domingo, agosto 24, 2008

O fim do Jogos Olímpicos de Pequim 2008

Eu gosto de teorias da conspiração. Li há não muito tempo o que chamo de "trilogia do futuro presente": Admirável Mundo Novo (nosso mundo neo-liberal-capitalista?), 1984 (o mundo socialista-totalitário: a China? Só que mais colorida que a Eurasia) e A Revolução dos Bichos (a alegoria do princípio). Vi as Olimpíadas de Pequim me perguntando sobre quem são aquelas pessoas. Até que ponto uma sociedade de regras culturais e morais diferentes (como todo o oriente em comparação com o ocidente, e vice-versa) ou uma sociedade controlalada, de formas diretas e indiretas.
Mas não sou eu também controlada, só que apenas pela forma indireta, pela mídia e sua manipulação de pensamentos e sentimentos? Esse poder midiático não faz parte também de nosso mundo ocidental neo-liberal?
Qual será então a diferença? Servir ao Partido e servir ao Mercado? Acreditar na democracia ou no poder do povo? Uma democracia corrupta ou um poder do povo burocrático? Liberdade de sonhar com conquitas individuais ou garantia de um mínimo de conquistas na coletividade?
Eu escolho a liberdade, ainda que sabendo que essa escolha nada tem de inocente ou genuína. Ela é fruto dos meus referências ocidentais.
Não somos livres de princípio, somos fruto de desejos de nossos pais e sujeitos assujeitados da cultura, a qual é uma construção humana. Mas também assujeitados a algo que escapa ao humano (Real, Inconsciente, Deus, Destino, Natureza, outros...).
Isso que escapa é matéria de sonhos (de superação), de arte, do que fascina e incomoda (aqui me lembro do Coringa de Heather Ledge, o incomodo que surge em meio ao que poderia ser apenas banal, entreterniment). E também dos lapsos, dos chistes, dos erros que não se explicam (a queda de Diego Hipólito...), da agressividade que transformamos em esporte, em competição.
Seja qual for o tipo de controle (no final sempre relacionado ao dinheiro e ao poder), há de haver algo que escape enquanto aqui existam humanos. Eu gosto de chamar isso de liberdade, mas há outros nomes possíveis.

terça-feira, agosto 05, 2008

"Eu vou por aí quando a dor me encontra
Ouvindo as canções que já sei de cor
E o meu coração vai achar bem fundo
O amor Maior "
O Som da Música, versão de Claúdio Botelho para The Sound of Music de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II
Você já voltou no tempo?
Não é necessário um DeLorean movido a plutônio. Às vezes um momento, uma música, uma pessoa, um cheiro, uma peça de teatro permitem a viagem. Viagem interna, de volta a uma outra idade. Eu voltei aos meus 12 anos de idade quando assisti, domingo dia 03 de agosto de 2008, aos 29 anos de idade, a montagem de A Noviça Rebelde. Voltei a idade quando vi o filme pela primeira vez, no Supercine. Bom ano o de 1992, algum programador de filmes da Globo teve idéia feliz de fazer um festival de clássicos no, à época, nem tão triste horário dos sábados à noite. Vi alguns dos grandes clássicos neste ano, neste horário. (Alguns anos depois, talvez o mesmo programador, teve uma outra idéia genial: um festival de Chaplin! O horário era mais ingrato, domingo à noite, mas ainda assim foi uma alegria ver Chaplin substituindo os Charles Bronsons da vida).
Adorei aquele filme, que a princípio achava que seria "bobo" (aos 12 anos eu já me achava crítica e adulta). Eu fiquei triste quando Maria voltou para o convento e acreditei que ela se tornaria freira. Que delícia foi ver a seqüência de "Something Good" e a dança do laendler (google e wikipedia me ajudaram a acertar o nome), eu sonhei muito em dançar aqueles passos com alguém. Terminei o filme encantada, querendo ver de novo, querendo cantar as músicas. Sei todas! Vi o filme algumas muitas vezes depois.
E domingo, no teatro, voltei a esse momento. Me encantei quase como aos 12 anos. Até me surpreendi, pois a montagem muda algumas músicas de lugar, inclui dois números que não existem no filme e acima de tudo, mesmo que muito baseada no filme (e essa é a única crítica, no início é um pouquinho difícil desgrudar da comparação), a peça consegue ser uma obra independente. Aos poucos os elementos inicialmente que parecem cópia do filme vão ganhando vida própria, se tornam referências (homenagens?) e elementos outros vão surgindo e garantindo a bela montagem caracteríticas próprias. As versões das músicas são os primeiros elementos a fazer essa apropriação de um original sem se tornar cópia. Alguns versos mantém sonoridade ganhando novos sentidos, sem destoar do original, mas sem precisar ser mera tradução. O verso citado lá em em cima é um exemplo.
Mas também os personagens e os atores que os encarnam conseguem essa mágica, da referência sem ser plágio. Alguns ainda se sobressaem, como o Tio Max de Fernando Eiras, simplesmente divertido, irônico e cativante, como o do filme mas sem ter nada a ver com aquele. O Capitão Von Trapp de Herson Capri, se não canta tanto quanto aquele de Cristopher Plummer, é muito mais apaixonante do que o do filme. Comparar a Maria é mais difícil, Julie Andrews ficou marcada pelo papel, mas ainda assim Kaira Sasso não fica a dever e cria uma Noviça mais leve e até mais decidida, mais século XXI. As crianças são lindas, a pequena Gretel em especial, pena não ter tido créditos para que eu soubesse qual era o elenco infantil do domingo (e também não consegui comprar o programa, tudo muito cheio no grande Oi Casa Grande, podem melhorar a organização) e todo o elenco, com a Madre Superiora que canta muito, já tão falada é muito bom.
Cenários incríveis que sobem, descem, iluminação que cria Alpes no entardecer, noites e chuvas. Figurinos que completam.
No todo um grande espetáculo musical, que emociona adultos, idosos, crianças e aidna faz alguns adultos se sentirem criança novamente.
E você não acredita em viagem no tempo...
Serviço: no site oficial (anovicarebelde.com.br) pode-se ouvir as músicas.

sábado, agosto 02, 2008

Auto referências...

Domingo, Maio 28, 2006
Apesar de tudo, do quanto te conheço, do quanto sei de suas atitudes, não consigo deixar de pensar que poderia ser legal. Que, de alguma forma mágica, a lá comédia romântica, poderia dar certo. A vida não é comédia romântica, pelo menos a minha ainda não foi (mas já foi romance, ainda que um pouco triste, mas ainda assim romance) mas fico imaginando que poderíamos ser legais, um com o outro, um para o outro.
Mas, não tem nada a ver mesmo, então, esse post será minha tentativa de, ao exteriorizar essa idéia, acabar com ela. Não pensarei mais nisso, mas, como diriam os Paralamas...
"Se você lembrar,
se quiser jogar
Me liga, me liga"

M.D. // Comentários
Nov 16 2007, 12:59 am
sabe... ja sonhei bastante... queria em um outro momento ler um texto assim... feito p/ mim! como procurei... de rpente essa é a graça né?
Eu


Hoje, sábado, 02 de agosto de 2008
O engraçado é que a pessoa em quem pensava ao escrever esse texto nem deve ter lido, nem sabido dos meus pensamentos. Foi inspiração, talvez alguém ou um sentimento que existiu mais em meus pensamentos e imaginações . Fico pensando o quanto me perco na procura do outro, o quanto fantasio um outro perfeito e não perco a oportunidade de enxergar o próximo ao lado. Talvez me perca tentando me achar. Será essa a graça, Eu?
;-)

domingo, julho 06, 2008

O inverno no Rio de Janeiro é um convite à melancolia. O sol mais frio, uma cidade sob uma luz dourada mais pálida, mais intimista que aquela do dias de veraneio. Um convite ao tempo, sem a premência do calor, cantada pelos Hermanos em "Deixa o verão pra mais tarde". Tempo de pensar, de parar numa tarde de domingo. De acordar em outra cidade, inundada pela nostalgia, pela sensação da perda, do tempo que se vai, das mudanças inevitáveis, da saudade de algo imemorial, cujo registro não é do pensamento, só do afeto. Do vento frio que parece evidenciar a tal solidão do afeto ao mesmo tempo que estimula fantasias de memórias, do que foi e do que foi apenas quase. Isso que irrompe no meio da tarde fria e ensolarada de domingo.

terça-feira, abril 22, 2008

My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado)
Wong Kar Wai, 2007

Às vezes é necessário que nos afastemos de nosso lugar de origem para que possamos ter uma outra percepção do que nos rodeia. Às vezes estar num outro lugar que nos é estranho, que não causa a familiaridade da origem permite a emergência de algo novo em nós mesmos. Talvez o já conhecido evoque mais racionalização e crítica (mas não sem sentimento), e quando estamos diante de algo novo apareça mais o afeto puro, ainda sem muita possibilidade de crítica, pois ainda não conhecemos aquilo que nos aparece.
O (primeiro) filme americano de Wong Kar Wai me fez pensar nisso. Talvez por ter me parecido seu filme mais sentimental, de um diretor cujos filmes sempre me pareceram marcados por sentimentos enormes, mas reprimidos, impossíveis. 2046, seu filme anterior, me fez pensar exatamente na (im)possibilidade do amor. Mas este My Blueberry Nights (cujo título brasileiro é simpático á doçura do filme, na verdade os títulos brasileiros dos filmes de Wong Kar Way são sempre bons) fala exatamente da busca de possibilidades. Começa com um fim de relacionamento, que leva ao um encontro. Norah Jones (que funciona como atriz, sua inexperiência parece ser utilizada pelo diretor exatamente para marcar a experiência de uma jovem inocente, no sentido de não prejulgar, criticar, de tomar as experiências como algo novo, como uma primeira vez, inexperiência cinematográfica vira inocência de olhar sobre o mundo) e Jude Law (maravilhoso, sempre, charmoso, sempre) se conhecem em meio a outras histórias de cada um, principalmente a dela. Mas Norah/Elizabeth vai embora, fazendo talvez a escolha menos usual, tal qual escolher a blueberry pie do título. Se aventura sozinha na América, não fugindo de uma nova história de amor (mantém cartões postais que contam sua vida para Jude/Jeremy), mas como se fosse necessário procurar algo de si mesma ao se aventurar, para poder retornar e começar um novo amor. Para que este seja realmente novo. A aventura, o risco, está na viagem, na solidão, na falta de certezas marcadas. Mas o que aparece nessa viagem são os encontros de outras pessoas, de outras possibilidades, espelhos que permitem a Elizabeth se reconhecer e descobrir nas diferenças de reflexo. E ao final, bem, ao final descobrimos nós que Wong Kar Wai também se permitiu uma nova escolha, talvez um momento de se reconhecer no reflexo do espelho americano e fazer um conto mais doce que os seus anteriores. Talvez um olhar inocente sobre uma outra cultura tenha permitido uma expressão mais sentimental que reprimida (ainda que essa repressão fizesse transbordar o sentimento, espelhando, permitindo identificação e encantamento...). Diferente, ainda que sendo a mesma base. Agridoces noites, mais doces... :-)

domingo, abril 20, 2008

Um dia, assim, meio do nada, quase sem querer (mas querendo, sempre querendo), você conhece alguém interessante. Não precisa ser o menino mais lindo, o homem mais charmoso e inteligente da festa. Mas é ele quem chama a sua atenção, ele faz você imaginar e querer. Ao mesmo tempo que faz não saber o que falar, não saber sustentar um olhar. Situações de comédia romântica. Mas o outro pode não entender de comédias românticas e te (me) achar uma simples idiota.
Coisas da atração, esse estranho poder interno que nos permite o encantamento com o outro e sobre o qual eu não tenho mínimo controle. Mas vivo a tentar controlar...


domingo, março 16, 2008

O tempo segue seu rumo
ao futuro
A vida se vai
ao além
Fico eu a lidar
com o presente e o aqui
São tudo o que tenho

"...
Tenho o que ficou
e tenho sorte até demais
como sei que tens também..."
Andéia Dória, Legião Urbana

sábado, março 15, 2008




You Act Like You Are 25 Years Old



You are a twentysomething at heart. You feel like an adult, and you're optimistic about life.

You feel excited about what's to come... love, work, and new experiences.



You're still figuring out your place in the world and how you want your life to shape up.

The world is full of possibilities, and you can't wait to explore many of them.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Tenho uma fitinha azul do Senhor do Bonfim amarrada em meu pulso esquerdo. Daquelas que são oferecidas aos montes em Salvador, ao troco de que o turista deixe algum troco pelas fitinhas. Ainda que a elas não sejam vendidas e sim oferecidas, no final pedem a "ajuda".
Eu já fui a Salvador, mas minha fitinha azul no pulso esquerdo não me foi presenteada lá. Eu até ganhei uma lá, rosa, está amarrada em uma bolsa que usava no dia. As coisas das quais somos capazes de lembrar... Um determinado momento e uma fitinha rosa.
Mas a rosa está na bolsa, no pulso tenho a azul. E quando amarrei a azul, aqui no Rio, oferecida como lembrança por uma amiga que fora a Salvador mais de um ano depois da minha estada, bem, quando amarrei a fita eu fiz o que me disseram para fazer.
Eu fiz pedido. Um desejo.
Foi por isso que em Salvador, a terra das tais fitinhas, não amarrei nenhuma ao pulso. Fui sensata em não fazer pedidos. Eu já tivera minha cota de desejos naquele momento, melhor não exagerar. E de qualquer forma, ter uma esperança de desejo amarrada ao seu pulso, como lembrança concreta do desejo, parece um fardo. E desejos não devem ser fardos, pesos, ainda que sejam trabalhosos.
E eu ainda tenho essa fitinha azul, já desbotada, puída, amarrada ao meu pulso, três anos após o amarramento ao pedido. Nem o desejo se realizou, nem eu tive coragem de arrancar a fitinha. Isso vindo de alguém que discute a fé deixa claro que há algo de místico e sagrado que persiste à lógica e à ciência.
Persiste também o desejo.
Já quis arrancar a fita, por raiva, por não me importar, por não combinar com a roupa.
Mas ela persiste. Já puída. Até quando?

terça-feira, fevereiro 05, 2008

"...
o tempo passou, irão se casar
duas Marias da mesma raiz
Luisa com Napoleão
e Leopoldina será nossa imperatriz
será também nome de trem
que passa em Ramos a nossa estação
onde imperam Marias e Joaõs
..."
Samba enredo do GRES Imperatriz Leopoldinense, 2008

sábado, fevereiro 02, 2008

Porque é Carnaval mas sempre existem possibilidades...

O pessoal da Contracampo e suas ótimas críticas/análises cinematográficas... Em especial essa de Desejo e Reparação está perfeita: http://contracampo.com.br/90/critatonement.htm

domingo, janeiro 27, 2008

Picture yourself on a train in a station
With plasticine porters with looking glass ties
Suddenly someone is there at the turnstile
The girl with kaleidoscope eyes
Lucy in the sky with diamonds, Beatles

"Sombras de Goya" foi visto por mim como um filme sobre as ideologias e o poder, como o poder está sempre nas mãos de um grupo de pessoas que se identificam e fortalecem graças a uma ideologia. E se alguém está no poder, sobram outros alguéns que não estão e brigarão para retornar ou lá chegar. Mas também há um certo grupo de pessoas que está sempre à margem dessa luta do poder. Alguns são completamente segregados quer seja pela religião, quer pela razão ou por alguma outra forma de discriminação (às vezes a burrice segrega). Outros se colocam à margem por escolha, pela arte, por uma ética. Ainda que, como mostrado no filme, essa arte possa servir a qualquer poder, ao final não serve a nenhum, tendo como meta não uma ideologia, mas sim a estética, o belo, a ética do belo.
E hoje, como sempre na história, um grupo dominante (em qualquer área em que haja relação de poder) tenta manipular e homogenizar a todos e a seus pensamentos, talvez na tentativa simples de se manter no poder. Não mais segregamos hereges e loucos, tomamô-los no seio da comunidade e tenta-mos acceitá-los através da cura.
Mas também hoje, e ainda, a arte serve como resistência ao poder, ao domínio. Se a contra-cultura foi sim fagocitada pelo poder liberal-capitalista, se virou objeto de mercado, ela continua a deixar sua influência, por baixo de toda a massificação que lhe foi injetada. Quando se assiste a um musical em inglês, com musicas de um famoso grupo inglês da década de 1960, com arranjos que em alguns momentos remetem a antigos musicais americanos e em meio a tudo isso que parece já tão massificado encontra-se a beleza, a alegria e algo que permite enxergar o mundo, pensá-lo, talvez aí tenhamos mais uma vez a demonstração da estética e da ética da arte. O humano ainda encontra seus caminhos, para o bem e para o mal.
Belo "Beatles num céu de diamantes".

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird, Beatles

domingo, dezembro 30, 2007

O imaginário, as fantasias que criamos, são parte integrante do chamado aparelho psíquico, daquilo que somos. Ainda que por vezes possam parecer descartáveis, infantis ou bobas, e até incomodem, elas são também inerentes ao que somos e apontam para algo do desejo, da verdade de cada um. Tanto que tendem a ser guardadas com carinho, como aquilo que nos lembra do que realmente deveria ser (e os sonhadores, os artistas são sempre reconhecidos, lembro aqui de John Lennon). Ou também podem se tornar obsessões...
Em "The Perverts Guide To Cinema" Slavoj Zizek fala da fantasia a partir do filme Um Corpo que Cai (Vertigo), citando como a fantasia do personagem de James Stuart de reencontrar a mulher amada, então morta, se transforma em uma obsessão. Em determinado ponto, na tentativa de tornar sua fantasia realidade, ele simplesmente transforma uma Kim Novak na outra (que também era interpretada por Kim, talvez porque no final o objeto sempre seja um só?). Mas a realização da fantasia ganha ares de pesadelo para nós espectadores, como explica Zizek, há sempre algo de estranho, bizarro na realização plena de uma fantasia. Mas naquele momento James Stuart não percebe isso, apenas nós...
Ainda Zizek, em seu texto Lacan as Viewer of Casablanca, fala sobre essa dualidade da fantasia, que nesse texto fica sob o olhar de um Ideal do Eu que precisa esconder o conteúdo sexual ou agressivo, em suma desejante, da fantasia e ainda daquele de um Super Eu que irrompe em angústia para fazer recordar exatamente do que falta nessa fantasia "asséptica" do Ideal do Eu. A fantasia fica então entre o aceitável cheio de angústia pelo que falta e o bizarro da realização plena.
Não é fácil, portanto, ser sujeito desejante. Há que se escolher todo o tempo, sabendo sempre que algo se perde na escolha. Há ainda a saída da sublimação, da arte. Por isso escrever palavras, talvez uma tentiva de exorcizar fantasias desejantes que tentam o ser humano.
Uma última citação: Sombras de Goya (Goya´s Ghosts), novo filme de Milos Forman, fala também de tentação, desejo, loucura, poder, arte e sublimação.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Um fim de Natal com boas comédias românticas inglesas...

http://www.youtube.com/watch?v=IyCsYuKnvWk

Com o tempo descobre-se como alguns filmes definiram de alguma forma o que somos e acreditamos. Há que se descobrir isso, para aceitar, mudar.
Mas qual o problema de querer um Hugh Grant declarando amor in the rain? ;-)

Que o Natal tenha sido bom!
"All I want(ed) for Christmas is(was)..."
someone to tell me...
"But I will be very sorry
to drive away from you."

(citação musical e frase do Primeiro Ministro ambas do filme Love Actually/Simplesmente Amor)

domingo, novembro 04, 2007

Ás vezes parece que a vida se escreve como um livro, como numa frase cliché. Momentos em que até parece que tudo vai começar a ter sentido. Talvez não sentido, mas quem sabe, quem sabe tudo pode começar a acontecer. Ou não. Ah, as ilusões que se cria. Para quem no fundo ainda sonha ser uma estrela caída a ser resgatada por um Tristan... Mas anda encontrando mais ironia que fantasia do destino.
Nem parece que a gente cresce.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Admirável Mundo Novo
Aldous Huxley


Fiquei fascinada com o livro, pensando nas similaridades de nosso mundo moderno, consumista, de emoções fáceis e superficiais mas ainda salvo pelos livros, pela arte, pela oportunidade de uma individualdiade e de escolhas ainda não condicionadas (ou não?). Pensei no cinema, nos filmes simples quase sensíveis, nos outros filmes mais instigantes ao pensamento que às emoções fáceis. Pensei em Goddard, como seus fimes aos poucos começam a fazer sentido para mim e na sentença emblemática de seu "Nossa Música": matar um homem para defender uma idéia não é defender uma idéia. É matar um homem. E ainda em Bergman, em O Ovo da Serpente. Pensei em outros filmes que talvez transitem num estranho meio termo. Pensei em Hithcock como esse meio termo, que sabidamente manipulava o espectador mas ao mesmo tempo transbordava algo para além da mera manipulação de sustos.

Pensei em Shakespeare, claro. Pensei em poesia.

Pensei na liberdade para escolher, ainda que a solidão e a culpa, como faz o Selvagem John.

Pensei no "bem estar" e na OMS: "saúde é o bem estar bio-psico-social" e me assustei com a semelhança, com a possibilidade de que a saúde seja uma imposição. Não o são as vacinas? Sempre tendo em vista um bem maior, sempre com base no progresso e na ciência. Não é a epidemiologia fruto do progresso? E a clínica, clássica, fruto do contato entre seres humanos, não está perdendo campo, havendo sempre um novo exame, um novo guideline, fluxograma, que bem defina condutas médicas tão bem e claramente que talvez um dia um computador seja médico? Não pode hoje a Psiquiatria, minha especialidade tão cara, melhorar dores e dúvidas antes espirituais, hoje doença chamada "depressão"? Não tendemos a entender alterações de humor com espectros de bipolaridade que podem ser devidamente corrigidos com doses adequadas de Depakene ou algum outro estabilizador do humor? Estabilizamos humores, organizamos pensamentos. Curamos ou aliviamos sofrimentos mentais?
Não duvido do sofrimento humano, talvez inerentemente humano. E tenho dúvidas quanto ao caráter divino e redentor deste sofrimento.
Mas, talvez não duvide da redenção e da divindade quando penso nelas enquanto criações também inerentemente humanas. Quando penso que a liberdade permite que o humano escolha sentir-se digno de ser divino, de se redimir, de escapar aos seus sofrimentos, de alienar-se. Mas por escolha, certa ou errada, e não por imposição de outro humano que "sabe mais". E quem sabe mais de alguém que o próprio? (E quem sabe tanto de si mesmo, sem dúvidas, sem reticências, para arvorar-se a decidir com certeza científica pelos outros o que talvez mal decida para si mesmo?).
"...
E os seus tristes inventores
já são réus - pois se atreveram
a falar em liberdade
Liberdade, essa palavra
que o soho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda."
Cecília Meirelles in O Romanceiro da Inconfidência
Poderá haver um futuro em que não se sonhe com a liberdade, pelo simples fato de não mais sonhar? E ao não sonhar, seremos ainda humanos? Teremos realmente nascido? E morreremos realmente? align="justify">
Morrer!
Dormir; dormir
Dormir, sonhar talvez: mas aqui está o ponto de interrogação;
Porque no sono da morte, que sonhos podem assaltar-nos
Uma vez fora da confusão da vida?
William Shakespeare in Hamlet


Pensamentos a posteriori...
Em AI, Spielberg, influenciado por Kubrick e baseado em livro de Brian Aldiss, nos mostra um futuro de robôs que sonham sonhar, para serem então humanos. E nós sonhamos controlar, para sermos robôs?

quinta-feira, julho 05, 2007



Isso (testezinhos) eu fazia no início desse blog, em 2002. Mas estou numa semana muito Lost, só que apaixonada pelo Dr. Jack Shepard e não pro Swayer... ;-)

quinta-feira, junho 21, 2007

Pensamentos e ensaios
Qual é o lugar da clínica, da saúde pública em nosso país?
Qual a importância da saúde? De manter o tal “bem estar bio-psico-social”?
Quando comecei a faculdade de medicina perguntava as pessoas no posto de saúde do Barreto o que elas entendiam como “saúde”. Não me lembro das respostas, mas não eram as da OMS.
Hoje, ainda trabalhando na assistência de saúde pública, especificamente psiquiátrica, vejo as pessoas procurarem um serviço médico, isto é, um centro de atenção “psicosocial” (porque será que tiraram o bio?) por diversas questões psicológicas, psiquiátricas, por sofrimentos diversos que nem patológicos são. Mas quem disse que sofrimento tem que ser patológico? E aí só o patológico é que deve ser tratado? Talvez sim. Mas o que fazer com os outros sofrimentos humanos? Será isso responsabilidade da saúde pública? Se não, de quem? Do indivíduo? Mas e a responsabilidade do governo em oferecer serviços que são pagos pelos impostos?
E o que é feito com os impostos? Saindo da esfera da saúde pública e começando na saúde dentro da Justiça descubro um outro mundo. Sem ostentações, sem excessos, mas com essencial para um bom trabalho. Bons salários, boa infra-estrutura, respeito e reconhecimento do trabalho feito. Não há tudo, não é perfeito. Mas que diferença da falta quase onipresente da saúde. Falta de verbas, de medicamentos, de boas condições de trabalho (salvo as exceções temos serviços com condições no máximo razoáveis de trabalho), de profissionais, por vezes de respeito e de reconhecimento. Reconhecimento este que se faz ver nos salários muito aquém daqueles da justiça (e de outras esferas públicas). E não falo aqui de equiparar a salários do executivo, nem dos altos escalões. Mas posso perguntar porque a base da comparação, que é uma arbitrariedade, uma construção, é o salário mínimo. Mínimo de que? Da cesta básica? Então nosso direito básico é de alimentarmo-nos? Se aceitamos tal base como justa porque será que aceitamos os salários 50 vezes maiores? Nossos deputados, senadores são assim tão melhores que nós? E nossos trabalhadores não o são, não valem isso? Não só na saúde, mas também na educação, não valem salários dignos de serem além do básico melhorado?
De repente me vejo a pensar porque só questiono os salários de funcionários públicos. Estarão estes acima dos outros? Ou talvez o mercado privado tenha outras lógicas de valorização, e muitas vezes também de desvalorização quando não exploração. Sujeitos portanto a fiscalização, denúncias. Mas me parece que no mercado privado fica mais claro, para o bem e para o mal, que cada um defende seus direitos. O problema é que alguns têm mais armas para defesa e ainda para ataque. Mas no serviço público temos a tal máquina pública a qual deveria servir aos cidadãos, os quais constituem o país e o sustentam, já que não estamos aqui por benevolência de algum dono do Brasil que nos permite aqui residir. Frase clichê mas o país é seu povo. Então me pergunto: é o povo que determina que funcionários da saúde devem ganhar pouco? É o povo que determina o salário mínimo (comparado ao qual nem todos da saúde ganham tão pouco)? É o povo, essa entidade onipresente de não sei que presença, que desvaloriza a si e aqueles que dele cuidam? Será então a saúde um valor desvalorizado?
Ou será que máquina pública reflete bem menos do que o esperado os desejos dos indivíduos que a constituem e mantêm?

domingo, junho 10, 2007

Duas pseudo-críticas por serem escritas, desde a primeira do ano que foi devidamente escrita e postada. Meses sem escrever, lendo, vendo, ouvindo. Tantas coisas...
Mas hoje, o recesso de Los Hermanos. Um show belo na sexta-feira. A sensação de tristeza agora que não tem mais show por tempo indeterminado. A escrita ainda aparece no lugar de catarse, de filmes a comentar, de um show, de uma tristeza pelo recesso/pseudo-fim (ou será?) da banda favorita.
Mas eles falam por eles mesmos. E talvez por isso tantos adoradores, por isso 3 dias de Fundição lotada cantando em coro, por isso tanto frisson pelo recesso, jogada de marketing ou não, talvez apenas um tempo de verdade para eles.

"não faz disso esse drama essa dor
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber"
Primeiro Andar, 4