se o corpo se esvasiasse, como se fosse só uma fantasia, uma capa, a ser preenchida. Ele a prenchera durante cinco anos. Mas, como com o Elefante de Drummond:
"caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual muito desmontado. "
O amor dele fora sua cola, mas secara. E agora, ainda que desomoronada e catando pedaços emocionais de si mesma, precisava recomeçar. E o amanhã já era hoje.
O mundo, na sua microsfera carioca, não esperava por ela, as pessoas passavam sem nem mesmo notar-lhe os olhos vermelhos, as lágrimas furtivas. Sozinha de novo, teria de se haver com a sua vida inserida nesse Rio, onde até o sol e o céu azul pareciam desdenhar de seu sofrimento. Tinha um ônibus para pegar.
sábado, novembro 29, 2008
Quase - Caetano Veloso
Quero escrever um texto que sublime meu sentimento. Transformar em palavras um querer, desejo de encontro, descoberta de um novo alguém. Isso que faz sorrir à toa e incomoda ao mesmo tempo. Que faz ansiar que o outro também queira, se interesse. Fantasiar possibilidades. Sonhar acordada. E dormindo. Um querer que se baseia em um quase nada.
Continuo tentando...
domingo, novembro 23, 2008
Se "Eu, meu irmão e nossa namorada" (o título original é tão melhor...) se faz interessante a partir da atuação de Steve Carel, pode-se, e não ao mesmo tempo, dizer o mesmo de Romance e a atuação de Wagner Moura. Romance, diferente da comédia quase água com açúcar americana, é um bom filme, talvez ótimo mesmo, com um rotiero inteligente, numa muito interessante união dos estilos multirreferenciais de Guel Arraes e Jorge Furtado, e boas atuações de um ótimo elenco. Elenco ótimo, atuações "apenas" boas? É. Culpa do Wagner Moura, cuja paixão romantica transborda de tal forma pelo filme que deixa todos os outros colegas de cena parecendo meio caricatos, frente a verdade de sua representação. Wagner parece atuar como seu personagem define o amor: verdade e representação ao mesmo tempo. Seja como for, é contagiante, apaixonante vê-lo na tela. Pena que ofusca um pouco os outros em cena. Ou talvez essa tenha sido a meta da direção: colocar os amantes, Pedro e cAna (Letícia Sabatella sustenta muitíssimo bem o par romântico!) como centro de verdade do filme, ou talvez eles também sejam caricatos enquanto representação de um amor tão romântico. O roteiro hiperreferencial joga sempre com a idealização do amor romantico, a partir do mito de Tristão e Isolda, cuja montagem teatral é o mote inicial do encontro dos amantes e base para todo o roteiro.
Um filme mais sóbrio visualmente que o anterior "Lisbela e o Prisioneiro", mas que no fundo segue a mesma linha, num misto de filme com apelo popular mas que nos brinda com algo mais interessante que entretenimento vazio.
segunda-feira, novembro 03, 2008
domingo, outubro 26, 2008
You tube: Wonderwall (Oasis)
domingo, setembro 28, 2008
Senão vivê-la?
Viver
“Sonhar talvez”
O que fazer do sonho
Se sonhar parece pouco?
Se contamina a vida
De angústia
De desejo
O que fazer do desejo
Senão realizá-lo?
Viver, realizando o desejo impossível dos sonhos.
"We are such stuff
As dreams are made on; and our little life
Is rounded with a sleep."
William Shakespeare, The Tempest, Act 4, Scene 1.
domingo, setembro 07, 2008
Se você disser que eu desafino, amor
Saiba que isso em mim, provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas, o que Deus me deu.
Se você insiste em classificar
meu comportamento de antimusical
Eu mesmo mentindo, devo argumentar
Que isto é bossa nova, que isto é muito natural.
O que você não sabe, nem sequer pressente
é que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolleyflex
Revelou se a sua enorme ingratidão.
Só não poderá falar assim do meu amor
Ele é o maior que você pode encontrar, viu?
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados,
No fundo do peito, bate calado
No peito dos desafinados
Também bate um coração
domingo, agosto 24, 2008
Mas não sou eu também controlada, só que apenas pela forma indireta, pela mídia e sua manipulação de pensamentos e sentimentos? Esse poder midiático não faz parte também de nosso mundo ocidental neo-liberal?
Qual será então a diferença? Servir ao Partido e servir ao Mercado? Acreditar na democracia ou no poder do povo? Uma democracia corrupta ou um poder do povo burocrático? Liberdade de sonhar com conquitas individuais ou garantia de um mínimo de conquistas na coletividade?
Eu escolho a liberdade, ainda que sabendo que essa escolha nada tem de inocente ou genuína. Ela é fruto dos meus referências ocidentais.
Não somos livres de princípio, somos fruto de desejos de nossos pais e sujeitos assujeitados da cultura, a qual é uma construção humana. Mas também assujeitados a algo que escapa ao humano (Real, Inconsciente, Deus, Destino, Natureza, outros...).
Isso que escapa é matéria de sonhos (de superação), de arte, do que fascina e incomoda (aqui me lembro do Coringa de Heather Ledge, o incomodo que surge em meio ao que poderia ser apenas banal, entreterniment). E também dos lapsos, dos chistes, dos erros que não se explicam (a queda de Diego Hipólito...), da agressividade que transformamos em esporte, em competição.
Seja qual for o tipo de controle (no final sempre relacionado ao dinheiro e ao poder), há de haver algo que escape enquanto aqui existam humanos. Eu gosto de chamar isso de liberdade, mas há outros nomes possíveis.
terça-feira, agosto 05, 2008
sábado, agosto 02, 2008
Auto referências...
Domingo, Maio 28, 2006Apesar de tudo, do quanto te conheço, do quanto sei de suas atitudes, não consigo deixar de pensar que poderia ser legal. Que, de alguma forma mágica, a lá comédia romântica, poderia dar certo. A vida não é comédia romântica, pelo menos a minha ainda não foi (mas já foi romance, ainda que um pouco triste, mas ainda assim romance) mas fico imaginando que poderíamos ser legais, um com o outro, um para o outro.Mas, não tem nada a ver mesmo, então, esse post será minha tentativa de, ao exteriorizar essa idéia, acabar com ela. Não pensarei mais nisso, mas, como diriam os Paralamas...
| sabe... ja sonhei bastante... queria em um outro momento ler um texto assim... feito p/ mim! como procurei... de rpente essa é a graça né? Eu Hoje, sábado, 02 de agosto de 2008 O engraçado é que a pessoa em quem pensava ao escrever esse texto nem deve ter lido, nem sabido dos meus pensamentos. Foi inspiração, talvez alguém ou um sentimento que existiu mais em meus pensamentos e imaginações . Fico pensando o quanto me perco na procura do outro, o quanto fantasio um outro perfeito e não perco a oportunidade de enxergar o próximo ao lado. Talvez me perca tentando me achar. Será essa a graça, Eu? ;-) |
domingo, julho 06, 2008
terça-feira, abril 22, 2008
My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado)
Wong Kar Wai, 2007
Às vezes é necessário que nos afastemos de nosso lugar de origem para que possamos ter uma outra percepção do que nos rodeia. Às vezes estar num outro lugar que nos é estranho, que não causa a familiaridade da origem permite a emergência de algo novo em nós mesmos. Talvez o já conhecido evoque mais racionalização e crítica (mas não sem sentimento), e quando estamos diante de algo novo apareça mais o afeto puro, ainda sem muita possibilidade de crítica, pois ainda não conhecemos aquilo que nos aparece.
O (primeiro) filme americano de Wong Kar Wai me fez pensar nisso. Talvez por ter me parecido seu filme mais sentimental, de um diretor cujos filmes sempre me pareceram marcados por sentimentos enormes, mas reprimidos, impossíveis. 2046, seu filme anterior, me fez pensar exatamente na (im)possibilidade do amor. Mas este My Blueberry Nights (cujo título brasileiro é simpático á doçura do filme, na verdade os títulos brasileiros dos filmes de Wong Kar Way são sempre bons) fala exatamente da busca de possibilidades. Começa com um fim de relacionamento, que leva ao um encontro. Norah Jones (que funciona como atriz, sua inexperiência parece ser utilizada pelo diretor exatamente para marcar a experiência de uma jovem inocente, no sentido de não prejulgar, criticar, de tomar as experiências como algo novo, como uma primeira vez, inexperiência cinematográfica vira inocência de olhar sobre o mundo) e Jude Law (maravilhoso, sempre, charmoso, sempre) se conhecem em meio a outras histórias de cada um, principalmente a dela. Mas Norah/Elizabeth vai embora, fazendo talvez a escolha menos usual, tal qual escolher a blueberry pie do título. Se aventura sozinha na América, não fugindo de uma nova história de amor (mantém cartões postais que contam sua vida para Jude/Jeremy), mas como se fosse necessário procurar algo de si mesma ao se aventurar, para poder retornar e começar um novo amor. Para que este seja realmente novo. A aventura, o risco, está na viagem, na solidão, na falta de certezas marcadas. Mas o que aparece nessa viagem são os encontros de outras pessoas, de outras possibilidades, espelhos que permitem a Elizabeth se reconhecer e descobrir nas diferenças de reflexo. E ao final, bem, ao final descobrimos nós que Wong Kar Wai também se permitiu uma nova escolha, talvez um momento de se reconhecer no reflexo do espelho americano e fazer um conto mais doce que os seus anteriores. Talvez um olhar inocente sobre uma outra cultura tenha permitido uma expressão mais sentimental que reprimida (ainda que essa repressão fizesse transbordar o sentimento, espelhando, permitindo identificação e encantamento...). Diferente, ainda que sendo a mesma base. Agridoces noites, mais doces... :-)
domingo, abril 20, 2008
Coisas da atração, esse estranho poder interno que nos permite o encantamento com o outro e sobre o qual eu não tenho mínimo controle. Mas vivo a tentar controlar...
domingo, março 16, 2008
sábado, março 15, 2008
You Act Like You Are 25 Years Old |
You are a twentysomething at heart. You feel like an adult, and you're optimistic about life. You feel excited about what's to come... love, work, and new experiences. You're still figuring out your place in the world and how you want your life to shape up. The world is full of possibilities, and you can't wait to explore many of them. |
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Eu já fui a Salvador, mas minha fitinha azul no pulso esquerdo não me foi presenteada lá. Eu até ganhei uma lá, rosa, está amarrada em uma bolsa que usava no dia. As coisas das quais somos capazes de lembrar... Um determinado momento e uma fitinha rosa.
Mas a rosa está na bolsa, no pulso tenho a azul. E quando amarrei a azul, aqui no Rio, oferecida como lembrança por uma amiga que fora a Salvador mais de um ano depois da minha estada, bem, quando amarrei a fita eu fiz o que me disseram para fazer.
Eu fiz pedido. Um desejo.
Foi por isso que em Salvador, a terra das tais fitinhas, não amarrei nenhuma ao pulso. Fui sensata em não fazer pedidos. Eu já tivera minha cota de desejos naquele momento, melhor não exagerar. E de qualquer forma, ter uma esperança de desejo amarrada ao seu pulso, como lembrança concreta do desejo, parece um fardo. E desejos não devem ser fardos, pesos, ainda que sejam trabalhosos.
E eu ainda tenho essa fitinha azul, já desbotada, puída, amarrada ao meu pulso, três anos após o amarramento ao pedido. Nem o desejo se realizou, nem eu tive coragem de arrancar a fitinha. Isso vindo de alguém que discute a fé deixa claro que há algo de místico e sagrado que persiste à lógica e à ciência.
Persiste também o desejo.
Já quis arrancar a fita, por raiva, por não me importar, por não combinar com a roupa.
Mas ela persiste. Já puída. Até quando?
terça-feira, fevereiro 05, 2008
sábado, fevereiro 02, 2008
O pessoal da Contracampo e suas ótimas críticas/análises cinematográficas... Em especial essa de Desejo e Reparação está perfeita: http://contracampo.com.br/90/critatonement.htm
domingo, janeiro 27, 2008
With plasticine porters with looking glass ties
Suddenly someone is there at the turnstile
The girl with kaleidoscope eyes
Lucy in the sky with diamonds, Beatles
Mas também hoje, e ainda, a arte serve como resistência ao poder, ao domínio. Se a contra-cultura foi sim fagocitada pelo poder liberal-capitalista, se virou objeto de mercado, ela continua a deixar sua influência, por baixo de toda a massificação que lhe foi injetada. Quando se assiste a um musical em inglês, com musicas de um famoso grupo inglês da década de 1960, com arranjos que em alguns momentos remetem a antigos musicais americanos e em meio a tudo isso que parece já tão massificado encontra-se a beleza, a alegria e algo que permite enxergar o mundo, pensá-lo, talvez aí tenhamos mais uma vez a demonstração da estética e da ética da arte. O humano ainda encontra seus caminhos, para o bem e para o mal.
Belo "Beatles num céu de diamantes".
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird, Beatles