quinta-feira, janeiro 13, 2005
Tenho pensado na teoria do "Bom Selvagem", quase tentada a acreditar nela. Olhar minha cidade por janelas de onibus é constatar como modificamos de forma brutal a natureza, o mundo em que vivemos. Observar cidades como o Rio de Janeiro pode ser quase assustador: concreto, fumaça, prédios, carros, pessoas apressadas, assustadas. É claro que sempre (ou talvez seja "ainda") há a Baia de Guanabara, linda mesmo que poluída (mas já melhorou muito), as praias, a cadeia de morros, a Quinta da Boa Vista, a Floresta da Tijuca e são esses lugares que ainda fazem a vida no Rio valer (e muito!!) a pena (tá, a vida cultural também!). Mas esses locais naturais parecem ficar cada vez mais distantes, cercados por concreto por todos os lados. Deve ser implicância minha mas será que estamos mesmo evoluindo?? (Para a auto-destruição??)
terça-feira, janeiro 11, 2005
É a razão nossa capacidade soberana? Estaremos fadados, tal qual em A.I., a sermos substituídos, ou talvez evoluirmos para seres biotecnológicos, racionais por excelência? Conseguiremos nos livrar desse "sintoma" chamado afeto?
Ainda que sim, isso tornará essa nova espécie melhor, pior ou só diferente??
Ainda que sim, isso tornará essa nova espécie melhor, pior ou só diferente??
sábado, janeiro 08, 2005
Tudo que consegui escrever sobre Os Sonhadores e Edukators foi essa notinha aí em baixo. Mas o Eduardo Valente conseguiu muito mais na Contra Campo. Fica a dica de leitura!!
Os Sonhadores e Edukators são filmes, não complementares, mas que dialogam entre si. Vale a pena ver os dois e pensar em ideais, sonhos, juventude, ação e reação, conservadorismo e envelhecimento e o que mais for que os filmes evoquem em cada um. Talvez não filmes memoráveis cinemtograficamente, mas que valem o ingresso mesmo que para discordar.
sábado, janeiro 01, 2005
sábado, dezembro 11, 2004
Às vezes elas voltam... (as minhas críticas de filmes)
A Sétima Vítima ("Darkness"), de Jaime Balagueró
Sem dúvida, como já disseram algumas críticas, um bom mau filme de terror. Assim pode ser definido "A Sétima Vítima", cujo título ficaria melhor como a escuridão do original. É um bom filme pois cria climas, ainda que em vários momentos lembre outros filmes recentes como "O Sexto Sentido" e mesmo "O Chamado" e outros mais antigos como "O Exorcista", em função dos clichés de filmes de terror: criança sensitiva, dias contados, o horror enquanto versão de culpa pela negligência dos pais, e outros. Há ainda referência a "Os Outros", também espanhol. Mas tal uso dos lugares comuns não diminui o filme, pois todos parecem ser usados de forma honesta, sem querer enganar o espectador como sendo algo novo, importante (e talvez seja difícil fugir dos clichés quando um gênero volta a moda). O filme se assume um grande "trem fantasma", pronto a assustar o espectador, sem querer passar nenhuma mensagem, sem ser autoral . Mas ainda assim contando com um roteiro enxuto, sem buracos, que não se perde em explicar detalhes e, acima de tudo ( e felizmente), não tenta minimizar o inexplicável. E com um elenco que defende em seus papéis, ainda que de forma quase caricata mas que serve bem a proposta do trem fantasma onde pretende-se assustar e não filosofar. Cheio de sombras, cantos escuros, com sustos simples, parece um bom filme de terror, não? Mas é mau, mau, muito mau, como um trem fantasma que não acaba. E essa coragem de ser mau talvez seja a característica, senão original, pelo menos muito interessante do filme. Filme pra sair angustiado (nisso pode lembrar "Olhos Famintos") e com medo de ver de novo(e com medo da existência da maldade)...
A Sétima Vítima ("Darkness"), de Jaime Balagueró
Sem dúvida, como já disseram algumas críticas, um bom mau filme de terror. Assim pode ser definido "A Sétima Vítima", cujo título ficaria melhor como a escuridão do original. É um bom filme pois cria climas, ainda que em vários momentos lembre outros filmes recentes como "O Sexto Sentido" e mesmo "O Chamado" e outros mais antigos como "O Exorcista", em função dos clichés de filmes de terror: criança sensitiva, dias contados, o horror enquanto versão de culpa pela negligência dos pais, e outros. Há ainda referência a "Os Outros", também espanhol. Mas tal uso dos lugares comuns não diminui o filme, pois todos parecem ser usados de forma honesta, sem querer enganar o espectador como sendo algo novo, importante (e talvez seja difícil fugir dos clichés quando um gênero volta a moda). O filme se assume um grande "trem fantasma", pronto a assustar o espectador, sem querer passar nenhuma mensagem, sem ser autoral . Mas ainda assim contando com um roteiro enxuto, sem buracos, que não se perde em explicar detalhes e, acima de tudo ( e felizmente), não tenta minimizar o inexplicável. E com um elenco que defende em seus papéis, ainda que de forma quase caricata mas que serve bem a proposta do trem fantasma onde pretende-se assustar e não filosofar. Cheio de sombras, cantos escuros, com sustos simples, parece um bom filme de terror, não? Mas é mau, mau, muito mau, como um trem fantasma que não acaba. E essa coragem de ser mau talvez seja a característica, senão original, pelo menos muito interessante do filme. Filme pra sair angustiado (nisso pode lembrar "Olhos Famintos") e com medo de ver de novo(e com medo da existência da maldade)...
sábado, dezembro 04, 2004
Saudade Patológica
No dia em que eu não for mais
Pode ser que tudo mais não faça diferença
Mas agora, enquanto ainda sou
Não posso evitar a estranha sensação
De sentir saudades de toda beleza inerente ao mundo
e aos seres, principalmente os ditos humanos
Não faz sentido
Pois ainda vivo tudo aquilo de que tenho saudades
Mas talvez seja o medo cético
De nem mesmo saudades sentir
Quando me acabar o tempo nesse pequeno planeta
E assim vou perdendo a felicidade completa
Por sentir saudades antes do tempo
No dia em que eu não for mais
Pode ser que tudo mais não faça diferença
Mas agora, enquanto ainda sou
Não posso evitar a estranha sensação
De sentir saudades de toda beleza inerente ao mundo
e aos seres, principalmente os ditos humanos
Não faz sentido
Pois ainda vivo tudo aquilo de que tenho saudades
Mas talvez seja o medo cético
De nem mesmo saudades sentir
Quando me acabar o tempo nesse pequeno planeta
E assim vou perdendo a felicidade completa
Por sentir saudades antes do tempo
"O que diferencia o impossível do difícil? A questão parecia-lhe importante, quase essêncial pois dela dependiam as decisões que estava por tomar. Precisava resolver se valia apena tentar ou se, sendo impossível seu desejo, apenas lhe restava resignar-se. Mas sua pergunta permanecia sem resposta, por mais que pensasse, discutisse, procurasse a resposta na filisofia, na ciência ou na fé. Queria acreditar, na verdade, que alguma lei resolveria por ela sua vida, determiando o que fazer, desejar, amar. Mas ao mesmo tempo questonava cada uma das leis humanas que poderiam cercear seu querer e amenizar a angústia que lhe era inerente. A liberdade, então, de pensar, decidir, querer tinha por preço a angústia de se saber livre e temer estar só. Mas não eram exatamente a angústia e o medo da solidão que movimentavam seu ser? Não era pelos momentos em que se sentira completa, acompanhada na imensidão, que estava disposta a correr os riscos inerentes de querer o impossível e assim acreditar que era apenas difícil? Se "assim é o que assim lhe parece", já tinha sua resposta, por mais que quisesse duvidar de si mesma, por mais que fosse manter-se a procura de uma certeza ou verdade absoluta. Ainda que duvidasse que tais existissem, seria a procura de sua vida. Mas no meio tempo tinha de viver e correr os riscos de ter, ou não, o impossível."
domingo, novembro 28, 2004
Esboço de um roteiro de Comédia Romântica Medieval (público alvo: mulheres de todas as idades. Com possibilidade de virar uma série, ao estilo Sissi.)
Queria escrever uma história romântica. Com uma donzela a espera de um herói. Mas sua donzela teimava em resolver seus problemas antes que seu herói pudesse ajudá-la. Este também encontravasse a maior parte do tempo perdido em dúvidas e preferia se enamorar das personagens secundárias do romance a cortejar a donzela que tanto admirava. Dessa forma, a donzela não tinha porque esperar pelo herói que na realidade ansiava, pois acreditava que este já tinha pretendentes demais e que ela não poderia se comparar a elas. Pensar não era atributo tão sedutor quanto saber pedir ajuda quando não se necessitava. E ela não era capaz disso. E era exatamente isso que a fazia mais admirável aos olhos do herói. Ao mesmo tempo que a fazia mais distante, pois uma mulher tão inteligente, independente, bonita e charmosa não poderia precisar de um herói que só servia para resgatar donzelas perdidas na floresta. E ela era inteligente o bastante para sempre encontrar o caminho de volta. Mas na verdade, sempre ficava na floresta mais tempo que o necessário, esperando que talvez ele fosse resgatá-la. Pois admirava nele para além da força e beleza, que todas enxergavam, também a determinação, o senso de crítica e de humor e sua sensibilidade. Sabia que ele escrevia e morreria só para ver seus versos. Talvez morresse mesmo quando descobrisse que a maior parte era sobre ela. Seus olhos, cabelos, suas mãos, que ele tocara apenas uma vez, a voz que se atrevia a cantar versos e falar de coisas que iam além de tecidos e jóias. Ele escrevia sobre ela, sem saber que ela também fazia versos sobre ele. E assim, a história se perdia cada vez mais num romance aparentemente impossível entre dois personagens que se amavam mas não sabiam. Até o pai da donzela já estava preocupado, com sua primeira filha tão cheia de dotes poderia estar ainda solteira? Decidiu mandá-la a outro reino, para expandir seus horizontes, conhecer novos pretendentes. A donzela aceitou bem a proposta, começava a pensar que precisava de algo novo além dela mesma. E foi para o outro reino, onde, ao se ver livre do estigma de donzela reclusa, pode ser quem realmente queria. Enfeitou-se, se atreveu a participar das quadrilhas no bailes, se fez ser olhada e aceitou o olhar de príncipes, heróis e camponeses. Enamorou-se de um ou dois deles... Enquanto o herói aprendia que deveria escolher o que queria. Ouvia rumores do sucesso da donzela no reino vizinho e sentia uma raiva estranha por isso. Como poderia ter raiva de saber que ela estava mostrando a todos aquilo que ele sempre soubera haver dentro dela? Precisou ir até o reino e vê-la conversando com o príncipe para entender seus ciúmes. Pensou em desistir, nem falar com ela, mas ela o viu. E imbuída da força que acabara de descobrir em si mesma, resolveu seduzi-lo, ou pelo menos tentar. Enquanto ele, tomado de ciúmes, de um sentimento de propriedade para com ela, resolveu que a conquistaria. E a partir daí, o resto é história...
Queria escrever uma história romântica. Com uma donzela a espera de um herói. Mas sua donzela teimava em resolver seus problemas antes que seu herói pudesse ajudá-la. Este também encontravasse a maior parte do tempo perdido em dúvidas e preferia se enamorar das personagens secundárias do romance a cortejar a donzela que tanto admirava. Dessa forma, a donzela não tinha porque esperar pelo herói que na realidade ansiava, pois acreditava que este já tinha pretendentes demais e que ela não poderia se comparar a elas. Pensar não era atributo tão sedutor quanto saber pedir ajuda quando não se necessitava. E ela não era capaz disso. E era exatamente isso que a fazia mais admirável aos olhos do herói. Ao mesmo tempo que a fazia mais distante, pois uma mulher tão inteligente, independente, bonita e charmosa não poderia precisar de um herói que só servia para resgatar donzelas perdidas na floresta. E ela era inteligente o bastante para sempre encontrar o caminho de volta. Mas na verdade, sempre ficava na floresta mais tempo que o necessário, esperando que talvez ele fosse resgatá-la. Pois admirava nele para além da força e beleza, que todas enxergavam, também a determinação, o senso de crítica e de humor e sua sensibilidade. Sabia que ele escrevia e morreria só para ver seus versos. Talvez morresse mesmo quando descobrisse que a maior parte era sobre ela. Seus olhos, cabelos, suas mãos, que ele tocara apenas uma vez, a voz que se atrevia a cantar versos e falar de coisas que iam além de tecidos e jóias. Ele escrevia sobre ela, sem saber que ela também fazia versos sobre ele. E assim, a história se perdia cada vez mais num romance aparentemente impossível entre dois personagens que se amavam mas não sabiam. Até o pai da donzela já estava preocupado, com sua primeira filha tão cheia de dotes poderia estar ainda solteira? Decidiu mandá-la a outro reino, para expandir seus horizontes, conhecer novos pretendentes. A donzela aceitou bem a proposta, começava a pensar que precisava de algo novo além dela mesma. E foi para o outro reino, onde, ao se ver livre do estigma de donzela reclusa, pode ser quem realmente queria. Enfeitou-se, se atreveu a participar das quadrilhas no bailes, se fez ser olhada e aceitou o olhar de príncipes, heróis e camponeses. Enamorou-se de um ou dois deles... Enquanto o herói aprendia que deveria escolher o que queria. Ouvia rumores do sucesso da donzela no reino vizinho e sentia uma raiva estranha por isso. Como poderia ter raiva de saber que ela estava mostrando a todos aquilo que ele sempre soubera haver dentro dela? Precisou ir até o reino e vê-la conversando com o príncipe para entender seus ciúmes. Pensou em desistir, nem falar com ela, mas ela o viu. E imbuída da força que acabara de descobrir em si mesma, resolveu seduzi-lo, ou pelo menos tentar. Enquanto ele, tomado de ciúmes, de um sentimento de propriedade para com ela, resolveu que a conquistaria. E a partir daí, o resto é história...
Touro 28/11/2004
Humanos são aqueles que vão além do medo que dá a complexidade de tudo, e fazem o possível para merecer as pessoas com que se relacionam, assim como também oferecer a elas o melhor que há em seus corações a todo momento. www.quiroga.net
Como não ler um horóscopo com mensagens tão bem escritas e bonitas como essa? Impessoal (ainda que não pareça para o leitor) como todos, mas com mensagens bonitas. Ou não, sou eu que gosto mesmo de ler esse horóscopo que fala menos do futuro e mais do presente.(Talvez ele fale daquilo que cada leitor queira que ele fale, os oráculos não foram todos assim? Preciso de tempo para voltar à História para saber responder...)
Humanos são aqueles que vão além do medo que dá a complexidade de tudo, e fazem o possível para merecer as pessoas com que se relacionam, assim como também oferecer a elas o melhor que há em seus corações a todo momento. www.quiroga.net
Como não ler um horóscopo com mensagens tão bem escritas e bonitas como essa? Impessoal (ainda que não pareça para o leitor) como todos, mas com mensagens bonitas. Ou não, sou eu que gosto mesmo de ler esse horóscopo que fala menos do futuro e mais do presente.(Talvez ele fale daquilo que cada leitor queira que ele fale, os oráculos não foram todos assim? Preciso de tempo para voltar à História para saber responder...)
sábado, novembro 27, 2004
Celine: "Baby, you are gonna miss that plane."
O olhar de Jesse para Celine, em "Antes do Por do Sol" é o exemplo quase real, ainda que cinematográfico, da capacidade do olhar. A linguagem, não só a fala, é atribuição particular do humano e a visão é parte importantíssima dessa capacidade cognitiva. Ao longo do filme Jesse declara, a cada instante que olha para Celine, seu desejo, paixão, admiração, fascínio, amor. Ele não fala, talvez até precisasse (pois acreditamos que acreditamos mais na palavra, ainda que entendamos o olhar) mas não consegue. De qualquer forma, Celine entende, tanto que evita esse olhar, talvez por medo de se perder ali, talvez só por provocação, talvez por isso e mais alguma coisa. Talvez só por saber, por mais que possa duvidar, que no final é ela quem vai cativá-lo com um olhar. Ainda que tenha de fingir uma imitação de Ninna Simone para isso. Mas ele também já sabia como ia terminar. Nove anos é tempo o bastante para se planejar um encontro, mesmo para o que parece que não tem como ser. De certa forma, este "Antes..." é semelhante e diferente de "Encontros...". Semelhante ao mostrar um encontro, diferente porque nào há o desencontro (ou a "perda na tradução" do título original), talvez porque este não seja um primeiro encontro de Celine e Jesse, como o de Bob e Charlotte. Ou talvez eu esteja vendo semelhanças e dissonâncias demais entre os dois filmes.
O importante, é que Jesse vai perder o avião...
Jesse: "I know."
O olhar de Jesse para Celine, em "Antes do Por do Sol" é o exemplo quase real, ainda que cinematográfico, da capacidade do olhar. A linguagem, não só a fala, é atribuição particular do humano e a visão é parte importantíssima dessa capacidade cognitiva. Ao longo do filme Jesse declara, a cada instante que olha para Celine, seu desejo, paixão, admiração, fascínio, amor. Ele não fala, talvez até precisasse (pois acreditamos que acreditamos mais na palavra, ainda que entendamos o olhar) mas não consegue. De qualquer forma, Celine entende, tanto que evita esse olhar, talvez por medo de se perder ali, talvez só por provocação, talvez por isso e mais alguma coisa. Talvez só por saber, por mais que possa duvidar, que no final é ela quem vai cativá-lo com um olhar. Ainda que tenha de fingir uma imitação de Ninna Simone para isso. Mas ele também já sabia como ia terminar. Nove anos é tempo o bastante para se planejar um encontro, mesmo para o que parece que não tem como ser. De certa forma, este "Antes..." é semelhante e diferente de "Encontros...". Semelhante ao mostrar um encontro, diferente porque nào há o desencontro (ou a "perda na tradução" do título original), talvez porque este não seja um primeiro encontro de Celine e Jesse, como o de Bob e Charlotte. Ou talvez eu esteja vendo semelhanças e dissonâncias demais entre os dois filmes.
O importante, é que Jesse vai perder o avião...
Jesse: "I know."
domingo, novembro 21, 2004
Uma Nova Esperança ou Momento Nerd
Não será "O Senhor dos Anéis" mas quem sabe, se seguir o caminho do trailer que (finalmente!!!) assisti no cinema, quem sabe aí, "Episódio 3" será o filme a resgatar "Guerra nas Estrelas" do limbo, do quase esquecimento, da quase mediocridade dos filmes dessa nova trilogia. Não sei se assim será, mas pelo menos há alguma esperança. De que George Lucas tenha reaprendido a dirigir...
Não será "O Senhor dos Anéis" mas quem sabe, se seguir o caminho do trailer que (finalmente!!!) assisti no cinema, quem sabe aí, "Episódio 3" será o filme a resgatar "Guerra nas Estrelas" do limbo, do quase esquecimento, da quase mediocridade dos filmes dessa nova trilogia. Não sei se assim será, mas pelo menos há alguma esperança. De que George Lucas tenha reaprendido a dirigir...
sábado, novembro 20, 2004
"Vivera muito tempo perdida no passado. Aquele tempo verbal cheio de perfeições, mais que perfeições mas também imperfeições. Aquele tempo que já existiu, mas não é mais. Vivera, portanto, perdida em saudades de acontecimentos, alguns reais, alguns que suas memórias já tinham tornado mais que perfeitos, quando haviam sido pouco mais que imperfeitos. Acreditara por muito tempo em suas próprias memórias, sem saber que eram suas próprias construções. Sem saber que de certa forma mentia para si mesma. Menos por maldade ou masoquismo, mas talvez por medo ou covardia. De viver o presente."
Porque, por alguma razão que não se faz conhecida a mim, tenho ouvido essa música na minha cabeça desde quando acordei ontem. Deve ser problema com o dial da minha rádio... (Quero crer que todos são capazes de ouvir música dentro de suas cabeças. Ou será isso um inicio de alucinação auditiva?? Ai, ai, lá vou eu ter de ir pro Moncorvo Filho pegar olanzapina....)
Água Viva
Raul Seixas
Eu conheço bem a fonte
Que desce aquele monte
Ainda que seja de noite
Nessa fonte está es condida
O segredo dessa vida
Ainda que seja de noite
"Êta" fonte mais estranha
Que desce pela montanha
Ainda que seja de noite
Sei que não podia ser mais bela
Que os céus e a terra, bebem dela
Ainda que seja de noite
Sei que são caudalosas as correntes
Que regam os céus, infernos
Regam gentes
Ainda que seja de noite
Aqui se está chamando as criaturas
Que desta água se fartam mesmo
às escuras
Ainda que seja de noite
Ainda que seja de noite
Eu conheço bem a fonte
Que desce daquele monte
Ainda que seja de noite
Porque ainda é de noite
No dia claro dessa noite
Porque ainda é de noite
Água Viva
Raul Seixas
Eu conheço bem a fonte
Que desce aquele monte
Ainda que seja de noite
Nessa fonte está es condida
O segredo dessa vida
Ainda que seja de noite
"Êta" fonte mais estranha
Que desce pela montanha
Ainda que seja de noite
Sei que não podia ser mais bela
Que os céus e a terra, bebem dela
Ainda que seja de noite
Sei que são caudalosas as correntes
Que regam os céus, infernos
Regam gentes
Ainda que seja de noite
Aqui se está chamando as criaturas
Que desta água se fartam mesmo
às escuras
Ainda que seja de noite
Ainda que seja de noite
Eu conheço bem a fonte
Que desce daquele monte
Ainda que seja de noite
Porque ainda é de noite
No dia claro dessa noite
Porque ainda é de noite
sábado, novembro 13, 2004
Porque tem a ver com o escrito de ontem. E porque é, para mim, um dos mais belos poemas da nossa língua. Quiça de qualquer uma.
Ouvir Estrelas
Olavo Bilac
- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro a janela, pálido de espanto.
E conversamos longo tempo, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Ainda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: - Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem quando estão contigo?
E eu vos direi: - Amai para entendê-las,
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas!
Ouvir Estrelas
Olavo Bilac
- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro a janela, pálido de espanto.
E conversamos longo tempo, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Ainda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: - Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem quando estão contigo?
E eu vos direi: - Amai para entendê-las,
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas!
sexta-feira, novembro 12, 2004
"Desde sempre sentira-se embevecida pelas estrelas. Nunca fora capaz de se orientar por elas, nem mesmo reconhecia o Cruzeiro do Sul, ainda assim era capaz de entender a beleza plástica daqueles milhares de pontos luminozos contra o fundo escuro do espaço. Além disso fascinava-a possibilidade de estar olhando o passado. A idéia era simplesmente que seu planetinha, povoado de poeira cósmica "inteligente", era envolto por uma camada de gazes que criava um espetáculo visual a cada momento. E à noite permitia a viagem no tempo. Pois só como viagem no tempo poderia-se explicar o fato de que ela, no seu presente, olhava o passado daquelas estrelas para as quais era o futuro. Passado, presente e futuro se juntavam no todo momentâneo da sua consciência. Talvez fosse relativo para os outros. Para ela, aquilo era tão real que poderia se perder na fascinação que a tomava ao se sentir participando de algo tão incrível. Era parte, mesmo que ínfima, do universo. E isso já era ser muita coisa..."
domingo, novembro 07, 2004
"Pensava, naquele exato momento, que poderia ser feliz numa ilha deserta. Claro que não uma felicidade sustentada, mas a vida seria melhor. Contanto tivesse o direito de levar pessoas queridas. Abriria mão das facilidades complexas da vida em sociedade, até mesmo da diversidade de pessoas com quem tanto poderia aprender. Não importava, ou antes, se o conhecimento servia apenas para complicar a vida, prefeira a simplicidade. Não da ignorância completa, mas poderia ficar com os conhecimentos essenciais, aqueles baseados em sentidos e sentimentos. Por isso, estava disposta, naquele momento, a ter apenas as pessoas por quem tinha carinho, independentemete de conhecimento e influências. Aquelas de quem gostava sem nem saber direito o porque. Era só que queria. Mas sabia o que esperavam dela."
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