terça-feira, agosto 05, 2008
sábado, agosto 02, 2008
Auto referências...
Domingo, Maio 28, 2006Apesar de tudo, do quanto te conheço, do quanto sei de suas atitudes, não consigo deixar de pensar que poderia ser legal. Que, de alguma forma mágica, a lá comédia romântica, poderia dar certo. A vida não é comédia romântica, pelo menos a minha ainda não foi (mas já foi romance, ainda que um pouco triste, mas ainda assim romance) mas fico imaginando que poderíamos ser legais, um com o outro, um para o outro.Mas, não tem nada a ver mesmo, então, esse post será minha tentativa de, ao exteriorizar essa idéia, acabar com ela. Não pensarei mais nisso, mas, como diriam os Paralamas...
| sabe... ja sonhei bastante... queria em um outro momento ler um texto assim... feito p/ mim! como procurei... de rpente essa é a graça né? Eu Hoje, sábado, 02 de agosto de 2008 O engraçado é que a pessoa em quem pensava ao escrever esse texto nem deve ter lido, nem sabido dos meus pensamentos. Foi inspiração, talvez alguém ou um sentimento que existiu mais em meus pensamentos e imaginações . Fico pensando o quanto me perco na procura do outro, o quanto fantasio um outro perfeito e não perco a oportunidade de enxergar o próximo ao lado. Talvez me perca tentando me achar. Será essa a graça, Eu? ;-) |
domingo, julho 06, 2008
terça-feira, abril 22, 2008
My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado)
Wong Kar Wai, 2007
Às vezes é necessário que nos afastemos de nosso lugar de origem para que possamos ter uma outra percepção do que nos rodeia. Às vezes estar num outro lugar que nos é estranho, que não causa a familiaridade da origem permite a emergência de algo novo em nós mesmos. Talvez o já conhecido evoque mais racionalização e crítica (mas não sem sentimento), e quando estamos diante de algo novo apareça mais o afeto puro, ainda sem muita possibilidade de crítica, pois ainda não conhecemos aquilo que nos aparece.
O (primeiro) filme americano de Wong Kar Wai me fez pensar nisso. Talvez por ter me parecido seu filme mais sentimental, de um diretor cujos filmes sempre me pareceram marcados por sentimentos enormes, mas reprimidos, impossíveis. 2046, seu filme anterior, me fez pensar exatamente na (im)possibilidade do amor. Mas este My Blueberry Nights (cujo título brasileiro é simpático á doçura do filme, na verdade os títulos brasileiros dos filmes de Wong Kar Way são sempre bons) fala exatamente da busca de possibilidades. Começa com um fim de relacionamento, que leva ao um encontro. Norah Jones (que funciona como atriz, sua inexperiência parece ser utilizada pelo diretor exatamente para marcar a experiência de uma jovem inocente, no sentido de não prejulgar, criticar, de tomar as experiências como algo novo, como uma primeira vez, inexperiência cinematográfica vira inocência de olhar sobre o mundo) e Jude Law (maravilhoso, sempre, charmoso, sempre) se conhecem em meio a outras histórias de cada um, principalmente a dela. Mas Norah/Elizabeth vai embora, fazendo talvez a escolha menos usual, tal qual escolher a blueberry pie do título. Se aventura sozinha na América, não fugindo de uma nova história de amor (mantém cartões postais que contam sua vida para Jude/Jeremy), mas como se fosse necessário procurar algo de si mesma ao se aventurar, para poder retornar e começar um novo amor. Para que este seja realmente novo. A aventura, o risco, está na viagem, na solidão, na falta de certezas marcadas. Mas o que aparece nessa viagem são os encontros de outras pessoas, de outras possibilidades, espelhos que permitem a Elizabeth se reconhecer e descobrir nas diferenças de reflexo. E ao final, bem, ao final descobrimos nós que Wong Kar Wai também se permitiu uma nova escolha, talvez um momento de se reconhecer no reflexo do espelho americano e fazer um conto mais doce que os seus anteriores. Talvez um olhar inocente sobre uma outra cultura tenha permitido uma expressão mais sentimental que reprimida (ainda que essa repressão fizesse transbordar o sentimento, espelhando, permitindo identificação e encantamento...). Diferente, ainda que sendo a mesma base. Agridoces noites, mais doces... :-)
domingo, abril 20, 2008
Coisas da atração, esse estranho poder interno que nos permite o encantamento com o outro e sobre o qual eu não tenho mínimo controle. Mas vivo a tentar controlar...
domingo, março 16, 2008
sábado, março 15, 2008
You Act Like You Are 25 Years Old |
You are a twentysomething at heart. You feel like an adult, and you're optimistic about life. You feel excited about what's to come... love, work, and new experiences. You're still figuring out your place in the world and how you want your life to shape up. The world is full of possibilities, and you can't wait to explore many of them. |
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Eu já fui a Salvador, mas minha fitinha azul no pulso esquerdo não me foi presenteada lá. Eu até ganhei uma lá, rosa, está amarrada em uma bolsa que usava no dia. As coisas das quais somos capazes de lembrar... Um determinado momento e uma fitinha rosa.
Mas a rosa está na bolsa, no pulso tenho a azul. E quando amarrei a azul, aqui no Rio, oferecida como lembrança por uma amiga que fora a Salvador mais de um ano depois da minha estada, bem, quando amarrei a fita eu fiz o que me disseram para fazer.
Eu fiz pedido. Um desejo.
Foi por isso que em Salvador, a terra das tais fitinhas, não amarrei nenhuma ao pulso. Fui sensata em não fazer pedidos. Eu já tivera minha cota de desejos naquele momento, melhor não exagerar. E de qualquer forma, ter uma esperança de desejo amarrada ao seu pulso, como lembrança concreta do desejo, parece um fardo. E desejos não devem ser fardos, pesos, ainda que sejam trabalhosos.
E eu ainda tenho essa fitinha azul, já desbotada, puída, amarrada ao meu pulso, três anos após o amarramento ao pedido. Nem o desejo se realizou, nem eu tive coragem de arrancar a fitinha. Isso vindo de alguém que discute a fé deixa claro que há algo de místico e sagrado que persiste à lógica e à ciência.
Persiste também o desejo.
Já quis arrancar a fita, por raiva, por não me importar, por não combinar com a roupa.
Mas ela persiste. Já puída. Até quando?
terça-feira, fevereiro 05, 2008
sábado, fevereiro 02, 2008
O pessoal da Contracampo e suas ótimas críticas/análises cinematográficas... Em especial essa de Desejo e Reparação está perfeita: http://contracampo.com.br/90/critatonement.htm
domingo, janeiro 27, 2008
With plasticine porters with looking glass ties
Suddenly someone is there at the turnstile
The girl with kaleidoscope eyes
Lucy in the sky with diamonds, Beatles
Mas também hoje, e ainda, a arte serve como resistência ao poder, ao domínio. Se a contra-cultura foi sim fagocitada pelo poder liberal-capitalista, se virou objeto de mercado, ela continua a deixar sua influência, por baixo de toda a massificação que lhe foi injetada. Quando se assiste a um musical em inglês, com musicas de um famoso grupo inglês da década de 1960, com arranjos que em alguns momentos remetem a antigos musicais americanos e em meio a tudo isso que parece já tão massificado encontra-se a beleza, a alegria e algo que permite enxergar o mundo, pensá-lo, talvez aí tenhamos mais uma vez a demonstração da estética e da ética da arte. O humano ainda encontra seus caminhos, para o bem e para o mal.
Belo "Beatles num céu de diamantes".
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird, Beatles
domingo, dezembro 30, 2007
Em "The Perverts Guide To Cinema" Slavoj Zizek fala da fantasia a partir do filme Um Corpo que Cai (Vertigo), citando como a fantasia do personagem de James Stuart de reencontrar a mulher amada, então morta, se transforma em uma obsessão. Em determinado ponto, na tentativa de tornar sua fantasia realidade, ele simplesmente transforma uma Kim Novak na outra (que também era interpretada por Kim, talvez porque no final o objeto sempre seja um só?). Mas a realização da fantasia ganha ares de pesadelo para nós espectadores, como explica Zizek, há sempre algo de estranho, bizarro na realização plena de uma fantasia. Mas naquele momento James Stuart não percebe isso, apenas nós...
Ainda Zizek, em seu texto Lacan as Viewer of Casablanca, fala sobre essa dualidade da fantasia, que nesse texto fica sob o olhar de um Ideal do Eu que precisa esconder o conteúdo sexual ou agressivo, em suma desejante, da fantasia e ainda daquele de um Super Eu que irrompe em angústia para fazer recordar exatamente do que falta nessa fantasia "asséptica" do Ideal do Eu. A fantasia fica então entre o aceitável cheio de angústia pelo que falta e o bizarro da realização plena.
Não é fácil, portanto, ser sujeito desejante. Há que se escolher todo o tempo, sabendo sempre que algo se perde na escolha. Há ainda a saída da sublimação, da arte. Por isso escrever palavras, talvez uma tentiva de exorcizar fantasias desejantes que tentam o ser humano.
Uma última citação: Sombras de Goya (Goya´s Ghosts), novo filme de Milos Forman, fala também de tentação, desejo, loucura, poder, arte e sublimação.
terça-feira, dezembro 25, 2007
http://www.youtube.com/watch?v=IyCsYuKnvWk
Com o tempo descobre-se como alguns filmes definiram de alguma forma o que somos e acreditamos. Há que se descobrir isso, para aceitar, mudar.
Mas qual o problema de querer um Hugh Grant declarando amor in the rain? ;-)
Que o Natal tenha sido bom!
domingo, novembro 04, 2007
Nem parece que a gente cresce.
segunda-feira, agosto 27, 2007
Aldous Huxley
Fiquei fascinada com o livro, pensando nas similaridades de nosso mundo moderno, consumista, de emoções fáceis e superficiais mas ainda salvo pelos livros, pela arte, pela oportunidade de uma individualdiade e de escolhas ainda não condicionadas (ou não?). Pensei no cinema, nos filmes simples quase sensíveis, nos outros filmes mais instigantes ao pensamento que às emoções fáceis. Pensei em Goddard, como seus fimes aos poucos começam a fazer sentido para mim e na sentença emblemática de seu "Nossa Música": matar um homem para defender uma idéia não é defender uma idéia. É matar um homem. E ainda em Bergman, em O Ovo da Serpente. Pensei em outros filmes que talvez transitem num estranho meio termo. Pensei em Hithcock como esse meio termo, que sabidamente manipulava o espectador mas ao mesmo tempo transbordava algo para além da mera manipulação de sustos.
Pensei em Shakespeare, claro. Pensei em poesia.
Pensei na liberdade para escolher, ainda que a solidão e a culpa, como faz o Selvagem John.
Pensei no "bem estar" e na OMS: "saúde é o bem estar bio-psico-social" e me assustei com a semelhança, com a possibilidade de que a saúde seja uma imposição. Não o são as vacinas? Sempre tendo em vista um bem maior, sempre com base no progresso e na ciência. Não é a epidemiologia fruto do progresso? E a clínica, clássica, fruto do contato entre seres humanos, não está perdendo campo, havendo sempre um novo exame, um novo guideline, fluxograma, que bem defina condutas médicas tão bem e claramente que talvez um dia um computador seja médico? Não pode hoje a Psiquiatria, minha especialidade tão cara, melhorar dores e dúvidas antes espirituais, hoje doença chamada "depressão"? Não tendemos a entender alterações de humor com espectros de bipolaridade que podem ser devidamente corrigidos com doses adequadas de Depakene ou algum outro estabilizador do humor? Estabilizamos humores, organizamos pensamentos. Curamos ou aliviamos sofrimentos mentais?
Pensamentos a posteriori...
Em AI, Spielberg, influenciado por Kubrick e baseado em livro de Brian Aldiss, nos mostra um futuro de robôs que sonham sonhar, para serem então humanos. E nós sonhamos controlar, para sermos robôs?
quinta-feira, julho 05, 2007
quinta-feira, junho 21, 2007
Qual a importância da saúde? De manter o tal “bem estar bio-psico-social”?
Quando comecei a faculdade de medicina perguntava as pessoas no posto de saúde do Barreto o que elas entendiam como “saúde”. Não me lembro das respostas, mas não eram as da OMS.
Hoje, ainda trabalhando na assistência de saúde pública, especificamente psiquiátrica, vejo as pessoas procurarem um serviço médico, isto é, um centro de atenção “psicosocial” (porque será que tiraram o bio?) por diversas questões psicológicas, psiquiátricas, por sofrimentos diversos que nem patológicos são. Mas quem disse que sofrimento tem que ser patológico? E aí só o patológico é que deve ser tratado? Talvez sim. Mas o que fazer com os outros sofrimentos humanos? Será isso responsabilidade da saúde pública? Se não, de quem? Do indivíduo? Mas e a responsabilidade do governo em oferecer serviços que são pagos pelos impostos?
E o que é feito com os impostos? Saindo da esfera da saúde pública e começando na saúde dentro da Justiça descubro um outro mundo. Sem ostentações, sem excessos, mas com essencial para um bom trabalho. Bons salários, boa infra-estrutura, respeito e reconhecimento do trabalho feito. Não há tudo, não é perfeito. Mas que diferença da falta quase onipresente da saúde. Falta de verbas, de medicamentos, de boas condições de trabalho (salvo as exceções temos serviços com condições no máximo razoáveis de trabalho), de profissionais, por vezes de respeito e de reconhecimento. Reconhecimento este que se faz ver nos salários muito aquém daqueles da justiça (e de outras esferas públicas). E não falo aqui de equiparar a salários do executivo, nem dos altos escalões. Mas posso perguntar porque a base da comparação, que é uma arbitrariedade, uma construção, é o salário mínimo. Mínimo de que? Da cesta básica? Então nosso direito básico é de alimentarmo-nos? Se aceitamos tal base como justa porque será que aceitamos os salários 50 vezes maiores? Nossos deputados, senadores são assim tão melhores que nós? E nossos trabalhadores não o são, não valem isso? Não só na saúde, mas também na educação, não valem salários dignos de serem além do básico melhorado?
De repente me vejo a pensar porque só questiono os salários de funcionários públicos. Estarão estes acima dos outros? Ou talvez o mercado privado tenha outras lógicas de valorização, e muitas vezes também de desvalorização quando não exploração. Sujeitos portanto a fiscalização, denúncias. Mas me parece que no mercado privado fica mais claro, para o bem e para o mal, que cada um defende seus direitos. O problema é que alguns têm mais armas para defesa e ainda para ataque. Mas no serviço público temos a tal máquina pública a qual deveria servir aos cidadãos, os quais constituem o país e o sustentam, já que não estamos aqui por benevolência de algum dono do Brasil que nos permite aqui residir. Frase clichê mas o país é seu povo. Então me pergunto: é o povo que determina que funcionários da saúde devem ganhar pouco? É o povo que determina o salário mínimo (comparado ao qual nem todos da saúde ganham tão pouco)? É o povo, essa entidade onipresente de não sei que presença, que desvaloriza a si e aqueles que dele cuidam? Será então a saúde um valor desvalorizado?
Ou será que máquina pública reflete bem menos do que o esperado os desejos dos indivíduos que a constituem e mantêm?
domingo, junho 10, 2007
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber"
Primeiro Andar, 4
sexta-feira, janeiro 05, 2007
quarta-feira, novembro 22, 2006
domingo, setembro 24, 2006
O que diz um ato falho?
Digo que não penso?
Não pensar é sempre um desejo
domingo, setembro 03, 2006
Miami Vice
2006, Michael Mann
Primeiro, eu não assisti a série de tv Miami Vice. Tenho uma vaga lembrança do que era. Nem sabia que a música "In the air tonight" tocava na série. Quando tocou nos créditos achei que era mais um momento oitentista do filme. Um amigo me explicou que era uma referência direta a série.
Então, não vi Miami Vice como uma adaptação, mas como um filme baseado numa história que, isso me lembro, tinha fortes cores oitentistas. Talvez uma das séries que ajudou a moldar a década. Dessa forma só posso dizer que gostei muito do filme.
Por manter um clima anos oitenta mas adaptado ao século 21. parece estranho, e parece estranho no filme. É uma sensação de dejá vü, sem referências diretas a década de oitenta (nada a ver com as festas Ploc da vida), mas de forma enviesada, relembrando algumas características. Interessante notar, por exemplo, que a Miami do século 21 não é infiltrada de violência como em 80, se ela é muito mais clean, virtual, tecnológica. Entretanto, ao levar a ação a países da América Latina, Michael Mann consegue retomar a antiga violência. Bairros pobres, homens armados, atitudes violentas mas com ilhas de tecnologia semelhante à de Miami. Surpreende a forma como o diretor e roteirista (e produtor da série original) mostra de forma tão pouco caricata essa realidade "nossa".
O que não surpreende são a fotografia e a montagem. Como em outros filmes de Mann, em especial O Informante e ainda Colateral, estes aspectos da direção são primorosos. A captação da luz, o uso das lentes, a impressão de enquadramento desfocado, dão um toque especial a um filme que seria ?só? de ação. Desta forma Miami Vice é um pouco mais que entretenimento, há um tratamento de imagem diferenciado no filme, perceptível, mas não necessariamente gratuito. As imagens fazem parte e diferença no filme. Lembrando que cinema é, antes de tudo (e do próprio roteiro), imagens em movimento!
A trilha sonora segue o clima anos 80 sem ser anos 80. Moby e Audioslave dão um clima anos 80 revisitado pelo século XXI. Mais uma vez, nada de Festa Ploc, nada de simples regravação e sim um trabalho sonoro que remete á algo retrô.
Agora, os atores. Jamie Foxx nem precisa falar, o homem é ótimo ator. Mas Collin Farrel faz um uso primoroso de uma certa canastrice. Seu Sonny Crocket é qualquer coisa entre o bom canalha e o bom policial, com charme. Muito, muito charme. Suas cenas com Gong Li transbordam sensualidade e afetividade. Basta dizer que ao final do filme eu só pensava: "eu quero o um Sonny pra mim".
Sem comparações com Don Johnson, pois nem lembro como era o seu Sonny. Mas não creio que fosse melhor...
sábado, agosto 26, 2006
domingo, agosto 06, 2006
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor"
Vinícius de Morais e Baden Powell, Canto de Ossanha
domingo, julho 23, 2006
sábado, julho 08, 2006
Por vezes
queria não me afetar
com aquilo que
nem mesmo me é dirigido
Uma palavra
um gesto
uma não compreensão
Que me ferem
entristecem
quando já não deveriam importar
Pois não me são dirigidos
estes insultos e incompreensões
Não compreende o outro
quem não dialoga
quem não se importa
Por que ainda me incomodo
com quem não se importa?
"In my life
To people who don't care if I live or die ?"
Heaven knows I´m miserable now - The Smiths
domingo, julho 02, 2006
quinta-feira, junho 22, 2006
terça-feira, junho 20, 2006
domingo, junho 18, 2006
makes up her mind
another fight
left behind"
There goes the fear, The Doves
domingo, maio 28, 2006
"Se você lembrar,
se quiser jogar
Me liga, me liga"
"Diz pra eu ficar muda faz cara de mistério
domingo, maio 21, 2006
quinta-feira, maio 18, 2006
"People shouldn´t be afraid of their governments
Governments shoul be afrid of people."
Um filme sobre terrorismo, poder e acomodação. Sobre o medo imposto pelo poder que gera acomodação. E sobre a possibilidade, ainda que romanceada no filme, de se ter o poder nas próprias mãos.
Quem é mais terrorista, o PCC ou o governo que paga R$30 mil de mensalão, ganha mais que a maioria da população e não paga devidamente bem policiais que moram ao lado dos traficantes???
"Num beco escuro explode a violência..."
Paralamas do Sucesso
Para uma crítica do filme leia a ContraCampo de sempre e a nova Cinética (crítica do Eduardo Valente!).
sexta-feira, abril 14, 2006
segunda-feira, abril 10, 2006
domingo, março 19, 2006
Mas e aí? O que fazer?
Assistir Big Brother e esquecer... ?????
quarta-feira, março 01, 2006
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
E críticas podem ser escritas apaixonadamente, creio eu. Quase Famosos mostra isso. A Contra Campo é um exemplo contínuo disso. Mesmo as críticas mais fundamentadas e técnicas sempre guardam um olhar de alguém que vê filmes por puro prazer, quiçá necessidade. Acho que escrever críticas deve ter a ver com essa paixão, com essa necessidade de mais um momento de contato com a obra, a necessidade de transbordar em palavras toda a emoção sentida nesse contato. Nas poucas vezes que escrevo algo sobre filmes, músicas, faço por pura necessidade. Creio que por paixão.
Crime Delicado me pareceu um belo filme sobre a crítica estéril e a arte transbordante de paixão e necessidade (no lindo monólogo do pintor).
domingo, janeiro 22, 2006
sexta-feira, janeiro 20, 2006
quinta-feira, janeiro 19, 2006
sábado, dezembro 31, 2005
terça-feira, dezembro 27, 2005
sábado, dezembro 24, 2005
sábado, dezembro 10, 2005
Ou não...
Quando criança achava essa música brega. Talvez ela continue sendo, mas hoje faz sentido.
"Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer..."
Roberto e Erasmo
Tenho para lhe falar também. É provável que você já saiba, mas a dúvida me corrói, gera ansiedade. E por isso, hoje, aqui, nesse espaço pseudo-público (quem lê??) declaro que sou apaixonada por você. Apesar de tudo. Da impossibilidade, da minha consciência disso, da minha racionalidade, e o que mais? Talvez apesar do céu ser azul, o sol amarelo e as estrelas cintilarem. Lhe tenho esse afeto e pronto. Iniciado antes do que possa supor. Fique zangado não, tá? A idéia nunca foi essa e continua não sendo. Simplesmente sou muito menos racional do que pareço, perco o controle com mais facilidade do que imagina. Já tem um tempo que venho descontruindo minha imagem de menina superperspicaz. Aceitar e pode dizer-lhe isso faz parte desse processo. De me tornar uma pessoa diferente, para mim e para os outros a minha volta.
Então é isso.
"Como a gente achou que ia ser..."
Damian Rice / versão de Ana Carolina e Seu Jorge
domingo, novembro 27, 2005
sábado, novembro 26, 2005
" Namorar é fazer pactos de amor com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível
de durar. "
M ela fizera pacto com uma ilusão. Um pouco mais real que todas as outras mas ainda assim algo que exitira apenas em sua mente. Não que seu objeto de afeto não existisse. Algumas sensações não são imaginárias, e após cada encontro ela sabia disso. Mas a ilusão que criou, meio que sem saber, pois sabia que não podia, essa fora só sua. Não podia lhe dizer o quanto representara para ela.
Mas porque não podia?
terça-feira, novembro 22, 2005
Shyamalan é genial. Talvez eu seja exagerada. Mas acho que não. Seus filmes nunca são sobre um tema só, sempre têm mais de uma camada. Revendo Sinais, mais uma vez, pensei nisso. Filme sobre medo? Filme sobre alienígenas? Filme sobre fé? Filme sobre relãções familiares? Sobre tudo isso e mais alguma coisa?
Acho que é sobre tudo isso. E consegue isso de forma magistral. Assusta, emociona, prende a atenção. E tudo isso contando uma história de persongens, gente como a gente, meio estranhos, com seus defeitos e dúvidas. Não há heróis nos filmes de Shyamalan. Mesmo no filme sobre heróis (Corpo Fechado/Unbreakable) ele subverte essa idéia da perfeição.
Para Shyamalan não somos perfeitos, mas ainda assim ele acredita na humanidade. Retrata-a de forma carinhosa, ainda que não negando as falhas individuias humanas (A Vila). Mas acreditando que há algo pelo qual vale à pena em cada um. Acredita na redenção, ainda que para isso haja sofrimento (todos os filmes, incluindo o primeiro sucesso Sexto Sentido, no qual a redenção vem após a morte, e no entendimento e aceitação da mesma).
Humanista esse Shyamalan. E um homem de fé. Na humanidade e suas necessidades, erros e belezas.
Cadê o próximo filme dele???? :-)
domingo, novembro 13, 2005
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)
quinta-feira, outubro 20, 2005
Belo Horizonte é cidade de nome bonito. Nome que fala de esperanças, de horizontes.
Cidade de ladeiras, a lembrarem filme americano de perseguição de carros. Um centro de cidade com prédios cosmopolitas ao lado de outros de 40, 50 anos atrás. Muita gente nas ruas. Polícia Montada. Falavam de violência. Voltei intacta!
Cidade que nos recebeu com noites estreladas, agradabilíssimas. Música de metrópole para dançar até de manhã cedo. Acho até que esquecemos as estrelas...
Cidade de pontos turísticos que se perdem, frente a graça e simplicidade dos lugares comuns. Tão comuns que quase parecem com os de qualquer outra cidade dita grande. Mas que guardam uma certa mineirice, um convite a ser menos expansivo, ainda que não menos alegre. Talvez seja a quietude, um certo ar de respeito pelo alheio. Ou ensimesmamento. Mas cheio de afeto e cuidado.
Cidade que me permitiu conhecer melhor gentes boas, que estranhamente moram no mesmo Rio que eu, estudam onde estudei, mas ainda não conhecia tanto. Onde entendi, mais uma vez, que a vida é simples. Sei que ainda esquecerei mais algumas vezes. O tempo que se perde...
Enfim, cidade que convida ao cotidiano, ao fim dos sonhos em prol do real. Ou, talvez, seja melhor dizer que convida-nos a enxergar o horizonte, e não ficar apenas a sonhá-lo.
Cidade interessante, essa BH.
domingo, agosto 14, 2005
quinta-feira, agosto 04, 2005
Suas escolhas.
Seus atos.
Suas idéias?
Seus ideais?
It was just my imagination
Running away with me
Ouvia a música de sua adolescência e de repente era como se tivesse traído seus ideais. Não era o que realmente quisera ser. Era um fantasma dos seus sonhos. Uma cópia mal acabada. O que se tornara? Uma alienada em todos os aspectos de sua vida, que tentava ir além mas sempre acabava desistindo. Desistia dos ideais de forma tão fácil que hoje se perguntava o que sobrara. O que queria. Era como se tivesse se baseado em premissas falsas. Como se quisesse se enganar. Seria fácil se não soubesse. Mas vez por outra tinha o vislumbre de que tudo não passava de auto enganação, não era real.
Sua vida não era real.
E por mais que quisesse acreditar na fantasia, sabia que era mentira. E incomodava saber que vivia na mentira...
Mas também não tinha forças para romper com tudo. Tinha medo do que poderia vir. De ficar sem fantasia, sem nada.
Think of me when you close your eyes
But don´t look back when you break all ties
sexta-feira, julho 29, 2005
quinta-feira, julho 28, 2005
Sim, é muito mpb, os títulos parecem até de música do Caymi, mas tem rock no meio. Mais uma vez superando os gêneros e classificações os meninos fazem simplesmente música muito da boa!!
terça-feira, julho 19, 2005
domingo, julho 17, 2005
Conheceram-se no refeitório.
Ela sentada, quase imóvel, não ligando para a comida ou os demais ao seu redor. Olhava para o nada, parecia perdida em si mesma. Nem mesmo estranhava aquele lugar, apesar de ser seu primeiro dia ali.
Ele adentrou o refeitório falando com todos. Ao contrário dela que não conhecia ninguém muito menos fazia questão de conhecer, ele parecia conhecer e ser conhecido. Já fazia parte daquele ambiente e parecia gostar. Pegou sua bandeja, escolheu o que mais lhe apetecia do café da manhã e foi sentar-se na mesa com outros pacientes jovens.
Foi quando a viu na ultima mesa, sozinha e distante. Encantou-se, talvez por ela ser jovem como ele (a maioria dos outros eram mais velhos), talvez pela sua indiferença naquele meio onde todos, de alguma forma, chamavam a atenção. Parecia não se importar com tudo aquilo. Parecia fechada em si mesma de tal forma que o resto não lhe importava.
Parecia com ele.
Foi falar com ela.
Continua...
quarta-feira, junho 29, 2005
CORRUPÇÃO
Otávio Velho (professor aposentado de antropologia do Museu Nacional)
O uso do termo para referir-se a suborno, depravação, utilização de meios ilegais no serviço público etc. deriva do seu sentido geral como ato, processo ou efeito de tornar-se apodrecido. É interessante, assim, como a corrupção no terrreno jurídico-político deita raízes na observação de um fenômeno natural, certamente com a mediação da sua utilização no terreno da religião. Só que, na tradição cristã, a corrupção associa-se a uma grande anormalidade inicial: o afastamento dos seres humanos de Deus. É provável, portanto, que, no terreno jurídico-político, trate-se muito mais do controle da corrupção do que de acabar com ela.
O controle, portanto, deveria caber à lei. O que parece, no entanto, é que boa parte da vida social não é redutível a um quadro legal universal. Quase que se poderia dizer que os grupos sociais têm suas fronteiras dadas exatamente pelos limites dentro dos quais se praticam usos e costumes aceitos, mesmo que ao arrepio da lei universal. Exemplos não faltam, o que não deixa de levantar delicadas questões no manejo das relações entre o interno e o externo a esses grupos.
Não é à-toa que na política o decoro ganha proeminência. Os momentos de crise são em geral aqueles em que ele é atingido, seja pelo rompimento das regras não escritas, seja porque a disputa política leva uma das partes, como último recurso, a fazer apelo à lei universal, seja por ingerência externa. Nisso a mídia tem hoje importância decisiva na caraterização de escândalos.
Trata-se de não esquecer que o objetivo possível é aprimorar os controles, sem paralisar a política. Nem o irrealismo ou a demagogia dos que dizem pretender (até como arma política) acabar com a corrupção nem a penalização unilateral dos emergentes, obrigados a expor-se para romper os domínios tácitos. Talvez, então, daqui a dez anos não tenhamos tido nenhuma mudança dramática, mas teremos consolidado a democracia se tivermos resistido a golpes que pretendam interrompê-la ou restringi-la sob o pretexto de aperfeiçoá-la e se tivermos, até, alcançado alguma redução na corrupção. Poderíamos mesmo ter alguma mudança cultural resultado que não pode ser planejado, nem colocado como condição inicial.
REPRESENTAÇÃO
Renato Lessa (professor de teoria política na Iuperj)
Dá-se por suposto que o problema da representação política decorre de problemas de escala. O gigantismo dos eleitorados, a extensão dos territórios e a complexidade da agenda pública tornariam impraticável uma organização política fundada na participação direta dos cidadãos. O curioso é que tal princípio foi inventado e desenvolvido quando os eleitorados eram ainda diminutos, o que faz da suposição algo aparentado da superstição.
Para James Madison, um dos clássicos na matéria, o ?esquema da representação? é o que distingue a idéia moderna de república da de democracia. Mais do que um desdobramento natural do princípio clássico da soberania popular, a representação é um artifício pelo qual poucos e bons falam pelos muitos e nem tão bons assim. Ela, na verdade, é um filtro, cuja principal finalidade é a de reduzir os impactos possíveis da potência da ?multidão? sobre a ordem política.
O que resulta da operação e tal filtro é o que, de forma mais apropriada, deveríamos designar como governo representativo. As democracias realmente existentes são regimes nos quais eleitorados coexistentes à população adulta fazem-se representar por meio de mecanismos eleitorais. Se levado a sério, o desenho indica que a relação crucial é a que se estabelece entre representantes e representados, no sentido de torná-la mais densa e genuína.
O pior cenário para o governo representativo é o da redução da representação a um mecanismo no qual os representantes representam a si próprios e no qual a relação mais significativa é a que se estabelece entre eles e o governo. Qualquer analogia com os dias que correm não será acidental.
In Mais, página 6, Folha de São Paulo, domingo, 26 de junho de 2005.
quinta-feira, junho 09, 2005
-Sim. Afinal, não pedimos a ninguém para sermos criados como indivíduos livres.
-É exatamente esse o ponto central em Sartre. Acontece que somos indivíduos livres e nossa liberdade nos condena a tomarmos decisões durante toda a nossa vida. Não existem valores ou regras eternas, a partir das quais podemos nos guiar. E isso torna mais importantes nossas decisões, nossas escolhas. Sartre chama a atenção precisamente para o fato de o homem nunca poder negar sua responsabilidade pelo que faz. Por essa razão, não podemos simplesmente colocar de lado nossa responsabilidade e dizer que "temos" de ir trabalhar, ou então que "temos" de nos pautar por certas expectativas burguesas quanto ao modo como devemos viver. Aquele que assim procede mescla-se a uma massa anônima e se transforma em parte impessoal dela. Ele foge de si mesmo e se refugia na mentira. De outra parte, a liberdade do homem nos obriga a fezer de nós alguma coisa, a ter uma existência "autêntica" ou verdadeira.
Sofia Amundsen e Alberto Knox, em O Mundo de Sofia, pág.463, de Jostein Gaarder, Ed. Círculo do Livro, 1991.
domingo, junho 05, 2005
sexta-feira, junho 03, 2005
E assim ia, colecionando memórias. Enquanto tentava mesmo era entender porque repetir (um momento) deveria ser melhor que perder-se (num momento).
quinta-feira, maio 19, 2005
Ainda que pareça um filmão B, com uns diálogos meio toscos, de alguma forma Star Wars guarda uma mitologia realmente envolvente, emocionante e inteligente. E que faz todo o sentido neste último filme. Não dá pra explicar como este que é apenas o terceiro filme é ao mesmo tempo o último. Só vendo para entender.
Vadia e mítica"
Te ver, Skank
Já sei, mesmo 3 horas antes de ver o filme, que em Episódio 3 Yoda fala a Anakin sobre o desapego ás coisas, que isso serai importante para que ele se tornasse um Jedi. Sabemos todos que ele vai trilhar o caminho contrário, talvez exatamente por não conseguir se desligar dos seus afetos. Me pergunto ocorre isso, esse desapego. Até faz sentido que tudo se torne mais simples sem afeto: sem anseisos, angústias, cobranças. E sem esperanças e fantasias. Com uma carga de desejo milimetricamente controlada para ser satisfeita com o que é possível e nada mais.
Será Darth Vader mais humano que os Jedis? Provavelmente não tanto mas quem sabe não é a humanidade de Anakin, manipulada, que permite tornar-se Darth Vader.
E eu ainda nem vi o filme...
terça-feira, maio 10, 2005
- Tente imaginar que tudo o que vivemos acontece na mente de outra pessoa. Nós somos essa mente. Não possuímos, portanto, uma alma própria. Somos a alma de outro. Até aqui estamos no campo da filosofia. Um campo que nos é familiar. Berkeley e Schelling iriam aguçar seus ouvidos. [...]"
Alberto Knox, in O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, pág. 361, Ed. Círulo do Livro, 1991.
E se não passamos de produtos de uma consciência maior? E se nesse caso tivermos de aceitar que nossos pensamentos, nossas criações e fantasias podem ter vida? E se por um momento tivermos de aceitar que o mundo não gira ao nosso redor, que podemos tão ser tão responsáveis por nossas vidas quanto essas palavras estão sendo por se autodigitarem? Mas e se ainda assim existir um liver arbítrio?
Paralamas do Sucesso
Vai sempre ter alguém
Com mais dinheiro, mais respeito
mais ou menos tudo que se possa ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa somos imperfeitos
e o falta cega pro que já se tem
Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer
O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas de um sorriso quando me entender
Seja você
Seja só você
segunda-feira, maio 02, 2005
Olhava para o céu à tardinha, à procurá-la
Ansiosa pelos desejos
Ainda hoje olho para o céu ao entardecer
À procura da mesma estrela
Mas já não cobro que realize desejos
(Isto é incubência minha, já entendi)
Apenas que não me permita esquecer os sonhos