Celine: "Baby, you are gonna miss that plane."
O olhar de Jesse para Celine, em "Antes do Por do Sol" é o exemplo quase real, ainda que cinematográfico, da capacidade do olhar. A linguagem, não só a fala, é atribuição particular do humano e a visão é parte importantíssima dessa capacidade cognitiva. Ao longo do filme Jesse declara, a cada instante que olha para Celine, seu desejo, paixão, admiração, fascínio, amor. Ele não fala, talvez até precisasse (pois acreditamos que acreditamos mais na palavra, ainda que entendamos o olhar) mas não consegue. De qualquer forma, Celine entende, tanto que evita esse olhar, talvez por medo de se perder ali, talvez só por provocação, talvez por isso e mais alguma coisa. Talvez só por saber, por mais que possa duvidar, que no final é ela quem vai cativá-lo com um olhar. Ainda que tenha de fingir uma imitação de Ninna Simone para isso. Mas ele também já sabia como ia terminar. Nove anos é tempo o bastante para se planejar um encontro, mesmo para o que parece que não tem como ser. De certa forma, este "Antes..." é semelhante e diferente de "Encontros...". Semelhante ao mostrar um encontro, diferente porque nào há o desencontro (ou a "perda na tradução" do título original), talvez porque este não seja um primeiro encontro de Celine e Jesse, como o de Bob e Charlotte. Ou talvez eu esteja vendo semelhanças e dissonâncias demais entre os dois filmes.
O importante, é que Jesse vai perder o avião...
Jesse: "I know."
sábado, novembro 27, 2004
domingo, novembro 21, 2004
Uma Nova Esperança ou Momento Nerd
Não será "O Senhor dos Anéis" mas quem sabe, se seguir o caminho do trailer que (finalmente!!!) assisti no cinema, quem sabe aí, "Episódio 3" será o filme a resgatar "Guerra nas Estrelas" do limbo, do quase esquecimento, da quase mediocridade dos filmes dessa nova trilogia. Não sei se assim será, mas pelo menos há alguma esperança. De que George Lucas tenha reaprendido a dirigir...
Não será "O Senhor dos Anéis" mas quem sabe, se seguir o caminho do trailer que (finalmente!!!) assisti no cinema, quem sabe aí, "Episódio 3" será o filme a resgatar "Guerra nas Estrelas" do limbo, do quase esquecimento, da quase mediocridade dos filmes dessa nova trilogia. Não sei se assim será, mas pelo menos há alguma esperança. De que George Lucas tenha reaprendido a dirigir...
sábado, novembro 20, 2004
"Vivera muito tempo perdida no passado. Aquele tempo verbal cheio de perfeições, mais que perfeições mas também imperfeições. Aquele tempo que já existiu, mas não é mais. Vivera, portanto, perdida em saudades de acontecimentos, alguns reais, alguns que suas memórias já tinham tornado mais que perfeitos, quando haviam sido pouco mais que imperfeitos. Acreditara por muito tempo em suas próprias memórias, sem saber que eram suas próprias construções. Sem saber que de certa forma mentia para si mesma. Menos por maldade ou masoquismo, mas talvez por medo ou covardia. De viver o presente."
Porque, por alguma razão que não se faz conhecida a mim, tenho ouvido essa música na minha cabeça desde quando acordei ontem. Deve ser problema com o dial da minha rádio... (Quero crer que todos são capazes de ouvir música dentro de suas cabeças. Ou será isso um inicio de alucinação auditiva?? Ai, ai, lá vou eu ter de ir pro Moncorvo Filho pegar olanzapina....)
Água Viva
Raul Seixas
Eu conheço bem a fonte
Que desce aquele monte
Ainda que seja de noite
Nessa fonte está es condida
O segredo dessa vida
Ainda que seja de noite
"Êta" fonte mais estranha
Que desce pela montanha
Ainda que seja de noite
Sei que não podia ser mais bela
Que os céus e a terra, bebem dela
Ainda que seja de noite
Sei que são caudalosas as correntes
Que regam os céus, infernos
Regam gentes
Ainda que seja de noite
Aqui se está chamando as criaturas
Que desta água se fartam mesmo
às escuras
Ainda que seja de noite
Ainda que seja de noite
Eu conheço bem a fonte
Que desce daquele monte
Ainda que seja de noite
Porque ainda é de noite
No dia claro dessa noite
Porque ainda é de noite
Água Viva
Raul Seixas
Eu conheço bem a fonte
Que desce aquele monte
Ainda que seja de noite
Nessa fonte está es condida
O segredo dessa vida
Ainda que seja de noite
"Êta" fonte mais estranha
Que desce pela montanha
Ainda que seja de noite
Sei que não podia ser mais bela
Que os céus e a terra, bebem dela
Ainda que seja de noite
Sei que são caudalosas as correntes
Que regam os céus, infernos
Regam gentes
Ainda que seja de noite
Aqui se está chamando as criaturas
Que desta água se fartam mesmo
às escuras
Ainda que seja de noite
Ainda que seja de noite
Eu conheço bem a fonte
Que desce daquele monte
Ainda que seja de noite
Porque ainda é de noite
No dia claro dessa noite
Porque ainda é de noite
sábado, novembro 13, 2004
Porque tem a ver com o escrito de ontem. E porque é, para mim, um dos mais belos poemas da nossa língua. Quiça de qualquer uma.
Ouvir Estrelas
Olavo Bilac
- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro a janela, pálido de espanto.
E conversamos longo tempo, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Ainda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: - Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem quando estão contigo?
E eu vos direi: - Amai para entendê-las,
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas!
Ouvir Estrelas
Olavo Bilac
- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro a janela, pálido de espanto.
E conversamos longo tempo, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Ainda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: - Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem quando estão contigo?
E eu vos direi: - Amai para entendê-las,
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas!
sexta-feira, novembro 12, 2004
"Desde sempre sentira-se embevecida pelas estrelas. Nunca fora capaz de se orientar por elas, nem mesmo reconhecia o Cruzeiro do Sul, ainda assim era capaz de entender a beleza plástica daqueles milhares de pontos luminozos contra o fundo escuro do espaço. Além disso fascinava-a possibilidade de estar olhando o passado. A idéia era simplesmente que seu planetinha, povoado de poeira cósmica "inteligente", era envolto por uma camada de gazes que criava um espetáculo visual a cada momento. E à noite permitia a viagem no tempo. Pois só como viagem no tempo poderia-se explicar o fato de que ela, no seu presente, olhava o passado daquelas estrelas para as quais era o futuro. Passado, presente e futuro se juntavam no todo momentâneo da sua consciência. Talvez fosse relativo para os outros. Para ela, aquilo era tão real que poderia se perder na fascinação que a tomava ao se sentir participando de algo tão incrível. Era parte, mesmo que ínfima, do universo. E isso já era ser muita coisa..."
domingo, novembro 07, 2004
"Pensava, naquele exato momento, que poderia ser feliz numa ilha deserta. Claro que não uma felicidade sustentada, mas a vida seria melhor. Contanto tivesse o direito de levar pessoas queridas. Abriria mão das facilidades complexas da vida em sociedade, até mesmo da diversidade de pessoas com quem tanto poderia aprender. Não importava, ou antes, se o conhecimento servia apenas para complicar a vida, prefeira a simplicidade. Não da ignorância completa, mas poderia ficar com os conhecimentos essenciais, aqueles baseados em sentidos e sentimentos. Por isso, estava disposta, naquele momento, a ter apenas as pessoas por quem tinha carinho, independentemete de conhecimento e influências. Aquelas de quem gostava sem nem saber direito o porque. Era só que queria. Mas sabia o que esperavam dela."
terça-feira, novembro 02, 2004
domingo, outubro 31, 2004
sábado, outubro 30, 2004
Da série: Coincidências Não Tão Esdrúxulas
Divagava ontem sobre a solidão que nos é inerente e a também inerente busca por não nos sentirmos sós, através do amor. Agora pela manhã abro um livro, para retormar a leitura perdida, e me deparo com esta passagem:
"Lembrou-se do célebre mito do Banquete de Platão: antigamente, os seres humanos eram hermafroditas, até que Deus os separou em duas metades, que a partir daí erram pelo mundo e se procuram. O amor é o desejo dessa metade perdida de nós mesmos."
Milan Kundera, in A Insustentável Leveza do Ser
Isso lembra também a (linda) música "The Origin of Love", do (ótimo) filme Hedwig and the angry inch/ Hedwid - Rock, Amor e Traição.
Divagava ontem sobre a solidão que nos é inerente e a também inerente busca por não nos sentirmos sós, através do amor. Agora pela manhã abro um livro, para retormar a leitura perdida, e me deparo com esta passagem:
"Lembrou-se do célebre mito do Banquete de Platão: antigamente, os seres humanos eram hermafroditas, até que Deus os separou em duas metades, que a partir daí erram pelo mundo e se procuram. O amor é o desejo dessa metade perdida de nós mesmos."
Milan Kundera, in A Insustentável Leveza do Ser
Isso lembra também a (linda) música "The Origin of Love", do (ótimo) filme Hedwig and the angry inch/ Hedwid - Rock, Amor e Traição.
sexta-feira, outubro 29, 2004
"If there's any kind of magic in this world, it must be in the attempt of understanding someone, sharing something. I know, it's almost impossible to succeed, but . . . who cares, really? The answer must be in the attempt."
-Celine in "Before Sunrise"/"Antes do Amanhecer".
Tenta-se, pelo simples fato de que é impossível não tentar. E porque cada vez que funciona, vale por todas as outras em que não deu certo! ;-)
-Celine in "Before Sunrise"/"Antes do Amanhecer".
Tenta-se, pelo simples fato de que é impossível não tentar. E porque cada vez que funciona, vale por todas as outras em que não deu certo! ;-)
Ainda sobre as dúvidas existênciais
"São sempre as mesmas perguntas que desde a infância passam pela cabeça de Tereza. Porque as perguntas realmente sérias são apenas aquelas que uma criança pode formular. Só as perguntas mais ingênuas são realmente sérias. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é uma cancela além da qual não há mais caminhos. Em outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e que traçam as fronteiras da nossa existência."
Milan Kundera, in A Insustentável Leveza do Ser
"São sempre as mesmas perguntas que desde a infância passam pela cabeça de Tereza. Porque as perguntas realmente sérias são apenas aquelas que uma criança pode formular. Só as perguntas mais ingênuas são realmente sérias. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é uma cancela além da qual não há mais caminhos. Em outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há resposta que marcam os limites das possibilidades humanas e que traçam as fronteiras da nossa existência."
Milan Kundera, in A Insustentável Leveza do Ser
Da Série: Coincidências Esdrúxulas da Vida
Você tem dúvidas existênciais e um belo dia resolve dar vazão a elas. Paga alguém para ouví-las! Um outro dia começa a suspeitar que algumas dessas dúvidas possam ser superficiais, por mais que você goste de dar-lhes atenção. Aí chega na locadora de vídeos da esquina e se depara com um texto profundo falando extamente das suas dúvidas. É a sinopse do dvd de uma série de tv que você imagina fútil. Você não leva o dvd. Pra que se já sabe a história?
Você tem dúvidas existênciais e um belo dia resolve dar vazão a elas. Paga alguém para ouví-las! Um outro dia começa a suspeitar que algumas dessas dúvidas possam ser superficiais, por mais que você goste de dar-lhes atenção. Aí chega na locadora de vídeos da esquina e se depara com um texto profundo falando extamente das suas dúvidas. É a sinopse do dvd de uma série de tv que você imagina fútil. Você não leva o dvd. Pra que se já sabe a história?
"Queria ser poeta. Queria saber expressar a beleza do mundo e das pessoas, da forma exata como as enxergava. Mas sempre tinha a sensação de que no processo de transformar seus sentimentos em palavras, algo se perdia. Por mais que estudasse gramática, lesse bons livros, melhorasse seu vocabulário, não conseguia. Talvez fosse mais questão de capacidade do que de conhecimento. Ficava entristecida por isso. Entretanto, com o tempo entendeu que seu olhar e sensibilidade não eram características assim tão gerais da espécie humana. Eram lhe algo particulares e também lhe permitiam aproximar-se dos outros, mitigar a sua solidão inerente da espécie. Descobriu que mesmo não tendo o dom das palavras para se comunicar com muitos, o simples fato de poder comunicar-se com os poucos ao seu redor já poderia fazer a diferença. Ainda era complicado, nem sempre se fazia entender, mas estava disposta a continuar tentando, por cada momento, ainda que fugidio, em que não se sentia sozinha. Já não queria ser poeta, só queria tentar ser feliz."
quinta-feira, outubro 28, 2004
As pessoas que conhecemos...
Touro
A magia da realização não é as coisas acontecerem na velocidade do pensamento, mas a de encontrar as pessoas que unirão esforços para tudo ser mais divertido entre o céu e a terra. O objetivo atual é você encontrar a sua tribo.
Do www.quiroga.net
Porque vivemos nas relações e as pessoas que conhecemos são o que de mais importante há na vida. É por e com elas que sentimos, aprendemos e vievmos.
Touro
A magia da realização não é as coisas acontecerem na velocidade do pensamento, mas a de encontrar as pessoas que unirão esforços para tudo ser mais divertido entre o céu e a terra. O objetivo atual é você encontrar a sua tribo.
Do www.quiroga.net
Porque vivemos nas relações e as pessoas que conhecemos são o que de mais importante há na vida. É por e com elas que sentimos, aprendemos e vievmos.
sábado, outubro 23, 2004
Sabem do Sabino?
Claro que sabem. Eu é que soube em Salvador, por telefone, graças ao meu irmão, que também adora seus escritos. E só agora escrevo, quase duas semanas de atraso.
Li isso na Revista Bala (www.revistabala.com.br) e achei perfeito, lindo lindo...
Em uma entrevista, falando sobre a verdade, disse que ela "fica além dos limites da realidade, lá onde só a imaginação alcança. Como o tabuleiro de damas, que não é preto com quadrados brancos, nem branco com quadrados pretos, mas de outra cor com quadrados pretos e brancos: sob a aparência que se oferece aos nossos olhos, oculta-se outra cor: a da ambivalência, da dubiedade, no comportamento da contraditória natureza humana. Principalmente nas relações conjugais".
Aconselho a leitura de toda a matéria sobre aquele que "nasceu homem e morreu menino"!!
Claro que sabem. Eu é que soube em Salvador, por telefone, graças ao meu irmão, que também adora seus escritos. E só agora escrevo, quase duas semanas de atraso.
Li isso na Revista Bala (www.revistabala.com.br) e achei perfeito, lindo lindo...
Em uma entrevista, falando sobre a verdade, disse que ela "fica além dos limites da realidade, lá onde só a imaginação alcança. Como o tabuleiro de damas, que não é preto com quadrados brancos, nem branco com quadrados pretos, mas de outra cor com quadrados pretos e brancos: sob a aparência que se oferece aos nossos olhos, oculta-se outra cor: a da ambivalência, da dubiedade, no comportamento da contraditória natureza humana. Principalmente nas relações conjugais".
Aconselho a leitura de toda a matéria sobre aquele que "nasceu homem e morreu menino"!!
Esboços de uma crônica sobre Salvador
"Eu queria
Que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar"
Digam o que quiserem, sabemos que festejamos bastante ao longo dessa semana de congresso. Festejamos por estarmos numa bela cidade, longe do dia-a-dia. Quase como se tívessemos sido convidados a uma semana na Ilha da Fantasia, aquela para a qual levavam grandes sonhos e saiam ?apenas? com a doce realidade (que quando doce, parece sonho), creio que pudemos todos viver pequenos sonhos e fantasias reais nesses dias. Vivemos pequenas aventuras em grupo, pois nos tornamos um grande grupo, acima de todas as afinidades eletivas, pois só quando saímos da rotina somos capazes de perceber características que vão além das afinidades. E ainda participamos, alguns pela primeira vez, do evento científico-mercadológico que deveria, a cada ano, nos apresentar o que de novo e relevante tem sido feito ou pensado pelos psiquiatras brasileiros. Apesar de muitas repetições, alguns temas eram relevantes, algumas discussões parecem se perpetuar pelo simples fato de que visões conflitantes continuam, felizmente, existindo e, para além das novidades das "balas mágicas", outras foram apresentadas, como uma clínica conveniada em SP que foi capaz de se desfazer de parte de seus leitos hospitalares para crias um Hospital Dia e se adequar à Reforma Psiquiátrica. Belo exemplo!
Ainda escrevo mais sobre esses dias....
"Eu queria
Que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar"
Digam o que quiserem, sabemos que festejamos bastante ao longo dessa semana de congresso. Festejamos por estarmos numa bela cidade, longe do dia-a-dia. Quase como se tívessemos sido convidados a uma semana na Ilha da Fantasia, aquela para a qual levavam grandes sonhos e saiam ?apenas? com a doce realidade (que quando doce, parece sonho), creio que pudemos todos viver pequenos sonhos e fantasias reais nesses dias. Vivemos pequenas aventuras em grupo, pois nos tornamos um grande grupo, acima de todas as afinidades eletivas, pois só quando saímos da rotina somos capazes de perceber características que vão além das afinidades. E ainda participamos, alguns pela primeira vez, do evento científico-mercadológico que deveria, a cada ano, nos apresentar o que de novo e relevante tem sido feito ou pensado pelos psiquiatras brasileiros. Apesar de muitas repetições, alguns temas eram relevantes, algumas discussões parecem se perpetuar pelo simples fato de que visões conflitantes continuam, felizmente, existindo e, para além das novidades das "balas mágicas", outras foram apresentadas, como uma clínica conveniada em SP que foi capaz de se desfazer de parte de seus leitos hospitalares para crias um Hospital Dia e se adequar à Reforma Psiquiátrica. Belo exemplo!
Ainda escrevo mais sobre esses dias....
sábado, setembro 25, 2004
Creio que a pergunta que fiz no texto passado (desnecessário dizer que foi inspirado pelo casamento de amigos. Ainda assim digo, mais para citar Clara e Gabriel e tornar pública uma homenagem às bodas de um belo casal.) foi ganhando pertinência após escrita. Para mim mesma. Dois filmes do Festival do Rio (desnecessário recomendar, não é?) fizeram com que me lembrasse dela. Hoje, "Pra que serve o amor só em pensamento", belo filme sobre adolescentes que descobrem as dores do amor. Ontem, "Antes do por do sol". Linda, linda, linda continuação do tão lindo quanto "Antes do amanhecer". Um filme sobre um reencontro. Mas não um reencontro que reprisa os acontecimentos de 9 anos antes, de dois adolescentes. É mais uma renovação. Uma segunda chance sem o peso de um possível erro da primeira. Não são os erros da vida que importam para Celine e Jesse. São os acertos. É a felicidade simples de estarem juntos, mais uma vez. De terem, sim, um grande amor. Não se reencontraram 6 meses depois, não se casaram ou foram felizes para sempre. Tudo isso é ruim, sem dúvida. Mas no pouco mais de uma hora que têm juntos em Paris o amor supera todas essas tristezas e nem pensam nelas. Nem na separação por vir. Pensam, ou melhor, vivem eles mesmos. São livres naquele período. São a prova da liberdade do amor. E mais um exemplo de que não se ama, depois de adulto, da mesma forma que aos 17 anos (ou na adolescência, ja que eles tinam mais idade quando do primeiro filme). Eles amam agora pelo amor que encontraram um no outro (e em si mesmos) na adolescência.
Talvez 17 anos seja a idade de se encontrar o grande amor...
Mas, amor é para ser encontrado ou vivido?
Não sei. Mas sei que viver não se resume aos 17 anos.
Talvez 17 anos seja a idade de se encontrar o grande amor...
Mas, amor é para ser encontrado ou vivido?
Não sei. Mas sei que viver não se resume aos 17 anos.
domingo, setembro 19, 2004
Casamentos, chegamos a idade dos casamentos. E de lembrar que quando nos conhecemos ainda estavamos na idade dos namoros, das primeiras vezes, das grandes paixões adolescentes (ama-se, depois de adulto, com a mesma intensidade de quando se tem 17 anos?). Alguns de nós estão um pouco mais adiantados, na idade dos pequenos, aqueles seres humanos que nos mostram que a vida nada tem a ver com nós mesmos, vivemos mesmo é pelo outro e para o outro. E alguns ainda atrasados, na idade da procura, talvez por tentar entender demais o que parece não ter explicação alguma. Mas, o importante, o porque de ser desse texto, é que, seja qual for a idade em que cada um de nós se encontra estamos juntos. Por alguma dessas razões que não tem porque de ser (simplesmente é), nos encontramos todos, um dia, por um interesse comum e permanecemos juntos, ainda que não como antes já que temos também outros interesses. Se o primeiro encontro (será que lembramos ainda?) foi casual, a permanência de nossos encontros, caros amigos, essa é proposital, é escolha nossa. Sejam quais fores nossas outras escolhas, se a amizade for sempre uma delas, permaneceremos juntos (ainda que não próximos em distância), até chegarmos aquela, inevitável, idade das despedidas.
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