sexta-feira, maio 31, 2002

A Copa do Mundo é nossa
Com brasileiro, não há quem possa


Um texto no SpamZine dessa semana fala sobre a descoberta da perda através do futebol. Lembrei de uma história particular, aquela que me afastou do futebol.

Em 1986, meros 7 anos de idade, na 2a série do primeiro grau, eu acompanhava a Copa do México...

Os mexicanos nos adoravam, torciam para o Brasil como se fossem brasileiros, faziam valer a frase "Mi casa, su casa" com sua incrível hospitalidade. Eu estava no caminho de me tornar uma grande torcedora de futebol. Tinha exemplos na família: meu pai, meus avós e minha mãe, que mesmo sendo mulher (ela é minha mãe, né?) entendia alguma coisa do esporte das multidões.

Até que houve a partida das quartas de final, Brasil x França. Eu me lembro daquele dia, um sábado. De manhã saí com meu pai e meu irmão (na época com 2 anos, a idade o salvou de não ter lembranças desse dia) para comprarmos estalinhos, cornetas e outras besteiras para comemorar o jogo. À tarde, por volta das seis horas, não havia o que comemorar. O Zico perdera o penalti!! Eu chorei!!

Com 7 anos, eu, uma menina, chorei, junto com o Vanutti (que na época ainda era da Globo) por causa de um jogo de futebol!!! Aquilo não estava certo! A partir daí cultivei uma antipatia, que durou vários anos, pelo Zico e pelo futebol em geral. Simplesmente dizia que não gostava, mas no fundo tinha inveja das discussões acaloradas, muitas vezes inteligentes, que aquele esporte proporcionava.

Então, em 94, já mais velha, com 15 anos de experiência, decidi tentar, flertar com o futebol e ver no que dava. Acompanhei muitos jogos da Copa sempre sozinha no meu quarto, eram momentos particulares, entre o futebol e eu, não queria dividí-los com outros. Por sorte, naquele ano tudo deu certo. Fomos campeões e eu acreditei que poderia me tornar uma torcedora, uma amante do futebol.

No ano seguinte dei mais um passo no meu aprendizado sobre o esporte: escolher um time do coração, além da Seleção. Como todos em minha casa são tricolores, minha tentativa inicial tinha de ser com o time de Laranjeiras. E comecei em grande estilo: fui à final do Estadual no Maracanã, a famosa final do gol de barriga de Renato Gaúcho.

Foi perfeito. O Maracanã em dia de Fla-Flu deveria ser considerado uma das maravilhas do mundo, tal é a beleza da festa das torcidas. E da festa dos times no campo. Para coroar, ainda tive um daqueles momentos que só acontecem no Maracanã: faltando 6 minutos para terminar o jogo, Flamengo empatando em 2x2 e assim levando o título, meu pai resolveu que deveríamos ir. Meu irmão, muito "chateado" da vida concordou, eu queria ficar, mas quem era eu, uma simples visitante, mal iniciada naquele culto, para discutir. Quando estávamos quase na rampa de saída, acompanhados de alguns outros tristes tricolores, ouvimos aquilo que só pode ser definido como "o grito das multidões". O gol de barriga havia acontecido, o jogo virara praticamente no último minuto. Na rampa, os torcedores fizeram uma corrente, ninguém que estava ali poderia voltar ao estádio até o final do jogo, para não dar azar. Por conta disso, apesar de estar no Maracanã, só fui ver o gol e o final do jogo, em casa, na televisão. Mas descobri porque aquele é considerado o templo do futebol. Coisas mágicas acontecem no Maracanã, de verdade!

E então, parecia que tudo se encaminhava para um bom final. Eu me tornaria uma torcedora de futebol, me deixaria levar pela paixão de milhões de brasileiros e de milhões de pessoas em todo mundo. Mas, não!

No final do mesmo ano de 95 decidi que o futebol não poderia ser uma paixão. Teria de lidar com ele apenas de forma racional, impessoal, como pessoa que gosta, acha interessante, mas não se envolve demais. Isso por causa do Fluminense, que perdeu a vaga no final do Campeonato Brasileiro, num jogo contra o Santos em que ele tinha vantagem de gols. Ouvi aquele jogo no rádio, sozinha no quarto, já imaginado que glória seria ver aquele que eu havia colocado em meu coração, naquele mesmo ano, como "meu time" ganhando o Brasileirão.

Só que o Fluminense perdeu!!

E eu, mais uma vez, chorei por causa do futebol. Meu pai notou minha dor, quando saí do quarto ao final do jogo. Aquilo era demais para mim. As vitórias eram incríveis, sem dúvida, a felicidade de se sentir campeã é uma daquelas coisas que não tem preço. Mas as derrotas também tocam fundo demais. Foi aí que decidi não me deixar levar pela paixão do futebol. E desde então não mais chorei ou vibrei com nenhum jogo. Ainda me digo torcedora do Fluminense, mas sei que sou apenas uma admiradora distante. O mesmo acontece com a Seleção.

Mas isso não significa que não acompanhe os campeonatos e que não vá acompanhar a Copa. Só que o farei com olhos distanciados, de quem acha lindo, mas (por covardia talvez) prefere não se deixar levar...

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