Parecia-lhe que sua vida serviria para que coletasse memórias, tal qual dados. As grandes, inesquecíveis e as pequenas, esquecíveis, mas passíveis de serem lembradas. Inesquecíveis eram os momentos únicos, aqueles que enquanto mesmo aconteciam já se sabia que eram memoráveis. Vivia-os com intensidade e guardava-os com igual força. Eram como momentos definidores, clímax de filmes. Quando a música subia, as cores ficavam mais vivas. Mas não passavam de momentos, não se repetiam e por isso era tão importante armazená-los na memória orgânica e sentimental. Eram olhares nos quais poderia se perder para sempre. E por aqueles instantes perdia-se. Mas tinha de retornar (será mesmo?). As pequenas memórias, por sua vez eram construídas no dia-a-dia. Momentos que só se sabiam memoráveis depois de acontecidos, de tão simples, cotidianos que pareciam. Eram como filmes anti-climáticos, verborrágicos de Richard Linlaker ou Erich Rhomer nos quais o todo é importante, não apenas um determinado momento. Talvez o fato de conterem em si o potencial de repetição tirasse desses momentos a urgência e a beleza trágica. Mas continham a esperança do retorno. Esperança que podia ser cultivada. Não eram momentos de perdição, mas de certezas (inda que relativas) e repetições. E ás vezes repetir não é ruim.
E assim ia, colecionando memórias. Enquanto tentava mesmo era entender porque repetir (um momento) deveria ser melhor que perder-se (num momento).
sexta-feira, junho 03, 2005
quinta-feira, maio 19, 2005
E então é isso mesmo. Anakin Skywalker se tornou Darth Vader por ter suas fraquezas manipuladas por Palpatine. Mas o interessante é que estas fraquezas não eram sede de poder, arrogância (em determinado momento o próprio Yoda é chamado de arrogante), não eram sentimantos considerados "ruins". Pelo contrário, a fraqueza de Anakin é seu amor, sua doação extrema a Amigdala, seu medo de perdê-la. Muito humano, me parece. É até fácil entender Anakin e sua escolha errada. Pois os Jedis chegam a parecer frios no seu desapego, sua raiconalidade, sua capacidade de pensar num bem maior, para além dos indivíduos. Entendemos quando Obi-Wan diz que Palpatine é mal e Anakin responde que do ponto de vista dele os Jedis é que são maus. Naquele momento, o ponto de vista dele até faz sentido. Frente ás conseqüências posteriores de tudo, sabemos como ele está errado. Mas ele não tinha como saber. O grande erro de Anakin acaba sendo sua escolha, que é mediada pela paixão. E a linha entre bem e mal, bom e ruim acaba parecendo muito tênue. No final, sabemos que Amigdala está certa ao dizer que há algo de bom em Anakin. Tanto que é isso que irá salvar todos em O Retorno de Jedi. Não esqueçamos que é Anakin/Drath Vader quem joga o Imperador da nave. Só ele tem a ira para matar. E só seu filho, Luke, terá a compaixão para salvá-lo.
Ainda que pareça um filmão B, com uns diálogos meio toscos, de alguma forma Star Wars guarda uma mitologia realmente envolvente, emocionante e inteligente. E que faz todo o sentido neste último filme. Não dá pra explicar como este que é apenas o terceiro filme é ao mesmo tempo o último. Só vendo para entender.
Ainda que pareça um filmão B, com uns diálogos meio toscos, de alguma forma Star Wars guarda uma mitologia realmente envolvente, emocionante e inteligente. E que faz todo o sentido neste último filme. Não dá pra explicar como este que é apenas o terceiro filme é ao mesmo tempo o último. Só vendo para entender.
"Ignorar que a tarde vai
Vadia e mítica"
Te ver, Skank
Já sei, mesmo 3 horas antes de ver o filme, que em Episódio 3 Yoda fala a Anakin sobre o desapego ás coisas, que isso serai importante para que ele se tornasse um Jedi. Sabemos todos que ele vai trilhar o caminho contrário, talvez exatamente por não conseguir se desligar dos seus afetos. Me pergunto ocorre isso, esse desapego. Até faz sentido que tudo se torne mais simples sem afeto: sem anseisos, angústias, cobranças. E sem esperanças e fantasias. Com uma carga de desejo milimetricamente controlada para ser satisfeita com o que é possível e nada mais.
Será Darth Vader mais humano que os Jedis? Provavelmente não tanto mas quem sabe não é a humanidade de Anakin, manipulada, que permite tornar-se Darth Vader.
E eu ainda nem vi o filme...
Vadia e mítica"
Te ver, Skank
Já sei, mesmo 3 horas antes de ver o filme, que em Episódio 3 Yoda fala a Anakin sobre o desapego ás coisas, que isso serai importante para que ele se tornasse um Jedi. Sabemos todos que ele vai trilhar o caminho contrário, talvez exatamente por não conseguir se desligar dos seus afetos. Me pergunto ocorre isso, esse desapego. Até faz sentido que tudo se torne mais simples sem afeto: sem anseisos, angústias, cobranças. E sem esperanças e fantasias. Com uma carga de desejo milimetricamente controlada para ser satisfeita com o que é possível e nada mais.
Será Darth Vader mais humano que os Jedis? Provavelmente não tanto mas quem sabe não é a humanidade de Anakin, manipulada, que permite tornar-se Darth Vader.
E eu ainda nem vi o filme...
terça-feira, maio 10, 2005
"[..]
- Tente imaginar que tudo o que vivemos acontece na mente de outra pessoa. Nós somos essa mente. Não possuímos, portanto, uma alma própria. Somos a alma de outro. Até aqui estamos no campo da filosofia. Um campo que nos é familiar. Berkeley e Schelling iriam aguçar seus ouvidos. [...]"
Alberto Knox, in O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, pág. 361, Ed. Círulo do Livro, 1991.
E se não passamos de produtos de uma consciência maior? E se nesse caso tivermos de aceitar que nossos pensamentos, nossas criações e fantasias podem ter vida? E se por um momento tivermos de aceitar que o mundo não gira ao nosso redor, que podemos tão ser tão responsáveis por nossas vidas quanto essas palavras estão sendo por se autodigitarem? Mas e se ainda assim existir um liver arbítrio?
- Tente imaginar que tudo o que vivemos acontece na mente de outra pessoa. Nós somos essa mente. Não possuímos, portanto, uma alma própria. Somos a alma de outro. Até aqui estamos no campo da filosofia. Um campo que nos é familiar. Berkeley e Schelling iriam aguçar seus ouvidos. [...]"
Alberto Knox, in O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, pág. 361, Ed. Círulo do Livro, 1991.
E se não passamos de produtos de uma consciência maior? E se nesse caso tivermos de aceitar que nossos pensamentos, nossas criações e fantasias podem ter vida? E se por um momento tivermos de aceitar que o mundo não gira ao nosso redor, que podemos tão ser tão responsáveis por nossas vidas quanto essas palavras estão sendo por se autodigitarem? Mas e se ainda assim existir um liver arbítrio?
Músicas da gaveta... (aquelas que guardo para o dia em que fazem sentido)
Seja Você
Paralamas do Sucesso
Vai sempre ter alguém
Com mais dinheiro, mais respeito
mais ou menos tudo que se possa ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa somos imperfeitos
e o falta cega pro que já se tem
Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer
O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas de um sorriso quando me entender
Seja você
Seja só você
Paralamas do Sucesso
Vai sempre ter alguém
Com mais dinheiro, mais respeito
mais ou menos tudo que se possa ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa somos imperfeitos
e o falta cega pro que já se tem
Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer
O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas de um sorriso quando me entender
Seja você
Seja só você
segunda-feira, maio 02, 2005
Quando criança aprendi a fazer pedidos a primeira estrela
Olhava para o céu à tardinha, à procurá-la
Ansiosa pelos desejos
Ainda hoje olho para o céu ao entardecer
À procura da mesma estrela
Mas já não cobro que realize desejos
(Isto é incubência minha, já entendi)
Apenas que não me permita esquecer os sonhos
Olhava para o céu à tardinha, à procurá-la
Ansiosa pelos desejos
Ainda hoje olho para o céu ao entardecer
À procura da mesma estrela
Mas já não cobro que realize desejos
(Isto é incubência minha, já entendi)
Apenas que não me permita esquecer os sonhos
O que são essas linhas imaginárias que nos ligam uns aos outros? Isso que chamamos de sentimentos, essas estranhas sensações misturas de reações somáticas (taquicardia, falta de ar, perda de equilíbrio, ruborização,...) com genuínas percepções mentais (medo, raiva, carinho). Esses sintomas psicanalíticos que nos imepedem de entender o mundo e o outro pela ótica tão acertada da razão. Alguns antigos sábios filosofos já disseram que, onde nossa razão não pode alcançar (e a mim parece haver todo um infinito aí), nossa capacidade de acreditar, ter fé, atua de forma a nos permitir um entendimento do mundo a nossa volta. Não é reproduzível por experiências empíricas pois é pessoal e intransferível, na melhor das hipóteses pode ser compartilhado com semelhantes, de crenças/experiências semelhantes. Mas é o que nos "acalma, acolhe a alma, ajuda a viver", já que não somos capazes de entender de forma racional o mistério que nos cerca. Dessa forma a fé talvez seja o sentimento que nos mantêm unidos a todo o universo do qual, indubitavelemnte, fazemos parte de alguma forma. Da mesma forma, nossos sentimentos mais "mundanos" de medo, raiva, amor, amizade, compaixão, paixão são o que nos permite viver dia a dia uns com os outros. As pessoas são para mim um mistério quase tão grande quanto o do universo que me cerca, pois são, cada uma, um universo em si mesmas (algum filósofo já disse isso, só repito). E a convivencia com esses mistérios só é possível através dos sentimentos, às vezes torpes, mas muitas vezes sublimes que nos ligam uns aos outros. E que a minha razão continua não sendo capaz de explicar (ainda que eu possa tentar imaginar conexões mentais, sintonias corpóreas, etc)...
sexta-feira, abril 22, 2005
Lembro de uma vez, quando criança, conversar com algumas colegas no horário de recreio sobre como seria o Céu. A idéia vigente era do céu cheio de nuvens macias. Declarei, na época, que achava esse paraíso muito sem graça, ficar em nuvens, sem nada para fazer. Não lembro bem de qual seria meu "paraíso" aquela época. Hoje também não sei muito bem como seria, até porque tento me concentrar mais aqui na Terra mesmo. Fico imaginando se nossos sonhos de paraíso de hoje (que talvez involvam um simulacro de Terra melhorado, com mais respeito entre os seres humanos, mais áreas verdes, praias, sem tecnologias poluentes/destruidoras) não podem ser a Terra de gerações futuras. Se de alguma forma essa idéia de um lugar melhor não pode estar, não no além vida mas no além tempo, no futuro (se soubesse algo sobre teoria do tempo/espaço curvo poderia explicar a idéia maluca). Nesse futuro, então, crianças (e adultos) inconformistas como eu sonhariam com outros paraísos...
quinta-feira, abril 21, 2005
Às vezes tinha dificuldade para definições. De sentimentos, de acontecimentos, de desejos. Talvez por isso usasse tanto a palavra "coisa". Aquela coisa podia referir qualquer coisa que não sabia definir. Mas porque não sabia? Ainda que nunca tivesse lido um dicionário inteiro ou que não fosse uma Imortal tinha algum conhecimento da língua pátria. Então, porque tanta dificuldade para nomear o que sentia? Sabia o que era. Só não sabia o nome das coisas...
sábado, abril 09, 2005
"Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instanteneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.
...
Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu."
Introdução do livro O Restaurante no Fim do Universo, a continuaçào inteligente e divertida de idem O Guia do Mochileiro das Galáxias, ambos de Douglas Adams.
Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu."
Introdução do livro O Restaurante no Fim do Universo, a continuaçào inteligente e divertida de idem O Guia do Mochileiro das Galáxias, ambos de Douglas Adams.
sexta-feira, março 25, 2005
Razão e emoção. Jane Austen, dentre tantos outros (creio que mesmo o Bardo, aquele que melhor descreveu nossas emoções), já escreveu em Sense and Sensibility (que virou filme de Emma Thopson, dirigido por Ang Lee) sobre como pode ser (ou simplesmente é) difícil conciliar essas duas funções do humano. Por vezes nos (ou pelo menos eu...) alegramos com pequenos gestos que achamos que não deveriam fazer diferença. Mas o que fazer se o sentimento é mais forte que a razão? Negar o prazer obtido em gestos, atitudes simples? Ou aceitar o fato de que mesmo não fazendo muito sentido (como se fossemos inteligentes o bastante para entender o sentido de tudo), aquilo, aquela pessoa e seus gestos, nos fazem felizes. Ainda que sem ter porque, sem ter razão. ;-)
Como dizem meus barbudos favoritos:
É bom, às vezes se perder
Sem ter porque, sem ter razão
Adeus você, Los Hermanos
E ainda, lembram-se de período Barroco, do regaste dos conceitos Clássicos? Ou, mais simples, de Sociedade dos Poetas Mortos?
Carpe Diem
Como dizem meus barbudos favoritos:
Sem ter porque, sem ter razão
Adeus você, Los Hermanos
E ainda, lembram-se de período Barroco, do regaste dos conceitos Clássicos? Ou, mais simples, de Sociedade dos Poetas Mortos?
quinta-feira, março 17, 2005
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
Futuros Amantes, Chico
É possível que essa música já tenha aparecido nesse espaço virtual. É linda, simples (pelo menos aparentemente) e bela. E faz tanto sentido (de tantads e tantas formas) que lembrei dela uma vez ao ver, de Niterói, o Rio coberto de nuvens. Melhor dizendo, não vi o Rio, só vi nuvens e chuva. Imaginei (e cantei) uma cidade submersa...
domingo, março 13, 2005
"[...]O presidente, em particular, é simplesmente uma figura pública: não detém nenhum poder. Ele é aparentemente escolhido pelo governo, mas as qualidades que ele deve exibir nada têm a ver com liderança. Ele deve é possuir um sutil talento para provocar indignação. Por esse motivo, o presidente é sempre uma figura polêmica, sempre uma personalidade irritante, porém fascinante ao mesmo tempo. Não cabe a ele execer o poder, e sim desviar a atenção do poder. [...]"
O Guia do Mocheliero das Galáxias, de Douglas Adams
É um livro de ficção científica, de 1979, muito bem humorado, num estilo MIB. Mas é também um livro que tem a passagem acima, que parece saída do editorail de algum jornal importante de qualquer país democrático (ou não) de nossos tempos. Há que se considerar um livro "de gênero" ,e seu autor, que é crítico para além de seu pre definido gênero. E Douglas Adams consegue isso em O Guia do Mochileiro das Galáxias.
O Guia do Mocheliero das Galáxias, de Douglas Adams
É um livro de ficção científica, de 1979, muito bem humorado, num estilo MIB. Mas é também um livro que tem a passagem acima, que parece saída do editorail de algum jornal importante de qualquer país democrático (ou não) de nossos tempos. Há que se considerar um livro "de gênero" ,e seu autor, que é crítico para além de seu pre definido gênero. E Douglas Adams consegue isso em O Guia do Mochileiro das Galáxias.
Talvez o pior de tudo fosse o fato de que não podia se queixar ao gerente. Recebera exatamente aquilo o que desejara. Se desejara o mínimo, por acreditar que isso já lhe bastasse, era problema seu. O gerente, fosse quem fosse e ela não sabia muito sobre isso, nunca o vira, talvez apenas acreditasse na existência de tal "gerente", servira-a muito bem, tudo funcionara conforme o seu desejo inical. Tirando o fato de que terminara rápido. Então, se descobria que podia ter o que desejasse, tinha gora que entender que podia desejar o que bem entendesse, ou o que realmente quisesse, sem medo de não merecer. O gerente parecia inteligente o bastante para ser capaz de fazer tal julgamento de tal forma que ela poderia abrir mão do seu auto pré-julgamento, sempre mais severo que o necessário. Precisava aproveitar melhor sua estada no planetinha, afinal de contas não sabia para onde iria depois...
sexta-feira, março 11, 2005
"... Será que a ficção apenas suga a realidade, na vã tentativa de oferecer sentido, o sentido das palavras, àquilo que não faz e nem pode fazer nenhum sentido? Será?"
De cada amor tu herdarás só o cinismo, de Arthur Dapieve
E Dapieve escreve num misto de Nick Hornby, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca. Uma salada que rende um livro a ser lido de uma só vez. Ah, ainda tem um capítulo que eu, que não sou conhecedora, achei ter algo a ver com o jornalismo gonzo. Salada interessante sobre o universo masculino.
De cada amor tu herdarás só o cinismo, de Arthur Dapieve
E Dapieve escreve num misto de Nick Hornby, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca. Uma salada que rende um livro a ser lido de uma só vez. Ah, ainda tem um capítulo que eu, que não sou conhecedora, achei ter algo a ver com o jornalismo gonzo. Salada interessante sobre o universo masculino.
Escrevia na terceira pessoa, talvez menos por escolha estilística e mais por pura timidez ou medo. Mesmo ao escrever ficções tinha medo do quanto de si estava ali, do quanto estava entregando dos seus sentimentos, paixões e pensamentos, ainda que aquela primeira pessoa fosse ser entendida por todos como uma personagem. Mas era também ela mesma. Não poderia escrever na primeira pessoa uma personagem que sofria com a frieza do amigo quase amante. Uma personagem tão medrosa quanto ela mesma, que não era nem mesmo capaz de admitir que sofria pela perda do quase amante, um pouco mais do que pela distância do amigo. Mas que se resigniva nesse de lugar de não admitir o que sentia. E nesse lugar de definir papéis por "quases", pura inconpetência para admitir o que realmente queria que fosse. Mas, ainda assim, podia dizer que era só uma tentativa estilística de escrever uma personagem tímida. Não era ela, não é?
quinta-feira, março 10, 2005
"O que faz alguém escolher um meio de comunicação do qual desconfia quando bem poderia chamar para um papo ao pé do ouvido no corredor? A idéia de que o corredor talvez estivesse, na cabecinha daquela Danna Scully da Carlos Góes, infestado de microfones conectados diretamente à sala de Umberto Milano arrancou de Bernardino o primeiro sorriso desde que aquele pipocar de mensagens começara."
De cada amor tu herdarás só o cinismo, de Arthur Dapieve.
Dapieve, em sua prosa simples, quase parecendo simplista, consegue no seu primeiro romance passar além da enxurrada de referências a cultura pop e enxergar também um pouco dos relacionamentos no século XXI (que no fundo não devem ser assim tão diferentes daqueles do século XII: homem e mulher, ou seja duas pessoas, que se querem e todo o resto de si mesmos e do mundo a atrapalhar). Não, não é Nick Hornby, mas consegue prender a gente ao livro. Como nas suas crônicas.
De cada amor tu herdarás só o cinismo, de Arthur Dapieve.
Dapieve, em sua prosa simples, quase parecendo simplista, consegue no seu primeiro romance passar além da enxurrada de referências a cultura pop e enxergar também um pouco dos relacionamentos no século XXI (que no fundo não devem ser assim tão diferentes daqueles do século XII: homem e mulher, ou seja duas pessoas, que se querem e todo o resto de si mesmos e do mundo a atrapalhar). Não, não é Nick Hornby, mas consegue prender a gente ao livro. Como nas suas crônicas.
domingo, março 06, 2005
Nick Hornby escreve (muito bem) sobre a cultura pop e sua influência na vida dele. Creio que gosto de seus livros porque me identifico com isso. Quinta-feira passada, convalescente de uma intoxicação alimentar, assistia tv à tarde com meu irmão e tive o prazer de poder ver Arquivo X. E ainda um dos poucos episódios da séries Clássica (1a a 5a temporadas, 6a e 7a ainda podem ser consideradas) que não tinha visto: O Serafim. Belo episódio, centrado na Scully, sobre fé. Me fez pensar nas diferenças entre religião e ciência a partir dos embates entre Mulder e Scully. Impagável ver Mulder sendo o cético da "relação". E também em como não fé e religião podem não ter nada a ver. E que fé pode ter muito a ver com ciência como no caso de Mulder e sua crença nos "homenzinhos cinzas" e própria fé de Scully que não é compreendida pela própria Igreja Católica. É por isso, porque sempre me fez pensar e descobrir fatos novos, que adoro essa série, esse produto da cultura pop. Faz parte da minha vida...
It's not a tv series
It's The X Files
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