domingo, agosto 14, 2005

Diálogos cinematográficos
Existem filmes que dialogam. Os críticos da Contracampo já mostram isso há muito e eu aprendi com eles. Dessa vez eles (ainda) não falaram de dois diálogos que eu pude perceber.
"A Fantástica Fábrica de Chocolate" e "Terra do Nunca" - não, os filmes não têm em comum apenas o fato de ter o (perfeito) Johny Depp como protagonista. Dialogam por falarem de um protagonista adulto que não consegue sair de sua infância (o "mal" de todos nós jovens adultos atuais, o que torna os filmes bem atuais). Enquanto em "Terra" J.M. Barrie é, sim, um adulto mas frustrado (pelos desejos que não se dá o direito de aceitar) e que só encontra alguma satisfação quando envolvido pelo mundo mágico das crianças; em "A Fantástica Fábrica" Willy Wonka simplesmente não cresceu, ainda é o mesmo menino que fugiu de casa para dar a volta ao mundo no museu de Bandeiras do Mundo. Wonka cria seu mundo de fantasia, despreza os outros e chega a ser cruel, tal qual a criança que ainda é. No final podemos imaginar que a reconciliação com o pai (seqüencia mais psicanalitica do que a a debochada cena do Umpa Lumpa freudiano) marca o início da maturidade de Wonka, que parece ter parado lá na pré-adolescencia. Talvez... Mas isso não é o importante, se ele vai "crescer" ou não. Importante é que o filme nos deixa entender que Wonka encontrou seu lugar no mundo sendo quem é: pré-adolescente, um pouco cruel, criador de um mundo de fantasias e gostosuras. Ele não tem medo de ser ele mesmo. Talvez até possa se chatear por ser sozinho, e aí busca solucionar seu problema, mas não deixa de ser Willy Wonka e querer o que bem entende.
E J.M. Barrie? Um adulto, sem dúvida. Teatrólogo, casado (mas filhos...), bem sucedido, ainda que no momento inicial do filme esteja passando por uma crise. Crise criativa, crise no casamento, talvez crise de si mesmo. Barrie é um homem frustrado num casamento que nos parece sem paixão, escrevendo peças pouco inventivas, vivendo uma vida que parece nem mesmo querer. Poderíamos (ou posso eu, com minha visão psiquiátrica) chamá-lo de depressivo. Barrie prefere ficar sozinho com seu cachorro, como se as outras pessoas o importunassem. Até que conhece a família de crianças, com uma mãe viúva. Ele se apaixona por todos e tenta, de forma "adulta", viver essa paixão. Mas parece que ser adulto é siplesmente continuar frustrado, já que Barrie não pode assumir sua paixão pela mãe, pelas crianças e acaba por escrever uma peça como forma de realizar suas fantasias. A questão que fica é: por que diabos Barrie não pdoe realizar seus desejos? Porque tem de continuar frustrado? Será que crescer é aprender a conviver com a frustração auto-impegida? Pois em momento algum Barrie tenta mudar as coisas ele aceita tudo, disciplinadamente, ainda que não gostando de nada.
Então, prefiro Willy Wonka. Ele busca o que quer e parece se encontrar mais que Barrie. Wonka pode parecer meio doido mas não se frustra como Barrie. Se o real é ruim ele cria a fantasia não só em seus pensamentos, eles as faz reais, assume o controle de sua vida. Talvez até de forma mais adulta que Barrie que vive preso a seus pensamentos, em forma de peça...
Faltou falar da violência de Sin City e a de Old Boy. Fica pra depois. (Como diz o Pato Fu)
"Old man dies. Young woman lives. Fair trade."

Fala do Detetive Hartingan (Bruce Willis), no belo Sin City.

quinta-feira, agosto 04, 2005

O fundo do poço é: identificar-se com alguma cena de América.
Além do fundo é: identificar-se com uma cena da Sol!!!!!!!!!!!!!!

Eu achava que era identificar-se com um pagode.

Depois dessa, Fundo de Quintal que me espere...
O que define uma pessoa?
Suas escolhas.
Seus atos.
Suas idéias?
Seus ideais?

It was just my imagination
Running away with me

Ouvia a música de sua adolescência e de repente era como se tivesse traído seus ideais. Não era o que realmente quisera ser. Era um fantasma dos seus sonhos. Uma cópia mal acabada. O que se tornara? Uma alienada em todos os aspectos de sua vida, que tentava ir além mas sempre acabava desistindo. Desistia dos ideais de forma tão fácil que hoje se perguntava o que sobrara. O que queria. Era como se tivesse se baseado em premissas falsas. Como se quisesse se enganar. Seria fácil se não soubesse. Mas vez por outra tinha o vislumbre de que tudo não passava de auto enganação, não era real.
Sua vida não era real.
E por mais que quisesse acreditar na fantasia, sabia que era mentira. E incomodava saber que vivia na mentira...
Mas também não tinha forças para romper com tudo. Tinha medo do que poderia vir. De ficar sem fantasia, sem nada.

Think of me when you close your eyes
But don´t look back when you break all ties

sexta-feira, julho 29, 2005

"...
como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi, o vento leva!
..."
o vento, de rodrigo amarente, no álbum 4 do los hermanos

quinta-feira, julho 28, 2005

4
Álbum novo do Los Hermanos. Como sempre, não é disco para ouvir uma vez, tem de ser realmente ouvido porque de primeira tudo parece estranho. Na segunda audição nota-se a beleza e uma certa dose de tristeza, melancolia. Tem até música que parece feita para se dançar junto de alguém... Parece que se está num finzinho de tarde, numa casa a beira da praia, bem acopanhada, vendo o mar, o céu e pensando na vida.
Sim, é muito mpb, os títulos parecem até de música do Caymi, mas tem rock no meio. Mais uma vez superando os gêneros e classificações os meninos fazem simplesmente música muito da boa!!

terça-feira, julho 19, 2005

Pobres Rimas

O que fazer
Quando não se sabe o que escrever?

Ou talvez
Quando não sei escrever
O que tenho medo de dizer

domingo, julho 17, 2005

It was a cold dark evening such a long time ago
When by the mighty hand of Jove
It was a sad story how we became
Lonely two-legged creatures
It's the story
The origin of love
That's the origin of love.
The origin of love (trecho), do filme/musical Hedwig and the angry inch
Porque eu não sei escrever... Acho que é por isso que gosto de ouvir música, procuro por palavras que falem o que não sei falar.
Tentativa de escrever...

Conheceram-se no refeitório.

Ela sentada, quase imóvel, não ligando para a comida ou os demais ao seu redor. Olhava para o nada, parecia perdida em si mesma. Nem mesmo estranhava aquele lugar, apesar de ser seu primeiro dia ali.

Ele adentrou o refeitório falando com todos. Ao contrário dela que não conhecia ninguém muito menos fazia questão de conhecer, ele parecia conhecer e ser conhecido. Já fazia parte daquele ambiente e parecia gostar. Pegou sua bandeja, escolheu o que mais lhe apetecia do café da manhã e foi sentar-se na mesa com outros pacientes jovens.

Foi quando a viu na ultima mesa, sozinha e distante. Encantou-se, talvez por ela ser jovem como ele (a maioria dos outros eram mais velhos), talvez pela sua indiferença naquele meio onde todos, de alguma forma, chamavam a atenção. Parecia não se importar com tudo aquilo. Parecia fechada em si mesma de tal forma que o resto não lhe importava.

Parecia com ele.

Foi falar com ela.

Continua...

quarta-feira, junho 29, 2005

Pequeno Dicionário da Crise (trechos)

CORRUPÇÃO
Otávio Velho (professor aposentado de antropologia do Museu Nacional)

O uso do termo para referir-se a suborno, depravação, utilização de meios ilegais no serviço público etc. deriva do seu sentido geral como ato, processo ou efeito de tornar-se apodrecido. É interessante, assim, como a corrupção no terrreno jurídico-político deita raízes na observação de um fenômeno natural, certamente com a mediação da sua utilização no terreno da religião. Só que, na tradição cristã, a corrupção associa-se a uma grande anormalidade inicial: o afastamento dos seres humanos de Deus. É provável, portanto, que, no terreno jurídico-político, trate-se muito mais do controle da corrupção do que de acabar com ela.
O controle, portanto, deveria caber à lei. O que parece, no entanto, é que boa parte da vida social não é redutível a um quadro legal universal. Quase que se poderia dizer que os grupos sociais têm suas fronteiras dadas exatamente pelos limites dentro dos quais se praticam usos e costumes aceitos, mesmo que ao arrepio da lei universal. Exemplos não faltam, o que não deixa de levantar delicadas questões no manejo das relações entre o interno e o externo a esses grupos.

Não é à-toa que na política o decoro ganha proeminência. Os momentos de crise são em geral aqueles em que ele é atingido, seja pelo rompimento das regras não escritas, seja porque a disputa política leva uma das partes, como último recurso, a fazer apelo à lei universal, seja por ingerência externa. Nisso a mídia tem hoje importância decisiva na caraterização de escândalos.
Trata-se de não esquecer que o objetivo possível é aprimorar os controles, sem paralisar a política. Nem o irrealismo ou a demagogia dos que dizem pretender (até como arma política) acabar com a corrupção nem a penalização unilateral dos emergentes, obrigados a expor-se para romper os domínios tácitos. Talvez, então, daqui a dez anos não tenhamos tido nenhuma mudança dramática, mas teremos consolidado a democracia se tivermos resistido a golpes que pretendam interrompê-la ou restringi-la sob o pretexto de aperfeiçoá-la e se tivermos, até, alcançado alguma redução na corrupção. Poderíamos mesmo ter alguma mudança cultural resultado que não pode ser planejado, nem colocado como condição inicial.

REPRESENTAÇÃO
Renato Lessa (professor de teoria política na Iuperj)

Dá-se por suposto que o problema da representação política decorre de problemas de escala. O gigantismo dos eleitorados, a extensão dos territórios e a complexidade da agenda pública tornariam impraticável uma organização política fundada na participação direta dos cidadãos. O curioso é que tal princípio foi inventado e desenvolvido quando os eleitorados eram ainda diminutos, o que faz da suposição algo aparentado da superstição.
Para James Madison, um dos clássicos na matéria, o ?esquema da representação? é o que distingue a idéia moderna de república da de democracia. Mais do que um desdobramento natural do princípio clássico da soberania popular, a representação é um artifício pelo qual poucos e bons falam pelos muitos e nem tão bons assim. Ela, na verdade, é um filtro, cuja principal finalidade é a de reduzir os impactos possíveis da potência da ?multidão? sobre a ordem política.
O que resulta da operação e tal filtro é o que, de forma mais apropriada, deveríamos designar como governo representativo. As democracias realmente existentes são regimes nos quais eleitorados coexistentes à população adulta fazem-se representar por meio de mecanismos eleitorais. Se levado a sério, o desenho indica que a relação crucial é a que se estabelece entre representantes e representados, no sentido de torná-la mais densa e genuína.
O pior cenário para o governo representativo é o da redução da representação a um mecanismo no qual os representantes representam a si próprios e no qual a relação mais significativa é a que se estabelece entre eles e o governo. Qualquer analogia com os dias que correm não será acidental.

In Mais, página 6, Folha de São Paulo, domingo, 26 de junho de 2005.

quinta-feira, junho 09, 2005

O homem está condenado à liberdade.


-Sim. Afinal, não pedimos a ninguém para sermos criados como indivíduos livres.
-É exatamente esse o ponto central em Sartre. Acontece que somos indivíduos livres e nossa liberdade nos condena a tomarmos decisões durante toda a nossa vida. Não existem valores ou regras eternas, a partir das quais podemos nos guiar. E isso torna mais importantes nossas decisões, nossas escolhas. Sartre chama a atenção precisamente para o fato de o homem nunca poder negar sua responsabilidade pelo que faz. Por essa razão, não podemos simplesmente colocar de lado nossa responsabilidade e dizer que "temos" de ir trabalhar, ou então que "temos" de nos pautar por certas expectativas burguesas quanto ao modo como devemos viver. Aquele que assim procede mescla-se a uma massa anônima e se transforma em parte impessoal dela. Ele foge de si mesmo e se refugia na mentira. De outra parte, a liberdade do homem nos obriga a fezer de nós alguma coisa, a ter uma existência "autêntica" ou verdadeira.

Sofia Amundsen e Alberto Knox, em O Mundo de Sofia, pág.463, de Jostein Gaarder, Ed. Círculo do Livro, 1991.

domingo, junho 05, 2005

"Perder para ganhar", assim dizia o horóscopo que ela lia às escondidas. Não queria admitir que preferia que um destino ou força superior fosse responsável por sua vida. Ainda tinha medo da idéia de que era a dona da sua história. Tal qual no filme moralista, era ela quem fazia as escolhas...

sexta-feira, junho 03, 2005

Parecia-lhe que sua vida serviria para que coletasse memórias, tal qual dados. As grandes, inesquecíveis e as pequenas, esquecíveis, mas passíveis de serem lembradas. Inesquecíveis eram os momentos únicos, aqueles que enquanto mesmo aconteciam já se sabia que eram memoráveis. Vivia-os com intensidade e guardava-os com igual força. Eram como momentos definidores, clímax de filmes. Quando a música subia, as cores ficavam mais vivas. Mas não passavam de momentos, não se repetiam e por isso era tão importante armazená-los na memória orgânica e sentimental. Eram olhares nos quais poderia se perder para sempre. E por aqueles instantes perdia-se. Mas tinha de retornar (será mesmo?). As pequenas memórias, por sua vez eram construídas no dia-a-dia. Momentos que só se sabiam memoráveis depois de acontecidos, de tão simples, cotidianos que pareciam. Eram como filmes anti-climáticos, verborrágicos de Richard Linlaker ou Erich Rhomer nos quais o todo é importante, não apenas um determinado momento. Talvez o fato de conterem em si o potencial de repetição tirasse desses momentos a urgência e a beleza trágica. Mas continham a esperança do retorno. Esperança que podia ser cultivada. Não eram momentos de perdição, mas de certezas (inda que relativas) e repetições. E ás vezes repetir não é ruim.
E assim ia, colecionando memórias. Enquanto tentava mesmo era entender porque repetir (um momento) deveria ser melhor que perder-se (num momento).

quinta-feira, maio 19, 2005

E então é isso mesmo. Anakin Skywalker se tornou Darth Vader por ter suas fraquezas manipuladas por Palpatine. Mas o interessante é que estas fraquezas não eram sede de poder, arrogância (em determinado momento o próprio Yoda é chamado de arrogante), não eram sentimantos considerados "ruins". Pelo contrário, a fraqueza de Anakin é seu amor, sua doação extrema a Amigdala, seu medo de perdê-la. Muito humano, me parece. É até fácil entender Anakin e sua escolha errada. Pois os Jedis chegam a parecer frios no seu desapego, sua raiconalidade, sua capacidade de pensar num bem maior, para além dos indivíduos. Entendemos quando Obi-Wan diz que Palpatine é mal e Anakin responde que do ponto de vista dele os Jedis é que são maus. Naquele momento, o ponto de vista dele até faz sentido. Frente ás conseqüências posteriores de tudo, sabemos como ele está errado. Mas ele não tinha como saber. O grande erro de Anakin acaba sendo sua escolha, que é mediada pela paixão. E a linha entre bem e mal, bom e ruim acaba parecendo muito tênue. No final, sabemos que Amigdala está certa ao dizer que há algo de bom em Anakin. Tanto que é isso que irá salvar todos em O Retorno de Jedi. Não esqueçamos que é Anakin/Drath Vader quem joga o Imperador da nave. Só ele tem a ira para matar. E só seu filho, Luke, terá a compaixão para salvá-lo.

Ainda que pareça um filmão B, com uns diálogos meio toscos, de alguma forma Star Wars guarda uma mitologia realmente envolvente, emocionante e inteligente. E que faz todo o sentido neste último filme. Não dá pra explicar como este que é apenas o terceiro filme é ao mesmo tempo o último. Só vendo para entender.
"Ignorar que a tarde vai
Vadia e mítica"
Te ver, Skank

Já sei, mesmo 3 horas antes de ver o filme, que em Episódio 3 Yoda fala a Anakin sobre o desapego ás coisas, que isso serai importante para que ele se tornasse um Jedi. Sabemos todos que ele vai trilhar o caminho contrário, talvez exatamente por não conseguir se desligar dos seus afetos. Me pergunto ocorre isso, esse desapego. Até faz sentido que tudo se torne mais simples sem afeto: sem anseisos, angústias, cobranças. E sem esperanças e fantasias. Com uma carga de desejo milimetricamente controlada para ser satisfeita com o que é possível e nada mais.
Será Darth Vader mais humano que os Jedis? Provavelmente não tanto mas quem sabe não é a humanidade de Anakin, manipulada, que permite tornar-se Darth Vader.
E eu ainda nem vi o filme...

terça-feira, maio 10, 2005

"[..]
- Tente imaginar que tudo o que vivemos acontece na mente de outra pessoa. Nós somos essa mente. Não possuímos, portanto, uma alma própria. Somos a alma de outro. Até aqui estamos no campo da filosofia. Um campo que nos é familiar. Berkeley e Schelling iriam aguçar seus ouvidos. [...]"
Alberto Knox, in O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, pág. 361, Ed. Círulo do Livro, 1991.

E se não passamos de produtos de uma consciência maior? E se nesse caso tivermos de aceitar que nossos pensamentos, nossas criações e fantasias podem ter vida? E se por um momento tivermos de aceitar que o mundo não gira ao nosso redor, que podemos tão ser tão responsáveis por nossas vidas quanto essas palavras estão sendo por se autodigitarem? Mas e se ainda assim existir um liver arbítrio?
Músicas da gaveta... (aquelas que guardo para o dia em que fazem sentido)

Seja Você
Paralamas do Sucesso


Vai sempre ter alguém
Com mais dinheiro, mais respeito
mais ou menos tudo que se possa ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa somos imperfeitos
e o falta cega pro que já se tem

Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer

O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas de um sorriso quando me entender
Seja você
Seja só você

segunda-feira, maio 02, 2005

Quando criança aprendi a fazer pedidos a primeira estrela
Olhava para o céu à tardinha, à procurá-la
Ansiosa pelos desejos

Ainda hoje olho para o céu ao entardecer
À procura da mesma estrela
Mas já não cobro que realize desejos
(Isto é incubência minha, já entendi)
Apenas que não me permita esquecer os sonhos
O que são essas linhas imaginárias que nos ligam uns aos outros? Isso que chamamos de sentimentos, essas estranhas sensações misturas de reações somáticas (taquicardia, falta de ar, perda de equilíbrio, ruborização,...) com genuínas percepções mentais (medo, raiva, carinho). Esses sintomas psicanalíticos que nos imepedem de entender o mundo e o outro pela ótica tão acertada da razão. Alguns antigos sábios filosofos já disseram que, onde nossa razão não pode alcançar (e a mim parece haver todo um infinito aí), nossa capacidade de acreditar, ter fé, atua de forma a nos permitir um entendimento do mundo a nossa volta. Não é reproduzível por experiências empíricas pois é pessoal e intransferível, na melhor das hipóteses pode ser compartilhado com semelhantes, de crenças/experiências semelhantes. Mas é o que nos "acalma, acolhe a alma, ajuda a viver", já que não somos capazes de entender de forma racional o mistério que nos cerca. Dessa forma a fé talvez seja o sentimento que nos mantêm unidos a todo o universo do qual, indubitavelemnte, fazemos parte de alguma forma. Da mesma forma, nossos sentimentos mais "mundanos" de medo, raiva, amor, amizade, compaixão, paixão são o que nos permite viver dia a dia uns com os outros. As pessoas são para mim um mistério quase tão grande quanto o do universo que me cerca, pois são, cada uma, um universo em si mesmas (algum filósofo já disse isso, só repito). E a convivencia com esses mistérios só é possível através dos sentimentos, às vezes torpes, mas muitas vezes sublimes que nos ligam uns aos outros. E que a minha razão continua não sendo capaz de explicar (ainda que eu possa tentar imaginar conexões mentais, sintonias corpóreas, etc)...