domingo, maio 19, 2002



Homem-Aranha/ Spider-Man

O Homem-Aranha de Sam Raimi tem o ritmo, a agilidade, até as cores de uma história em quadrinhos, transformados em um ótimo exemplo de cinema diversão. Como em toda boa adaptação, o roteiro é bastante fiel à história original, conhecida desde os anos 60 quando Stan Lee criou “o mais humano dos heróis”, mas toma suas liberdades, que em nada ferem a idéia original. Peter Parker é desde sempre apaixonado por Mary Jane (Gwen, no filme, não existe), as teias são orgânicas e não um aparelho criado por ele. Mas isso não é um problema, pois as mudanças servem muito bem a história que tem de ser contada em pouco mais de duas horas e não desenvolvida em revistinhas mensais.

De qualquer forma, o roteiro é enxuto e conta muito bem a história do jovem, que nada tem de especial - aparentemente ele mal tem algo que chame a atenção, além do fato de ser um “nerd” - até se ver dotado de super poderes após ser picado por uma aranha geneticamente alterada (outra mudança do original, mas, os adolescentes de hoje mal devem saber o que é radioatividade e a importância da ameaça radioativa não seria entendida). Poderes esses que ele deve aprender a usar, ao mesmo tempo em que aprende que deve fazer escolhas para se tornar o homem que quer ser, como lhe diz seu tio Ben.

Mas um bom filme não se resume a um roteiro eficiente, e este “Homem-Aranha” tem méritos muito maiores que seu roteiro. Um deles é o elenco. Tobey Maguire encarna Peter Parker com perfeição. Se há pouco mais de 20 anos Christopher Reeve marcou para sempre seu nome como sendo o Super Man, sem dúvida o mesmo acontece agora com Tobey e o Aranha. Desde a primeira frase narrada, passando pelas mudanças que são mais que físicas, até a última cena (e que última cena!!), não há como ter dúvida de que Peter Parker saiu diretamente das revistinhas para a tela do cinema. Kirsten Dunst também está ótima como Mary Jane e junto com Tobey Maguire forma um dos melhores casais cinematográficos dos últimos tempos. Eles têm química, eles são sexy (o beijo na chuva já é uma referência), como diz a música de uma certa dupla adolescente, eles “dão certo”!! O resto do elenco trabalha bem, em especial J. K. Simons que brilha em suas poucas cenas, como o rabugento editor J. J. Jameson. Willem Dafoe tem alguns momentos caricatos como Osborn divido entre ser Norman Osborn ou Duende Verde, mas no todo ele trabalha bastante bem e não rouba a cena do nosso herói. Quanto a tia May, ela é adorável como deveria ser e provavelmente ainda vai aparecer mais nos próximos filmes, pois sem dúvida haverá pelo menos mais um!

Além do elenco, o destaque importante é de Sam Raimi que faz um ótimo trabalho num filme que poderia facilmente ter se desvirtuado de seu rumo, fosse um diretor menos capaz. Mas Sam Raimi sabe imprimir o tom certo a cada cena. Mesmo com clima de história em quadrinhos, reforçado principalmente pela fotografia de tons fortes e pela montagem, o filme não é caricato. Em certos momentos ele beira o “mundo real”, nas cenas emotivas, nos dramas pessoais de Peter e no primeiro grande ataque do Duende Verde. Esse último é quase um momento de catarse em relação aos acontecimentos de 11 de setembro. O sonho americano do que poderia, deveria ter acontecido se super-heróis realmente existissem. Não sei se a seqüência foi gravada antes ou depois, creio que deva ter sido antes, mas sem dúvida funciona muito bem depois daquele trágico acontecimento.

E Sam Raimi ainda prova saber trabalhar com efeitos especiais como poucos. As cenas de CGI são sensacionais, principalmente porque você nunca deixa de achar que aquele ser saltando entre os prédios de NY é o Homem Aranha de Tobey Maguire, e não um boneco feito por computador. O mesmo acontece com as cenas de ação, que mesmo violentas têm seu porque de existir no filme mas não são o único porque de existir do filme.

Há ainda um trilha sonora descolada que serve perfeitamente ao filme. O destaque, sem dúvida, é do tema de abertura de Danny Elfman, que vai entrar para a lista dos grandes temas cinematográficos. Não há como esquecer que aquele é “o tema do Aranha”. Mas o CD tem outras músicas bem legais, que têm tudo a ver com o filme, incluindo a música que muitos cantarolavam antes de iniciar a sessão: “spider man, spider man, does whatever a spider can....”.

Por fim, resta dizer que “Homem-Aranha” é exatamente o filme que deveria ser, nem mais, nem menos. E isso já é dizer bastante coisa. E é motivo o bastante para você ter certeza de que terá ótimas duas horas no cinema mais próximo!!

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