Aldous Huxley
Fiquei fascinada com o livro, pensando nas similaridades de nosso mundo moderno, consumista, de emoções fáceis e superficiais mas ainda salvo pelos livros, pela arte, pela oportunidade de uma individualdiade e de escolhas ainda não condicionadas (ou não?). Pensei no cinema, nos filmes simples quase sensíveis, nos outros filmes mais instigantes ao pensamento que às emoções fáceis. Pensei em Goddard, como seus fimes aos poucos começam a fazer sentido para mim e na sentença emblemática de seu "Nossa Música": matar um homem para defender uma idéia não é defender uma idéia. É matar um homem. E ainda em Bergman, em O Ovo da Serpente. Pensei em outros filmes que talvez transitem num estranho meio termo. Pensei em Hithcock como esse meio termo, que sabidamente manipulava o espectador mas ao mesmo tempo transbordava algo para além da mera manipulação de sustos.
Pensei em Shakespeare, claro. Pensei em poesia.
Pensei na liberdade para escolher, ainda que a solidão e a culpa, como faz o Selvagem John.
Pensei no "bem estar" e na OMS: "saúde é o bem estar bio-psico-social" e me assustei com a semelhança, com a possibilidade de que a saúde seja uma imposição. Não o são as vacinas? Sempre tendo em vista um bem maior, sempre com base no progresso e na ciência. Não é a epidemiologia fruto do progresso? E a clínica, clássica, fruto do contato entre seres humanos, não está perdendo campo, havendo sempre um novo exame, um novo guideline, fluxograma, que bem defina condutas médicas tão bem e claramente que talvez um dia um computador seja médico? Não pode hoje a Psiquiatria, minha especialidade tão cara, melhorar dores e dúvidas antes espirituais, hoje doença chamada "depressão"? Não tendemos a entender alterações de humor com espectros de bipolaridade que podem ser devidamente corrigidos com doses adequadas de Depakene ou algum outro estabilizador do humor? Estabilizamos humores, organizamos pensamentos. Curamos ou aliviamos sofrimentos mentais?
Pensamentos a posteriori...
Em AI, Spielberg, influenciado por Kubrick e baseado em livro de Brian Aldiss, nos mostra um futuro de robôs que sonham sonhar, para serem então humanos. E nós sonhamos controlar, para sermos robôs?