quarta-feira, julho 24, 2013

Última postagem há menos de 6 meses e nesse meio tempo uma dissertação foi escrita, defendida e aceita pela banca. Da angústia algo se criou.
E um povo se rebelou. Não só no Brasil, na Turquia e outros já há alguns anos. Mas aqui no Brasil, quase que do nada (mas nem tanto), em junho, tudo começou. E o Rio hoje parece ter tomado a frente, lugar já ocupado pelas populações de São Paulo (no início de tudo, na passeata do dia 13/06) e Belo Horizonte (nas manifestações me dias de jogos da Copa das Confederações), e que ainda há de ser ocupado pelos cidadãos de outras cidades do país. Hoje temos uma cidade com Papa, com peregrinos cantores pelas ruas e com pessoas que debatem política na padaria, buscando entender (o que ninguém ainda entende muito bem), participar, se posicionar. Ao mesmo tempo, assim do nada (será?), surgem resposta violentas e um certo medo de que não se pode falar "qualquer" coisa, não só nas ruas, mas principalmente na internet. Um medo que eu sempre achei que era coisa de um passado que não voltava. Eu que nasci no ano da Anistia, que tenho memórias infantis das Diretas, eu não achava que veria um momento em que as pessoas quase se preocupam com o que escrevem na internet, esse espaço de um futuro presente, espaço que deve ser de liberdade, responsabilidade e ética.
Nunca foi só por vinte centavos. Nunca será.


Fonte: Armandinho

sábado, fevereiro 16, 2013

Acaba o Carnaval, eu ainda tenho uma dissertação para escrever. A Vila Isabel foi campeã do Grupo Especial, com belo desfile da Rosa Magalhães e samba de bambas. A Globo ouviu os cariocas (e a LIESA) e televisonou o grupo de acesso, agora em dois dias (provavelmente para não atrapalhar a grade de programação de sexta e sábado, já que o só o Rio viu esses desfiles, a programação nacional foi dos desfiles paulistas) e com a Império da Tijuca campeã. Carnaval tijucano na Sapucaí. Ainda mais com o show (pelo segundo ano seguido) do desfile da Mangueira (geograficamente falando, a Mangueira pertence à região da Grande Tijuca?), com duas baterias, paradona, a gente escutando as pessoas cantando o samba mesmo assistindo pela tv. E pelas ruas do Rio, mais um Carnaval de cheio de blocos, pessoas animadas, mas tranquilas e felizes, sem confusões. As ruas podem ficar mais limpas, mas aí cabe ao poder público melhor organizar a cidade para receber tantas pessoas, afinal, a Prefeitura com certeza ganha com isso.
E, mesmo não tendo sido considerado um bom samba, termino com o samba da União da Ilha em homenagem a Poetinha (esperava mais do desfile...):

Onde anda você..., Poetinha?
Saudade mando te buscar
A Ilha é paixão na avenida
Mais que nunca é preciso cantar!

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Terminei de ler "O livro dos mandarins" há uns 4 dias. Ainda estou pensando no quanto pequenas (ou nem tanto) paranoias permeiam o mundo, especialmente o corporativo, tão passivo-agressivo e competitivo. E me pergunto se os "executivos" de empresas como a "Tótus" (cito essa porque lembro do comercial, oh, marketing rei!) leram o livro. Acho que bem que poderiam ler. Assim como meus colegas psiquiatras. Acho que terei de ler toda a obra do Ricardo Lísias, para saber se todos os livros podem ser usados em aulas de psiquiatria, psicanálise e correlatos.
A gente se esquece do quanto a literatura desvenda a natureza e o comportamento humanos, mais que classificações médicas da vida moderna.


A fonte da foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgf_MZ5DLqG0W3B8_CwODWFLE_i0d8lTYyUXHRVALkkUWDtJpXE4sqLyxLuV4cPTuVVFazAzErxpSapBnQ2DbrJYNZIVJDnPpM0IRAWbE46AXtjBm4OlYXsUpBNkEJd1tb6LysH2A/s400/mandarim2.jpg

domingo, dezembro 02, 2012



Ótimo número musical em um episódio apenas mediano no geral.

#Glee 4x08-Thanksgiving

domingo, novembro 18, 2012

E eu já faço isso, de quando em quando escrever em um blog, há 10 anos.


Time
Is never time at all
You can never ever leave
Without leaving a piece of youth
And our lives are forever changed
We will never be the same
The more you change, the less you feel


(The Smashing Pumpkins - Tonight, Tonight)



De quem é a dor do fim do amor?

Parece que é isso mesmo...

domingo, outubro 21, 2012

Aos 15, 16 anos eu pensei em cursar Comunicação, mas cheguei à conclusão que não escrevia bem o bastante para isso, para ser jornalista.
Mais de 10 anos depois eu comecei a pensar em fazer mestrado, para estudar e escrever algo sobre o que eu achava que pensava sobre minha prática como médica psiquiatra. De pois de algumas tentativas, comecei o tal curso de mestrado e hoje me vejo imersa na angústia da escrita. Falta ler tudo, ao menos é assim que me parece. Escrever dói.
Mas se eu já sabia disso na adolescência, para que fui querer enfrentar o fantasma?

quarta-feira, setembro 12, 2012

Será a simples vontade de escapar das responsabilidades do que se tem que fazer
do cotidiano
Ou um desejo genuíno de algo novo
de mudança?

terça-feira, agosto 14, 2012

Em "O céu dos suicidas", Ricardo Lísias relata, traduz em palavras, a angústia que é lidar com o suicídio, com a falta de sentido. Em uma narrativa curta, aparentemente simples, ele é de uma profundidade assombrosa. Podia ser um livro didático para psiquiatras...
(Conheci Ricardo Lísias, ou melhor, sua escrita, a partir de seus textos na piauí, também ótimos. Virei fã!!!)


Eu tenho uma frase que explica parte (ou muito) da minha relação com meu trabalho, minha carreira: "Eu me tornei médica depois de me tornar psiquiatra".
Já ouvi de muitos colegas o relato de terem entrado na faculdade de medicina já pensando em determinada especialidade. Alguns mudaram, outros não. Mas o engraçado da minha frase é que eu não entrei na faculdade pensando em ser psiquiatra. Nem tinha pensado antes em ser psicóloga, o que poderia ter alguma relação. Nem bem médica eu me imaginava muito. Na verdade, aos 16 para 17 anos eu queria estudar, ser universitária, ampliar meus horizontes de conhecimento, tanto intelectual quanto social. No terceiro ano do segundo grau a minha escolha para o vestibular foi entre medicina e história. Eu já tinha pensado em biologia (por causa de uma comédia romântica chamada Poção do Amor n.9, filme pouco conhecido com a Sandra Bullock, e por um desejo de infância ser pesquisadora, "cientista") e em jornalismo (por causa de tantos filmes e para escrever), mas descartei a primeira opção por orientação dos pais (para fazer algo na área de saúde faça logo medicina) e a segunda por não me achar com o talento necessário. No final, entre medicina e história eu simplesmente tentei o mais difícil primeiro. Passei e no meio do primeiro ano de medicina cogitei um novo vestibular, para história, mas não tive coragem de quebrar a inércia de já estar na universidade. No último ano de faculdade eu tinha planos de estudar cinema, após me formar e poder trabalhar. Como diz uma outra frase feita, "no meio do caminho tinha a psiquiatria", e eu me apaixonei pela possibilidade de ouvir histórias, sendo médica. A medicina pode e deve ser uma arte de ouvir e decifrar histórias (do corpo, da mente, de doenças, de saúde, de vida e de morte), mas hoje ela muitas vezes parece ser só uma técnica de juntar sinais e sintomas para logo definir um diagnóstico e uma conduta. A possibilidade de poder de fato ouvir histórias, na especialidade psiquiátrica, para assim definir, decifrar, diagnosticar, medicar, me ganhou para a medicina. Enfim, eu só fui entender o que estava fazendo no último ano. E acho que foi bom assim.
Depois disso, tudo pareceu relativamente fácil e feliz. Eu tive outros encontros, com a psicanálise, com o desafio de escutar histórias de pacientes, de pessoas, que eram de um sofrimento tão grande que me capturavam. Mas eram histórias que essas pessoas queriam contar e eu estava descobrindo como ouvir.
O maior desafio, aquele que parece ainda não ter sido superado por mim, veio depois da residência. Como lidar com a história que não é contada? Como ouvir o que não é dito? O que é ação pura, sem sentido? Como lidar com o suicídio de um paciente? Ou de qualquer pessoa próxima o bastante para que procuremos desesperadamente um sentido, um significante, para "o que não tem sentido nem nunca terá"?
Na história daquele que comete o ato parece não haver significante que dê conta. É a irrupção do real psicanalítico, lacaniano. Para quem ouve, eu, fica o incômodo, a inquietação do que fazer com isso. Saber que ouvir histórias pode ser ouvir aquelas que não têm significantes que dão conta, para as quais não há relação que faça laço Simbólico e Imaginário para dar conta do Real. Ter coragem para sustentar esse lugar, para simplesmente fazer o que posso e quero fazer. Coragem para sustentar o desejo...


domingo, agosto 12, 2012



E os doodles dos Jogos Olímpicos foram sensacionais, especialmente os jogáveis.
#olympicgameslodon2012

Será que alguém também se emociona só de pensar que estamos no ano de 2012? Num outro milênio. Ou que em 4 anos teremos Jogos Olímpicos em São Sebastião do Rio de Janeiro? Ou com o fato (criado, mas não vivemos imersos em criações humanas? O que podemos chamar de natural de fato? Tudo o que experimentamos não é mediado pela nossa cultura, linguagem, não é criação, de alguma forma? Existe a experiência pura do natural?) de que nesses nossos tempos pessoas se unem de 4 em 4 anos para competir, para se encontrarem, para superarem marcas, para festejar. E nós, ou eu, que não sou atleta, muito menos olímpica, me emociono com as histórias desses personagens olímpicos. Me vejo discutindo esportes com Trajano, Juca e meso Galvão. Mas talvez seja por que eu sou animal sentimental...

Mas eu lembro dessa tristeza desde o final das Olimpíadas desde Barcelona, 1992.

#olympicgameslondon2012  #goodbye

sábado, agosto 04, 2012



E eu ainda me surpreendo com uma série adolescente que tem esse casal como um dos principais e mais adorados, com uma cena como essa que fez sucesso sem nem ter sido veiculada na série (só foi liberada essa semana, no youtube).
Lulu Santos cantando Roberto e Erasmo no Circuito Cultural Banco do Brasil, em momento meio "Los Hermanos/Jeneci/Kassin"...
Assisti hoje, no Vivo Rio, mas esse vídeo é de outra apresentação.



(E eu nem tinha notado que ontem citei Lulu Santos na madrugada...)

sexta-feira, agosto 03, 2012

"As canções mais tolas
Tendo os seus defeitos
Sabem diagnosticar
O que vai no peito"
Satisfação, Lulu Santos


E textos como fanfics, em geral (ainda) sem valor literário, às vezes também sabem diagnosticar ou fazer lembrar o que vai no peito. Essa fic de Klaine/Glee me fez lembrar...
Porque é possível que um texto sem valor literário (será?) faça alguém lembrar do que é ter alguém fisicamente tão próximo, tão desejado, que você esquece regras morais e se joga em uma relação cuja intensidade assombra depois. Tanto que você tem que manter distância para não se jogar mais uma vez.


Someone Like You by klaineaddict
http://www.scarvesandcoffee.net/viewstory.php?sid=924&textsize=0&chapter=6

sábado, julho 28, 2012


E os Jogos Olímpicos chegaram. Em Londres. Há 4 anos eu  sonhava estar lá esse ano. Outras escolhas e cá estou. Mas, mesmo pela tv, adoro. Ainda mais que os Jogos são cada vez mais para a tv. Essa cerimônia de abertura me pareceu criada mais para ser vista como programa de televisão do que show de estádio (ou um grande teatro, mais na tradição inglesa).
E quantos personagens, reais e ficcionais, a Grã-Bretanha tem, hein? Fiquei pensando isso enquanto assistia ao vt da abertura, que não pude ver na hora. E agora um jogo já de contornos dramáticos: BrasilxTurquia, no vôlei feminino. 2x2, sendo que o Brasil teve o quarto set nas mãos... Vou torcer nesse quinto set.

segunda-feira, julho 09, 2012

Então, ontem "Uma Secretária de Futuro" e agora de manhã "O espelho tem duas faces", na FOX. Coincidências cinematográficas auto-referentes na tv...

domingo, julho 08, 2012

Uma Secretária de Futuro, no ar agora no TCM. Nos Bastidores da Notícia. A escolha feminina dos anos 80: carreira ou amor? Eu sou fruto desses filmes da minha adolescência. Ou eu já gostava dessas histórias pois já me identificava (nosso psiquismo já está formado aos 5 anos...) com essas escolhas.
Talvez me ajudem a entender esse presente que construí.




terça-feira, maio 22, 2012



Glee, essa pequena adorável série. Cheia de descontinuidades do roteiro, mas com personagens marcantes (uma série musical adolescente que tem dois casais homossexuais, um deles é Klaine, o casal mais fofo de toda a série!) e momentos emocionantes, como esse.

sábado, maio 19, 2012

Nelson Motta falando sobre Beatles no Jornal da Globo. Mais do mesmo, mas sempre uma delícia. Ah, essas imagens apaixonantes do Anthology...
E não à toa, pouco antes e logo depois, imagens do show do Los Hermanos em Curitiba. Semana que vem é aqui (e eu vou)!

sábado, maio 12, 2012

Reler o próprio blog e perceber o quanto é preciso ler, ouvir, ver, sentir mais pois "viver não é preciso". E às vezes as produções artísticas permitem que encontremos não a precisão, mas ao menos alguma pista da direção que tomamos, fazendo, repetindo, o que queremos e nos surpreendendo ainda assim.
Há muito não escrevo. Vida que segue, mas de quando em quando me vejo, mais uma vez, perguntando "como cheguei aqui? será que quero estar aqui?". Talvez eu saiba responder parte da primeira pergunta. A segunda eu realmente não sei... Talvez escrever ajude a elaborar...

sábado, maio 29, 2010

Como escrever um blog em tempos de twitter? Como não se render à urgência e praticidade de 140 caracteres? Ou guardar as palavras, a vida da exposição imediata, para uma tentativa, só um pouco, mas não muito, elaborada? Não, o twitter permite elaborações em 140 caracteres, perfis falsos que fazem mais sucesso que os "verdadeiros". Entao um blog talvez seja apenas uma ferramenta já antiga, em tempos de alta modernidade 10 anos podem ser como um século. Manter um blog então pode ser apenas um capricho quase vintage (dixage?).
Vou tentar retomar.

domingo, outubro 18, 2009

E lá vem mais um verão, a mudança de horário anunciando o sol, o calor, a excitação carioca. Nada mais de tardes frescas, o melhor que você pode conseguir a partir de agora é um vento na praia. A luz muda, tudo muito amarelo, solar, alguns tons avermelhados no final da tarde. Tudo tem vida, às vezes quase que vida demais, no verão carioca. A cidade arde à 40 graus, completa sua vocação de perdição. E nós sonhamos ser organizados o bastante para as Olimpíadas. E eu continuo uma carioca torta, que prefere a cidade em suas estações amenas.
Mas o que importa é que temos uma hora a mais de sol e eu vou precisar de vestidos para o verão.

segunda-feira, julho 13, 2009

Roberto Carlos em momento Wando. Em 50 anos há muitas fases...

Cama E Mesa

composição: Roberto Carlos - Erasmo Carlos

Eu quero ser sua canção
Eu quero ser seu tom
Me esfregar na sua boca
Ser o seu batom...

O sabonete que te alisa
Embaixo do chuveiro
A toalha que desliza
No seu corpo inteiro...

Eu quero ser seu travesseiro
E ter a noite inteira
Pra te beijar durante
O tempo que você dormir
Eu quero ser o sol que entra
No seu quarto adentro
Te acordar devagarinho
Te fazer sorrir...

Quero estar na maciez
Do toque dos seus dedos
E entrar na intimidade
Desses seus segredos
Quero ser a coisa boa
Liberada ou proibida
Tudo em sua vida...

Eu quero que você me dê
O que você quiser
Quero te dar tudo
Que um homem dá
Pra uma mulher
E além de todo esse carinho
Que você me faz
Fico imaginando coisas
Quero sempre mais...

Você é o doce
Que eu mais gosto
Meu café completo
A bebida preferida
O prato predileto
Eu como e bebo do melhor
E não tenho hora certa
De manhã, de tarde
À noite, não faço dieta...

Esse amor que alimenta
Minha fantasia
É meu sonho, minha festa
É minha alegria
A comida mais gostosa
O perfume e a bebida
Tudo em minha vida...

Todo homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...

Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida
Na justa medida...

O homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...

Mas o homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe
O que dá e recebe...

Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida
Na justa medida...

domingo, maio 31, 2009

Mais uma rádio interessante do Rio de Janeiro se vai.
Bye, bye Antena 1.
Fica na memória (e na internet, essa criação que armazena um mundo, como uma memória coletiva), com as músicas que conheci ouvindo a rádio desde a adolescência.
Passa tempo, passa e leva tantas coisas. Deixe ao menos as lembranças. E as músicas e artes outras que reavivam a memória e nos permitem conhecer até o que não vivemos.


American Pie
Don Mclean

A long, long time ago...
I can still remember
How that music used to make me smile.
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance
And, maybe, theyd be happy for a while.

But february made me shiver
With every paper Id deliver.
Bad news on the doorstep;
I couldnt take one more step.

I cant remember if I cried
When I read about his widowed bride,
But something touched me deep inside
The day the music died.

So bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

Did you write the book of love,
And do you have faith in God above,
If the Bible tells you so?
Do you believe in rock n roll,
Can music save your mortal soul,
And can you teach me how to dance real slow?

Well, I know that youre in love with him
`cause I saw you dancin in the gym.
You both kicked off your shoes.
Man, I dig those rhythm and blues.

I was a lonely teenage broncin buck
With a pink carnation and a pickup truck,
But I knew I was out of luck
The day the music died.

I started singin,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

Now for ten years weve been on our own
And moss grows fat on a rollin stone,
But thats not how it used to be.
When the jester sang for the king and queen,
In a coat he borrowed from james dean
And a voice that came from you and me,

Oh, and while the king was looking down,
The jester stole his thorny crown.
The courtroom was adjourned;
No verdict was returned.
And while lennon read a book of marx,
The quartet practiced in the park,
And we sang dirges in the dark
The day the music died.

We were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

Helter skelter in a summer swelter.
The birds flew off with a fallout shelter,
Eight miles high and falling fast.
It landed foul on the grass.
The players tried for a forward pass,
With the jester on the sidelines in a cast.

Now the half-time air was sweet perfume
While the sergeants played a marching tune.
We all got up to dance,
Oh, but we never got the chance!
`cause the players tried to take the field;
The marching band refused to yield.
Do you recall what was revealed
The day the music died?

We started singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

Oh, and there we were all in one place,
A generation lost in space
With no time left to start again.
So come on: jack be nimble, jack be quick!
Jack flash sat on a candlestick
Cause fire is the devils only friend.

Oh, and as I watched him on the stage
My hands were clenched in fists of rage.
No angel born in hell
Could break that satans spell.
And as the flames climbed high into the night
To light the sacrificial rite,
I saw satan laughing with delight
The day the music died

He was singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
And singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

I met a girl who sang the blues
And I asked her for some happy news,
But she just smiled and turned away.
I went down to the sacred store
Where Id heard the music years before,
But the man there said the music wouldnt play.

And in the streets: the children screamed,
The lovers cried, and the poets dreamed.
But not a word was spoken;
The church bells all were broken.
And the three men I admire most:
The father, son, and the holy ghost,
They caught the last train for the coast
The day the music died.

And they were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
And them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.
Thisll be the day that I die.

They were singing,
Bye-bye, miss american pie.
Drove my chevy to the levee,
But the levee was dry.
Them good old boys were drinkin whiskey and rye
Singin, thisll be the day that I die.

PS: Essa música traça uma certa história do rock, cheia de citações. Há páginas que se dedicam a explicar cada citação. Na busca pela transcrição da música para essa postagem, deparei-me com uma página com uma versão bizarra de que a música seria sobre "a destrição dos Estados Unidos como uma nação livre". Sempre existe espaço para coisas estranhas: http://www.orwelltoday.com/americanpiesong.shtml

sexta-feira, dezembro 19, 2008

"E aos 29 com o returno de Saturno
Decidi começar a viver..."
29, Legião Urbana

De repente, antes tarde do que nunca, você descobre que não sabe amar e que precisa aprender, porque a vida começa a ficar muito chata centrada só em você mesma. Você finalmente entende que as pessoas morrem e que você realmente não tem poder para impedir a morte. Nem a dor e a tristeza, que não são mais sentimentos advindos da razão ou da arte, mas forças próprias que tomam seu corpo. Talvez o amor seja uma dor feliz e você precise apenas se aventurar. Definir-se menos pelo que faz e mais pelo que sente. Viver sonhos ao invés de sonhar a vida.
Que venha 2009 e meus trinta anos. Quem sabe eu me livre dos meus próprios clichês.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

E se fosse verdade...

Se fosse verdade, como no filme, que o desencontro fatídico do amor não impede a sua realização? E que um novo encontro acontece, sempre, como uma segunda chance?
Se isso fosse verdade o paraíso também poderia ser. E avós iriam para lá...

A gente tem que acreditar em algumas coisas.

domingo, novembro 30, 2008

Quando se atreveu a sair de casa, após dias enclasurada junto a tristeza, melancolia, choro e falta de apetite, descobriu que o mundo a sua volta continuara rodando, apesar de todo o seu sofrimento. Ele lhe deixara só, após 5 anos de vida conjugal. Conjugal, isto é, vida conjugada. Ela conjugara a sua vida a dele. Dedicara-lhe seu amor, sua atenção, seu tempo, sua decisões. Deixara de ser independente para se tornar dele. Por cinco anos se sentiu uma personagem de romances românticos, uma mulher cuja vida dependia do homem de sua vida. Vivera feliz, da forma como durante anos, cética, duvidara que houvesse fora dos romances e filmes. Adorava dizer que ele era "seu senhor", num chiste que carregava toda verdade de seu sentimento de entrega.
Mas ele foi embora. Dizendo que amava mas que estava insatisfeito, triste, em crise de 37 anos. E ela nem conseguiu odiá-lo. Só chorou. Lembrou-se de uma sensação infantil, de abandono, um medo que devia ter sentido quando bebê. Ele lhe proporcionara os dias mais felizes de sua vida, para terminar com os mais tristes. Uma semana de tristeza profunda, de Tylenol diário para dor de cabeça, de pensar em um Rivoltril para fingir esquecer. Mas ela não era do tipo que queria esquecer. Queria chorar, chorar, chorar, imaginando que aquilo tudo fosse um pesadelo, que iria acordar para encontrá-lo dormindo ao seu lado, como sempre. Como nunca, a partir de então.
Chorou por sete dias, amparada pela família, amigos e pelo Tylenol. Se alimentou de chocolates da Kopenhagem, um prazer que era puro gozo, pois comia desejando vê-lo adentrar o apartamento e sorrir dizendo que então era assim, facilmente substituído por um bombom de licor, e então abraçá-la e beijá-la, dizendo que nunca mais cometeria o desatino de deixá-la.
Ele não apareceu, escreveu 3 emails e uma mensagem de celular perguntando se ela estava bem. Ela respondeu apenas, Não. Com amor., e um verso de Against all Odds, porque nenhuma canção mais elaborada vinha a sua cabeça como traduação da sua dor. "As canções mais tolas, tendo seus defeitos, sabem diagnosticar, o que vai no peito." Ela já lhe citara os versos de Lulu Santos, sabia que ele entenderia os de Phil Collins, mesmo não gostando muito de nenhum dos dois. Agora, pelo visto, também não gostava muito dela.
Mas hoje ela precisava trabalhar. Não podia mais faltar. Não podia arriscar perder seu emprego, após perder o amor. Vestiu-se da melhor forma possível, para parecer melhor do que estava, o que acabava entregando tudo de forma contrária. Chorou um pouco na frente do espelho, desejando de forma mágica que aquelas fossem as últimas lágrimas. A dor em algum lugar no meio do seu corpo a lembrava de que ainda seriam necessárias muitas lágrimas para aplacar aquilo que parecia um buraco interior. Engraçado como se pode sentir dor só emocional. Não havia lesões, machucados ou cortes aparentes no seu corpo. Mas em algum lugar, nem bem interno, nem bem externo, no corpo mesmo, só que sem aparecer, ela estava simplesmente despedaçada. Quando se doa si próprio a um outro e esse outro um dia simplesmente vai embora de você, é como se o corpo se esvasiasse, como se fosse só uma fantasia, uma capa, a ser preenchida. Ele a prenchera durante cinco anos. Mas, como com o Elefante de Drummond:
"caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual muito desmontado. "
O amor dele fora sua cola, mas secara. E agora, ainda que desomoronada e catando pedaços emocionais de si mesma, precisava recomeçar. E o amanhã já era hoje.
O mundo, na sua microsfera carioca, não esperava por ela, as pessoas passavam sem nem mesmo notar-lhe os olhos vermelhos, as lágrimas furtivas. Sozinha de novo, teria de se haver com a sua vida inserida nesse Rio, onde até o sol e o céu azul pareciam desdenhar de seu sofrimento. Tinha um ônibus para pegar.

sábado, novembro 29, 2008

"Por uma estranha alquimia, você e outros elementos..."
Quase - Caetano Veloso

Quero escrever um texto que sublime meu sentimento. Transformar em palavras um querer, desejo de encontro, descoberta de um novo alguém. Isso que faz sorrir à toa e incomoda ao mesmo tempo. Que faz ansiar que o outro também queira, se interesse. Fantasiar possibilidades. Sonhar acordada. E dormindo. Um querer que se baseia em um quase nada.
Continuo tentando...

domingo, novembro 23, 2008

Romance

Se "Eu, meu irmão e nossa namorada" (o título original é tão melhor...) se faz interessante a partir da atuação de Steve Carel, pode-se, e não ao mesmo tempo, dizer o mesmo de Romance e a atuação de Wagner Moura. Romance, diferente da comédia quase água com açúcar americana, é um bom filme, talvez ótimo mesmo, com um rotiero inteligente, numa muito interessante união dos estilos multirreferenciais de Guel Arraes e Jorge Furtado, e boas atuações de um ótimo elenco. Elenco ótimo, atuações "apenas" boas? É. Culpa do Wagner Moura, cuja paixão romantica transborda de tal forma pelo filme que deixa todos os outros colegas de cena parecendo meio caricatos, frente a verdade de sua representação. Wagner parece atuar como seu personagem define o amor: verdade e representação ao mesmo tempo. Seja como for, é contagiante, apaixonante vê-lo na tela. Pena que ofusca um pouco os outros em cena. Ou talvez essa tenha sido a meta da direção: colocar os amantes, Pedro e cAna (Letícia Sabatella sustenta muitíssimo bem o par romântico!) como centro de verdade do filme, ou talvez eles também sejam caricatos enquanto representação de um amor tão romântico. O roteiro hiperreferencial joga sempre com a idealização do amor romantico, a partir do mito de Tristão e Isolda, cuja montagem teatral é o mote inicial do encontro dos amantes e base para todo o roteiro.
Um filme mais sóbrio visualmente que o anterior "Lisbela e o Prisioneiro", mas que no fundo segue a mesma linha, num misto de filme com apelo popular mas que nos brinda com algo mais interessante que entretenimento vazio.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Eu, meu irmão e a nossa namorada / Dan in real life



No início deste ano de 2008 um pequeno filme independente fez sucesso nos cinemas brasileiros, capitaneado por uma boa propaganda e críticasidem. Juno contava uma história meio agridoce da adolescente homônimaque engravidava de um rapaz que nem se podia dizer ser seu namorado,de tão imaturo. As saídas encontradas pela adolescente para essa"crise", suas relações com figuras mais velhas, não necessariamente mais maduras que ela, somadas ao olhar irônico, mas ao mesmo tempo doce e romântico sobre aqueles personagens garantiram ao filme sucesso. Some-se a isso a trilha sonora inspirada, folk-independentemeio anos 1970, à lá Belle e Sebastian. Enfim, receita de filme independente americano que incomoda um pouquinho (bem pouquinho, é verdade, um Todd Solodnoz bem leve) mas faz sorrir na medida certa.

E agora temos um filme cujo título brasileiro é "Eu, meu irmão e anossa namorada", indicando a possibilidade de mais uma comédia americana, podendo variar de uma simples bobeira ao estilo revitalizado do escracho do fim da década de 1970 início de 1980 de John Landis e a o grupo de comediantes saídos do Saturday Night Live (John Belushi, Dan Akcroyd, Steve Martin,...), que retornou com o grupo do BratPack (Ben Stiller e companhia, também saídos do SNL, em filmes como O Âncora). Steve Carel, estrela deste "Dan in real life" (o título original já entrega quepode haver alguma coisa menos comédia escrachada de troca denamorada), talvez ajude a pensar em comédia de trejeitos, devido ao seu currículo de filmes de comédia escrachada (Virgem de 40 anos, ...). Mas, qual o que, o filme é na verdade uma comédia romântica, ou comédia de situações! E o fato de ter como atriz principal a francesa Juliette Binoche também faz duvidar da comédia pura. E a dúvida temsua razão pois "Dan in real life" por vezes se aproxima de uma comédia mais refinada, e por isso a citação inicial de Juno. Como o filme"independente" do início do ano, este também tem uma trilha sonoracaprichada, com tom folk-independente, em versão menos adolescente de Sondre Lerche (de quem eu nunca tinha ouvido falar até ler os créditosdo filme, mas que gostei bastante).

Pena que essa aproximação não se concretize, o roteiro é de comédiamesmo, de situações/confusões familiares, com um romance para condimentar. Talvez tivesse passado desapercebido, talvez tivesse sidolançado diretamente em vídeo no Brasil (tenho me surpreendido na locadora com pequenos bons filmes que chegam direto lá), talvez nem tivesse sido grande coisa, não fosse um detalhe, ou alguns: a atuação de Steve Carel, e de quebra de todo o elenco. Se em algum momento osprodutores pensaram que o diferencial do filme seria a presença francesa de Juliete Binoche, ao final devem ter visto o quanto se enganaram. Juliete não faz feio, mas sem dúvida é muito menos "francesa" do que se poderia imaginar. Isso não é novidade, é a mesma distorção que o cinema americano fez com Penélope Cruz, que precisouvoltar à Espanha, guiada por Almodóvar, para voltar a ser espanhola. Mas se Juliete não rouba o filme com seu charme francês, pelo menos éguiada por ele pelo charme americano de um Steve Carel (as críticas do final de semana já fizeram, mais uma vez, o paralelo dele e JimCarrey, outro comediante que também se mostrou ótimo em personagens dramáticos) adorável no papel do Dan do título, um americano "de nível superior", intelectual, escritor, viúvo com 3 filhas, que sempre sabe o que é o certo, sempre racional, mas que se vê arrebatado pela emoção de um encontro, de um enamoramento por uma desconhecida, numa livraria. O fato previsível de que esta desconhecida é a tal namorada do irmão (já entregue em no título brasileiro) e toda a série também previsível de eventos que acontecerão a partir daí não incomodam a nossa inteligência de espectador pelo simples fato de que já estamos, talqual o Dan de Carel, arrebatados pela emoção, pelo encantamento comaqueles personagens adoráveis, em espacial pela doçura dainterpretação de Carel. Deixamos a razão de lado, perdoamos as saídas fáceis do roteiro e tal qual parece ter feito o diretor do filme, nosdeixamos levar pela emoção do encontro de atores fazendo nada além de boas atuações em um pequeno filme salvo por eles do esquecimentocompleto. De pequenos encontros furtivos e emoções também se fazem filmes, que mesmo não incomodando tanto quanto os "independentes" (porque esses têm de ter roteiros sérios, que abordam temas"polêmicos"), podem fazer sorrir e até pensar um pouquinho no quanto fazemos planos e esquecemos de nos surpreender. Surpresas que podemestar numa comédia quase boba recheada de atuações adoráveis! Como navida real, pessoas aparentemente bobas podem ser adoráveis e surpreendentes.

domingo, outubro 26, 2008

Só um comentário: digam o que disserem, façam o que fizerem os irmãos Gallagher, nada muda o fato de que Oasis é a tradução de uma certa década de 1990 em seus primeiros albuns. Wonderwall simplesmente é 1996 para mim, o início da faculdade, os amigos, as novidades de um novo momento de vida. Tudo isso revivido em uma música. Mas também em Champgne Supernova, Don´t Look Back in Anger,...

You tube: Wonderwall (Oasis)

domingo, setembro 28, 2008

O que fazer da vida
Senão vivê-la?
Viver
“Sonhar talvez”
O que fazer do sonho
Se sonhar parece pouco?
Se contamina a vida
De angústia
De desejo
O que fazer do desejo
Senão realizá-lo?
Viver, realizando o desejo impossível dos sonhos.

"We are such stuff
As dreams are made on; and our little life
Is rounded with a sleep."

William Shakespeare, The Tempest, Act 4, Scene 1.



domingo, setembro 07, 2008

Um final de semana, dois filmes brasileiros distintos, uma única solidão, um pensamento em alguém (acho que lhe devo uma sessão de cinema), uma música...

Desafinado (Newton Mendonça e Tom Jobim)
Se você disser que eu desafino, amor
Saiba que isso em mim, provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas, o que Deus me deu.

Se você insiste em classificar
meu comportamento de antimusical
Eu mesmo mentindo, devo argumentar
Que isto é bossa nova, que isto é muito natural.

O que você não sabe, nem sequer pressente
é que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolleyflex
Revelou se a sua enorme ingratidão.

Só não poderá falar assim do meu amor
Ele é o maior que você pode encontrar, viu?
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados,
No fundo do peito, bate calado
No peito dos desafinados
Também bate um coração

domingo, agosto 24, 2008

O fim do Jogos Olímpicos de Pequim 2008

Eu gosto de teorias da conspiração. Li há não muito tempo o que chamo de "trilogia do futuro presente": Admirável Mundo Novo (nosso mundo neo-liberal-capitalista?), 1984 (o mundo socialista-totalitário: a China? Só que mais colorida que a Eurasia) e A Revolução dos Bichos (a alegoria do princípio). Vi as Olimpíadas de Pequim me perguntando sobre quem são aquelas pessoas. Até que ponto uma sociedade de regras culturais e morais diferentes (como todo o oriente em comparação com o ocidente, e vice-versa) ou uma sociedade controlalada, de formas diretas e indiretas.
Mas não sou eu também controlada, só que apenas pela forma indireta, pela mídia e sua manipulação de pensamentos e sentimentos? Esse poder midiático não faz parte também de nosso mundo ocidental neo-liberal?
Qual será então a diferença? Servir ao Partido e servir ao Mercado? Acreditar na democracia ou no poder do povo? Uma democracia corrupta ou um poder do povo burocrático? Liberdade de sonhar com conquitas individuais ou garantia de um mínimo de conquistas na coletividade?
Eu escolho a liberdade, ainda que sabendo que essa escolha nada tem de inocente ou genuína. Ela é fruto dos meus referências ocidentais.
Não somos livres de princípio, somos fruto de desejos de nossos pais e sujeitos assujeitados da cultura, a qual é uma construção humana. Mas também assujeitados a algo que escapa ao humano (Real, Inconsciente, Deus, Destino, Natureza, outros...).
Isso que escapa é matéria de sonhos (de superação), de arte, do que fascina e incomoda (aqui me lembro do Coringa de Heather Ledge, o incomodo que surge em meio ao que poderia ser apenas banal, entreterniment). E também dos lapsos, dos chistes, dos erros que não se explicam (a queda de Diego Hipólito...), da agressividade que transformamos em esporte, em competição.
Seja qual for o tipo de controle (no final sempre relacionado ao dinheiro e ao poder), há de haver algo que escape enquanto aqui existam humanos. Eu gosto de chamar isso de liberdade, mas há outros nomes possíveis.

terça-feira, agosto 05, 2008

"Eu vou por aí quando a dor me encontra
Ouvindo as canções que já sei de cor
E o meu coração vai achar bem fundo
O amor Maior "
O Som da Música, versão de Claúdio Botelho para The Sound of Music de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II
Você já voltou no tempo?
Não é necessário um DeLorean movido a plutônio. Às vezes um momento, uma música, uma pessoa, um cheiro, uma peça de teatro permitem a viagem. Viagem interna, de volta a uma outra idade. Eu voltei aos meus 12 anos de idade quando assisti, domingo dia 03 de agosto de 2008, aos 29 anos de idade, a montagem de A Noviça Rebelde. Voltei a idade quando vi o filme pela primeira vez, no Supercine. Bom ano o de 1992, algum programador de filmes da Globo teve idéia feliz de fazer um festival de clássicos no, à época, nem tão triste horário dos sábados à noite. Vi alguns dos grandes clássicos neste ano, neste horário. (Alguns anos depois, talvez o mesmo programador, teve uma outra idéia genial: um festival de Chaplin! O horário era mais ingrato, domingo à noite, mas ainda assim foi uma alegria ver Chaplin substituindo os Charles Bronsons da vida).
Adorei aquele filme, que a princípio achava que seria "bobo" (aos 12 anos eu já me achava crítica e adulta). Eu fiquei triste quando Maria voltou para o convento e acreditei que ela se tornaria freira. Que delícia foi ver a seqüência de "Something Good" e a dança do laendler (google e wikipedia me ajudaram a acertar o nome), eu sonhei muito em dançar aqueles passos com alguém. Terminei o filme encantada, querendo ver de novo, querendo cantar as músicas. Sei todas! Vi o filme algumas muitas vezes depois.
E domingo, no teatro, voltei a esse momento. Me encantei quase como aos 12 anos. Até me surpreendi, pois a montagem muda algumas músicas de lugar, inclui dois números que não existem no filme e acima de tudo, mesmo que muito baseada no filme (e essa é a única crítica, no início é um pouquinho difícil desgrudar da comparação), a peça consegue ser uma obra independente. Aos poucos os elementos inicialmente que parecem cópia do filme vão ganhando vida própria, se tornam referências (homenagens?) e elementos outros vão surgindo e garantindo a bela montagem caracteríticas próprias. As versões das músicas são os primeiros elementos a fazer essa apropriação de um original sem se tornar cópia. Alguns versos mantém sonoridade ganhando novos sentidos, sem destoar do original, mas sem precisar ser mera tradução. O verso citado lá em em cima é um exemplo.
Mas também os personagens e os atores que os encarnam conseguem essa mágica, da referência sem ser plágio. Alguns ainda se sobressaem, como o Tio Max de Fernando Eiras, simplesmente divertido, irônico e cativante, como o do filme mas sem ter nada a ver com aquele. O Capitão Von Trapp de Herson Capri, se não canta tanto quanto aquele de Cristopher Plummer, é muito mais apaixonante do que o do filme. Comparar a Maria é mais difícil, Julie Andrews ficou marcada pelo papel, mas ainda assim Kaira Sasso não fica a dever e cria uma Noviça mais leve e até mais decidida, mais século XXI. As crianças são lindas, a pequena Gretel em especial, pena não ter tido créditos para que eu soubesse qual era o elenco infantil do domingo (e também não consegui comprar o programa, tudo muito cheio no grande Oi Casa Grande, podem melhorar a organização) e todo o elenco, com a Madre Superiora que canta muito, já tão falada é muito bom.
Cenários incríveis que sobem, descem, iluminação que cria Alpes no entardecer, noites e chuvas. Figurinos que completam.
No todo um grande espetáculo musical, que emociona adultos, idosos, crianças e aidna faz alguns adultos se sentirem criança novamente.
E você não acredita em viagem no tempo...
Serviço: no site oficial (anovicarebelde.com.br) pode-se ouvir as músicas.

sábado, agosto 02, 2008

Auto referências...

Domingo, Maio 28, 2006
Apesar de tudo, do quanto te conheço, do quanto sei de suas atitudes, não consigo deixar de pensar que poderia ser legal. Que, de alguma forma mágica, a lá comédia romântica, poderia dar certo. A vida não é comédia romântica, pelo menos a minha ainda não foi (mas já foi romance, ainda que um pouco triste, mas ainda assim romance) mas fico imaginando que poderíamos ser legais, um com o outro, um para o outro.
Mas, não tem nada a ver mesmo, então, esse post será minha tentativa de, ao exteriorizar essa idéia, acabar com ela. Não pensarei mais nisso, mas, como diriam os Paralamas...
"Se você lembrar,
se quiser jogar
Me liga, me liga"

M.D. // Comentários
Nov 16 2007, 12:59 am
sabe... ja sonhei bastante... queria em um outro momento ler um texto assim... feito p/ mim! como procurei... de rpente essa é a graça né?
Eu


Hoje, sábado, 02 de agosto de 2008
O engraçado é que a pessoa em quem pensava ao escrever esse texto nem deve ter lido, nem sabido dos meus pensamentos. Foi inspiração, talvez alguém ou um sentimento que existiu mais em meus pensamentos e imaginações . Fico pensando o quanto me perco na procura do outro, o quanto fantasio um outro perfeito e não perco a oportunidade de enxergar o próximo ao lado. Talvez me perca tentando me achar. Será essa a graça, Eu?
;-)

domingo, julho 06, 2008

O inverno no Rio de Janeiro é um convite à melancolia. O sol mais frio, uma cidade sob uma luz dourada mais pálida, mais intimista que aquela do dias de veraneio. Um convite ao tempo, sem a premência do calor, cantada pelos Hermanos em "Deixa o verão pra mais tarde". Tempo de pensar, de parar numa tarde de domingo. De acordar em outra cidade, inundada pela nostalgia, pela sensação da perda, do tempo que se vai, das mudanças inevitáveis, da saudade de algo imemorial, cujo registro não é do pensamento, só do afeto. Do vento frio que parece evidenciar a tal solidão do afeto ao mesmo tempo que estimula fantasias de memórias, do que foi e do que foi apenas quase. Isso que irrompe no meio da tarde fria e ensolarada de domingo.

terça-feira, abril 22, 2008

My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado)
Wong Kar Wai, 2007

Às vezes é necessário que nos afastemos de nosso lugar de origem para que possamos ter uma outra percepção do que nos rodeia. Às vezes estar num outro lugar que nos é estranho, que não causa a familiaridade da origem permite a emergência de algo novo em nós mesmos. Talvez o já conhecido evoque mais racionalização e crítica (mas não sem sentimento), e quando estamos diante de algo novo apareça mais o afeto puro, ainda sem muita possibilidade de crítica, pois ainda não conhecemos aquilo que nos aparece.
O (primeiro) filme americano de Wong Kar Wai me fez pensar nisso. Talvez por ter me parecido seu filme mais sentimental, de um diretor cujos filmes sempre me pareceram marcados por sentimentos enormes, mas reprimidos, impossíveis. 2046, seu filme anterior, me fez pensar exatamente na (im)possibilidade do amor. Mas este My Blueberry Nights (cujo título brasileiro é simpático á doçura do filme, na verdade os títulos brasileiros dos filmes de Wong Kar Way são sempre bons) fala exatamente da busca de possibilidades. Começa com um fim de relacionamento, que leva ao um encontro. Norah Jones (que funciona como atriz, sua inexperiência parece ser utilizada pelo diretor exatamente para marcar a experiência de uma jovem inocente, no sentido de não prejulgar, criticar, de tomar as experiências como algo novo, como uma primeira vez, inexperiência cinematográfica vira inocência de olhar sobre o mundo) e Jude Law (maravilhoso, sempre, charmoso, sempre) se conhecem em meio a outras histórias de cada um, principalmente a dela. Mas Norah/Elizabeth vai embora, fazendo talvez a escolha menos usual, tal qual escolher a blueberry pie do título. Se aventura sozinha na América, não fugindo de uma nova história de amor (mantém cartões postais que contam sua vida para Jude/Jeremy), mas como se fosse necessário procurar algo de si mesma ao se aventurar, para poder retornar e começar um novo amor. Para que este seja realmente novo. A aventura, o risco, está na viagem, na solidão, na falta de certezas marcadas. Mas o que aparece nessa viagem são os encontros de outras pessoas, de outras possibilidades, espelhos que permitem a Elizabeth se reconhecer e descobrir nas diferenças de reflexo. E ao final, bem, ao final descobrimos nós que Wong Kar Wai também se permitiu uma nova escolha, talvez um momento de se reconhecer no reflexo do espelho americano e fazer um conto mais doce que os seus anteriores. Talvez um olhar inocente sobre uma outra cultura tenha permitido uma expressão mais sentimental que reprimida (ainda que essa repressão fizesse transbordar o sentimento, espelhando, permitindo identificação e encantamento...). Diferente, ainda que sendo a mesma base. Agridoces noites, mais doces... :-)

domingo, abril 20, 2008

Um dia, assim, meio do nada, quase sem querer (mas querendo, sempre querendo), você conhece alguém interessante. Não precisa ser o menino mais lindo, o homem mais charmoso e inteligente da festa. Mas é ele quem chama a sua atenção, ele faz você imaginar e querer. Ao mesmo tempo que faz não saber o que falar, não saber sustentar um olhar. Situações de comédia romântica. Mas o outro pode não entender de comédias românticas e te (me) achar uma simples idiota.
Coisas da atração, esse estranho poder interno que nos permite o encantamento com o outro e sobre o qual eu não tenho mínimo controle. Mas vivo a tentar controlar...


domingo, março 16, 2008

O tempo segue seu rumo
ao futuro
A vida se vai
ao além
Fico eu a lidar
com o presente e o aqui
São tudo o que tenho

"...
Tenho o que ficou
e tenho sorte até demais
como sei que tens também..."
Andéia Dória, Legião Urbana

sábado, março 15, 2008




You Act Like You Are 25 Years Old



You are a twentysomething at heart. You feel like an adult, and you're optimistic about life.

You feel excited about what's to come... love, work, and new experiences.



You're still figuring out your place in the world and how you want your life to shape up.

The world is full of possibilities, and you can't wait to explore many of them.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Tenho uma fitinha azul do Senhor do Bonfim amarrada em meu pulso esquerdo. Daquelas que são oferecidas aos montes em Salvador, ao troco de que o turista deixe algum troco pelas fitinhas. Ainda que a elas não sejam vendidas e sim oferecidas, no final pedem a "ajuda".
Eu já fui a Salvador, mas minha fitinha azul no pulso esquerdo não me foi presenteada lá. Eu até ganhei uma lá, rosa, está amarrada em uma bolsa que usava no dia. As coisas das quais somos capazes de lembrar... Um determinado momento e uma fitinha rosa.
Mas a rosa está na bolsa, no pulso tenho a azul. E quando amarrei a azul, aqui no Rio, oferecida como lembrança por uma amiga que fora a Salvador mais de um ano depois da minha estada, bem, quando amarrei a fita eu fiz o que me disseram para fazer.
Eu fiz pedido. Um desejo.
Foi por isso que em Salvador, a terra das tais fitinhas, não amarrei nenhuma ao pulso. Fui sensata em não fazer pedidos. Eu já tivera minha cota de desejos naquele momento, melhor não exagerar. E de qualquer forma, ter uma esperança de desejo amarrada ao seu pulso, como lembrança concreta do desejo, parece um fardo. E desejos não devem ser fardos, pesos, ainda que sejam trabalhosos.
E eu ainda tenho essa fitinha azul, já desbotada, puída, amarrada ao meu pulso, três anos após o amarramento ao pedido. Nem o desejo se realizou, nem eu tive coragem de arrancar a fitinha. Isso vindo de alguém que discute a fé deixa claro que há algo de místico e sagrado que persiste à lógica e à ciência.
Persiste também o desejo.
Já quis arrancar a fita, por raiva, por não me importar, por não combinar com a roupa.
Mas ela persiste. Já puída. Até quando?

terça-feira, fevereiro 05, 2008

"...
o tempo passou, irão se casar
duas Marias da mesma raiz
Luisa com Napoleão
e Leopoldina será nossa imperatriz
será também nome de trem
que passa em Ramos a nossa estação
onde imperam Marias e Joaõs
..."
Samba enredo do GRES Imperatriz Leopoldinense, 2008

sábado, fevereiro 02, 2008

Porque é Carnaval mas sempre existem possibilidades...

O pessoal da Contracampo e suas ótimas críticas/análises cinematográficas... Em especial essa de Desejo e Reparação está perfeita: http://contracampo.com.br/90/critatonement.htm

domingo, janeiro 27, 2008

Picture yourself on a train in a station
With plasticine porters with looking glass ties
Suddenly someone is there at the turnstile
The girl with kaleidoscope eyes
Lucy in the sky with diamonds, Beatles

"Sombras de Goya" foi visto por mim como um filme sobre as ideologias e o poder, como o poder está sempre nas mãos de um grupo de pessoas que se identificam e fortalecem graças a uma ideologia. E se alguém está no poder, sobram outros alguéns que não estão e brigarão para retornar ou lá chegar. Mas também há um certo grupo de pessoas que está sempre à margem dessa luta do poder. Alguns são completamente segregados quer seja pela religião, quer pela razão ou por alguma outra forma de discriminação (às vezes a burrice segrega). Outros se colocam à margem por escolha, pela arte, por uma ética. Ainda que, como mostrado no filme, essa arte possa servir a qualquer poder, ao final não serve a nenhum, tendo como meta não uma ideologia, mas sim a estética, o belo, a ética do belo.
E hoje, como sempre na história, um grupo dominante (em qualquer área em que haja relação de poder) tenta manipular e homogenizar a todos e a seus pensamentos, talvez na tentativa simples de se manter no poder. Não mais segregamos hereges e loucos, tomamô-los no seio da comunidade e tenta-mos acceitá-los através da cura.
Mas também hoje, e ainda, a arte serve como resistência ao poder, ao domínio. Se a contra-cultura foi sim fagocitada pelo poder liberal-capitalista, se virou objeto de mercado, ela continua a deixar sua influência, por baixo de toda a massificação que lhe foi injetada. Quando se assiste a um musical em inglês, com musicas de um famoso grupo inglês da década de 1960, com arranjos que em alguns momentos remetem a antigos musicais americanos e em meio a tudo isso que parece já tão massificado encontra-se a beleza, a alegria e algo que permite enxergar o mundo, pensá-lo, talvez aí tenhamos mais uma vez a demonstração da estética e da ética da arte. O humano ainda encontra seus caminhos, para o bem e para o mal.
Belo "Beatles num céu de diamantes".

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird, Beatles

domingo, dezembro 30, 2007

O imaginário, as fantasias que criamos, são parte integrante do chamado aparelho psíquico, daquilo que somos. Ainda que por vezes possam parecer descartáveis, infantis ou bobas, e até incomodem, elas são também inerentes ao que somos e apontam para algo do desejo, da verdade de cada um. Tanto que tendem a ser guardadas com carinho, como aquilo que nos lembra do que realmente deveria ser (e os sonhadores, os artistas são sempre reconhecidos, lembro aqui de John Lennon). Ou também podem se tornar obsessões...
Em "The Perverts Guide To Cinema" Slavoj Zizek fala da fantasia a partir do filme Um Corpo que Cai (Vertigo), citando como a fantasia do personagem de James Stuart de reencontrar a mulher amada, então morta, se transforma em uma obsessão. Em determinado ponto, na tentativa de tornar sua fantasia realidade, ele simplesmente transforma uma Kim Novak na outra (que também era interpretada por Kim, talvez porque no final o objeto sempre seja um só?). Mas a realização da fantasia ganha ares de pesadelo para nós espectadores, como explica Zizek, há sempre algo de estranho, bizarro na realização plena de uma fantasia. Mas naquele momento James Stuart não percebe isso, apenas nós...
Ainda Zizek, em seu texto Lacan as Viewer of Casablanca, fala sobre essa dualidade da fantasia, que nesse texto fica sob o olhar de um Ideal do Eu que precisa esconder o conteúdo sexual ou agressivo, em suma desejante, da fantasia e ainda daquele de um Super Eu que irrompe em angústia para fazer recordar exatamente do que falta nessa fantasia "asséptica" do Ideal do Eu. A fantasia fica então entre o aceitável cheio de angústia pelo que falta e o bizarro da realização plena.
Não é fácil, portanto, ser sujeito desejante. Há que se escolher todo o tempo, sabendo sempre que algo se perde na escolha. Há ainda a saída da sublimação, da arte. Por isso escrever palavras, talvez uma tentiva de exorcizar fantasias desejantes que tentam o ser humano.
Uma última citação: Sombras de Goya (Goya´s Ghosts), novo filme de Milos Forman, fala também de tentação, desejo, loucura, poder, arte e sublimação.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Um fim de Natal com boas comédias românticas inglesas...

http://www.youtube.com/watch?v=IyCsYuKnvWk

Com o tempo descobre-se como alguns filmes definiram de alguma forma o que somos e acreditamos. Há que se descobrir isso, para aceitar, mudar.
Mas qual o problema de querer um Hugh Grant declarando amor in the rain? ;-)

Que o Natal tenha sido bom!
"All I want(ed) for Christmas is(was)..."
someone to tell me...
"But I will be very sorry
to drive away from you."

(citação musical e frase do Primeiro Ministro ambas do filme Love Actually/Simplesmente Amor)

domingo, novembro 04, 2007

Ás vezes parece que a vida se escreve como um livro, como numa frase cliché. Momentos em que até parece que tudo vai começar a ter sentido. Talvez não sentido, mas quem sabe, quem sabe tudo pode começar a acontecer. Ou não. Ah, as ilusões que se cria. Para quem no fundo ainda sonha ser uma estrela caída a ser resgatada por um Tristan... Mas anda encontrando mais ironia que fantasia do destino.
Nem parece que a gente cresce.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Admirável Mundo Novo
Aldous Huxley


Fiquei fascinada com o livro, pensando nas similaridades de nosso mundo moderno, consumista, de emoções fáceis e superficiais mas ainda salvo pelos livros, pela arte, pela oportunidade de uma individualdiade e de escolhas ainda não condicionadas (ou não?). Pensei no cinema, nos filmes simples quase sensíveis, nos outros filmes mais instigantes ao pensamento que às emoções fáceis. Pensei em Goddard, como seus fimes aos poucos começam a fazer sentido para mim e na sentença emblemática de seu "Nossa Música": matar um homem para defender uma idéia não é defender uma idéia. É matar um homem. E ainda em Bergman, em O Ovo da Serpente. Pensei em outros filmes que talvez transitem num estranho meio termo. Pensei em Hithcock como esse meio termo, que sabidamente manipulava o espectador mas ao mesmo tempo transbordava algo para além da mera manipulação de sustos.

Pensei em Shakespeare, claro. Pensei em poesia.

Pensei na liberdade para escolher, ainda que a solidão e a culpa, como faz o Selvagem John.

Pensei no "bem estar" e na OMS: "saúde é o bem estar bio-psico-social" e me assustei com a semelhança, com a possibilidade de que a saúde seja uma imposição. Não o são as vacinas? Sempre tendo em vista um bem maior, sempre com base no progresso e na ciência. Não é a epidemiologia fruto do progresso? E a clínica, clássica, fruto do contato entre seres humanos, não está perdendo campo, havendo sempre um novo exame, um novo guideline, fluxograma, que bem defina condutas médicas tão bem e claramente que talvez um dia um computador seja médico? Não pode hoje a Psiquiatria, minha especialidade tão cara, melhorar dores e dúvidas antes espirituais, hoje doença chamada "depressão"? Não tendemos a entender alterações de humor com espectros de bipolaridade que podem ser devidamente corrigidos com doses adequadas de Depakene ou algum outro estabilizador do humor? Estabilizamos humores, organizamos pensamentos. Curamos ou aliviamos sofrimentos mentais?
Não duvido do sofrimento humano, talvez inerentemente humano. E tenho dúvidas quanto ao caráter divino e redentor deste sofrimento.
Mas, talvez não duvide da redenção e da divindade quando penso nelas enquanto criações também inerentemente humanas. Quando penso que a liberdade permite que o humano escolha sentir-se digno de ser divino, de se redimir, de escapar aos seus sofrimentos, de alienar-se. Mas por escolha, certa ou errada, e não por imposição de outro humano que "sabe mais". E quem sabe mais de alguém que o próprio? (E quem sabe tanto de si mesmo, sem dúvidas, sem reticências, para arvorar-se a decidir com certeza científica pelos outros o que talvez mal decida para si mesmo?).
"...
E os seus tristes inventores
já são réus - pois se atreveram
a falar em liberdade
Liberdade, essa palavra
que o soho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda."
Cecília Meirelles in O Romanceiro da Inconfidência
Poderá haver um futuro em que não se sonhe com a liberdade, pelo simples fato de não mais sonhar? E ao não sonhar, seremos ainda humanos? Teremos realmente nascido? E morreremos realmente? align="justify">
Morrer!
Dormir; dormir
Dormir, sonhar talvez: mas aqui está o ponto de interrogação;
Porque no sono da morte, que sonhos podem assaltar-nos
Uma vez fora da confusão da vida?
William Shakespeare in Hamlet


Pensamentos a posteriori...
Em AI, Spielberg, influenciado por Kubrick e baseado em livro de Brian Aldiss, nos mostra um futuro de robôs que sonham sonhar, para serem então humanos. E nós sonhamos controlar, para sermos robôs?

quinta-feira, julho 05, 2007



Isso (testezinhos) eu fazia no início desse blog, em 2002. Mas estou numa semana muito Lost, só que apaixonada pelo Dr. Jack Shepard e não pro Swayer... ;-)

quinta-feira, junho 21, 2007

Pensamentos e ensaios
Qual é o lugar da clínica, da saúde pública em nosso país?
Qual a importância da saúde? De manter o tal “bem estar bio-psico-social”?
Quando comecei a faculdade de medicina perguntava as pessoas no posto de saúde do Barreto o que elas entendiam como “saúde”. Não me lembro das respostas, mas não eram as da OMS.
Hoje, ainda trabalhando na assistência de saúde pública, especificamente psiquiátrica, vejo as pessoas procurarem um serviço médico, isto é, um centro de atenção “psicosocial” (porque será que tiraram o bio?) por diversas questões psicológicas, psiquiátricas, por sofrimentos diversos que nem patológicos são. Mas quem disse que sofrimento tem que ser patológico? E aí só o patológico é que deve ser tratado? Talvez sim. Mas o que fazer com os outros sofrimentos humanos? Será isso responsabilidade da saúde pública? Se não, de quem? Do indivíduo? Mas e a responsabilidade do governo em oferecer serviços que são pagos pelos impostos?
E o que é feito com os impostos? Saindo da esfera da saúde pública e começando na saúde dentro da Justiça descubro um outro mundo. Sem ostentações, sem excessos, mas com essencial para um bom trabalho. Bons salários, boa infra-estrutura, respeito e reconhecimento do trabalho feito. Não há tudo, não é perfeito. Mas que diferença da falta quase onipresente da saúde. Falta de verbas, de medicamentos, de boas condições de trabalho (salvo as exceções temos serviços com condições no máximo razoáveis de trabalho), de profissionais, por vezes de respeito e de reconhecimento. Reconhecimento este que se faz ver nos salários muito aquém daqueles da justiça (e de outras esferas públicas). E não falo aqui de equiparar a salários do executivo, nem dos altos escalões. Mas posso perguntar porque a base da comparação, que é uma arbitrariedade, uma construção, é o salário mínimo. Mínimo de que? Da cesta básica? Então nosso direito básico é de alimentarmo-nos? Se aceitamos tal base como justa porque será que aceitamos os salários 50 vezes maiores? Nossos deputados, senadores são assim tão melhores que nós? E nossos trabalhadores não o são, não valem isso? Não só na saúde, mas também na educação, não valem salários dignos de serem além do básico melhorado?
De repente me vejo a pensar porque só questiono os salários de funcionários públicos. Estarão estes acima dos outros? Ou talvez o mercado privado tenha outras lógicas de valorização, e muitas vezes também de desvalorização quando não exploração. Sujeitos portanto a fiscalização, denúncias. Mas me parece que no mercado privado fica mais claro, para o bem e para o mal, que cada um defende seus direitos. O problema é que alguns têm mais armas para defesa e ainda para ataque. Mas no serviço público temos a tal máquina pública a qual deveria servir aos cidadãos, os quais constituem o país e o sustentam, já que não estamos aqui por benevolência de algum dono do Brasil que nos permite aqui residir. Frase clichê mas o país é seu povo. Então me pergunto: é o povo que determina que funcionários da saúde devem ganhar pouco? É o povo que determina o salário mínimo (comparado ao qual nem todos da saúde ganham tão pouco)? É o povo, essa entidade onipresente de não sei que presença, que desvaloriza a si e aqueles que dele cuidam? Será então a saúde um valor desvalorizado?
Ou será que máquina pública reflete bem menos do que o esperado os desejos dos indivíduos que a constituem e mantêm?

domingo, junho 10, 2007

Duas pseudo-críticas por serem escritas, desde a primeira do ano que foi devidamente escrita e postada. Meses sem escrever, lendo, vendo, ouvindo. Tantas coisas...
Mas hoje, o recesso de Los Hermanos. Um show belo na sexta-feira. A sensação de tristeza agora que não tem mais show por tempo indeterminado. A escrita ainda aparece no lugar de catarse, de filmes a comentar, de um show, de uma tristeza pelo recesso/pseudo-fim (ou será?) da banda favorita.
Mas eles falam por eles mesmos. E talvez por isso tantos adoradores, por isso 3 dias de Fundição lotada cantando em coro, por isso tanto frisson pelo recesso, jogada de marketing ou não, talvez apenas um tempo de verdade para eles.

"não faz disso esse drama essa dor
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber"
Primeiro Andar, 4

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Primeiro filme do ano: Dias Selvagens, de Wong Kar Wai.
Cineclube Odeon. Pré-estréia do filme que é o "primeiro" da mezzo-trilogia continuada com "Amor á flor da pele" e "2046". O último foi um filme catártico de 2006. "Dias Selvagens" teve menor apelo emocional, mas ainda assim é um belo filme sobre o desejo. Esse que nos domina, por mais que tentemos domá-lo. Esse que retorna do nada (será?) e nos angustia, quando ainda não somos capazes de dar conta dele. De bem aceitá-lo. Mas esse mesmo desejo é só nosso, de mais ninguém. Não vem de um além, mas de dentro de algum lugar que está em nós. Por mais que não saibamos o que fazer com ele, é nosso, e a angústia sobrevem da incapacidade de aceitar o que é nosso.
Por mais que se tente, é impossível negar o desejo, amor, paixão. Tantos nomes para uma só coisa: a necessidade de não se sentir só ao longo do nosso tempo no universo.
E o tempo é um outro fator importante no filme (ainda falava sobre o filme?). Pois o desejo não conhece tempo e pode ser satisfeito (parcialmente) em 1 minuto. Ou pode o amor surgir de um momento, de um gesto, de um olhar.
O que parece permanente é a necessidade. Que sempre levará a a novos desejos, amores paixões. Cabe apenas escolher o objeto amado. Escolher????

quarta-feira, novembro 22, 2006

A Última Noite é um filme sobre o fim de um programa de rádio ao vivo. Mais simpelsmente, é um filme sobre o fim e sobre encarar o fim com dignidade, mais que isso, encará-lo sabendo que iria chegar e que nesse meio tempo, tudo valeu à pena. Na verdade é um filme sobre a vida, o fim sendo só o detalhe que torna viver ainda mais importante. Filme bonito, algo melancólico, belas atuações, belos momentos de vida, de personagens. Mais ainda agora, após o falecimento de Robert Altamn, quando o filme assume mais suas características e fica a parecer um quase epitáfio.
Tem crítica na contra campo.
Mas mais que isso, tem os filmes, a serem vistos e revistos, pensados, sentidos. Isso são as obras dos artistas, ficam além do tempo da vida, ficam e marcam outras vidas. É uma forma de entender transcendência.

domingo, setembro 24, 2006

Despensar

O que diz um ato falho?
O que digo eu ao dizer que despenso?

Digo que não penso?
Ou que penso diferente?
Ou que desejo não pensar?

Não pensar é sempre um desejo
O desejo de abdicar do retorno constante das palavras
Essas nas quais me perco, sem dizer
O que, como na música, mais que palavras poderiam dizer.
Não dizendo.

domingo, setembro 03, 2006

Eu quero um Sonny Crocket pra mim...

Miami Vice
2006, Michael Mann

Primeiro, eu não assisti a série de tv Miami Vice. Tenho uma vaga lembrança do que era. Nem sabia que a música "In the air tonight" tocava na série. Quando tocou nos créditos achei que era mais um momento oitentista do filme. Um amigo me explicou que era uma referência direta a série.
Então, não vi Miami Vice como uma adaptação, mas como um filme baseado numa história que, isso me lembro, tinha fortes cores oitentistas. Talvez uma das séries que ajudou a moldar a década. Dessa forma só posso dizer que gostei muito do filme.
Por manter um clima anos oitenta mas adaptado ao século 21. parece estranho, e parece estranho no filme. É uma sensação de dejá vü, sem referências diretas a década de oitenta (nada a ver com as festas Ploc da vida), mas de forma enviesada, relembrando algumas características. Interessante notar, por exemplo, que a Miami do século 21 não é infiltrada de violência como em 80, se ela é muito mais clean, virtual, tecnológica. Entretanto, ao levar a ação a países da América Latina, Michael Mann consegue retomar a antiga violência. Bairros pobres, homens armados, atitudes violentas mas com ilhas de tecnologia semelhante à de Miami. Surpreende a forma como o diretor e roteirista (e produtor da série original) mostra de forma tão pouco caricata essa realidade "nossa".
O que não surpreende são a fotografia e a montagem. Como em outros filmes de Mann, em especial O Informante e ainda Colateral, estes aspectos da direção são primorosos. A captação da luz, o uso das lentes, a impressão de enquadramento desfocado, dão um toque especial a um filme que seria ?só? de ação. Desta forma Miami Vice é um pouco mais que entretenimento, há um tratamento de imagem diferenciado no filme, perceptível, mas não necessariamente gratuito. As imagens fazem parte e diferença no filme. Lembrando que cinema é, antes de tudo (e do próprio roteiro), imagens em movimento!
A trilha sonora segue o clima anos 80 sem ser anos 80. Moby e Audioslave dão um clima anos 80 revisitado pelo século XXI. Mais uma vez, nada de Festa Ploc, nada de simples regravação e sim um trabalho sonoro que remete á algo retrô.
Agora, os atores. Jamie Foxx nem precisa falar, o homem é ótimo ator. Mas Collin Farrel faz um uso primoroso de uma certa canastrice. Seu Sonny Crocket é qualquer coisa entre o bom canalha e o bom policial, com charme. Muito, muito charme. Suas cenas com Gong Li transbordam sensualidade e afetividade. Basta dizer que ao final do filme eu só pensava: "eu quero o um Sonny pra mim".
Sem comparações com Don Johnson, pois nem lembro como era o seu Sonny. Mas não creio que fosse melhor...

sábado, agosto 26, 2006

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia... e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa

domingo, agosto 06, 2006

"Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor"

Vinícius de Morais e Baden Powell, Canto de Ossanha

domingo, julho 23, 2006

Não sei bem o que é
Nem se é alguma coisa
Pode ser que venha a ser
Também pode ser que não
Mas não custa tentar
E ver no que vai dar...

sábado, julho 08, 2006

Me perco em pensar explicações
relações de causa e efeito
algo que dê conta
do que simplesmente não é
Não é
aquilo que somente poderia ser
aquilo quase foi
o que já era
Para ser é necessário
algum despojamento
de si mesmo
alguma curiosidade
do outro
e todo amor
possível
Para que sejamos
enfim
nós dois
(Por hora sou eu
à procura de um certo você)