domingo, março 17, 2002

Mais um teste do paquiderme...

Isso me lembra que sou conhecida por alguns amigos como elefantinho cor de rosa...



Que vocalista de banda brasileira de rock você é?


Você é fofinha, bonitinha e simpática. Todos gostam de você. Que maravilha.

sábado, março 16, 2002

Aí está a versão original do poema.

Porque poemas (e obras literárias em geral) devem ser lidos na sua versão original, já que a tradução é sempre uma interpretação, sempre coloca um intermediário entre o leitor e o escritor. O mesmo que acontece com versões cinematográficas de livros, só que nesse caso há muitos outros intermediários (roteirista, diretor, atores,...).

Quien Muere
Pablo Neruda


Muere lentamente
quien se transforma en esclavo del hábito
repitiendo todos los días los mismos trayectos
quien no cambia de marca
no arriesga vestir un color nuevo
y no le habla a quien no conoce.

Muere lentamente quien hace de la televisión su gurú.

Muere lentamente
quien evita una pasión
quien prefiere el negro sobre blanco
y los puntos sobre las "ies" a un remolino de emociones
justamente las que rescatan el brillo de los ojos
sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.

Muere lentamente
quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo
quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño
quien no se permite por lo menos una vez en la vida
huir de los consejos sensatos.

Muere lentamente
quien no viaja
quien no lee
quien no oye música
quien no encuentra gracia en sí mismo.

Muere lentamente
quien destruye su amor propio
quien no se deja ayudar.

Muere lentamente
quien pasa los días quejándose de su mala suerte
o de la lluvia incesante.

Muere lentamente
quien abandonando un proyecto antes de iniciarlo
no preguntando de un asunto que desconoce
o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte en suaves cuotas
recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor
que el simple hecho de respirar.

Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.

Quem Morre?
Pablo Neruda


Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito
repetindo todos os dias os mesmos trajetos
quem não muda de marca
não se arrisca a vestir uma cor nova
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente
quem evita uma paixão
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" a um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um [sonho
quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
quem não viaja
quem não lê
quem não ouve música
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.

Morre lentamente
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito [maior que o simples fato de respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.


Borges achava que Neruda só era um bom poeta por causa da política, em função da conjuntura política na qual estava inserido (assim como todos sempre estamos) e sobre a qual escrevia. E talvez até pelo posicionamento que tomava. (Neruda era comunista, como o amigo Jorge Amado...)

"Creo que fue un gran poeta. Y creo algo con lo que ustedes quizás no están de acuerdo. Yo abomino del comunismo, pero pienso que el comunismo le hizo bien a Neruda. Si no hubiese sido un poeta político, habría sido un mal poeta". Borges sobre Neruda.

Eu (que sou apenas eu e não alguém como Jorge Luis Borges ou Pablo Neruda) gosto muitísimo das poesias de Neruda e vejo nelas algo de comum no estilo (de escrita e de ver, e entender, o mundo) com o de Drummond, poeta e cronista (e quem não sabe??) que também adoro. Ainda não li crítica, comentário ou resenha que fale da proximidade destes dois grandes poetas americanos (i.e. do continente americano) do século XX, será que só eu vejo essa semelhança??

De qualquer forma, importa menos o que eu penso e mais o que você ganha ao ler (e sentir) o poema acima. E ao ler qualquer poema de Neruda. Ou ao assistir o belíssimo O Carteiro e O Poeta, baseado em fatos reais, sobre o exílio de Neruda (como todo bom comunista na América ele passou período exilado do Chile) e, principalmente, sobre como a poesia está nas coisas mais simples da vida e como ela é capaz de tocar exatamente as pessoas (aparentemente) mais simples...
I'm so like Lisa!

I'm Lisa, who are you? by Lexi


Uma amiga já dizia isso... ;-)
O Fred agora também tem testes. Este é o primeiro.


Que canal de TV por assinatura você é?


Gostei do meu resultado... ;-)

It's not a tv channel... It's HBO!

(Eu já usava esse slogan para Arquivo X: It's not a tv series... It's The X Files! Isso na época em que Arquivo X era realmente Arquivo X e não esse enlatado que estreou há duas semanas...)
Outra semana relapsa!

Fica evidente que é algo em que preciso trabalhar: encontrar tempo durante a semana para escrever aqui. Não é difícil, é só uma questão de um mínimo de disciplina!!

Mas, por incrível que pareça, mesmo estando tão irresponsável quanto ao pseudobloguinho, ainda assim fui agraciada com um lisonjeiro convite, e ainda mais uma citação, do MaGo, agora conhecido como magisterX.

domingo, março 10, 2002

Só para constar: faz um calor veranil perfeito no Rio (mesmo sendo adepta do clima frio tenho de admitir isso), acompanhado, muito apropriadamente, de um límpido e belo céu azul e, claro, um sol para abrir o sorriso de qualquer um.

Belíssimos, estes últimos dias na Cidade Maravilhosa. Perfeitos para passeios à beira da praia ou na mata (Floresta da Tijuca, Quinta da Boa Vista) e para banhos de mar, piscina, lagoa, cachoeira ou chuveiro que seja. ;-)

Aproveitemos, enquanto as águas de março não chegam!!
Na sexta (08/03) eu coloquei aqui uma música que julgo ser feliz, que faz você se sentir bem ao ouvi-la. Hoje recomendo um filme feliz: O Fabuloso Destino de Amélie Poulan!

Sei que atualmente existem muitos filmes bons e interessantes em cartaz (por conta do OSCAR daqui a duas semanas) mas esse é um filme que tem a característica de além de ser inteligente e inventivo (o diretor é Jean-Pierre Jeunet de Delicatessen, A Cidade das Crianças Perdidas e também de Alien - A Ressureição) é também um filme que te faz sair do cinema se sentindo bem.

Sem o ranço politicamente correto de certos filmes americanos, Amélie é um filme que dá crédito a humanidade, sem deixar de mostrar que alguns humanos ainda não fazem por merecer esse crédito. Mas também fala das pessoas que fazem por onde serem felizes. E daquelas que com uma ajudinha de Amélie também podem chegar lá.

Um belo filme, para você se sentir bem, mas não de forma anestesiante. Faz você pensar também!!
"Nós gatos já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás"





Que Saltimbanco você é?


Você é teimosa e esforçada. E pra uma galinha... até que você é... bem... é... bem-apanhada!

sábado, março 09, 2002

Hoje à noite a Praça da Apoteose será palco de um momento antológico (o que já é da sua natureza) quando Roger Waters e banda derem os primeiros acordes dessa música cuja letra segue abaixo (só por mera ilustração, já que qualquer habitante do mundo ocidental a conhece).

O público - enorme já que parece que os ingressos se esgotaram - fará parte desse momento, cantando, entoando junto. E mostrando qual o verdadeiro sentido dessa música, que eu acredito, não ser servir a um albúm histórico ou a um filme lisérgico e sim ser cantada por uma multidão!!

Pena que não estarei lá...

Mas desejo a todos uma noite inesquecível!!!

Another Brick In The Wall (part II)
Pink Floyd


We don't need no education.
We don't need no thought control.
No dark sarcasm in the classroom.
Teacher, leave those kids alone.
Hey, Teacher, leave those kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.

We don't need no education.
We don't need no thought control.
No dark sarcasm in the classroom.
Teachers, leave those kids alone.
Hey, Teacher, leave those kids alone!
All in all you're just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.

sexta-feira, março 08, 2002

Uma música feliz sobre a felicidade, baseada tão somente nas coisas simples (e importantes) da vida.

O Decobrimento do Brasil
Legião Urbana

Letra: Renato Russo
Música: Marcelo Bonfá

Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
- Estou pensando em casamento,
Mas não quero me casar.

Quem modelou teu rosto?
Quem viu tua alma entrando?
Quem viu tua alma entrar?

Quem são teus inimigos?
Quem é de tua cria?
A professora Adélia,
A tia Edilamar
E a tia Esperança.

Será que você vai saber
O quanto penso em você com o meu coração?

Quem está agora a teu lado?
Quem para sempre está?
Quem para sempre estará?

Ela me disse que trabalha no Correio
E que namora um menino eletricista
As famílias se conhecem bem
E são amigas nesta vida.

- A gente quer é um lugar p’rá gente
A gente quer é de papel passado
Com festa, bolo e brigadeiro
A gente quer um canto sossegado
A gente quer um canto de sossego.

- Estou pensando em casamento
Ma’inda não posso me casar.
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita.
Alguns dias sem nada escrever...

Falta de tempo!

A vida real urge e a gente se esquece da virtual!

segunda-feira, março 04, 2002

Existem escritores...

Essas pessoas que têm o dom de transformar simples palavras em sentimentos, em coisas sublimes.

Assim como existem pintores, escultores, músicos e artistas em geral.

Milan Kundera foi capaz (claro!) de expressar de forma muito mais feliz algo que eu apenas consegui esboçar no início do post de ontem (03/03):

Atravessamos o presente de olhos vendados; mal podemos pressentir ou advinhar aquilo que estamos vivendo. Só mais tarde, quando a venda é retirada e examinamos o passado, percebemos o que foi vivido, compreendemos o sentido do que passou.
Mais um post introspectivo e talvez sem sentido.

Mas necessário, num momento em que talvez esteja me libertando de uma ilusão de dois anos, para "odernar" as idéias... ;-)

Até que ponto, se você acredita muito em algo, isso não se torna real?

Às vezes a vida nos prega grandes peças.

Ou talvez sejamos nós que nos auto enganamos.

Pode acontecer de nos perdermos em sentimentos, em crenças, em "verdades" que não passam de ilusões. Se a ilusão não atrapalha a vida, se pelo contrário ela ajuda, ao estimular a criação, ao transfomar-nos em pessoas melhores. Então pode se até viver neste mundo à parte. Como numa paixão platônica, que não fere ninguém mas traz para o apaixonado a sensação de alegria e felicidade que só os apaixonados conhecem.

Mas e se essa ilusão nos cria problemas? Nos tira do convívio com aqueles que nos querem bem? Nos leva a cometer atos que normalmente consideraríamos impensáveis? Nos torna alguém de quem não nos orgulhamos??

A paixão é um tipo de ilusão. É um período de tempo durante o qual enxergamos uma outra pessoa de uma forma diferente. Sentimos por ela uma atração mais forte que a normal. Somos capazes de tudo, ou quase tudo, por ela. Mas cedo ou tarde a paixão acaba. Em algum momento os fenômenos neurofisiológicos que mantêm cesa a chama cessam e a chama se extingue.

Ou não...

A não ser que haja amor, carinho, querer bem, amizade, que seja. Aí, a paixão acaba mas o relacionamento permanece.

Mas e naqueles casos em as coisas não deram muito certo? Quando você descobre facetas nada agradáveis da pessoa que você quiz, ou quer, bem? Será covardia desistir do relacionamento e largar o outro a própria sorte por seus defeitos? Ou será covardia consigo mesmo levar a diante uma relação que nada traz de bom para você, que faz de você uma pessoa pior??

Cedo ou tarde chega-se a uma certeza do que fazer. Mas no meio tempo a dúvida é cruel...

domingo, março 03, 2002

Às vezes parece difícil não acreditar no destino, é quase impossível não enxergar que existem sinais pelo caminho. As grandes revelações, decisões e mudanças muitas vezes não acontecem do nada. O momento do acontecimento pode parecer insólito à primeira vista. Mas se olhamos só um pouquinho para trás percebemos como aquilo já vinha se anunciando, por meio de pequenas e sutis pistas.

São pequenas alterações da sua rotina diária, amigos que aparecem quando menos se espera, uma sensção estranha de que há algo que você deve fazer, uma série de textos, filmes e músicas que de repente parecem versar sobre apenas um tema. São pistas que não são compreendidas logo, até porque, elas estão ali para falar ao subconsciente. Quando finalmente aquela idéia, decisão, acontecimento que seja, consegue ganhar força bastante para se tornar real e consciente, nos surpreendemos ao ver que o caminho estava lá e não notamos. Caminhamos por ele quase sem perceber para onde ele nos levava.

Nesse momento sabemos também que é hora de começar uma nova trilha. Que mais uma vez nos lerará a algum lugar desconhecido, mas do qual temos pelo menos idéia de como gostaríamos que fosse. É hora de juntar tudo (amigos, pertences e alegrias), lembrar do que foi aprendido e cuidar para acertarmos mais ou pelo menos não cometer os mesmos erros.

E tentar prestar mais atenção às pistas. Quem sabe assim, um dia, seremos capazes de prever o futuro...;-)

Mistério é tudo aquilo que (ainda) não somos capazes de explicar...

O maior mistério é não haver mistérios.
O hábito de estar aqui agora
aos poucos substitui a compulsão
de ser o tempo todo alguém ou algo.

Um belo dia (por algum motivo
é sempre dia claro nesses casos)
você abre a janela, ou abre um pote

de pêssegos em calda, ou mesmo um livro
que nunca há de ser lido até o fim
e então a idéia irrompe, clara e nítida:

É necessário? Não. Será possível?
De modo algum. Ao menos dá prazer?
Será prazer essa exigência cega
a latejar na mente o tempo todo?
Então porque?
E neste exato instante
você por fim entende, e refestela-se

a valer nessa poltrona, a mais cômoda
da acasa, e pensa sem rancor:
Perdi o dia, mas ganhei o mundo.

(Mesmo que seja por trinta segundos.)


Paulo Henrique Britto é autor de Trovar Claro

Retirado do caderno Mais+, Folha, 03/03/2002.

quinta-feira, fevereiro 28, 2002

Essa música é de uma simplicidade incrível, já que é uma música infantil. Mas ainda assim me parece mais bonita e mais profunda que muitas músicas "adultas"...

Coração
Turma do Balão Mágico


Pra cantar
Pra brincar
Pra dançar
E até dormir
Sempre
É sempre assim
Você mora
Dentro de mim

Quero ouvir tua voz
Me falar de namorar
Quando, coração,
Você pensa se apaixonar?

Uma vez pensei
E quase te falei
Que o amor
Chega sem avisar

Coração, coração
É tão bom o teu calor
Vem cantar pra mim
Tua linda canção de amor

Se eu sorrir
Se eu chorar
Se eu mentir
Amigo meu
Sempre
Coração
Você sabe
Você e eu

Então olha amigão
Você vai dizer pra mim
Diga: sim ou não
É verdade que o amor tem fim?

Uma vez pensei
E quase te falei
Que um amor
Nunca vai ser ruim

Coração, coração
É tão bom o teu calor
Vem cantar pra mim
Tua linda canção de amor


Lembram da Simony e Jairzinho, crianças? Ele até que se tornou um bom músico, mesmo que não esteja nas "paradas de sucesso". Ela trilhou outros caminhos...

Visitei o www.infancia80.com.br, site, evidentemente, dedicado a tudo que marcou a vida de quem tinha entre 0 e 15 anos durante a década de 80. Jogos, programas de tv, filmes, quase tudo tem lá. É um site extremente nostálgico e eu, que já vivo entre o mundo da lua e o passado, fiquei pesando no quanto a infância é uma época boa. Talvez até a melhor época da vida, dependendo da história da sua vida, é claro.

Evoluir é bom, é necessário. Ao contrário de uma amiga minha eu acredito que nós temos a chance de nos tornarmos melhores com o passar do tempo, é para isso que estamos aqui. Mas se por um lado devemos amadurecer, aprender a lidar com o mundo à nossa volta, tornarmo-nos seres que sabem usar sua inteligência e sua independencia, por outro também acredito que existe algo da infância que é bom mantermos. A capacidade de nos surpreendermos, de nos admirarmos com o mundo à nossa volta é muito importante para que não comecemos a achar tudo extrememente tedioso, sem graça.

A partir do momento que começamos a olhar a vida com o olhos cansados, como quem já sabe tudo e nada mais tem para aprender, a vida talvez perca o sentido e a graça. Vagar pelo mundo apenas ensiando os outros (se se chegar a tanto) ou gabando-se da própria sapiência me parece ser uma experiência um tanto ao quanto vazia...

terça-feira, fevereiro 26, 2002



Eu queria que fosse a Bela, pois adoro ela. Mas a Jasmine também tem bastante personalidade, não dá pra negar. Só teria ficado meio chateada se fosse a Branca de Neve, porque ela é uma Amélia, vive para cozinhar, arrumar a casa e esperar o marido. Fiquei surpresa quando cheguei a essa conclusão sobre a Branca de neve, quando revi o desenho há dois anos. Branca de neve era uma Amélia... Cheguei a imaginar se Walt Disney não tinha se inspirado na canção de Ataulfo Alves e Mário Lago.

Mas é bom ver que os desenhos da Disney, mesmo sendo contos de fadas, evoluíram e hoje mostram mulheres que não ficam à espera de príncipes encantados par salvá-las. Elas estudam, leêm, pensam, enfim, vivem para algo além de seus homens... ;-)

domingo, fevereiro 24, 2002

Onze homens e um segredo/ Ocean's Eleven

Diversão e charme. Estas são as palavras que melhor definem Onze homens e um segredo. É um filme charmoso do início ao fim, e em praticamente todos seus detalhes. Um filme no qual você sente que aquelas pessoas na tela (e por trás dela) se divertiram, e no qual você também se diverte. Tudo isso graças a um ótimo trabalho de equipe de atores, diretor, roteiro, trilha sonora e montagem, e todos os outros responsáveis pelo filme.

George Clooney é charmoso por natureza, então, é claro que esse filme caiu como um luva para ele (e foi ele que primeiro teve a idéia do remake, após ler o roteiro), principalmente sendo dele o papel de Daniel Ocean, o cara que sai da prisão e resolve chamar os amigos para passar o tempo e arquitetar um roubo ousado de três cassinos de Las Vegas. Brad Pitty trabalha como há muito não fazia e junto com Clooney protagoniza alguns dos melhores diálogos do filme, a dupla tem um entrosamento invejável.

Mas não só os dois astros se sobressaem, todo o elenco dos 11 amigos de Ocean tem direito a brilhar. Dentre eles Matt Damon, ótimo como o novato que tem de provar que não vive à sombra do pai; Don Cheadle, divertidíssimo como o especialista em explosivos; Carl Reiner, o veterano picareta que sofre de úlcera; e ainda Elliot Gould, Bernie Mac, Scott Caan, Casey Affleck e Shaobo Qin, este um acrobata do circo chinês! Soderbergh mostra, mesmo num filme-pipoca, porque é considerado um ótimo diretor de atores, fazendo com que todos apareçam e mostrem seu valor.

O único porém fica por conta de Julia Roberts e Andy Garcia, falta charme aos dois, exatamente o mesmo charme que transborda em todos os outros atores. Talvez porque Andy Garcia seja o rival de Clooney, e Julia a garota que trocou Daniel Ocean por seu rival, eles não sejam tão carismáticos, porque nesse filme, os caras legais, goste você ou não, são os ladrões, não os caras “certinhos”!!

O que mais falar sobre Steven Soderbergh? Alguém duvida que ele é um ótimo diretor? Talvez um dos melhores da atualidade? Ele consegue passar de filmes pequenos para blockbusters com maestria. E consegue fazer dos filmes pipoca algo que apesar de ser escapismo, entretenimento puro e simples, não fere a inteligência do espectador. E, acima de tudo, ele promove duas horas di-ver-ti-dís-si-mas, para fazer até o mais chato dos intelectuais lembrar que cinema também pode ser diversão pura e simples, conatanto que o filme seja bom.

O roteiro, mesmo se aproveitando da idéia original do Onze homens e um segredo de 1960, é bastante atual e guarda muitas surpresas e reviravoltas, até para quem assistiu o filme com Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr e compania. Há os elementos básicos dos atuais filmes de grandes roubos: aparatos técnicos, espionagem, jogo de gato e rato. Mas tudo isso com um ritmo que remete ao que há de mais básico no cinema: a capacidade de contar uma história e entreter o público. O filme mantém o interesse o tempo todo, e não lança mão de surpresas só para isso, pois há ótimos diálogos, que mantêm o ritmo do filme. As surpresas até existem, e são inteligentes, pouco previsíveis e servem muito bem ao filme, principalmente por não serem o seu único trunfo (o que por vezes acontece nesse tipo de filme).

E se falamos de ritmo, charme e diversão, a trilha sonora não poderia ser outra se não jazz. A música é outra aliada da história dos onze amigos, emoldurando perfeitamente todos os momentos do filme, principalmente o roubo em si. Música e cenas estão tão bem conjugadas que um completa o outro e quase não existe sem o outro. É difícil lembrar do filme sem lembrar da trilha sonora, você vê as cenas e quase vê as notas musicais como atuando no filme.

A procura de duas horas de diversão inteligente, feita com intuito de fazer você esquecer dos problemas e mergulhar numa boa história? Saia da frente da tv ou computador e vá ao cinema assistir ao roubo arquitetado por Daniel Ocean e seus amigos. Aposto que você não vai se arrepender!